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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O PAÍS ESTÁ A EMPOBRECER ALEGREMENTE

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Mais do que isso, olha para o seu umbigo... e não vê mais do que os fogos fátuos de ter o nome da capital ligado ao Tratado de uma União Europeia que é bem capaz de nos olhar com ar de desdém. Muitos são os dislates cometidos.
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De: Fernando Cruz Gomes
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E de tal forma que o desemprego – barómetro certo das agruras que batem à porta das maiorias populacionais – já passou os 10 por cento. E por muito que se diga que a culpa é da crise internacional, que todos estão a sofrer desse mal, que não há volta a dar, a não ser seguir, atento e venerador, o que da (outra) Europa os ventos nos trouxerem... a verdade é que vamos empobrecendo alegremente.

E já nem é empobrecer em termos de dinheiro e de coisas assim. Empobrecemos em termos de dignidade. De honra mesmo. Empobreceríamos mesmo que tivéssemos os bolsos cheios de... dinheiro fácil.

E agora ainda com poucas razões para estarmos esperançados em dias melhores. É que, como se não bastasse a crise económica que nos morde as canelas e o tal “Face Oculta” que ainda mexe – e vai mexer ainda mais – o Governo, sem maioria, entrou numa onda defensiva. A oposição é que vai marcando pontos. E mesmo que não cheguem para deitar abaixo o Governo – era mesmo o que Sócrates e seus apaniguados quereriam... – vai moendo... É que, com o Parlamento a querer governar, chumbaram-se vários documentos governamentais, ameaçaram-se outros, obrigou-se a recuos estratégicos que o Governo juraria não fazer, mesmo apresentando um orçamento rectificativo que, pelos chumbos sucessivos, está por demais descaracterizado.

Para a Eurostat – que analiza dados e compila estudos – Portugal está em maus lençóis. Não há credibilidade. Não há força anímica. E o povo, mesmo gemendo sob o fardo das intempéries, traduzidas em faltas que já doem demasiado, não tem maneira de mudar.

O Governo está, de facto, na defensiva. E enquanto não mudar, arribando pelas suas próprias forças, não terá força para o combate à crise. Nem para recuperar um certo ar de iniciativa política que chegou a ensaiar logo após as eleições que lhe atiraram, de novo, com as responsabilidades governativas para o colo, ainda que sem maioria absoluta.

Nem sabemos porquê, lembrámos, agora mesmo, umas certas fotos da crise académica de Coimbra, já o 1969 ia alto. Uma crise que os estudantes entenderam ser porta aberta para a greve aos exames. Por essa altura, ainda Américo Thomaz lá foi. Ele... e todo um conjunto de dignitários, bem acompanhados por luzidio cortejo de Policia a cavalo e de carros entrincheirados em tudo o que era passível de parecer “ninho de revoltosos”. Os estudantes ganharam. Enquadrados pelo povo de Coimbra... foram eles que, aos poucos, levantaram o pendão que haveria de surgir, forte, num “25 de Abril” que já é só passado. As fotos fiseram-nos lembrar a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.

Muitas figuras de proa da Europa. Muitas cabeças coroadas. Muita polícia. E sem necessidade... já que contrariamente ao que acontecera em 69... não havia recalcitrantes à vista. Estavam longe. A tentar debelar os muitos males de que enfermam. Estavam longe e, quando muito, acompanharam as cerimónias via Televisão. Rilhando os dentes para não chorar. Enraivecidos por não verem as mudanças que eram bem capazes de devolver a honra e a dignidade ao País. E que existem, de uma forma geral, em todos os (outros) cantos da Europa.

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