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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

BORDEJANDO FRONTEIRAS (5ª PERNA E ÚLTIMA)

É o texto seguinte o último em cima de uma série de quatro anteriores. Não me vou alongar demasiadamente em cima do que aconteceu no dia anterior em que a "Roadstone" se deslocou desde a margem do rio Mekong (fronteira que divide a Tailândia e o Laos) até Maesot, uma pequena e progressiva cidade, tailandesa, na margem do rio Moei fazendo a delineação, fronteiriça, entre a Taillândia e a Birmânia. A Tailândia um reino cheio de contrastes onde dá muito gosto viajar, pelas estradas, mesmo sendo o percorrer cerca de 3.500 quilómetros em 4 dias. Não tivemos sequer um problema durante o percurso, justamente uma paragem, pela polícia, numa estrada do Isarn, que não fui mais do que nos cumprimentar. Umas quatro nas montanhas de Tak para Maesot, que foram de rotina para verificar que pessoas viajavam dentro da "Roadstone", dado que por aquela via é camuflada a entrada de emigração clandestina vinda da Birmânia. Não dei conta de qualquer desastre o que me diz que na Tailândia se conduz com segurança por estradas principais bem cuidadas. Esta viagem foi uma experiência única, para mim e de resistência. A Tailândia é linda! Acredite quem me ler que sim. O modo de vida barato desde a compra de bens de consumo, à comida e à roupa. Incrível como ainda se praticam preços aos do momento. Chegados já noite a Maesot, procuramos hotel na baixa, o que não conseguimos dado que todos estavam lotados. Nos arredores, não muito distante do centro comercial fomos encontrar o "Maesot Hil and Hotel", simpático ao preço de 350 bates a dormida, em quarto de aircondicionado. Acontece que a Tailândia não escapou à crise, económica, mundial e a consequente quebra da chegada de turistas, baixando o preço das acomodações; uma forma de incentivar o turismo e bem melhor os quartos ocupados, a metade do preço, do que vazios.


Dois noviços budistas percorrem o mercado, antes do nascer do Sol para esmolarem comida e levarem para o templo, onde estão internados.

Instalado o grupo de viajantes no hotel, uma "banhoca", saiu para ir jantar a um restaurante no centro de Maesot. Ora "bolas" digo eu aos meus acompanhantes quando saíamos da "Roadstone": "Esqueci-me da Nikon para captar umas imagens da nossa última ceia da viagem". Ceamos excelentemente com peixe, arroz cozido sopa "tomiankung", de camarão do água doce, não muito picante e foi o melhor jantar, dentro do picante moderado, que tive de todas que tomei durante a viagem. A baixa de Maesot, pela noite, tem o movimento de pessoas, locais, alguns turistas que enchem os restaurantes ao ar-livre. Não há divertimentos em espaços nocturnos e estes quedam-se em Banguecoque e nas praias frequentadas por turistas. Em todos os lugares, por onde passamos não encontramos um sequer! Por vezes dá-se uma imagem diferente, da realidade, daquela que existe no país. Gente laboriosa e de paz espalhada por todo o país. Como: "quem não trabuca não manduca"...!!! Evidentemente que o ditado se deve manter: "Na terra onde viveres faz como vires fazer". Ninguém provoca ninguém, as pessoas distribuem sorrisos, falsos ou verdadeiros" que nos caem bem.

O mercado de Maesot, começa muito cedo e ao amanhecer

Por onde passo na Tailândia, sempre tive a "tara" de dar uma volta pelos mercados. Ali é que eu vou analisar a vida das pessoas e a abundância local. Aproveito, igualmente, de comprar umas frutas tropicais, que como depois no quarto do hotel e já um aditivo da papaia e de mangas amarelas, aquela que os tais pouco apreciam mas mais as verdes. Ora a papaia e para aqueles que me lêem e não sabem, tem propriedades terapêuticas, para quem sofre do mau funcionamento dos intestinos que fica com eles regulados. O mercado de Maosot é farto de carne de galináceos e de porco, hortaliças e peixe dos rios. Neles se abastecem pequenos e grandes restaurantes e a população local, embora a maior parte dos habitantes de Maesot preferem comer nos restaurantes (aliás a de todo o país) de rua do que confeccioná-la em casa. Por metade de um euro compra-se um prato de arroz, com carne e vegetais.


