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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A GRANDE VIAGEM - BORDEJANDO FRONTEIRAS (2ª PERNA)


Na segunda etapa, o pessoal, parte de um pequeno motel, instalado entre campos, devido às fortes chuvadas alagados, de arroz na província de Si Sa Ket, sem o pequeno-almoço ou uma chávena de café para lavar o estômago. O meu amigo, fura-vidas, Chaiyuth é daquelas pessoas que julga que o mundo vai fugir-lhe e pretende agarrá-lo no seu todo.
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Um nervoso miudinho, constante e ambições sem limites. É um homem regrado, corre duas horas ao fim da tarde e depois dos 50 anos de idade, aparenta a de um jovem de uns 35 anos.
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É de uma fogosidade impressionante que julga os outros iguais a ele. Metódico na bebida, um copinho às refeições e outro ao deitar (diz para dormir que nem um anjo) do seu vinho de framboesa a que lhe deu o nome de “Boss”.
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Ora o meu amigo Chaiyuth, durante a viagem, com um “aparelhozinho” encaixado numa das orelhas e outro pendurado na gola da camisola, recebe várias chamadas das suas empresas de Banguecoque e, ainda, outras, das propriedades agrícolas que explora, a darem-lhe conta deste ou outro problema que resolve.
Mas os outros acompanhantes que seguem nos bancos de trás dá-se com eles o mesmo. Uma orquestra constante a tocar música, emitidos pelos telefones móveis, com os sons de vários instrumentos.


A rapariga que vende especialidades culinárias onde se incluem os insectos. (Não se arrepiem que aquilo é mesmo de comer e pedir por mais) As portas de saída da Tailândia para o Laos.
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Uma das que recebe mais telefonemas é a nossa acompanhante “Daninha” da sua empresa de empacotar comida em Banguecoque. Senta-se no último banco de trás da “Roadstone”, atende e fala muito baixinho, porque o segredo continua a ser a alma do negócio... Quando fora da “Roadstone”, afasta-se do grupo. Claro a “Daninha” não se afasta de mim... Mas dos outros amigos seguem com ela. Lá está o ditado: “amizade, amizade mas negócios à parte”.
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Estamos agora, no segundo dia de viagem, a rodar numa estrada secundária da região, imensa, do Isarn (Nordeste da Tailândia) entre os campos verdejantes de arroz. Pouco habitável e vê-se no percurso casas de madeira, construídas em cima de estacas no meio dos lameiros de arroz onde vivem famílias de pequenos agricultores.

No mercado fronteiriço da fronteira de Savannakhet a mercadoria, vendida não é sofisticada como a do mercado de Aranyaprathet
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Rodamos, ainda, junto à fronteira do Camboja e teremos mais à frente o ponto da discórdia, feudal, entre a Tailândia e o Camboja, as espectaculares ruínas e santuário o “Khao Phra Vihar”, situado numa montanha que para se visitar terá que ser pelo território tailandês (para conhecer a história clique http://aquitailandia.blogspot.com/2008/10/khao-phra-vihar-uma-das-stima-maravilha.html , uma peça escrita por mim em 2008) . Erros do passado que nem o Camboja teve culpa que tivesse acontecido, mas o colonialismo francês quando teve mão nos territórios da sua Indochina.

O meu amigo Chaiyuth dá sinal ao pessoal para a partida. Ao lado piripiri, avulso, para vender. Um condimento que o tailandêns não pode dispensar
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Ultimamente têm ali existido algumas escaramuças entre a tropa tailandesa e a cambojana. Não foi por aí além casos de extrema gravidade, com perda de umas poucas vidas e feridos, mas não tanto como a que lhe deu um “tipo” português, armado em conselheiro político (nem de galinheiro é) da União Europeia, sediada em Banguecoque que publicou no seu blogue -http://frombangkok.blogspot.com/
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Rodamos, uns quilómetros, pela estrada que se dirige ao “Khao Phra Vihar” e vi de facto alguns abrigos militares junto à estrada, sem soldados e as populações levando a sua vida normal trabalhando nos campos. Tão-pouco encontrámos “check points” de polícia ou militar a travar o nosso roda.


Peixe fresco a um lado e rãs para vender.
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Estamos a dirigir-nos para a fronteira do Laos com a Tailândia, por estradas de mau piso dado à forte pluviosidade caída nos últimos dias na região do Isarn e o indício que o ano vai ser fértil de arroz. Surpreende-me como a Tailândia se encontra, mesmo nos mais remotos recantos, do reino administrativamente bem organizada. Ao longo do caminho encontro várias escolas, grandes e pequenas (algumas construídas em madeira devido à pouca população do sitio), mas todas elas de madeira ou de cimento, têm um largo espaço pela frente dos edifícios onde em todos há dois rectângulos de ferro são as redes de um campo de futebol.

