Translator

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A JANTARADA E A VALSA PARA A "BANDIDA"

O primeiro-ministro, José Sócrates, esteve ontem, sábado, no jantar de aniversário dos 50 anos da Soane, depois de no próprio dia Belmiro de Azevedo ter lamentado a ausência do Governo na inauguração do novo parque logístico da Soane.
-
P.S. - Depois da ceia houve concerto e o violinista Belmiro de Azevedo tocou a valsa da "bandida". Vejam a abandida toda melada... Só que a valsa do Belmiro é f******** ou canelada! Com o "Miro" ninguém aprendeu nada!

O INFANTE TERRÍVEL



EXPRESSO
-
Ângela Silva
Foi o discurso mais forte da campanha. Num jantar-comício em Aveiro com 3 mil pessoas, Ferreira Leite comentou o caso do dia: "não aceito que haja um director de jornal que possa estar sob escuta".
Clique para visitar o dossiê Portugal 2009.

"O que o PS trouxe à sociedade portuguesa foi medo. Por isso tenho falado muito de asfixia democrática". A sala com 3 mil pessoas irrompeu em aplausos e Manuela Ferreira Leite comentou - depois de se ter recusado a fazê-lo durante todo o dia - o caso que marcou a actualidade. '
-
"Não aceito que haja um director de jornal reconhecido e respeitado do nosso país que possa estar sob escuta", afirmou. Mas a lista contra a asfixia era enorme: desde o caso da "televisão que por ser incómoda para o país foi silenciada", ao do "director-geral de um serviço público que desculpou multas só porque se tratava de funcionários do PS", passando pela "utilização de meios e serviços do Estado a serem usados para fazer campanha pelo partido que apoia o Governo".

O tema entra na plateia que aplaude entusiasmada. Aparentemente, a asfixia vende mais do que TGV e Manuela carrega na tecla: "Isto nunca aconteceu no país desde o 25 de Abril".
-
Com o discurso totalmente recentrado na asfixia democrática e nas políticas sociais, a líder do PSD garantiu que não retuirará nenhum apoio social, que manterá o Serviço Nacional de Saúde, e que não privatizará Segurança Social.

Aqui, acusou Sócrates de "mentir". "Dizer que queremos privatizar a Segurança Social é uma mentira manipuladora".
.
P.S. - José Sócrates o infante terrível!

PROFESSORES A PASSAR FOME!


O texto abaixo refere-se à grande mulher que eu conheci e admirei a jornalista Vera Lagoa.
A juventude actual não conhece o seu valor porque as pessoas de valor morrem e os feitos da memória foram com elas. Levantam-se herois falso, ou os da hipocresia.
-
Vera Lagoa foi de uma coragem incrível no jornalismo. Denunciou no jornal que fundou o "Diabo" a pulhice dos fracos homens que depois do 25 Abril tomaram conta do país.
-
Chamou sem papas na língua "maricas" aos que se apresentavam em praça pública de "rabo de senhora".
-
Disse de cara a cara a gente importante : "você é um m********. Você não presta e não vale uma m*******.
-
Morreu cedo! A minha homenagem a uma grande MULHER que eu conheci e admirei.
José Martins
-
Há jovens professores a passar fome
-
Passam o dia inteiro sem comer.
Pagos contra recibo verde, em situação de trabalho precária, há milhares de professores que apenas contam com a ajuda de familiares para sobreviverem e dão aulas de estômago vazio.
-
Anabela Delgado, dirigente da Fenprof (Federação Nacional dos Professores), considera preocupante a situação de milhares de jovens professores. “Não temos números – a maioria das pessoas tem vergonha em falar dos seus problemas - mas calculamos que possam ser cerca de 5 mil os professores que estão a passar por graves dificuldades financeiras. Sabemos que alguns estão a passar fome”, afirma.

