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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA-QUARTA PERNA

Lampang 19.12.08
Quarta perna
Parti de Sukhothai para Lampang sob uma manhã radiante. O céu límpido sem uma núvem para dar outra beleza às fotografias.
Como já me referi o lugar onde se situa o Parque Histórico encontrava-se, praticamente despido de turístas não como, anos anteriores o tinha encontrado.
Não ouvi queixas de ninguém o falar-me dos incidentes políticos em Banguecoque, porque estes afinal não afectaram, em nada, a vida dos tailandeses.
A vida continuou...!!!
De Sukhothai, para Lampang segui a rota de Tak, guiando por uma auto-estrada moderna, de dois sentidos com uma coluna de cimento a dividir as duas vias que se poderá afirmar, sem ponta de dúvida, dar-se um acidente,só poderá suceder, no caso de condutor adormecer.
Encontrei duas brigadas de polícia de trânsito entre Sukhothai e a pequena cidade de Tak fazendo-me parar, perguntaram-me qual o meu destino sem contudo me solicitaram a carta de condução e os documentos do carro.
Simpaticamente e sorridentes mandaram-me seguir com uma boa viagem.
Curiosamente, como já tinha acontecido nos dias anteriores não encontrei uma "camisola vermelha", o que me deu a entender que a cor vermelha continua a não ter lugar na sociedade tailandesa, mas em vez desta a de cor amarela.
Como nota curiosa os que vestiram as camisolas vermelhas (alguns) são destas bandas e me parece mais ao norte em Chiang Mai.
No meu roupeiro, de casa, há por lá umas camisolas de cor vermelha e minha mulher teve o cuidado, antes de partir para viagem, de não colocar uma que fosse!
Por aí, inocentemente, vesti-la e quem me visse, de vermelho, poderiam-me julgar um suspeito.
Os duzentos e poucos quilómetros de Sukhothai a Lampang percorrem-se em cerca de 3 horas, sem grande correria e dar tempo para se admirar a paísagem, para além das margens da estrada, montanhosa.
Chegado a Lampang hospedei-me no hotel "Tipchang", pelo preço de 700 bates (uns 15 euros) com pequeno almoço.
A cidade de Lampang, depois de 10 anos a ter visitado, sofreu um enorme desenvolvimento, alargando-se urbanisticamente para fora da cidade.
A parte velha, encontra-se praticamente sem ser bulida.
Encontram-se muitas casas, centenárias, construídas de tabuínhas.
A gentes são laboriosas, a partir das 7 da manhã as ruas têm um intenso movimento de carros e motorizadas com as pessoas a deslocarem-se para suas ocupações.
As crianças e jovens em idade escolar dão um colorido, muito especial, com as roupas, bem "limpinhas" a caminho de suas escolas. Jovens ordenados, muito concentrados. Antes que as aulas tenham inicio, os alunos perfilam no parque ou relvado, ouvindos seus professores. Às 8 é transmitido o Hino de Sua Majestade o Rei da Tailândia e todos a queles estudantes o ouvem respeitosamente. Talvez a Tailândia seja um exemplo, no parte da educação dos seus jovens, para certos países da Europa, onde se incluiu Portugal, onde as autoridades, deste Reino, que regem a educação se preocupam em formar a sua juventude para o futuro. "Posters" gigantes com a fotografia de Suas Majestades os Reis da Tailândia encontram-se apostos em todos os locais da cidade. Seja como pretendam interpretar este facto, visto ou criticado pelos "farangues" (estrangeiro na Tailândia), o povo tailandês desde há muitos séculos tem vivido adorando os seus monarcas e, com isto, a contribuição para a união das gentes.
Apraz-me aqui relevar que desde o início da fundação, do Reino, nunca os tailandeses se guerrearam uns contra os outros.
A história não reza divergências entre eles, mas unidos nas guerras a que estiveram sujeitos com os vizinhos.
Porém não me parece que os acontecimentos, recentes, iria colocar os tailandeses a pelejarem ou até modificar o sistema político da Tailândia. É que 20 mil ou mesmo 100 mil vestidos de "vermelho" não seriam capazes de transformar a vida ou a política de 65 milhões de almas.
Os tailandeses continuarão, por muitos anos, a viver com os seus reis, com os seus templos, com os seus monges budistas e até com outras religiões, dado há tolerância de Reis, na Tailândia, nunca as religiões ocidentais ou asiáticas foram perseguidas.
Os tailandeses são submissos aos princípios que herdaram dos seus antepassados e esses irão continuar a viver.
O acidente político, de Banguecoque, acontecido há poucos meses, não é nem terá as consequências de um "Tsunami" como o classificou, creio, ao do Pukhet há 4 anos,
Nuno Caldeira da Silva (tolero-lhe a sua pouca experiência neste país), há dias num escrito que inseriu no seu blogue http://frombangkok.blogspot.com/ .



