Resquícios de memórias de tempos difíceis
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Forrobodó" do poder foi isso que observei pouco depois de o embaixador Tadeu Soares assumir funções da gerência da Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Igual e durante os meus já 15 anos de permanência que levava nesta casa e servido três embaixadores: José Melo Gouveia, Sebastião de Castello-Branco e Gabriel Mesquita de Brito, nunca tal coisa tinha visto.
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Chegou a Banguecoque em vez de usar a cabeça usou os pés!
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Procurou desde logo os seus homens de confiança o Alípio Monteiro e Nuno da Mota Veiga e trata de arrumar o pessoal administrativo e um diplomata.
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Procurou desde logo os seus homens de confiança o Alípio Monteiro e Nuno da Mota Veiga e trata de arrumar o pessoal administrativo e um diplomata.
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A Embaixada de Portugal não é, no seu modo de ver, um departamento do Estado Português, no estrangeiro, mas uma sua propriedade que corta e risca dentro de sua vontade.
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Ora nem o Nuno da Mota Veiga ou o Alípio Monteiro eram pessoas que conheciam os cantos da casa ou mesmo a cidade de Banguecoque.
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Estavam ali, nem mais nem menos, para dar conta a Tadeu de novidades e fabricarem a intriga, o que a eles lhes convinha, o arrumar fora da missão os funcionários antigos e tomarem, eles, conta da embaixada.
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O Mota Veiga, pouco se sabia dele, além de permanecer em Macau, fazendo por lá umas “biscatadas” sem nunca ter entrado para o serviço do Governo de Macau.
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Dizia ser arquitecto, mas nunca apresentou a sua licenciatura e uma autêntica “salsada” o curriculum que foi enviado para o Palácio das Necessidades de quando de sua admissão como contratado a termo certo.
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Do Alípio Monteiro muito menos (ainda hoje, sempre doente e a trabalhar na embaixada), o seu passado e como o curriculum do Veiga, uma “salada de grelos”, onde ontem trabalhou para a TAP, depois corrector da bolsa no Canadá, ingressa novamente na TAP, destacado na Suíça e deixa a companhia aérea porque se casou com uma senhora tailandesa.
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Mas pela boca dele, disse para alguém, que um dos seus trabalhinhos na TAP, antes do 25 de Abril, foi o de “bufo” de viajar nos aviões e ouvir quem falava mal do regime de Salazar.
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Porém o Monteiro não chegou com as mãos abanar a Banguecoque (pelos gastos que fazia) e até disse para alguém que tinha dinheiro para o resto de sua vida.
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Mas o Monteiro de quando o vi pela primeira vez, no Dia de Portugal, em 1999, na Residência dos Embaixadores, numa pequena festa que Tadeu Soares ofereceu à comunidade portuguesa, residente, informou-se que era reformado da TAP tinha comprado uma quinta no nordeste de Banguecoque e que se iria dedicar-se à agricultura.
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Mentira ser reformado da TAP e verdade ter adquirido uma quintinha.
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Mas para outra pessoa, o Monteiro, viria mais tarde dizer-lhe que tinha tido grandes negócios de petróleo no Texas (Estados Unidos)
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De qualquer forma é ainda um mistério como teria sido que o Mota Veiga e o Alípio Monteiro entraram nos meandros da embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Estas admissões eram igual ao “forrobodó” do poder de Tadeu Soares.
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Nunca se lhe ouviu uma palavra de desagravo para o Monteiro e o Veiga, enquanto para mim ou o Dr. Câmara, pegava por tudo e por nada sem qualq
uer razão que lhe assistisse.
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A Residência dos Embaixadores, passou a ser uma casa de hóspedes e, apareciam por lá, uns homens estrangeiros, de penteados estranhos e um que eu vi uma vez (creio dos Estados Unidos) quando caminhava encolhia o “traseiro”, já sumido.
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Pouco dias de Tadeu chegar a Banguecoque, chegou-lhe um amigo dos Estados Unidos.
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Um homem da casa dos 45 anos e esteve hospedado, na residência com ele, durante um mês mais ou menos.
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O americano era advogado, com escritório na Florida.
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Quando de manhã chegava à chancelaria ia recolher o expediente à “casa forte” que durante a noite tinha chegado da CIFRA, da Secretaria de Estado e junto a este, por vezes mais de 50 folhas de processos, judiciais, que o secretário do advogado, da Florida, lhe enviava, para ler e depois de volta lhe enviar as instruções pelo máquina que estava ligada ao criptofax onde recebia faxes ou os expedia pelo sistema de máxima segurança.
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Ora tudo isto e porque era eu que recolhia o expediente ficava incomodado como era possível um chefe de missão autorizar a um estrangeiro, alheio aos serviços, que a máquina do fax do Estado Português fosse usada por ele!
José Martins
José Martins
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