Francisco (nome fictício) é um desses casos. A morar na margem sul do Tejo é professor numa escola secundária de Lisboa, confirma: “Se não fosse a ajuda dos meus pais estava a passar fome. Tenho um horário de 3 horas, sem direito aos 4,27 euros de subsídio de almoço. Com este esquema, o meu ordenado é de aproximadamente 600 euros, o que não dá para pagar o passe e almoçar diariamente”.
-
Considerando-se um “felizardo”, devido à ajuda familiar, Francisco revela que existem “colegas que não tem essa vantagem e, por isso, passam por graves dificuldades. Muitos tomam o pequeno-almoço e depois só comem ao jantar, quando regressam a casa.
-
Passam o dia inteiro sem comer”.
-
Segundo Anabela Delgado, existem muitas situações dramáticas, principalmente com os professores de Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), normalmente pagos pelas Câmaras Municipais ou por empresas privadas contratadas pelas edilidades para essas actividades.
-
Para os docentes, as Câmaras Municipais recebem do Ministério da Educação cerca de 15 euros para cada hora de formação, mas, tendo em conta que as aulas nas AEC têm a duração de 45 minutos, às mãos dos professores só chegam 8,60 euros, pagos em alguns casos pela empresa contratada pela autarquia para gerir o processo de contratação,
-
A situação desagrada aos professores, que querem ver a sua situação profissional melhorada neste ano lectivo. “Fazendo as contas são cerca de 6,50 euros que ficam pelo caminho, desde que o dinheiro sai do Ministério até chegar a nós”, denunciam.
-
As Câmaras defendem-se destas acusações, garantindo que “todos estão a receber pelo índice referente a habilitação igual à licenciatura”.
-
Para as autarquias, o apoio recebido do Ministério não é só para a remuneração dos professores, mas serve também para pagar material, transportes e, em situações pontuais, para o aluguer de instalações.
-
Como referem várias fontes contactadas por O Diabo, também entre os professores mais velhos existem “situações gravíssimas de indigência” nos docentes contratados, alguns a viverem a instabilidade de emprego há 15 anos.
-
A maioria, casada e com filhos, deslocados da sua zona residencial, vêem-se obrigados a alugar apartamentos ou quartos no local onde são colocados e têm ainda de contribuir com algum dinheiro para o sustento familiar.
-
Há casos, garantem as nossas fontes, de docentes que apelam, via Internet, à solidariedade dos colegas para conseguirem dinheiro para pagar as despesas inerentes à sua colocação fora da zona de residência.
-
Há poucos dias, num blogue de professores, um docente, devidamente identificado, pedia ajuda aos colegas: “Nunca me passou pela cabeça chegar a este ponto de humilhação de ter de me dirigir aos meus colegas, amigos, aos amigos dos meus amigos, às pessoas de boa vontade que venham a ter acesso a este e-mail, no sentido de receber deles a caridade de uma dádiva que jamais poderei pagar.
-
Não perdi o emprego, não deixei de trabalhar, mas estou em vias de perder a dignidade se não regularizar a minha situação económica, provocada pelas constantes colocações em zonas fora do distrito onde resido”.
-
Qualidade afectada
-
A precaridade de emprego, aliado aos baixos ordenados que muitos profissionais de ensino auferem, tem reflexos óbvios na qualidade de ensino, afiançam os Sindicatos.
-
Para os sindicalistas, este cenário prejudica gravemente alunos e professores. “Cada dia que passa é um dia em que as escolas estão a funcionar de forma pior, com prejuízo para os alunos”, refere Anabela Delgado.
-
Os professores recusam que a responsabilidade “nos prejuízos causados aos alunos lhes possa ser atribuída”. Para solucionar este problema, os sindicatos pedem: “a eliminação da desrugulação laboral e o fim dos recibos verdes, ilegais e incompatíveis com a função de docente, e aprovação de um Contrato Colectivo de Trabalho que regulamenta, entre outros aspectos de âmbito sócio-profissional, as regras relativas a horários de trabalho, a organização, das diversas componentes das funções de docentes, tabelas salariais e condições de progressão na carreira”.
-
