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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ECONOMISTAS E GESTORES TEMEM BANCARROTA E CRITICAM CAVACO

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Pedro Ferraz da Costa


Finanças públicas
por Rudolfo Rebêlo
Hoje - Diário de Notícias
Patrões pedem a intervenção de Cavaco Silva para mediar o OE de 2010 entre oposição e Governo, com medidas do "tipo FMI" para enfrentar "situação perigosa" que o País vive. Famílias vão viver pior em 2010

Os empresários temem o surgimento de uma "convulsão social" em 2010 e apelam ao Presidente da República, Cavaco Silva, para que este "mobilize a sua influência" na "promoção dos entendimentos" entre Governo e oposição sobre a adopção das "medidas necessárias" em sede de Orçamento para 2010, "semelhantes ao choque do FMI", dizem, aludindo à actuação do Fundo no início da década de 80.

"A situação é perigosa", acentuou o empresário Pedro Ferraz da Costa, acrescentando que "não há razão para que o Presidente da República não intervenha". Os patrões, ontem reunidos no Fórum para a Competitividade, temem a "bancarrota" provocada pelo aumento da dívida pública - induzido pelos défices orçamentais e pelos desequilíbrios nas empresas públicas.

Cavaco Silva acaba mesmo - em texto oficial, subscrito por empresários, gestores e alguns economistas, como João Salgueiro - por ser responsabilizado por não ter contribuído para o esclarecimento "dos grandes problemas estruturais das Finanças Públicas e da economia portuguesa".
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"Teria sido muito útil que a partir de quedas anunciadas de receitas fiscais, o Presidente da República tivesse promovido a discussão pública do assunto", refere o texto distribuído à imprensa.

Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, não escapa a duras críticas. É acusado pelos patrões de "pouco rigor e empenho eleitoral" no tratamento do "3.º orçamento para 2009".

Os economistas e empresários estão de acordo que "os próximos anos vão ser difíceis". A médio prazo, sintetiza Ferraz da Costa, "caminhamos para a bancarrota".
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Com a dívida pública - directa e indirecta - acima dos 100% e o endividamento externo na vizinhança dos 100% do PIB, Portugal está sob vigilância negativa das casas de rating, o que poderá ter como consequência um aumento da factura da despesa com juros que "neste momento é equivalente a 10% das exportações".
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Não é possível "aumentar o endividamento", sob pena de a banca internacional cortar crédito a Portugal, afirma o presidente para o Fórum da Competitividade. "O financiamento externo da economia é o problema", diz.
Com o desemprego em alta, pode existir um foco de convulsão social? "Quanto mais tarde, pior ", responde Ferraz da Costa.
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Com o défice externo - na vizinhança dos 10% - sobre pressão do pagamento de juros aos estrangeiro (balança de rendimentos) e do comércio externo - apesar da queda das importações -, o ajustamento terá de ser efectuado na procura interna. Ou seja, também no corte do nível dos gastos das famílias, para reduzir o défice das contas externas.
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"É um bom ano para se congelarem todos os salários em Portugal", referiu o economista João Salgueiro, a propósito do aumento do salário mínimo, já que, diz, "tivemos uma das inflações mais baixas da Europa".

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