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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA-TERCEIRA PERNA

Terceira Perna
Saí de Lopburi cerca das 9 horas da manhã. Tomei o rumo nordeste em direcção de Pitsanulok.
Embrenhei-me por estradas rurais e perdi-me do rumo traçado.
O problema é que essas vias as tabuletas de orientação não estão designadas na língua inglesa.
No "tablier" do Vitara está colado, com um adesivo, um GPS, dos antigos, que é uma pequena bússula, cujo custo não vai mais além de dois euros.
Funciona perfeitamente e indica-me os quatro pontos cardeais só que lê as direcções com margens de erro.
Eu sei que Pitsanuloko se situa no norte nordeste e será o rumo a tomar. O problema viria a surgir-me a 70 quilómetros de Pitsanulok quando numa pequena localidade onde passava a estrada principal, um grupo uns 6 agentes da autoridade estavam a desviar o trânsito desta via de quatro linhas para outras secundárias.
Qual o motivo não cheguei a compreender se seriam excursões dos "camisolas vermelhas" em direcção a Banguecoque para protestarem, junto ao Governo, por qualquer coisa.
Desviado da rota andei po ali em palpos-de-aranha, em estradas de pouco trânsito e com as esperança de encontrar uma tableta que me indicasse Pitsanuloko.
Estou absolutamente perdido.
A bússula agora indica-me que estou a rodar para sudeste e para trás da destinação do meu caminho.
Áreas pouco habitadas ao norte uma cordilheira de montanhas altas, que pelo mapa segue para o Laos.
A estrada foi apertando e encontro uma família, junto, a sua casa de madeira a tomar uma refeição.
Saio do carro para lhes solicitar a informação para onde deveria seguir para Pitsanulok.
Perante a família, surpresa, a olhar para mim como se eu fosse um animal do jardim zoológico.
Claro era mesmo para isso um "farangue" (estrangeiro na Tailândia), naquelas bandas onde certamente não teria passado, antes, um só que fosse...
No meio daquela família, rural, saiu uma rapariga e num inglês entendível e orientou-me que o remédio seria o de voltar para trás.
Estava fora da rota de Pitsanulok cerca de 1oo quilómetros.
O manómetro do combustível já tinha passado o sinal de meio tanque. Estações de abastecimento não há por aquelas bandas onde podesse encher o tanque, só uns bidons de duzentes litros, à porta, de umas pequenas vendas, para os tractores e motorizadas.
Porém facultou-me, mais uma vez, que as gentes tailandesas são de paz e acolhedora.
Vivem entre a abundância, a religiosidade e o seu Rei, onde em todas os lugares encontrei a sua imagem, em poster grandes ou pequenos.
E, não só...
Há um festival de bandeiras da Tailândia espetadas nas bermas das estradas ou nas casas sejam estas de madeira ou de tijolos.
Isto me dá-me a entender que o sentido da nacionalidade dos tailandeses está bem vinculada em suas suas almas.
Não vi ninguém vestindo o tão famoso "t-shirt" de cor vermelha, o que dá a entender aquela camisola só se usa na cidade de Banguecoque e não nas províncias.
Também não vi ninguém interessado, na política, mas cada um a esgaravatar para a sua subsistência amanhando os campos, uns já lavrados para receberem os pequenos caules da planta de arroz e aguardarem que as chuvas lá para o mês de Abril.
Não deixarei de aqui salientar que a Tailândia suportará a crise económica, que os entendidos dizem estar, mundialmente, à porta bem melhor que outro país.
As terras deste país são demasiadamente fértiles e, como poderá acontecer, a escassez de poder compra de comida, em certas nações, a população da Tailândia não estará sujeita ao rigor da alimentação e muita terá,ainda, para exportar.
O país está provido de excelentes estradas, onde vamos encontrar muitas delas duplas de quatro linhas para cada sentido.
Poder-se-à percorrer uma distância de 600 quilómetros em pouco mais de seis horas.
Não deixo de salientar que durante os 700 quilómetros já percorridos não encontrei brigadas de polícia de trânsito a fazer-me parar e só apenas uma para desviar o meu curso.
Não há radares e a velocidade é como: "presunção e água benta, cada um um toma a quer..."
Não vi acidentes de estrada e a inexistência, sem dúvida alguma, contribui o excelente piso e a sinalização.
Em, Pitsanulok, encontrando a cidade com bastante tráfego automóvel preferi não ficar optar por Sukhothai à distância de uns escassos 60 quilómetros e uma via rápida que demorei cerca de 40 minutos.
Passei pela cidade e a 10 quilómetros situa-se o parque histórico e, como em anos anteriores hospedei-me num pequeno, confortável hotel, o "Old City".
A acomodação custa 400 bates (cerca de 8 euros), no rés do chão, parque para estacionar o carro, junto ao quarto.
O pessoal em simpatia é o melhor que se pode encontrar.
Aliás á assim em toda a Tailândia. Estou localizado a 100 metros do parque histórico, que o percorri, hoje, a partir das 8 horas da manhã. Dormir uma noite em Sukhothai é uma experiência única...
Acorda-se ao cantar dos galos e o silêncio durante a noite é abismal. Nota-se de momento uma certa escassez de turistas e não como nas últimas vezes onde estes nas bicicletas, alugadas a dois euros por dia percorriam o parque histórico e as redondezas.