Só assim – defendem – será possível criar reais condições para a estabilidade profissional de docentes e formadores que “tem sido o garante da resposta educativa e formativa ao longo de 20 anos”.
-
Como salientam as diferentes fontes contactadas por O Diabo, “um professor mal alimentado, muitas das vezes com fome, não está em condições de dar aulas. Quem sofre é o aluno, que sai mal preparado”. Diabo
-
Revolucionários que eu conheci
António Pina do Amaral
-
O título é o de um livro de ‘Vera Lagoa’ como assinava literariamente, a fundadora deste jornal. Foi um acto de coragem, a denúncia do vira-casaquismo. Hoje é um exemplo moral e um aviso.
.
Uma pessoa muda de opinião, de ideologia, de religião, de clube futebol. Quando as mudanças se dão já na idade adulta, tem de haver uma explicação. Muitas vezes é torpe o motivo.
-
Uns mudam por terem sido maltratados por aquilo em que acreditaram, outros porque esperam benesses com a exteriorização das novas crenças. Muito poucos mesmo mudam por causa de um intenso e por vezes doloroso processo interior de reflexão e crítica. As conveniências são quase sempre mais fortes.
-
Há países em que uma mesma geração teve de se adaptar a alterações substanciais do seu sistema político e das regras de jogo sociais. Aqueles que viveram na Alemanha de Leste, hoje parte integrante da Alemanha unificada, viram chegar o nazismo nos anos vinte, o comunismo a meio dos anos quarenta e a democracia no final dos anos oitenta, com a queda do Muro de Berlim.
-
Uma mesma geração teve ou de se adaptar, mascarando sentimentos e dissimulando opiniões, ou tornar descarada e ostensiva a profissão de fé nos novos tempos.
-
Em Portugal mudaram muitos da Monarquia para a República, o que já foi há muitos anos, muitos outros em 25 de Abril. Diametralmente. Está nisso a diferença. Trata-se de passar de uma ideia para a sua contrária.
-
O que é curioso é que as novas situações políticas nunca desdenharam trânsfugas e convertidos, por mais duvidosa que fosse a sua fé de cristãos-novos. E o que é curioso é que a denúncia dessas, quantas vezes apressadas, conversões, nem sempre surte efeito. As pessoas riem-se, mas acabam por compreender, perdoando. Há infelizmente uma moral adaptativa a balizar o comportamento de muitos portugueses.
-
Em 1977 a fundadora deste jornal publicou um livro notável que o editor Paradela de Abreu chamou “uma forma de luta a favor do saneamento moral da sociedade em que vivemos”.
-
Grande parte dos textos que integraram o livro era constituída por crónicas que haviam sido publicadas no jornal ‘O País’. “Revelações sobre este punhado de homens que bajularam, se adaptaram, serviram o antigo regime e hoje são os mais ferozes adeptos do ‘processo revolucionário em curso’”.
-
É o outro lado da vida de muitos dos que a Mocidade Portuguesa lançou e o SNI premiou, os protegidos pela Agência Geral do Ultramar, os que viram na Legião Portuguesa a “barca do venha a nós”, os que irmanavam com a PIDE, todos quantos com a ‘Revolução dos Cravos’ passariam a reclamar o estatuto de “perseguidos”, “vítimas do fascismo” depois de terem estado mais do que comprometidos com o regime anterior.
Tenho aqui o livro a meu lado para reler.
-
Ali estão tantos! João de Freitas Branco, Fernando Luso Soares, Ary dos Santos, Teixeira Ribeiro, Luís Francisco Rebelo, Miguel Urbano Rodrigues e Urbano Tavares Rodrigues, Mário Castrim e Luís de Stau Monteiro. Poderiam estar muitos mais. A cruzada que travou em ‘O País’ continuou-a Maria Armanda Falcão no ‘Diabo’
-
Infelizmente a obra desapareceu das livrarias, esgotadas as edições. Cito pois a sua memória, em homenagem a um acto cívico cada vez mais actual, a propósito de Humberto Delgado, a cuja coerência dedicámos a última crónica.
Estrela de cartaz do jornal ‘Agora’, saído no difícil ano de 1961, em 18 de Fevereiro, Fernando Luso Soares escreve aí um artigo de fundo a que chamou ‘Pirataria e Descaramento’.
-
O a propósito é o assalto ao paquete Santa Maria por um comando liderado politicamente por Henrique Galvão, por detrás do qual se encontrava o general que havia concorrido em oposição do regime às eleições presidenciais de 1958.

