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sábado, 22 de agosto de 2009

A PACATEZ DO MEU DOMINGO

Mais uma vez desenfiado de Banguecoque e no meu crónico destino, durante todo o ano, junto ao Rio Kwai e hospedado no famoso "resort", apreciado pelos andarilhos de mochila o "Jolly Frog".
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Sinto-me bem por cá e não penso trocar de hospedagem, quer pela magnifica localizção como pelo preço.
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Cheguei ontem sábado e verifico que não há crise de hospedagem no "Jolly Frog" nem medo sequer da gripe dos porcos que traz a população do mundo com a cabeça à roda. O que for será porque se vamos pensar, demasiadamente, na "pandemia" as pessoas fecham-se em casa e a vida pára.

Hoje domingo acordei, aliás como sempre cedo. Pouco depois do cantar dos galos da capoeira junto à margem do rio. São galos refilões, zaragateiros e daqueles que entram na luta entre os vizinhos do lado.
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Não é necessários que estes galos, lutem pela posse, da pata, de alguma dama galinha, são mesmo amestrados para a luta e hilariante, para quem não conhece, ver assistência de meia dúzia tais, de cócoras, incentivarem e a puxar pelo seu galo favorito.
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A "palhota" onde se instala o restaurante, principia a fornecer o pequeno almoço depois da sete. mas eu já me fui abastecer de dois copos de café, a 12 bates cada, na loja que vende tudo, o "7Eleven", durante 24 horas que fica ao volta da esquina do "Jolly Frog".
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Estômago lavado, ligo o computador para ver que me haja chegado, de emeiles, durante o meu dormir. Havia poucos é Domingo. Não sei o que teria acontecido à mulherzinha que me vende a fruta que não a encontrei no local do costume.
Vou ao mercado da cidade, a uns 2 quilómetros e abasteci-me de papaia e mangas para hoje e para amanhã. Já não posso passar sem fruta e tem sido a minha ceia desde há muito só fruta e ponto final.
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Durmo bem e sem a sujeição de más digestões e da "botija" de gas que se acumula no estômago, nos velhos iguais a mim. E não só, o desconforto, para os vizinhos do bengalô do lado ouvir o "tiroteio" matinal a descarregar a gasearia estomacal.
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Dois jovens "maduros", não sei de onde, já o sol brilhava com intensidade e o calor apertava, dormiam profundamente no jardim. Despreocupados, até às tantas da noite foram esvaziando garrafas de cerveja e sem pé, para voltaram ao "bengalô", ficaram por ali a curar a piela e a ressaca ficaria para o outro dia.
Cenas destas são frequentes no "Jolly Frog", sem a rapaziada nova disturbar os vizinhos.
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Não são só eles!
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Elas também, algumas, não são mesmo nada de ficar atrás deles!
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Depois do pequeno almoço tenho, por obrigatoridade de visitar a ponte sobre o Rio Kwai, caminhá-la dos dois lados e receber a aragem fresca que vem da corrente do rio.
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Absolutamente agradável, para quem aqui fica hospedado e bem melhor do que para aqueles que vêem em passeio turístico de Banguecoque. Chegados por volta das 10 da manhã e quando o calor principia apertar.
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Quando ali cheguei, por cerca das 8, já havia gente tailandesa, que não deveriam morar distantes da Ponte. Caminho-a a primeira vez entre os carris e quase ao fundo lá está o meu conhecido violinista a tocar a "modinha" do River Kwai.
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Um músico simpático e só pega no instrumento, quando avista os caminhantes a uma centena de metros, para assim não cansar o braço.
Não tem perfil nem nasceu para músico, mas lá se vai governando, com umas moedas, a tocar mal o violino, que lhe deitam caixa onde guarda o o instrumento.
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Um grupo de crianças, de escola, estão a chegar. Sou o único "farangue" (estrangeiro na Tailândia) que caminha na ponte. Sorriem-se para mim e pedem-me, juntos, uma fotografia.
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Começo a ser já um velho de estimação, na ponte, porque já não são os primeiros nem os segundos alunos de escolas que me fazem o mesmo pedido.
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Não gosto de ficar em fotografias, mete-me pena olhar para a figura de velho que sou e tortura-me a memória daquele rapaz elegante e um parte corações femininos de há 25 anos, quando ainda não tinha barriga, que já se foram.
Não me ficou despercebido o sorriso gaiato e de hospitalidade de uma "rapariguinha" de, para aí, uns 10 de idade que viria a captar uma imagem, das melhores, de tantas que tenho obtido pela Tailândia adiante, durante os 30 anos que por este país ja ando.
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Tirei a fotografia, de costa, a um grupo de homens, que deveria ser gente abastada das redondezas, vestindo camisa branca.
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Gente de paz e não pertenciam aquele grupo dos "camisolas vermelhas" que se juntam de quando em quando, teimando que o primeiro-ministro que governa este Reino se deve demitir, quando até um governante civilizado e, bem querido pela maioria dos tais.
Em Kanchanaburi e noutras províncias da Tailândia, o povo está-se "nas tintas" para a política dos "camisolas vermelhos" e nunca vi ou ouvi um tai a discutir politiquices.
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A política dos tais, de raizes profundas, são os Reis, os seus milhares de templos budistas espalhados pelo Reino onde recebem o aconchego espiritual, a educação preliminar.
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Nenhum político ou centos deles que venham mudam o rumo do ideal dos tais no século que corre e outro que há-se vir. Porém anda por aí um português, delirante, a relatar no blogue http://frombangkok.blospot.com/ os acontecimentos na Tailândia, com tanto entendimento em assuntos de politica que me dá dor de alma de ler tanta ignorância.

