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domingo, 8 de novembro de 2009

AS CARÍCIAS DE FERNANDA LEITÃO A JOSÉ SARAMAGO




CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão

Seguramente, foi em 1959 que assentei arraiais na Brasileira do Chiado, no grupo pontificado por Tomaz de Figueiredo, Jorge Barradas, Abel Manta e Almada-Negreiros, onde fui dar pela mão de artistas plásticos cujo vasto atelier passou a ser, também, meu poiso habitual. Meu de muitas outras pessoas.

Em tardes de inverno, com a lareira acesa e tomando chá, por ali passava a dizer poemas Vasco Lima Couto e, a inundar o espaço com a sua voz inesquecível, Eunice Muñoz. Gente do teatro, do cinema, da música, das artes plásticas, do jornalismo, das letras, ali conviviam com serenidade e gosto.

A escritora Isabel da Nóbrega começou a ser habitual e depressa se tornou uma amiga dos donos do atelier. Senhora de bom berço e fino trato, inteligente e culta, bem instalada na vida, caíu numa cilada do demónio. Apaixonou-se por um zé ninguém, nem sequer bonito, muito menos simpático e bem educado, que olhava tudo e todos de nariz empinado, numa pseudo-superioridade de quem tem contas a ajustar com a vida, quezilento e muito chato. Falava como um pregador de feira e era intragável. Mas, em atenção à Isabel, lá íamos aturando o José Saramago.

Para mim, que sou péssima, foi ponto assente: aquele não a ia fazer limpa, era um depósito de ódio recalcado. Foi por isso que não me admirei nada quando o vi director do Diário de Notícias, a mando do Partido Comunista, onde, da noite para o dia, lançou ao desemprego 24 jornalistas, dos da velha escola, dos que escrevem com pontos e vírgulas, deixando-os, e às famílias, sem pão. Tambem não fiquei minimamente surpreendida quando soube que abandonou Isabel da Nóbrega, que tanto fez por ele, para alvoroçadamente casar com uma espanhola que foi freira e tem vastos conhecimentos no mundo da política e das letras. Para mim, estava tudo a condizer com a figura.

Cá de longe soube que publicava livros e vendia muito. Não me aqueceu nem arrefeceu, porque nunca li nada escrito por ele nem tenciono perder tempo com isso. Não me apetece, e está tudo dito. Nem o Nobel que lhe deram me impressionou, porque já vi o Nobel ser dado sem critério algumas vezes. Acho mesmo que o prémio está a ficar muito por baixo.

E agora, o homenzinho da Golegã a chamar nomes a Deus, a insultar a Bíblia nuns raciocínios primários de operário em roda de tasca. Dizem que o fez por golpe publicitário. Talvez. Acho que é capaz disso e de muito mais. No entanto, creio que, no meio do aranzel, apenas houve uma pessoa que lhe fez o diagnóstico certo: António Lobo Antunes, numa magistral entrevista dada à RTP, há dias, respondeu a Judite de Sousa, que o interrogava sobre as tiradas de Saramago, que essas vociferações contra Deus lhe tinham feito medo.
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E adiantou: "tenho medo de chegar à idade dele assim, sem senso crítico". Está tudo dito. É mais um como há tantos anciãos de tino perdido em Portugal. É deixá-los andar. A mim tanto se me dá.

LASSIDÃO


O QUE O GRANDE PÚBLICO DESCONHE...A REALIDADE

«O entusiasmo pela China esmoreceu»
2009 October 29
by pontofinalmacau
.Os números sobre o cada vez mais fraco relacionamento comercial com a China têm de ter alguma explicação. Ou várias. Especialistas avançam com algumas.