Fantástico texto esse assinado por quem haveria de ser activista do PCP e seu advogado. “Traidores”, assim lhes chama, “inconcebível ex-general, ex-legionário, ex-comissário da Mocidade Portuguesa, ex-patriota e ex-português”, assim se refere a Delgado. Numa intervenção na Emissora Nacional reclamaria o enforcamento para Galvão, a pena tradicional para os piratas. Pois.
Diabo

JÁ LERAM EU SEI...MAS BOM LER OUTRA VEZ!!!






Medina Carreira - "Parem, leiam e reflictam"...

Convém lembrar que “este homem” que anda para aí a pregar no deserto, já foi ministro das finanças do dr. Mário Soares num governo do PS.
É comprido de ler, mas quem não sabe aprende qualquer coisa (e não deixa que lhe metam os dedos nos olhos) e quem já sabe fica ciente que não está sozinho! Era talvez preferível ter nascido noutro sítio, mas foi este que nos calhou em sorte…
JG

Reflexões

Professor Medina Carreira

Nota: O Professor Medina Carreira, um dos mais capacitados economistas portugueses, sempre que fala, deixa o País a reflectir, estupefacto. Aqui deixamos a síntese de uma das últimas entrevistas que concedeu.

A não perder.

"Vocês, comunicação social, o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6»...Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias...mas é sem açúcar"

"Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularucho» porque não dependo do aparelho político!"

"Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7... Isto não é ensino...é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!"

"Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1%...esta economia não resiste num país europeu."

"Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse."

"Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis?

P'rá gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim?

A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela?

Quer dizer, isto está tudo louco?"

"Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for..."

"Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:



-Um desapareceu;
-O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;
-O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;
-E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim"

"O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal. Tentou. Foi "exilado" para Londres. O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá... Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado."

"Mas você acredita nesse «considerado bem»?
Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400? Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da polícia...Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!"

"De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a gente..."

"Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos: - Prometem aquilo que sabem que não podem."

"A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»:
Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva....

O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"

"Os exames são uma vergonha.

Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira, é um roubo ao ensino e aos professores! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada!

"A minha opinião desde há muito tempo é TGV- Não!

Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo.

"Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não?

Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe...

Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria...Esses é que têm interesse, não é o Português!"

"Nós em Portugal sabemos resolver o problema dos outros:
A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios...

Receber os prisioneiros de Guantanamo?

«Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros...Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!"

"A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!"

"Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?"

"Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade.

Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir..."

"Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...

Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação... Poupe-me a esse espectáculo...."

"Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum.

Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo...Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas Isso é descentralizar a «bandalheira»."

"Há dias circulava na Internet uma notícía sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina...

Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina...

Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação...

Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."

"É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar.
Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe."

"Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacífícos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros...
Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho...

Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho...

Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem..."

"Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem...

No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa."

"Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta interpenetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas...Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si...Porque é que se vai buscar políticos para as empresas?

É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política...

Um político é um político e um empresário é um empresário. Não deve haver confusões entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro...é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade."

"Este país não vai de habilidades nem de espectáculos.

Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros. São propagandistas! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!"

"Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista»...

Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito...
Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir. O Português está farto de ser enganado! Todos os dias tem a sensação que é enganado!"

