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terça-feira, 19 de maio de 2009

O "FORROBODÓ" DO PODER - ARTIGOS SOLTOS

Resquícios de memórias de tempos difíceis
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Pensava que o Gabinete Comercial do ICEP instalado sob o tecto da chancelaria da Embaixada de Portugal em Banguecoque continuaria a progredir como o tinha sido desde Março de 1997 até à chegada do embaixador Tadeu Soares, em 26 de Abril de 1999, de quando assumiu a gerência da missão.
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A secção comercial funcionava e, apesar da crise económica, instaurada, na Tailândia e se viria a estender a toda Ásia, no princípio de Julho de 1997, tinha actividade, realizadas várias provas de vinho português e presente a embaixada em feiras realizadas na BITEC e no “Queen Sirikit ´s Convention Centre"; contactei empresas portuguesas e enviaram seus representantes a Banguecoque, onde os esperava, no aeroporto á porta de saída do avião; lhes prestava a total assistência, onde se incluía o transporte, em Banguecoque.
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Não procurava investimentos de grande vulto de Portugal na Tailândia, mas na formação de raiz de um secção comercial e que no mercado tailandês fossem colocados os produtos que tinha a certeza que teriam sucesso.
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Estava virado para o vinho, azeite, sardinhas em lata; as madeiras prensadas (que viriam a ter sucesso a Sonae); as cortiças já lançadas, graças ao embaixador Melo-Gouveia.
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Mas todo aquele entusiasmo que eu tinha se foi pela água abaixo e principiou a esvair-se logo após a che
gada de Tadeu Soares a Banguecoque e à porta do gabinete comercial, depois de lhe tirado fotografias, disse: "estar muito cheio de cara torcida”.
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Um dia ou dois depois do “delfim” Alípio Monteiro ter sido adm
itido como contratado a termo certo na embaixada, foi enviado, de Mercedes da missáo guiado pelo motorista fardado, pelo Tadeu Soares a uma reunião, mais ou menos comercial, onde, entre os vários países convidados Portugal estava presente.
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Ora por esta acção do Tadeu verifiquei que me estava a arrumar para o lado e que a minha vida não iria ser fácil no futuro.
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E não foi mesmo!
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Além do mais, sendo eu um funcionário do Ministério dos Negócios dos Estrangeiros, era um desrespeito, abuso de poder e a humilhação à minha pessoa.
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Começa então o meu calvário e a secção comercial a entrar em queda livre!
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Tadeu Soares, para mim, era um diplomata “bibelot”, que tinha sido colocado em Banguecoque para fazer aquilo que não produzia nada para Portugal e alimentar a vaidade: “eu sou um embaixador de Portugal!”
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E por aqui se pode analisar que pouco depois de assentar em Ba
nguecoque, encomendou dois quadros a óleo a um pintor, com o uniforme de Embaixador de Portugal, em grande estilo, quando ainda o não era mas acreditado como tal na capital tailandesa.
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O meu prognóstico saiu-me certo e em vez de continuar a desenvolver a secção comercial sou utilizado para bater telegramas que cozinhava de recortes dos jornais que sua secretária Pralom, logo pela manhã, com uma tesoura, os cortava e colocava depois em cima de sua mesa de trabalho.
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Estavam incluídos os recortes de imprensa em língua tailandesa que a pobre da rapariga tinha de traduzir os mais significativos.
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Era um trabalho igual ao do moleiro: "que perde a farinha e aproveita o farelo do seu moinho.
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Mas desde logo que Tadeu chega a Banguecoqu
e, principiam as suas “cavaladas” políticas, o pouco “tento” diplomata e o desconhecimento geral do "mister" e do meio.
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O primeiro deslize (outros se seguiriam) seria, depois de ter convidado para almoçar, na residência, o jornalista Nate Thayer, que em Abril de 1998 entrevistou e filmou o encontro com Pol Pot, na mata do Cambodja, conhecido pelo “facínora” do povo do Cambodja que viria a ser publicada na revista (hoje extinguida) “Far Eastern Economic Review” de que que o Nate era correspondente (com quem confraternizei no Clube dos Correspondentes Estrangeiros) da publicação, sediada em Hong Kong, em Banguecoque.
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O jornalista voltou famoso pelo feito que antes nenhum jornalista tinha conseguido.
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Durante o almoço a sós houve troca de impressões e uma informação que interessou ao jornalista foi de quando Tadeu Soares lhe disse que Portugal iria contribuir para a reconstrução de Timor-Leste (o assunto já arrumado entre Portugal e a Indonésia) com 300 milhões de dólares.
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O Nate Thayer, aproveitou a informação e publicou-a na página “Int
eligence” onde nos vários quadradinhos da referida página lá estavam inserido o montante de ajuda, astronómica, de Portugal a Timor-Leste.
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Era um “bluff” de Tadeu Soares ao jornalista que não avaliou, as consequências, da falsa informação.
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A notícia, chegou ao Serviço de Informação e Imprensa, da Secretaria de Estado, creio a través “online” , logo ao outro dia da publicação, chegou aos ouvidos do ministro Jaime Gama.
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Num Sábado, como o fazia anteriormente, fui recolher os telegramas à chancelaria e verificar se algo tinha chegado de Lisboa para ser tratado urgentemente.
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Seria meio-dia em Banguecoque e seis da manhã em Lisboa quando o telefonou tocou.
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Atendi
a chamada e informado ser do gabinete do Ministro Jaime Gama que pretendia falar com o embaixador Tadeu Soares e lhe telefonasse urgentemente.
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Tadeu Soares estava numa missão no Vietname o que não informei á pessoa que atendi, mas que iria passar a mensagem.
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Não deixou de perguntar, a pessoa, do outro lado da linha quem era quem estava ao telefone, ao que lhe dei o meu nome.
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Informei de imediato, para sua casa, o número dois da missão, Dr João Brito Câmara que o Ministro Jaime Gama desejava falar com o embaixador Tadeu Soares e que lhe telefonasse.
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O Dr. João Brito Câmara. viria a contactar o seu embaixador no Vietname.
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O certo foi que num telegrama que eu teclei informava Lisboa que não tinha informado nada disso o jornalista da contribuição de 300 milhões de dólares para a reconstrução de Timor-Leste.
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Porém tenho a convicção que o jornalista não se tinha excedido, além da sua honorabilidade e o prestígio que a revista “Far Eastern Economic Review” gozava na Ásia e no resto do mundo não publicaria, falsidades e não entrava em informações desde que não tivesse fonte fidedigna.
José Martins