A "traça" logo pela manhã é preciso matá-la com uma perna de galinha. O "mata-bicho" fica para daqui a momentos
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Aparte e bem longe de Banguecoque o nosso embaixador português Cristiano Ronaldo já é conhecido! Dizem-me quando satisfaço a curiosidade aos que perguntam de que país, eu “farangue”, nasci. Quando lhes digo que sou “potuguete” logo me falam no Cristiano Ronaldo. Alas, alas que bom ouvir estas palavras... Só pena que o Ronaldo chute a bola nos campos de Espanha! Junto às nove da manhã, numa pequena povoação mas já a contar com o futuro, a principal avenida é larga, os acompanhantes, esfomeados, em vez de se dirigirem para um restaurante seguem em direcção ao mercado e alguns atacam nas pernas de galinha que uns assadeiros ali preparam e untadas com molho (daquele de virem as lágrimas aos olhos) de piripiri.


Não há limite de lotação nas motas... É conforme as necessidades deparadas...!!!A polícia também não chateia...

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Os que seguem comigo na “Roadstone” são frieiras a comer. Gente de bom dente e atacam a todo instante nem que seja nos “amendoins” com casca que seguem junto a nós, uma saca de uns 5 quilos, orgânicos, no veículo.
A malta agora de estômago aconchegado toca entrar na “Roadstone” e preparados para mais uma rodada por estradas pouco habitadas, com muitos socalcos e começa a dar-se conta que a suspensão, do lado direito da parte de trás, está ferida. Não outro remédio do que seguir.


O meu amigo Chaiyuth - o ditador - tomou o pequeno-almoço com a nossa "Daninha" Esta "Daninha" é de todos e não é ninguém. Uma querida sempre caladinha e ocupada, sempre, sempre com móvel e os seus negócios em Banguecoque.
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Temos pelo lado direito o majestoso rio Mekong e vamos seguir, a margem esquerda, por largas centenas de quilómetros. Umas vezes deixamos de ver o rio e entramos noutras estradas no interior e voltamos, novamente, a encontrá-lo.
Não tarda atingirmos a cidade ribeirinha de Mukdahan pela sua frente o território laociano. Passamos junto a escola católica de “São José de Mukadhan” e verifico que a igreja do Vaticano, vão tentando, cada vez mais, criar pé na Tailândia, com uma população de cerca de 65 milhões de almas e 99% de fé budista. Não há permissão de parar e poder tirar uns “bonecos”. Estamos sob a ditadura do meu amigo Chaiyuth e outro remédio não há que lhe obedecer.


Que coisa maravilhosa encontrei no caminho... Nunca tal coisa haja visto num local remoto da Tailândia e uma pequena localidade. Mais tarde lá irei e estudar o que representa esta obra de arte.

Encontram-se maravilhas pelo caminho e não há a oportunidade de as fotografar. Lá fui fazendo uns bonecos através do vidro da janela do carro que não dava a oportunidade de o abrir, porque era fixo. Uma que iria encontrar e serviu, o local, para a rapaziada esvaziar a bexiga, foi a maravilha, dourada, erigida junto a um pequeno templo que me pareceu um carro funerário, de grande pompa e de transporte de Reis e Princesas para o local onde seriam cremados.
Aqui o carro funerário.


Atingimos a fronteira de Savannakhet, entre a Tailândia com o Laos, Temos 30 minutos para nos movimentarmos no mercado. Não tem a grandeza de mercado de Aranyaprathet e, serve, para a abastecimento das populações locais do lado da Tailândia e do Laos com movimentação sem grandes burocracias. Os artigos à venda são de fraca qualidade e pouco artigos de contrafacção são encontrados.


Por este Reino da Tailândia o verde é um constante... O verde que eu adoro e me fala de esperança... Um autocarro de transporte de crianças de escola.

O calor era abrasador e húmido devido às fortes chuvadas.
Partimos em direcção à província de Nakhon Phanon, passamos na bela cidade junto à margem do Mekong e não parámos. Estavam ali a decorrer, no rio, as corridas de canoas com mais ou menos 30 metros de cumprimento.
O fim do dia estava a chegar. O meu amigo Chaiyuth não pretende ali pernoitar e quer rodar mais e mais em direcção ao norte. O conta quilómetros já marcava 1300 quilómetros percorridos e temos mais pela frente uns 250 para atingirmos a pequena localidade de Nongsamrong onde chegamos cerca das nove da noite e pernoitarmos lá no “resort” Yengfan, por 450 bates o quarto.

Uma casa típica tailandesa do Isarn construída em cima de estacas. Motivo: por via das inunções. Uma canoa que acabou de navegar e numa competição no rio Mekong
José Martins