DIPLOMACIA "PIPOCA" DE ARROZ
Hoje estou inspir
ado e apetece-me escrever. Há dias sou igual ao Venceslau de Morais, desaminado, sentado à sua mesa de escrever, entre a solidão na sua casa, em Tokushima, (Japão) depois de lhe terem morrido os seus dois amores japonezinhos.
Vivia por ali enregelado de frio e, acredito, sem qualquer comidinha para se alimentar.
O Venceslau que poucos portugueses conhecem a história de sua vida, os japoneses chamam-lhe o "Venceslau do Japão".
Várias vezes vou buscar um dos quatro livro que tenho na minha biblioteca para me alimentar o espírito... Um dos meus preferidos é "Venceslau de Morais Notícias do Exílio Nipónico", que em mão, em Banguecoque, me ofereceu com uma dedicatória, o Dr. Jorge Dias que tinha sido o seu autor.
O Dr. Jorge Dias, sofria do coração, notei a sua doença e faleceu pouco depois, de regressar, da capital tailandesa, ao Japão.
Venceslau de Morais foi um oficial da Marinha Portuguesa que viria abandonar pelo amor ao Japão ou pelo amor que por lá deixou de quando a canhoneira Mondego numa visita de cortesia, num porto, lançou o ferro.
Ainda está pouco esclarecida a razão porque teria sido que Venceslau de Morais numa carta informava Lisboa a sua intenção de abandonar a Marinha Portuguesa e renunciar ao montante de sua reforma.
Bem se pode entender que Venceslau de Morais teria sido humilhado e mandou colher urtigas o posto de capitão-tenente da Marinha e a compensação pelos seus serviços (que foram muitos Portugal) a reforma. Venceslau de Morais morreu no Japão, já depois dos 70 e tais anos e sepultaram-no, em Kobe, junto aos seus dois amores, as japonezinhas.
Mas os japoneses honraram o Venceslau, com um busto, em Kobe numa praça pública.
Ora Venceslau do Japão foi um homem daqueles: antes partir que torcer e não aceitou humilhações de "pirolitos" hierárquicos no seu tempo.
Eu também fui humilhado por um "pirolito" que caiu na diplomacia portuguesa por favor e nos modos: "arranja lá um lugar para o meu rapaz...", que se chama Luis Cunha.
Por mais incrível que possa parecer o chefe de missão o embaixador Faria e Maya sustenta um "pirolito" diplomata, de baixo estofo, que grande dano tem produzido a Portugal na Tailândia e uma vítíma, humilhada, fui eu depois de 24 anos na Embaixada de Portugal em Banguecoque.
Um homem com 74 anos, a minha idade, não chora pelo lugar deixado, mas decepcionado como pode ser a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros expedir diplomatas para uma missão que nem tão-pouco servem para limpar o chão da chancelaria.
Uma das perguntas que iria fazer ao ministro Luis Amado, se passasse por Banguecoque, seria se ele ainda não conseguiu terminar com as "capelinhas" e os jeitinhos no Palácio das Necessidades.
E por último: "senhor ministro Portugal não vai a lado nenhum com gente desta no estrangeiro!"
José Martins
2 comentários:
E, com gente como o Luís Amado e outros dentro de portas também não vai a lado nenhum!
(obrigado pela visita ao meu blog)
Correcto e afirmativo!
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