O "FORROBODÓ" DO PODER - ARTIGOS SOLTOS

Resquícios de memórias de tempos difíceis
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"Forrobodó" do poder foi isso que observei pouco depois de o embaixador Tadeu Soares assumir funções da gerência da Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Igual e durante os meus já 15 anos de permanência que levava nesta casa e servido três embaixadores: José Melo Gouveia, Sebastião de Castello-Branco e Gabriel Mesquita de Brito, nunca tal coisa tinha visto.
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Chegou a Banguecoque em vez de usar a cabeça usou os pés!
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Procurou desde logo os seus homens de confiança o Alípio Monteiro e Nuno da Mota Veiga e trata de arrumar o pessoal administrativo e um diplomata.
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A Embaixada de Portugal não é, no seu modo de ver, um departamento do Estado Português, no estrangeiro, mas uma sua propriedade que corta e risca dentro de sua vontade.
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Ora nem o Nuno da Mota Veiga ou o Alípio Monteiro eram pessoas que conheciam os cantos da casa ou mesmo a cidade de Banguecoque.
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Estavam ali, nem mais nem menos, para dar conta a Tadeu de novidades e fabricarem a intriga, o que a eles lhes convinha, o arrumar fora da missão os funcionários antigos e tomarem, eles, conta da embaixada.
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O Mota Veiga, pouco se sabia dele, além de permanecer em Macau, fazendo por lá umas “biscatadas” sem nunca ter entrado para o serviço do Governo de Macau.
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Dizia ser arquitecto, mas nunca apresentou a sua licenciatura e uma autêntica “salsada” o curriculum que foi enviado para o Palácio das Necessidades de quando de sua admissão como contratado a termo certo.
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Do Alípio Monteiro muito menos (ainda hoje, sempre doente e a trabalhar na embaixada), o seu passado e como o curriculum do Veiga, uma “salada de grelos”, onde ontem trabalhou para a TAP, depois corrector da bolsa no Canadá, ingressa novamente na TAP, destacado na Suíça e deixa a companhia aérea porque se casou com uma senhora tailandesa.
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Mas pela boca dele, disse para alguém, que um dos seus trabalhinhos na TAP, antes do 25 de Abril, foi o de “bufo” de viajar nos aviões e ouvir quem falava mal do regime de Salazar.
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Porém o Monteiro não chegou com as mãos abanar a Banguecoque (pelos gastos que fazia) e até disse para alguém que tinha dinheiro para o resto de sua vida.
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Mas o Monteiro de quando o vi pela primeira vez, no Dia de Portugal, em 1999, na Residência dos Embaixadores, numa pequena festa que Tadeu Soares ofereceu à comunidade portuguesa, residente, informou-se que era reformado da TAP tinha comprado uma quinta no nordeste de Banguecoque e que se iria dedicar-se à agricultura.
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Mentira ser reformado da TAP e verdade ter adquirido uma quintinha.
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Mas para outra pessoa, o Monteiro, viria mais tarde dizer-lhe que tinha tido grandes negócios de petróleo no Texas (Estados Unidos)
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De qualquer forma é ainda um mistério como teria sido que o Mota Veiga e o Alípio Monteiro entraram nos meandros da embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Estas admissões eram igual ao “forrobodó” do poder de Tadeu Soares.
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Nunca se lhe ouviu uma palavra de desagravo para o Monteiro e o Veiga, enquanto para mim ou o Dr. Câmara, pegava por tudo e por nada sem qualquer razão que lhe assistisse.
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A Residência dos Embaixadores, passou a ser uma casa de hóspedes e, apareciam por lá, uns homens estrangeiros, de penteados estranhos e um que eu vi uma vez (creio dos Estados Unidos) quando caminhava encolhia o “traseiro”, já sumido.
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Pouco dias de Tadeu chegar a Banguecoque, chegou-lhe um amigo dos Estados Unidos.
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Um homem da casa dos 45 anos e esteve hospedado, na residência com ele, durante um mês mais ou menos.
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O americano era advogado, com escritório na Florida.
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Quando de manhã chegava à chancelaria ia recolher o expediente à “casa forte” que durante a noite tinha chegado da CIFRA, da Secretaria de Estado e junto a este, por vezes mais de 50 folhas de processos, judiciais, que o secretário do advogado, da Florida, lhe enviava, para ler e depois de volta lhe enviar as instruções pelo máquina que estava ligada ao criptofax onde recebia faxes ou os expedia pelo sistema de máxima segurança.
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Ora tudo isto e porque era eu que recolhia o expediente ficava incomodado como era possível um chefe de missão autorizar a um estrangeiro, alheio aos serviços, que a máquina do fax do Estado Português fosse usada por ele!
José Martins