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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 - "ANNUS HORRIBILIS" EM PORTUGAL

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"Abro a porta do ´bengalow´ que ocupo no ´Jolly Frog´, o sol nasceu límpido sem nuvem, no céu, lhe esconda o brilho"


Levantei-me hoje ao nascer do sol.
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Abro a porta do “bengalow” que ocupo no “Jolly Frog”, o sol nasceu límpido sem nuvem, no céu, lhe esconda o brilho.
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Hoje é o primeiro dia do ano de 2010. Em Kanchanaburi, na passagem do ano velho para o novo não houveram festas de arrebenta o “malho” como talvez a esta hora, uma e meia da manhã em Portugal, os portugueses festejem a entrada do 2010 com a euforia habitual dos anos anteriores.
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Os portugueses são gente de festas, de romarias e do futebol. Basta-lhes isto para se quedarem uns “felizes contentes” e esquecem-se das agruras do seu viver no presente.
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Coloquem-lhe num palco, erguido na praça pública pela frente; o Quim Barreiros a tocar acordeão e a cantar o “cheirar o bacalhau da vizinha”; outros artistas fruto da tacanhez do Portugal onde nasceram.
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Uns jogadores de futebol a dar entrevistas à televisão ou à rádio a calinarem a pronúncia da língua de Camões e lá estão os portugueses uns “tipos” felizes da vida a ouvi-los.
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Porém, apenas, uma pequena percentagem de portugueses conhecem a gravidade dos problemas económicos e sociais em que o seu país se encontra.
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Para os outros chega-lhes o futebol, a cegada das músicas do Quim Barreiros (símbolo do nosso atraso); os fados da Marisa, do Carlos do Carmo e a “chachada” dos programas dos canais de televisão, onde os principais actores, bamboleiam o traseiro que bem nos demonstram aquilo que são na vida real.
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Parte dos portugueses quase não dão por ela que estão a ser governados por gente de baixo estofo e que lhes está a tirar o couro e o cabelo.
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Desconhecem que o seu país caminha para a falência económica/social, mercê da incompetência de quem rege os seus destinos. Não conhecem o ditado: “só perde quem tem, e quem os governa não perde nada, porque quem os lá colocou os não colocasse”.
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Alguns portugueses nunca se aperceberam que têm sido governados por certos grupos de homens, mais ou menos como aquele dito que eu ouvia, de quando jovem: “vira o disco e toca o mesmo, canções do Francisco José”.
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Ora a juventude até à casa dos quarenta anos (alguns já com o cabelo grisalho e tarde para começar nova vida porque nunca tiveram um estável emprego), não conhecem que os homens dos Governos que dirigiram Portugal depois de Abril 1974, têm sido sempre os mesmos.
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Só já o não são aqueles que partiram deste mundo, outros que foram ficando, “marrecos” pelo caminho, reformados e ainda outros, como espectros, de um passado triste, continuam andar por aí a mostrar a sua cara sem vergonha.
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Trocou-se a trampa mas o cheiro é o mesmo!
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Não vou referir-me ao “annus horribilis”, (2009) que findou há poucas horas, porque se aqui o fizesse seria um novelo que nunca mais chegaria à ponta do fim da meada.
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Viveram os portugueses sob a gente de Governo sem vergonha na cara. Mentiras, falcatruas de todo o feitio, perseguições, a jornalista, que denunciaram actos menos dignos; corrupção, reformas milionárias a uns “tipos” que nunca vergaram a mola ou fizeram “porrinha” que fosse na vida, mas vivendo de expedientes.
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Quem tecla estas linhas não procura dividendos nenhuns. Já fez o que tinha a fazer na vida. Dentro de oito dias entrou nos quinze lustros de existência ao de cimo da terra e desejaria nos dois ou três, se porventura tenha pela frente, que visse, ainda, o Governo de Portugal nas mãos de homens “bons” (que felizmente os há) e não entregue a “quadrilhas” de salteadores.
José Martins
Rio Kwai . Kanchanaburi - Tailândia

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