Os homens que eu tinha visto, de camisas de cor branca e fotografados de costa em cima da ponte, julgava eu que olhavam o cenário do rio, mas vislumbravam uma estátua enorme, erigida em a poucos metros da margem do Rio Kwai e em menos de um mês de uma Deusa chinesa.
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Sua santidade tem nome, não perguntei qual seria e dei-lho eu "Deusa do Rio". Nas redondezas daquela colosso, erguido para ser venerado, um templo de grande dimensões está a ser levantado.
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Hoje umas largas centenas de peregrinos e outra gente grada ali se reuniram e antes da inauguração, que deve estar próxima, para festejarem o acontecimento. Além do mais para dar suas contribuições, cada um dá o que pode, nem que seja a dávida de meia dúzia de telhas para a cobertura do templo.

Comida para aquelas centenas de pessoas, sem que para ela despendam um bate que seja, onde bem me dá conta, que me não desconhecida a fartura deste Reino.
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Peregrinos que levam ornamentos, uns cones de decoração intrincada, que decerto foram acompanhados de avultadas contribuições, para que a realidade do templo da "Deusa do Rio" venha de pronto. Andei por ali a tirar fotografias e gostaram de me ver por lá.

Regressei ao "Jolly Frog" a hora do almoço aproximava-se. A ponte agora está já cheia de gente a caminhá-la. Mistura-se a gente tailandesa com a estrangeira.
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Sorrisos daqui e de acolá como sempre.Chamou-me a atenção um grupo, que não deveria ser de Banguecoque, trajando camisolas de cor branca e com um desenho estampado.
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Não perguntei se pertenciam a apoiantes de alguma celebridade política da terra aonde viviam.
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De qualquer forma achei graça de que a celebridade estava estampada, na parte da frente da camisola montando uma motocicleta de grande cilindrada, com uma jovem no assento traseito e nas costas o senhor aponta dois dedos como vitória certa e à frente com todo o rigor, posa o grupo de apoiantes, amigos ou seus empregados. Talvez não seja político mas um patrão de uma empresa de sucesso.

Fui buscar o carro ao parque. Dei a última olhadela à ponte e bati mais uma fotografia. E ainda outra a uma pequena rapariga a confeccionar doçaria proveniente do coco.
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Está assim um meio dia preenchido junto à mágica ponte do Rio Kwai.
Jose Martins

UMA AJUDA AOS ORFÃOS DO JARDIM


Sócrates vai à Madeira ajudar combate a Jardim
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O secretário-geral do PS-Madeira, Agostinho Soares, admitiu ontem que a presença de José Sócrates na festa do Fonte do Bispo, hoje, servirá para "atenuar o sentimento de orfandade" que reina entre os socialistas madeirenses.
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O secretário-geral nacional do PS participa pela primeira vez na Festa da Liberdade, promovida pelos socialistas madeirenses na Fonte do Bispo, Calheta..... (Jornal de Notícias)
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À MARGEM: Má altura para José Sócrates deslocar-se à Madeira! A ilha está na altura dos "tomates" maduros e com os tomates do Alberto Jardim não vai levar a melhor.
José Martins

HOMILIA DE DOMINGO (23.08.09)




