Sr. Min
istro acabo de ler no Correio da Manhã que vai ser a aberta uma Representaçã0 Diplomática em Singapura e que ficará associada ao Centro de Negócios (AICEP).
istro acabo de ler no Correio da Manhã que vai ser a aberta uma Representaçã0 Diplomática em Singapura e que ficará associada ao Centro de Negócios (AICEP). Vou contar-lhe uma história passada, durante a Cimeira ASEM (Ásia Europa) realizada em Banguecoque em 1-2 de Março de 1996. Portugal participou com uma larga delegação, chefiada pelo então PM Eng. António Guterres. Foi durante essa reunião que se iniciou o processo da autodeterminação de Timor-Leste de quando houve aquela famosa "mãozada" entre o PM Eng.António Guterres e o Presidente Suharto da Indonésia. Nessa altura o Eng. Guterres deu uma conferência de imprensa, onde estive presente e anunciou que em curto espaço de tempo iria abrir uma embaixada de Portugal em Kuala Lumpur (Malásia). A informação foi publicada em todos os jornais da região e de Portugal. Já lá vão 12 anos e a missão diplomática nunca foi aberta e até nem era necessário. Abrir uma embaixada em Singapura será um erro porque não justifica. Até posso afirmar sem ponta de dúvida alguma que não justificam as depesas com a abertura de um representação comercial, na cidade ilha, que custa os olhos da cara ao contribuinte e em tempo de vacas magras.
Por experiência conhecemos os mercados do Sudeste Asiático
e aquilo que Portugal tem vendido desde há mais de duas dezenas de anos. A embaixada de Portugal, em Banguecoque, já há muitos anos tem sido o centro comercial, consular e diplomático para sete países. O sr. Ministro Luis Amado, antes de tomar a decisão, deverá contactar o serviço consular do seu ministério e informar-se que número de vistos foram concedidos a cidadãos dos sete países do sudeste asiático E, também, consultar as estatísticas de exportação e importação, balança de pagamentos, entre Portugal e os sete países: Myanmar, Laos, Vietname, Cambodja, Malásia, Singapura e Tailândia. Chegará à conclusão que não justifica a abertura de uma embaixada de Portugal em Singapura. Lembro ao sr. Ministro que a embaixada de Portugal em Banguecoque não tem o quadro de funcionários preenchido: o Vice-Cônsul exonerou-se no ano 2000 (não foi substituído), o chanceler atingiu a idade ao fim de 50 anos de serviço, foi descansar (2001) para casa (não foi substituído), o assistente administrativo principal, era eu, entrou na reforma (não foi substituído) . Falta, ainda, mais pessoal que não vou aqui mencionar e o que está por lá, umas vezes por contrato, outras sem ele etc.etc.. Ora sendo a embaixada de Banguecoque uma missão com 188 anos, de vida (não paga aluguer de instalações) teria de ser esta equipada, conveniente, de pessoal e a base diplomática, consular e comercial para a Malásia e Singapura. A Birmânia, o Laos, o Vietname e o Cambodja há muitos anos nem a parte diplomática, comercial ou consular o movimento, embora não seja nulo, é quase isso. Sr. Ministro abrir-se hoje uma embaixada ( o mesmo da sorte que teve a de Manila) e depois amanhá encerrá-la não dá e despesas desnecessária. Aceite sr. Ministro um conselho de um homem que conhece esta área como as suas mãos e 24 anos a trabalhar, eventual, assalariado e depois vinculado ao funcionalismo público, na embaixada de Banguecoque. A abertura de uma missão diplomática, em Singapura, é um erro grosso se for levado a efeito.
José Martins
P.S. Enviado, o texto, por e-mail, directo ao gabinete do Sr. Ministro
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