Translator

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

BORDEJANDO FRONTEIRAS (4ª PERNA)

Não referencio nome de terras pela questão de não ler a língua tailandesa e de quando, do interior da Tailândia, raramente se encontra o nome das localidades noutra língua a não ser a tai.
Porém não houve muito tempo para perguntar aos meus colegas de viagem e prefiro, assim designar, as províncias. Permanecemos dois dias e duas noites na província de Nong Kae, bordejando o grande rio Mekong que me deixou apaixonado, quer pela sua grandeza como assim toda a vida que se envolve nas suas margens e mais para lá. Gostaria de voltar, com vagar, para admirar toda a beleza paisagística, o modo do viver das gentes dentro de uma serenidade total.

Duas imagens do grande rio Mekong
O Mekong, que apenas o conheci mais a jusante, há uns 17 anos em Phnom Penh (Camboja), em Fevereiro de 1992 e na época fora da chuva. Desta vez, voltando ao Mekong, ainda estamos na Monção e não tive a oportunidade de captar imagens, de grande beleza, como hajam sido os pôr do sol da capital do Camboja. Tudo me indica que o Fernão Mendes Pinto, mais o pirata António Faria, teriam sido os primeiros portugueses que navegaram desde a Foz do Mekong, que desagua no Mar do Sul da China, até Phnom Penh. Luis de Camões o imortal poeta, teria naufragado junto à foz e conseguiu salvar os manuscritos que depois seriam imprimidos e dada à luz a obra poética os "Lusíadas". Está assim o Mekong, desde há séculos, ligado aos portugueses e, ainda mais, os primeiros ocidentais que o conheceram.

A nossa "Daninha" conversas com as crianças da margem do Mekong enquanto estas divertem-se com pequenos paus de que acesos produzem luzes
No terceiro dia de viagem e a "Roadstone" a papar quilómetros e rodar por cima de toda a folha nas estradas do Isarn e o meu amigo "Chaiyuth", o condutor, sempre fresco que nem uma alface e de face rosadas a expelir vitalidade por todos os poros da pele, pensa que todos a quem deu "boleia", desde Banguecoque, terão que, forçosamente, possuir toda a sua fogosidade. Eu, o mais velho, (74 anos) do grupo lá foi aguentado (e suportei) que nem um heroi a viagem, algumas vezes como um sorriso "amarelo" para a imposta crueldade do meu amigo Chaiyuth, um fura-vidas e de estradas. Ao escurecer, da terceira noite, da viagem, havia festa no rio Mekong organizada pela população ribeirinha onde uma das principais atracções, dos festejos, seria o lançamento de fogo de artifício. Imaginei que deveria ser o lançamento de fogo de artifício semelhantes aqueles arraiais de fim-do-ano, que presenciei em cima da ponte da Sathorn, no rio Chao Prya (em Banguecoque).
Um motel do Isarn onde pernoitamos uma noite
-
Para lá nos dirigimos, seguindo o tráfego automóvel de locais, que como nós apreciarem o feérico espectáculo. chegados ao local do lançamento do fogo de artifício, foi arrumada a "Roadstone" junto a um campo de onde crescia a tapioca; seguindo a pé, o grupo, cerca de 500 metros e junto à margem do Mekong por ali ficou em pé sob forte humidade que o chão húmido expelia e nos ensopava a roupa. Ora o lançamento dos foguetes não se limitavam mais do que daqueles que se vendem pelo carnaval em Portugal e pirilampos que às crianças lhe acendiam e ficavam por ali a gozar o espirrar fogo estrelado. O tal espectáculo feérico vindo do rio nunca mais aparecia.

