"A transladaçã0 foi contratualizada com uma agência de funerária de Maputo, antiga cidade de Lourenço Marques, e foi com surpresa que, ao chegar lá, me vi obrigado a contratar pessoas e a resolver toda a borucracia sozinho.
Disposto a partilhar a experiência vivida com a associação de ex-combatentes ou famílias interessadas em ter de volta os militares ainda enterrados nas ex-colónias, Moreira Marques admite que a pior experiência foi vivida no consulado.
"Era a última etapa. Tentei uma audiência, para conseguir a isenção das taxas, e foi-me negada. Mandaram-me fazer um requerimento. No dia seguinte, com o tempo contado, e como a aprovação da isenção não chegava, fui obrigado a pagar. Curiosamente, até liquidei o reconhecimento (?) das assinaturas dos falecidos. Seja lá o que isso for", protesta Moreira Marques. O JN não conseguiu falar com a tutela"
(Parte da peça escrita pela jornalista Teresa Cardoso, 5.1.09)
Nota: Ora o senhor Moreira Marques (que não deve ser homem novo) perdeu um filho na guerra de Moçambique.
E ficou por lá sepultado, algures, num cemitério qualquer e com o tempo o espaço foi envolvido pelo capim.
Era a Guerra e eu estive lá... Mueda, Macomia, Sagal, Montepuez, Diaca, Nacatar e Porto Amélia.
Não fui soldado, mas mecânico da Azevedo Campos que construia estradas na Província de Cabo Delgado.
Mueda era a conhecida como a base da "Terra de Guerra".
Morriam por lá gente, soldados, civis e pessoal da Azevedo Campos, como estorninhos num olival, no Outono, sob os "chumbos" dos tiros da arma de um caçador.
O senhor Moreira Marques, um velho, depois da morte do filho viveu angustiado, como é óbvio.
Pretende trazer, com isenção de emolumentos, os restos mortais para a terra onde seu filho nasceu.
O Consulado do Maputo (quem o gere aqui envolve-se o embaixador), está-se nas "tintas" para ajudar o pobre do homem, português e beirão, como eu, dos quatro costados.
Porém mais nada adianto só que por vezes sinto-me infeliz de ter nascido português...!
José Martins
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