VERGONHA
Isto é uma vergonha, mas é o país que temos... F. Pereira
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Surgem, todos dias, no meu correio electrónico vários emeiles com a palavra vergonha. Designo uma acima. Portugal desde, praticamente, a fundação foi um país aonde havia vergonha e foi-se mantendo até há umas três décadas para trás.
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A primeira vergonha, histórica, que se conhece foi a de Egas Moniz de quando da batalha de Valdevez entre as tropas de Afonso VII de Castela e de D.Afonso Henriques, desejava que o seu primo Henriques de Guimarães fosse seu vassalo, de que para tal o monarca fundador de Portugal não se ajustava.
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Egas Moniz usou o seu perfil político e convenceu Afonso VII de retirar o seu exército do território português e com a promessa que o primo Henriques lhe prestaria vassalagem no futuro.
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Passou-se um ano e D.Afonso Henriques, mandou às malvas o primo e não lhe prestou vassalagem nenhuma.
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Egas Moniz, o negociador da paz, obcecado de vergonha vai à corte de Afonso VII, em Castela, com a mulher e os filhos, de vestes de serapilheira, a dos condenados e perante o monarca: “Aqui me tens e a minha família, senhor e de nós e dos meus fazei o que melhor vos parecer”.
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Afonso VII, perante a nobre acção de Moniz de descarregar a sua vergonha respondeu-lhe: “Voltai em paz a Guimarães que estais perdoados”!
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Reza a lenda que a independência de Portugal teria partido de Egas Moniz e pelo facto do desfazer-se da sua vergonha.
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Esta homilia com o tema vergonha vem pelo facto da derrocada de uma falésia na Praia de Maria Luísa no Algarve que matou uma família completa, do Porto, e mais outra pessoa que descansavam à sombra da mesma.
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Depois da tragédia consumada, não tiveram vergonha nenhuma na cara de aparecer o primeiro-ministro e outros ministros, do seu gabinete, no local a lamentarem a ocorrência.
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Ora o pacato cidadão que nasceu neste país sente-se envergonhados de ser governado por gente sem vergonha que aparece depois da trágica ocorrência e não tomou o cuidado de mandar consolidar a falésia (há técnicas de engenharia para o proceder), vedar o espaço e colocadas tabuletas que o perigo morava ali.
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Mas as poucas-vergonhas dos que nos governam vão acontecendo de tempos a tempos, e de boa memória a caída da ponte em Entre-Os-Rios quando o Douro levou na corrente um autocarro e uns automóveis com gente e ainda os governantes (PS) tiveram alguma vergonha na cara de resolverem, até hoje, o assunto.
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E muito falado e criticado de quando o ministro das Obras Públicas, Jorge Coelho para se desfazer das vergonhas se demitiu de imediato de ministro que foi o mesmo, como Pilatos, lavar as mãos da tragédia.
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Haveria, aqui, muitas e mais vergonhas para designar...
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Fico por aqui e com a minha, eloquente, vergonha que tenho na cara da gente, sem vergonha, que governa Portugal.
Ámen
José Martins

River Kwai – Kanchanaburi – Tailândia

HOMILIA DE SÁBADO "PORTUGAIS"


Interessante a peça de Henrique Raposo, publicada no jornal EXPRESSO, onde descreve que no nosso país há três “Portugais”.

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Não sou assim tão modesto como o articulista designando três, mas a realidade é que há mais ´Portugais´.
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O primeiro foi quando já o era e depois seria e identificado como nação pelo Dom Afonso Henriques.
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Assim o primeiro Portugal foi como pode ser conseguido e fomos vivendo e defendendo a nossa terra pelas investidas dos castelhanos e correr com os mouros para o seu habitat natural, o norte de África.
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Bem conhecido que os castelhanos nunca nos perdoaram de voltarmos uma nação e lá os tivemos de vencer em Aljubarrota.
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Os lameiros dos vales, terras altas, encaixadas entre a penedia granítica foram o berço da nossa sobrevivência.
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Somos rudes e duros como a penedia da montanha, mas não tão brutos como nos poderão julgar.
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A pedra, granítica, depois de cinzelada e polida volta em obra fina e nós os portugueses somos isso.
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Porém, mesmo emigrantes que fomos e somos nunca hajamos sido um incómodo para ninguém, muito menos para Henrique Raposo e para os outros, por sua conta e risco, ata no mesmo molho.
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Não me parece que os emigrantes venham de férias à terra onde foram paridos e desconfortem os seus patrícios, que ficaram por Portugal e não emigraram.
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Evidentemente que causam desconforto a Henrique Raposo porque, pela fotografia inserida na sua peça, o julgo ser da geração após o 25 de Abril de 1974.
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O jornalista rejeita os emigrantes porque lhe traz à memória o atraso histórico de Portugal e que a modernidade só chegou a Portugal na geração de seus pais, que deve ser a minha.
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Bem aqui dá-me a vontade de rir e às gargalhadas, porque não entendo qual teria sido a modernidade que chegou a Portugal...
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Talvez os carros topo de gama; as consolas dos jogos electrónicos importados do Japão; as roupas de marca; os computadores "Magalhães" e a “fashion” dos políticos “portugais” que andam por aí na “boa” há 35 anos.
Ámen
José Martins
River Kwai-Provincia de Kanchanaburi - Tailândia
P.S. Teria aqui pano para mangas explicar a Henrique Raposo os "portugais" que temos. Ficarão para outra altura.