OH MINHA NOSSA SENHORA...DE ESPANHA NUNCA VEIO NADA DE BOM PARA PORTUGAL!


JN Nuno Rogeiro

Os papões
00h00m
O TGV não é uma questão de fé, mas de análise das prioridades (...) Convinha que Mário Lino estudasse a História e arranjasse papões mais assustadores, pois a plateia já não tem pategos.

É evidente que "Espanha" é um termo vago, porque há várias. Mas ninguém contesta a abertura económica entre Madrid e Lisboa. Todos sabem que Olivença é um embaraço, mas não um abismo.

Muitos portugueses estão estabelecidos em Castela, na Catalunha, no País Basco.

Por outro lado, o MNE espanhol sempre teve o cuidado de colocar, na capital portuguesa, embaixadores com tacto, talento, grande nível, e um maior conhecimento dos "brandos costumes".

O Instituto Cervantes funciona com sucesso, para muitos lusitanos (nacionalistas, internacionalistas ou simplesmente pessoas correntes), que se encantam com Lope de Veja, Calderón, Cervantes, Unamuno, Ortega, ou que, muito simplesmente, precisam do castelhano para as suas profissões.

In illo tempore, Cavaco Silva (já presidente) foi a Espanha celebrar a amizade e a vizinhança, declarando, nas Cortes, que a chave da relação bilateral era o princípio do respeito mútuo e da igualdade. Nenhuma empresa espanhola deveria ser prejudicada em Portugal, nenhuma homóloga portuguesa martirizada em Espanha.

Por outro lado, Lisboa foi mediadora, discreta mas importante, nalgumas relações espanholas com a América Latina ou o Norte de África, e portou-se sempre exemplarmente na questão do terrorismo. Isto é, não confundindo o combate indispensável à ETA, com qualquer censura política sobre dissidentes de Espanha.

No plano da cooperação de defesa, ultrapassadas algumas ambiguidades, as coisas parecem hoje irrepreensíveis. Países soberanos iguais, embora desigualmente equipados, Portugal e Espanha mantêm planos de contingência classificados, mas trabalham juntos em muitas frentes internacionais.

É evidente que, da banca à informação, muitos interesses económicos espanhóis competem com firmas portuguesas. Ganham umas vezes, perdem outras. É a vida.

E é evidente que, dentro de Espanha, há pessoas que ainda são nostálgicas, ou melancólicas, de 1580-1640, convivem mal com o fim do império, às mãos dos EUA, em 1898, e olham para Portugal como uma "anomalia histórica". E há portugueses que, olhando também para trás, vislumbram em Espanha, senão um adversário verdadeiro, ou um inimigo permanente, pelo menos uma ameaça latente.

Mas os factores de tranquilidade são muito superiores a estas tensões, reais ou exageradas.

Nenhum dos decisores de cada Estado deve, porém, agir como se estivesse a defender os interesses, os anseios, ou as realidades do outro. Mariano Rajoy, embora advogando a importância do TGV, "em geral", reconheceu que Manuela Ferreira Leite compreende melhor do que ele, galego do PP, as "prioridades nacionais". Precisamente. O TGV não é uma questão de fé, mas de análise das prioridades.

Tendo trabalhado num banco espanhol, Ferreira Leite não pode ser acusada de anticastelhanismo primário. Está numa posição invulgarmente independente, ao lembrar que, a ser PM, terá de pensar, antes da espécie humana em abstracto, nos portugueses, em concreto.

Não há aqui nada de "salazarento", mesmo que a expressão não seja pejorativa. E convinha, mais uma vez, que o ministro Mário Lino estudasse a História: durante o Estado Novo, não houve nenhuma desconfiança face a Espanha. Existiu a "Aliança Peninsular", e as melhores relações entre o Generalíssimo Franco, e o antigo professor de Direito da Faculdade de Coimbra, humildemente nascido em Santa Comba Dão.

Arranje, por favor, papões mais assustadores. A plateia já não tem pategos