Vagens, couve- flor e abóboras e uma cabeça de porco. Como se pode analisar a carne de porco e de outros animais, abatidos, levam o carimbo do matadouro de certificação de qualidade e segura para alimentação

Os mercados, um mundo de vegetais, são silencioso, sem pregões onde a abastança e os preços bem diferentes dos praticados num mercado de Portugal ou mesmo de uma cidade de Europa. O micro clima da Tailândia a humidade constante e as chuvas, na época delas, torna o país como o mais fértil do mundo. Por exemplo, durante o ano chegam haver quatro plantações e colheitas de arroz que, ainda hoje, é considerado o maior produtor e exportador deste grão no mundo.


Uma mulherzinha que assa peixe do rio, uma banca de montes de frangos de pele amarela

Em todos os mercados existem sempre uma ourivesaria, com a porta aberta desde que o mercado principie a funcionar, onde os mercadores quando lhes sobra um pouco de dinheiro vai investi-lo em ornamentos de ouro de lei de 99,9% de paridade. O ouro de lei é um investimento que além de dar o tom de riqueza serve para, em qualquer altura, surja uma dificuldade económica. O metal, precioso e porque é de lei, pode o possuidor auferir lucro em relação à aquisição. O ouro é onerado na compra pelo custo do chamado feito ou a mão-de-obra do artista. Poderemos, encontrar, em determinadas alturas do ano, no "Sampeng" (China Town) em Banguecoque as ourivesarias cheias de clientes a comprar ouro ou até vendê-lo dependendo da descida ou subida do metal.


A ourivesaria no mercado já com as portas abertas às sete da manhã e uma vendedeira de castanhas produzidas por arvores selvagens da floresta.

Verifica-se que na cidade de Maesot existe abastança e a que não há para depois da "Ponte da Amizade", construída em 1997 e que liga a Tailândia e a Birmânia, pela quantidade de gente pobre que vem deste país em procura de comida, vender produtos e pedir esmolas. O movimento de carros de um lado e outro é escasso e insignificante. Na Birmânia o regime ditatorial de Rangoon não tem dado nada de bom aos birmaneses. Dá-se conta de muita gente do lado de lá, junto à entrada da porta fronteiriça da Tailândia, andrajosa que depois vi esperarem por comida, transportada numa carrinha e distribuída por um monge budista.



A porta de saída da Tailândia para a Birmânia e a ponte. Um grupo de pobres, birmaneses, recebem a esmola de comida de um monge budista.

Senta-se por ali nas margens dos passeiros, vêm-se muitos jovens, dos dois sexos e pessoas de idade que por ali andam a passar o tempo em procura de esmolas. Sem perguntar a ninguém que me informassem algo em cima do viver desta gente, me deu a entender que as autoridades tailandesa fecham os olhos à presença desta gente e até difícil de controlar a entrada dado que fronteira da Birmânia com a Tailândia é demasiadamente extensa e difícil de a ter sob o controlo. Mas o que na realidade surpreende todo o visitante, estrangeiro, a Maesot é a continuação da miséria que existe junto à linha à linha que marca a fronteira entre a Tailândia e a Birmânia. Para lá desta linha, uma grade contínua de aço inoxidável, está a "terra de ninguém" e o rio Moei, vindo das terras altas que pode ser passado pelo pé pelos birmaneses e trazerem do seu país contrabando de cigarros e outros artigos, de fraca qualidade (talvez até falsificados) que vendem , encostados ao gradeamento aos visitantes, turistas estrangeiros ou mesmo gente local



Gente birmanesa que deambula junto ao posto fronteiriço do lado da Tailândia esperando por esmolas de comida

Os contrabandistas birmaneses vivem nas condições mais miseráveis que se possam imaginar, construindo uns "barracos" com umas tábuas e cobertos com plásticos, junto ao gradeamento e onde vivem muita crianças em precárias condições. Na linha que demarca a fronteira, montam, esses contrabandistas birmaneses palanques de madeira e vendem o seu contrabando aos visitantes que caminham no passeio, onde até um oferece as tabletes VIAGRA para os homens que sofrem de impotência sexual. Mas para fora da vedação e sob a sombra de árvores taramandeiras sentam-se mulheres, birmanesas, vendem caranguejos, lagostins de água doce e outras mercadorias produzidas na terra.



A "Ponte de Amizade" as barracas, para lá da linha da fronteira e onde se abrigam os contrabandistas birmaneses, em condições de miséria


O homem que vende o VIAGRA e uma mulher birmanesa caranguejos


Um casal birmanês vende cigarros de contrabando junto ao gradeamento do lado de lá da fronteira enquanto na imagem do lado direito um grupo de clientes vão comprar cigarros.

