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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

OS SUCATEIROS E OUTROS GAJOS DE GRAVATA CÁ DO NOSSO JARDIM

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Ora tomem lá uma história de um sucateiro que eu conheci. Não era o Godinho mas seria um gajo que iria subir na vida como o mais famoso, sucateiro de Portugal de todas as eras.
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No ano de 1978 já instalado, na Arábia Saudita e na minha profissão de mecânico, o meu supervisor Bill Smith encarregou-me, nas minhas férias de duas semanas por cada seis de trabalho no deserto, que lhe arranjasse pessoal português: mecânicos e operadores de máquinas de perfuração.
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O Bill estava satisfeito com o trabalho dos "portugas" e pretendia mais. Chegado a Portugal, fui ao Jornal de Notícias e deitei um anúncio de carta à redacção.
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Apareceram-me montes de cartas e escolhi 5.
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Mas entre estes havia um, recomendado por um colega, operador que tinha sido na Diamang em Angola.
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Bem o homem chegou à Arábia Saudita, não percebia nada de máquinas nem de outro ofício. Por lá ficou a fazer monte e a meter massa lubrificante nos rolamentos das máquinas.
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O homem tinha sido nem mais nem menos guarda do cais de cargas e descargas de barcos, na margem do Douro do lado de Gaia. Contava então as peripécias da roubalheira que existia naquele cais, onde ele estava envolvido.
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Cambalachada onde até, contava ele, a guarda fiscal se envolvia. Este homem todos os dias tinha, como guarda, pilhar algo no cais. Mesmo que nada houvesse de valor para levar para casa, teria que ser um barrote de madeira que ao chegar à porta de casa atirava-o para o chão e ficava por ali.
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A ambição no homem de má criação era ser um dia sucateiro. Estava ali, a meter massa nos "grassés", para conseguir mil contos e depois de amealhados, partir para Gaia e dedicar-se à compra de sucatas, nem que estas fossem linhas dos telefones de cobre ou outras pilhagens levadas a cabo, no gamanço, no cais de Gaia, onde bem ele estava relacionado a todos os níveis.
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Conseguiu os mil contos ao fim de um ano de trabalho (era dinheiro na altura para começar um negociozito de sucatas), despediu-se da companhia americana e partiu para o seu negócio.
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Nunca mais o vi nem sei aonde pára ou se ainda vivo.
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Talvez seja um "gajo" assim, assim como o Godinho, porque esta coisa de sucatas dá mesmo dinheiro em barda...
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É que os sucateiros vivem de expedientes e uns gajos de gravata se relacionam primorosamente com eles, pois eles são os seus pontas de lança para se desfazerem de sucatas mesmo que sejam barras de cobre adquiridas e nos armazens do Estado Português, para seguirem direitinhas para o sucateiro.
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O circuíto de sucatas é muito complicado... Dá dinheiro aos montes!
José Martins

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