Outro aspecto do motel no Isarn

Jovens matulões sentados por ali no chão húmido, ingeriam goles de uma aguardente, amarelada ou coisa parecida que cheirava a álcool que tresandava. O nosso grupo esperava, esperava e o fogo de artifício nunca mais saía da corrente do Mekong, como o meu amigo Chaiyuth me tinha dito antes. Aí a uns duzentos metros, lançavam uns pequenos balões que a uma mecha, embebida de um combustível, qualquer, produzindo ar quente os levava para a atmosfera e deixavam-se de ver depois de esconderem nas altas montanha que envolvem o Mekong. Sem se contar um dos "matulões" já buzinado de álcool, atirou uma bomba, daquelas carnavalesca, que estoirou junto a nós. Foi de tal potência o estrondo que ficamos surdos por momentos e ainda na manhã seguinte tinha os meus ouvidos a zunir.

Uma gravura em terracota que retrata a vida do campo das gentes do Isarn. Meus amigos matam bicho no motel do Isarn

Não houve mais bombas, nem pensar nisso... O amigo Chaiyuth, homem que conhece a gente do Isarn como sua mãos dirigiu-se ao "matulão", irritado e diz-lhe: pára, pára de brincar com bombas, porque se continuas, vais brincar comigo"! O prevaricador das "bomba" parou mesmo de brincar! Não vimos lançamento nenhum de fogo de artifício, em grande escala e partimos para mais uma ceia num restaurante à beira do Mekong, cujo o condimento, principal, era o picante de fazer verter lágrimas dos olhos. A região do Isarn é uma região da Tailândia cheia de contrastes. Embora digam um território pobre do Reino. O Isarn é imenso de terras planas e depende a produção de arroz das chuvas possam cair durante a monção.


Mãe e filho das margens do Mekong. Uma baía de água doce e do Mekong

Grande parte dos motoristas que conduzem os "tuk-tuk" e os táxis na cidade de Banguecoque são naturais do Isarn. Pessoas de viver simples e até de poucas ambições. Mais ou menos: "o arroz de cada dia que nos dais hoje Lorde Buda". São pessoas inteligentes, comunicativas e humildes. A etnia de pele negra, parece-me que tem mantido a casta, desde a presença e hoje extinto o Império Khmer. As populações das duas margens (Laos e Camboja) dado à longa extensão do curso do Mekong, movimentaram-se (certamente nos dias que correm) de um lado para outro. Um dos motivos, anos atrás teriam sido a guerra cível do Camboja e o regime comunista, de linha dura, no Laos.

As terras fértis da margem do Mekong

Na Tailândia, apesar desses conflitos, foi mantendo a paz, o progresso e as forças militares reprimiram a movimentação de um grupo de tailandeses que aderiram à doutrina do comunismo que se movimentavam e escondiam nas florestas. Nas pernas anteriores me referi que a semelhança do progresso da Tailândia com o Laos e o Camboja é da noite para o dia. A Tailândia sem exagero segue à frente destes dois países mais de meio século. Assisti a um caso curioso de uma criança, do sexo feminino, de uns 10 anos (aparentando uns 7 ou 8) arranhando algumas palavras em inglês e diz-me com orgulho vísivel: "now I´m a thai!" (eu agora sou tailandesa). Sorri-me para ela não retorqui ao que me tinha dito antes, mas deu-me a entender que para aquela criança, laociana e muitas outras a Tailândia é terra do futuro e a de leite mel.


A malta no ataque!

Pernoitamos num excelente motel, da província de Nong Kae, uns dos melhores que conheci antes, pela muito da Tailândia que viajei. Está a uns quilómetros largos da ponte que liga a Tailândia com Laos e a dois passos a cidade de Vientiane, onde na capital laociana a língua, falada, é a tailandesa, o bate (moeda tailandesa) circula e desejada pelos habitantes. Inclusivamente e dado a fácil circulação de pessoas, residentes, na área fronteiriça, os condutores de táxis que circulam na cidade de Vientiane atravessam a ponte para se abastecerem de combustível. Na terceira noite tivemos o repouso merecido. O meu amigo Chaiyuth marcou a saída para a "malta" às oito horas da manhã.