Porém alguém me informam que os cigarros, embora de marcas famosas são contrafeitos e falsa a marca como o Judas! De onde entrará este contrabando? Por mar, por terra da China? Dificil de saber ao certo. Mas certo será que grandes "barões" estão envolvidos neste negócio que se aproveitam destes pobres "diabos" para vender a mercadoria. Por esta fronteira e mais acima a de Mae Sariang e a do Triângulo Dourado, continuam a entrar na Tailândia as anfetaminas, conhecidas por "Iabá" que depois de extintas as plantações de ópio,nas terras do Triângulo Dourado, que depois de destilado era convertido no pó branco a heroína, surgiram as pequenas fabriquetas de anfetaminas para lá da fronteira da Tailândia cujos materiais químicos, para as produzir chega da China. Não está fora de hipótese que estes pequenos contrabandistas não passem as anfetaminas (Iabá), em pequenas quantidades para o lado da Tailândia, dado que nada têm a perder. Mas além da mercadoria dos contrabandistas de fronteira de Maesot, existe um largo mercado, coberto, junto à fronteira, onde os birmaneses, os mais endinheirados vêm a Maesot para adquirirem artigos tailandeses e rara venda no seu país.
Um mercado de estrada que liga Maesot a Tak. Tudo ali se vende...mas agora nada falso... Hortaliças, muitos frutos e artesanato das populações de uma das muitas etnias (que vivem na Birmânia) mas tailandesas.

Uma vendedeira de vegetais e plantas ornamentais num mercado de estrada. Ao lado artesanato, bolsas de senhora (bonitas) que neste mercado se encontram à venda.

Uma tabuleta, junto ao troco da velha árvore indica que a a sua idade tem cerca de 700 anos de idade. Eu completamente estourado depois de subir 400 metros quase na perpendicular por escadas.
Saímos de Maesot com o pequeno-almoço e o nosso destino seria Banguecoque. A última surpresa, da viagem, esperar-me ia entre as montanhas de Maesot com a cidade de Tak. O meu amigo Chaiyuth tinha programado uma paragem no santuário da natureza o "Parque Nacional de Taksinmaharat". e uma autentica maravilha da natureza. O parque é constituído por altas montanhas e vales, onde neste a humidade é constante. São as chamadas "Raining Forests" que situam por norma onde existe quedas de águas cuja batida ao despenhar-se produz nevoeiro que envolve a floresta. Nesse parque criam-se e vivem uma infinidade de animais,repteis e insectos que todos procuram sobreviver naquele mundo estranho. Difícil poder sobreviver o ser humano por longo tempo pelo facto de não haver condições de habitabilidade. Os insectos e as sanguessugas coloca-lhe termo à vida num ápice.

A nossa "Daninha" com grandes dificuldade em subir, arreou várias vezes e tiveram que a socorrer com o abanar de um casaco e o meu amigo Chaiyuth subir ao cima para lhe levar uma garrafa de água
Longe estaria de pensar que o meu amigo Chaiyuth me tinha submetido a uma tortura, até perigosa, o fazer-me descer até às profundezas do vale para ver a grande árvore que nasceu e cresceu em toda a Tailândia, cujos cálculos (que não devem estar errados) lhe dão cerca de 700 anos. Durante o caminho falava na "Great tree" e que a iríamos ver. Ora eu pensei que a grande árvore seria um plantada num espaço plano e dali admiraríamos o monstro da natureza. Nada disso o fenómeno da natureza quedava-se a 400 metros e na base de um pequeno vale onde corria um curso de água límpida e fresca. Teríamos que descer, os quatrocentos centos metros, por escadas toscas ou cavadas pelo declive abaixo. Antes de eu descer e à frente do grupo armado em valentão das dúzias, com 74 anos e daqui a três meses, se lá chegar, 75 risonhas e algumas "lixadas" primaveras, pensei que para subir aquela escadaria, tosca, ou cavada na encosta, não iria ter problemas. Estava redondamente enganado que contarei mais à frente no correr deste texto.

