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Vive-se em Díli o 10º aniversário comemorativo da realização do referendo que permitiu aos timorenses expressarem a sua vontade de escorraçar o invasor indonésio do regime desumano e antidemocrático de Suharto. Então, há dez anos, Timor-Leste deu os primeiros passos para a sua liberdade e independência, julgávamos nós.
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Dez anos volvidos, analisando o percurso percorrido, as acções e atitudes da comunidade internacional, dos países mais envolvidos e da ONU, não podemos fazer um balanço tão satisfatório como nos querem fazer crer.
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Os défices do Estado timorense são enormes, os da Austrália também, os da Indonésia idem, os de Portugal nem se fala, mas os défices mais vergonhosos são os de Xanana Gusmão e de José Ramos Horta, entre outros timorenses da elite política, assessorados por muito do Corpo Diplomático acreditado em Díli, pelos países lusófonos – principalmente Portugal e o Brasil – e substancialmente pela ONU, pela UNMIT e seu representante do Secretário-Geral, Atul Khare.Aquilo a que se tem assistido nestes últimos dias em Timor-Leste, mais propriamente em Díli, é à chegada de “altos” representantes de vários países, que aproveitam a oportunidade para sancionarem o golpe de Estado, a corrupção, os abusos de Poder, os atentados à liberdade, os credíveis falsos atentados, as execuções sumárias na residência do presidente Ramos Horta, os conluios e nepotismos do governo AMP, as infracções a leis por parte do primeiro-ministro Xanana Gusmão – caso da Lei 7, quando o PM permite que a sua filha receba lucros fora da Lei em negócio aprovado pelo punho do próprio, etc.
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O défice democrático, o medo, as pressões, as ameaças, são vulgares em Timor-Leste. É comum darem-nos conhecimento, inclusive, de Embaixadas que chamam a atenção dos seus cidadãos, em serviço em TL, para não usarem do dom da palavra, da liberdade de expressão sobre Timor-Leste, para não fazerem isto nem aquilo a fim de não causarem “problemas diplomáticos”. A própria ONU, UNMIT, funciona assim.
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À revelia da Carta das Nações Unidas e dos Direitos Humanos, à revelia da democracia que uns quantos, hoje mesmo, estão a afirmar existir em Timor-Leste, mentindo. Sabendo que estão a mentir e a usar de uma dose letal de hipocrisia e de oportunismo repelente. Os elogios sucedem-se entre corruptos e corruptores, entre golpistas e assassinos de pessoas e destruidores de bens.
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Choram-se palavras comoventes e lágrimas de crocodilo pelos Mártires.O bem que vislumbrámos para Timor-Leste, que fosse livre e independente, não existe, como dizem.
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Na verdade foi isso o que perseguimos durante décadas, para agora aparecerem uns senhores de colarinhos brancos mas de comportamentos e almas sujas, que encenam verdadeiras Feiras de Vaidades em Díli, sob o pretexto de estarem a comemorar algo de significativo para o povo de Timor mas que mais faz lembrar um super encontro internacional da Máfia Global.
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Na verdade, de parabéns estão só os timorenses, os que lutaram no mato, nos órgãos de apoio internos e também nos externos. É dia de recordarmos e enaltecermos sinceramente os heróis mortos no combate ao invasor e opressor indonésio.
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É dia de repensar o que querem os timorenses para Timor-Leste. Certamente que não querem esta Feira de Vaidades, este gastar de recursos, este esbanjar em receber tantos e tão maus, alimentá-los e fornecer-lhes todas as mordomias possíveis e imaginárias.Esperemos que ao menos os protagonistas da Feira das Vaidades e da Hipocrisia saibam olhar para fora das suas viaturas de frescos interiores quando percorrem as ruas de Díli, ou para além das janelas dos quartos de hotéis e das embaixadas.
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Mas não vomitem o conteúdo dos vossos lautos banquetes sempre que passe um timorense que tem para sobreviver menos de um dólar norte-americano. Apesar de tudo munam-se de penicos e vomitórios, façam-se acompanhar pelos recipientes e usem perfumes fortes para disfarçar. Cuidado com os maus odores.
Publicada por Fábrica dos Blogs em 21:50 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Timor-Leste
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