Há bastantes, pequenos hoteis, nas imediações do parque acessíveis a todas as bolsas desde 10o bates (pouco mais de dois euros). Igualmente restaurantes que confeccionam comida europeia; um pequeno almoço por cerca de três euro e uma outra refeição, durante o dia, ou noite, com uma cerveja e um café não vai além de 5 euros.
O lugar é absolutamente seguro sem molestar turista que seja ou o seu caminhar ser interrompido por esta ou aquela oferta de produto, como normalmente, acontece em Banguecoque com os motoristas de táxi ou os dos "tuk-tuk".
Mas não é só em Sukhothai, igualmente, em todas as pequenas cidades da província.
Descrevendo a história de Sukhothai esta foi a primeira capital do Reino do Sião.
Os thais são oriundos do sul da China e uma etnia, minoritária,expulsa que como todas as outras, seguem o curso dos rios em direcção ao mar. Históricamente não se conhece a data que os thais se fixaram nas terras em redor a Sukhothai e vão vivendo na condição de nómados.
Calcula-se que a população não seria mais do que umas 5 mil almas e estão sob a jurisdição do Império Khmer.
Na proximidade do final do século XIII dois líderes thais, revoltaram-se contra a subjugação dos Khmers, tomam conta da cidade e identificam-se um povo como nação.
Por durante 120 anos os thais, em redor da que se pode considerar a cidade real, cultivam as terras; criam gado bovino e cavalar e negoceiam-no nos pequenos países seus vizinhos.
Durante a curta existência do reino de Sukhothai, de 120 anos, é entronizado o Rei Ramkhamahaeng, o Grande, que continua na mente dos tailandeses heroi nacional, criou o primeiro alfabeto da língua tailandesa.
Alguns historiadores aventam a hipótese que os thais teriam saído de Sukhothai e estabelecerem-se em Ayuthaya em 1350, dado a conflitos com os seus vizinhos, despótas e usurpadores que constantemente os disturbavam.
Porém eu não sou da mesma opinião dado que já por algumas vezes exploramos, como hoje o fizemos, as terras adjacentes à cidade real.
As terras, embora, de fertilidade não têm um rio na proximidade onde lhes seja fácil obter água para a necessidade da população assim como para a rega.
Os thais, no meu parecer, não estiveram livre de grandes secas (tudo indica que sim) e o povo ter passado grandes sacrifícos nessas estiagens. Ora é normal ainda hoje se observar, junto às casa rurais que pouco mais são do que a construção da era de Sukhothai, junto aos telhados largos potes de terracota,para recolherem a água no tempo das chuvas. Aliás, ainda hoje, numa estrada, observamos o transporte de uma dessas vasilhas de grande armazenamento de água.
As terras de cultivo não são por aí além de grande dimensão para a toda a população e os thais não se poderiam deslocar para grandes distâncias da sede do Reino pelo facto de poder ser molestados.
Seriam um dos factos que o Rei Utong ordenou a seus homens de confiança que fossem procurar outra terra para onde podesse deslocar o seu povo.
De volta os seus emissários informam o Rei que tinham encontrado uma ilha cercada por três rios e de muita fertilidade.
Esse território descoberto era não mais nem menos que Ayuthaya que na altura, se já era habitada, seria de pouca gente.
Rei Utong traz o seu povo, os seus haveres; o gado onde se incluem uns milhares de elefantes e instala-o em Ayuthaya e funda o novo Reino de Ayuthaya em 1350.
A instalação dos thais em Ayuthaya dá-lhes uma nova forma de viver e muita abundância.
Até 1511 os tailandeses viverem sob o signo da fartura, iniciaram a construção de novos templos budistas, idênticos aos que tinham deixado em Sukhothai onde o estilo da arquitectura khmer está bem patente.
Porém com a chegada dos portugueses Ayuthaya toma outra dimensão e o caminho da riqueza.
Nos dias de hoje ainda se vai ao encontro de muito que teria existido no tempo da fixação dos thais, em Sukhothai, e este se nota no meio rural circundante às ruínas da cidade real.
A pastorícia, o cultivo ancestral das terras e a construção de casa de madeira que pouco ou nada mesmo, diferem dos tempos remotos.
Nota-se entretanto, pelas ruínas de templos, espalhadas pelas pequenas montanhas ao redor das terras de cultivo que para os thais a religiosidade era uma parte importante no seu viver.
A cidade real está toda, à sua volta, vedada com um muro de terra batida e logo a seguir um cana.
A porta da cidade é em tijoleira.
Quanto ao canal para cá do muro este além de servir de obstácu-lo para a penetração do inimigo serviria, ao mesmo tempo, de cisterna de recolha das águas, cujas estas seriam consumidas na estação fora de chuvas.
Outra forma de recolha de água e vamos encontrar, hoje, muitos lagos, que deveriam ter sido abertos pelo poder dos braços dos thais, junto a ruínas dos seus ídolos, que serviam para o armazenamento de água na época das chuvas.
Para os portugueses, interessados, em visitar Sukhothia, um experiência que lhes ficará para sempre na memória, poderão consultar o balcão de turimo do hotel onde se hospedam.
Para os jovens pouco endinheirados, de Banguecoque há transportes de autocarros e de comboio.
Em Sukhothai há acomodação para todos os preços.
José Martins