A realidade de um país não pode ser vista de "rabo" alapado no fundo de uma cadeira; abrir websites de jornais e revistas e cozinhar artigos, sacar fotografias e dar opiniões para impressionar...
Mas para que possam ser dadas, convictamente, terá vir-se ao terreno e ver com olhos de ver e isto que vou fazendo há muitos anos e continuarei a faze-lo por amor à causa.
Lampang possui o templo "Wat Prakew Suchadaram" que encerra muita história de outras eras.
O portugueses, passaram por Lampang servindo o Rei de Ayuthaya, nas lutas que travou com o Rei do Pegu.
Foi pelo bom serviço dos Portugueses, prestado ao Rei na conquista de Chiang Mai que no regresso a Ayuthaya que o monarca lhes concedeu privilégios que o Fernão Mendes Pinto relata na "Peregrinação": ««E aos cento e vinte portugueses que com lealdade vigiaram senpre na guarda de minha pessoas, darão meio ano do tributo da rainha de Guibém, e liberdade em minhas alfândegas, por três anos, sem lhe levarem coisa alguma por suas fazendas, e seus sacerdotes poderão publicar nas cidades e vilas de todo o o meu reino, a lei que professam, do Deus feito homen para salvação dos nascidos como algumas vezes me têm afirmado.»»
Desde essa data o templo, que viria a servir de aquartelamento do rei e dos soldados portugueses, seus guardas, ficaram as espingardas e os canhões.
O templo que recomendo a visitar aos que viajarem a Lampang no complexo sagrado, encontram-se figuras, mitológicas, esquisitas onde por exemplo se animais, curvados, a adorarem o Lorde Buda.
Dentro de um edifício destinado a museu (que não pude visitar dado estar encerrado) existem algumas espingardas, portuguesas, e raras, nos tempos actuais, na Tailândia.
No interior de uma pequena capela está a imagem em estátua de soldado siamês com uma espingarda, com a bandoleira pendurada ao ombro, portuguesa e à frente, num pequeno relvado, duas bocas de fogo de pequeno calibre.
Nessa ocasião (1550) as armas e canhões que existiam no Reino do Sião foram introduzidas pelos portugueses.
Outros sinais da passagem dos soldados, lusos, por Lampang estão sinalizadas com as ameias à volta do Wat Prakew Suchadaram, embora mais rudimentares das que vamos encontrar em várias localizações e pontos estratégicos de defesa da cidade de Ayuthaya, estão ali bem patentes, em Lampang e a recordar a presença dos portugueses no Reino do Sião.
Como já referi, antes de iniciar esta viagem era para me deslocar ao templo "Wata Patan Khum Muang" onde os portugueses lutaram contra eles mesmos uns a favor do Reio de Ayuthya (Sião) e outros pelo lado do Rei do Pegu.
Dada a escassez de tempo não me foi permitido de ali me deslocar. Ficará para outra altura.
Não consegui localizar um pequeno fortim localizado na parte velha da cidade, onde estão dois canhões portugueses à frente à entrada. Posso afiançar com toda a convicção que em meados do século XVI não havia outras armas de fogo estrangeiras, no Reino do Sião, a não ser aquelas que os portugueses introduziram a partir de 1511 e de quando se fixaram em Ayuthaya.
E melhor certeza me dá que os filmes, épicos, "Rainha Suriyothai" e o "Rei Narasuen", realizados pelo príncipe Chatri Chalerm, sempre haja feito referência aos soldados portugueses e às armas de fogo.

À MARGEM
Bem razão tinha Fernão Mendes Pinto escrever na "Peregrinação": "Da muita fertilidade do reino Sião, e de outras particularidades dele..."


Durante o dia a cidade é calma.
A circulação de automóveis não é significativa. O trânsito automóvel para Chiang Mai passa ao lado de Lampang.
Os habitantes da cidade a grande maioria trabalha nas cerâmicas, sendo Lampang o maior centro industrial da Tailândia.
A noite aproxima-se e quatro ruas adjacentes à via principal é tascada de tendas onde tudo se vende desde comida confeccionada, roupas, electrónicos, frutas, doçaria regional, carne e muitos vegetais.


Esta gente habituou-se a comprar as suas refeições nessas tendas. A vida afadigada, do quotidiano, não lhes sobra tempo para cozinhar.
Até não sei lhes ficaria mais em conta dado que o preço da venda da mesma é baratíssimo.
Há comida para todos os gostos desde a espetadas de carne de porco a pato estufado com arroz.


A Tailândia produz demasiada comida, a preço baratíssimo. As terras tudo produzem e já assim era no tempo de Pinto e continuam a sê-lo. Povo com comida e barriga cheia é feliz...
Assim o tem sido e continuará a sê-lo. Mas o que mais surpreende é a simpatia desta gente e a tranquilidade que se disfruta e não menos a segurança no caminhar na rua.
José Martins