Logo à entrada da descida para o inferno, no vale, está uma tabuleta avisar que deve olhar para os pés e ter cuidado com as cobras que por ali devem abundar. Um pequeno corrimão para se apoiarem os visitantes que acaba uns metros abaixo.
Ao anúncio para ter cuidado com as cobras não me assustou muito, porque a minha casa onde vivo há 20 anos, pegada ao pântano, estou acostumado a ver cobras e lagartos e os meus três cães me defendem destes animais. A cobra não ataca nenhum ser humano ou animal, de tamanho, se não for provocada, assim apenas se deve ter o cuidado ao caminhar não se vá pisar alguma quando dorme ou procura a espera de um passáro outro animal para se alimentar. Fresco lá vou descendo, entre bambus, pelo carreiro, até ao abismo onde está o enorme tronco da enorme árvore com cerca de 15 metros de diâmetro.

Lá vai um amigo de viagem para proteger os mais fracos. Uma placa no topo dá as coordenadas em cima do que vamos visitar.
Passou depois à minha frente um acompanhante, já familiarizado com as escadas, para fazer de guarda-costas algum que caísse ao descer. Já perto da base do vale e do tronco da árvore sinto as pernas a tremer e entendo que são vertigens provindas do olhar aquelas escadas, toscas, e o fundo do vale por aí a uns trinta metros de onde descia. Senti pequenino ao ver a grandeza daquela árvore de 700 anos e que conseguiu sobreviver e hoje rainha e senhora do imenso vale. Digo sobreviver porque as árvores das florestas húmidas também são vítimas de outras plantas parasitas que as extremina com o correr dos anos. A parasitarem não existe só entre os homens (refiro-me aqui aos políticos portugueses e outros habilidosos parasitas) que os medíocres e os oportunistas eliminam os inteligentes e de valor, ela vive entre as árvores. A figueira brava das florestas húmidas, só sobrevive enrolando-se a outras árvores e com os anos suas raíses penetrando no tronco vão-lhe sugando a seiva até que as definha. Não deixam porém, mesmo vivendo parasitando, de seus frutos serem uma parte importante para alimentação de aves e outros animais que vivem nessas florestas. É a selva onde animais e árvores também têm as suas guerras, como os humanos as têm e provocam.-

O tronco da árvores grande. A da imagem ao centro já atacada pelo árvore do figo selvagem que a irá destruindo com o correr do tempo. Na imagem do lado direito poder-se-ão ver duas dessas árvores que não têm hipótese alguma em destruir a árvore grande, mas sobem para conseguir abraçá-la mais lá no alto.


O grupo tirou fotografias para que fiquem para a posteridade, junto ao tronco da árvore grande. Na da direita encontro-me eu de chapéu na cabeça.

Depois de tiradas a imagens o grupo prepara-se para subir. Isto vai ser trigo limpo, disse cá para mim... Enganei-me redondamente... Enquanto o meu amigo Chayuth e outros acompanhantes subiam frescos e sem dificuldades eu e a Daninha estávamos a sofrer as consequências do esforço, da subida e as batidas a cento e tal por minuto do coração. O meu parecia um martelo vibrador... E por cada 20 escadas que subia tinha que me sentar e aguardar uns minutos para voltar a subir até ao topo da montanha que ainda estava longe. Venci, com muitas dificuldades e cheguei ao cimo como um herói de ter praticado um grande feito. A nossa acompanhante Daninha, arreou, teve que ser assistida com umas abanadelas de ar provocadas por um casaco e uma garrafa de água.


Os serviços administraticos do parque, para prestar assistência aos visitantes e hóspedes que desejem desfrutar, por uns dias, no parque de ar puro e reconfortante para as pessoas que vivem numa cidade populosa como é Banguecoque.
Mas os efeitos que eu sofri na subida não tinham terminado, olho para os meus pés ( desci e subi de chinelos) e entre os dedos havia sangue. Em outros colegas de viagem havia o mesmo. Tinham sido as sanguessugas (umas minhocas minúsculas) que não se vêm e as há aos milhões na floresta húmida que penetram nos pés das pessoas, ou sobem pelas pernas acima e dão uma picadela que não se dá conta e sugam o sangue que depois de satisfeitas larga a vítima. No entanto a picadela não produz infecção dado que o próprio animal possui um anticéptico que desinfecta o ferimento que produziu. A natureza pródiga.
Chegados ao arredores de Banguecoque, fizemos a última refeição, ao som de canções maviosas, interpretadas por uma rapariga acompanhada por dois guitarristas. Durante os quatro dias de viagem e mais de 3.500 quilómetros rodados
Para terminar: depois de tantos problemas que surgiram já tenho vontade de seguir para outra aventura, igual a que acabei de fazer.
José Martins