A última foto que tirei ao amigo Chaiyuth na margem do Mekong. Um ginásio junto à margem

Hoje temos outra etapa a cumprir, deixarmos as terras baixas do Mekong e, subirmos, para as terras altas se Chian Rai e passarmos junto ao Triângulo Dourado, onde se encontram três fronteiras: Tailândia, Laos e a Birmânia. Depois de matarmos o "bicho", no restaurante, ao ar livre, do motel, partimos e agora bordejar o grande rio até mudarmos de direcção subindo as inclinadas estradas para alcançamos a província de Loei. Estamos a rodar para montante do Mekong, a paisagem do rio é soberba! As margens são terras de cultivo e verdejantes. Parte da Tailândia è vida, pequenas localidades onde as pessoas se movimentam e optimamente organizadas. Margens pouco conhecidas e até com grande potencial para o turismo de futuro.

Piri.piri que foi verde a secar. A rapariga que me disse: "Sou tailandesa agora". Uma criança da margem do Mekong.

As rodovias são de boa qualidade para a circulação e vêm-se pequenos hospitais para atender a população local. Impressiona-me como os declives das serras altas são aproveitadas para a agricultura e plantação de árvores de borracha. Do lado da outra margem, do rio e terras laocianas pouco ou quase nada se vê além de montanhas de arborização selvagem. O Mekong aqui é largo, com pequenas ilhas que foram resistindo às cheias do rio e muitas rochas pelo meio. Observando-se, a flutuar na água, aves, brancas, muito parecidas às carraceiras em procura de pescar algum peixito. Antes de começamos a subir e a "Roadstone" galgar grandes ladeiras curvilíneas da estrada que nos iria levar primeiro a Loei e depois para o norte, almoçamos num restaurante dentro de um pequeno mercado da localidade.

Sinalização depois de deixarmos a baixa do Mekong. Ao lando as montanhas virgem para proteger o meio ambiente

Comida, picante e igual como em outros locais do Isarn. Sentava-me e para não fazer desfeita aos meus amigos de viagem, sabe Deus como... participava e comendo desta e outras iguarias, malaguetadas, que abafava com umas colheres de arroz e uns tragos de Coca-Cola. As mesas e à disposição, dos clientes, uma quantidade de molhos, em garrafas e pratinhos onde o piripiri é o condimento especial dos apetites gastronómicos tailandeses. A comida é de facto cozinhada dentro de limpeza mas o problema para mim é o "picante" em excesso. Na última paragem junto ao Mekong, numa pequena aldeia, talvez de umas duas centenas de habitante, vou encontrar um ginásio público e de "borla" para os moradores se manterem em forma. O ginásio está junto à margem do Mekong e uma delícia ao principio da manhã fazer ali os seus exercícios matinais. Ora aqui vai a ideia para que os nossos homens que regem os destinos de câmaras de cidade, vilas e juntas de freguesia de aldeias de Portugal, procederem da mesma forma; evitando com isto ataques do coração e mais despesas para os serviços de saúde.



Nas terras do Loei a insdústria de floricultura progride. Largos quilómetros de viveiros à beira da estrada

Depois do almoço partimos e nas subidas a "Roadstone" começou a falhar nas subidas. Não liguei nde importância. Entramos nas terras planas de Loei e continuamos a rodar. Para onde não sabia. Pensei em direcção do "Triângulo Dourado". Enganei-me! O meu amigo mudoude rumo. Quando estacionou em frente a um restaurante para se petiscar algo e enganar, os meus colegas, acompanhantes o estômago , o meu amigo Chaiyuth transmite-me que mudou de rumo por causa da "Roadstone" ter começado a dar "nãos" nas subidas. Estávamos em Pitsanulok que bem familiar me era o lugar. Só que eu estava baralhado do local e não dei por ele.



O último ataque culinário da tarde e no caminho. Outro seria pela noite e em Mae Sot na fronteira da Tailândia com a Birmânia.


Atravessamos, horizontalmente a Tailândia desde a fronteira do Laos à da Birmânia. Dormimos em Mae Sot, uma simpática e progressiva cidade da Tailândia onde ali tudo é diferente: a comida, o modo de viver e uma mistura de etnias.

Mae Sot ao cair da noite.
José Martins