João Paulo Meneses
putaoya@hotmail.com

Os números publicados no mês passado pelo PONTO FINAL dando conta de que, ao contrário do que seria de esperar, e tendo em vista as múltiplas declarações, acções e intenções, 2008 foi um ano muito mau para o relacionamento comercial entre Portugal e a China, suscitaram algumas reacções.
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O PONTO FINAL ouviu três dos principais especialistas nesse relacionamento bilateral e conseguiu reunir algumas explicações. Impossível foi perceber o que pensa o embaixador português em Pequim, naturalmente um dos ‘protagonistas’ deste caso, que não respondeu a dois contactos muito espaçados no tempo da nossa parte.
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Fernanda Ilhéu, que foi muitos anos a secretária-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, lembra que «as viagens e missões governamentais/empresariais são muito importantes mas não são suficiente para entrar no mercado chinês, no seu follow up as empresas têm de investir em estratégias de marketing, os retornos não são imediatos e é necessário adaptar os produtos, decidir se se vai utilizar a sua marca ou criar uma marca própria para a China, como é que se vai posicionar no mercado etc.».
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A coordenadora do novo ChinaLogus lembra que «a primeira decisão estratégica, que aliás é importantíssima porque vai determinar grande parte do sucesso ou insucesso, é como é que a empresa vai entrar no mercado, se via das exportações, se vai fazer alianças estratégicas, se via de IDE em produção ou/e distribuição própria, se vai crescer organicamente ou por franchising». Fernanda Ilhéu lembra que «para minimizar riscos e ter bases para definir estas estratégias a empresa precisa de conhecer bem o mercado chinês, o que só consegue com estudos profissionais e a colaboração de pessoas com experiência nos negócios na China».
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Pedro Vieira, da consultora AcessMarket (uma das que mais negócios está a fazer na China), reforça esta ideia, quando refere que se trata de «um mercado para corredores de fundo e onde a persistência é crítica», lembrando que «a evolução das vendas e a expansão para várias províncias exige tempo. A língua, os fusos horários, a cultura e as consequentes dificuldades de comunicação são apenas alguns dos obstáculos à rápida concretização de negócios. Acrescenta-se a isto a distância e a maior dificuldade que as empresas portuguesas têm de se deslocarem à China com regularidade para acompanharem os negócios».
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A investigadora e docente universitária Virgínia Trigo, que – como lembra – há pelo menos 20 anos assiste às ‘boas intenções’ sobre a ligação comercial entre Portugal e a China, contou ao PONTO FINAL um caso que ilustra bem que um dos principais problemas é de mentalidade: na sequência do doutoramento aberto na China pelo ISCTE de Lisboa, com mais de 30 doutorandos inscritos, surgiu a possibilidade de um deles, director de uma grande empresa, abrir em Portugal uma parceria estratégica.
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Falta encontrar um parceiro em Portugal. É contactada a maior empresa nacional nessa área que, depois do primeiro contacto, nunca mais responde. «O leitor [a pessoa ligada ao projecto do ISCTE que fez o primeiro contacto] tenta vários contactos por email e por telefone alertando para o final do prazo, mas o que ao princípio parecia simples começa a complicar-se: o responsável que em tempos o contactara inexplicavelmente “desaparece”.
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Primeiro são reuniões, depois são saídas para o estrangeiro e ninguém mais parece saber do assunto. Você só pede um sim ou um não e por fim é obrigado a dar uma justificação duvidosa à empresa na China sabendo quanto isso o prejudicará e à reputação do seu país, em relações futuras com aquele grupo de empresários. É então que o leitor tem uma sensação muito desagradável, como uma mão fria a apertar-lhe lentamente o coração».
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Mais apoios
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Para além da falta de visão de muitos empresários portugueses, outros problemas – na linha do que já foi apontado antes – subsistem.
Fernanda Ilhéu pensa que «desenvolver este tipo de trabalho na China exige disponibilidade financeira e recursos humanos qualificados. É um investimento elevado. A maioria dos governos da EU tem consciência disso e apoia grandemente as suas empresas. Apoia com estudos de mercado, apoio logístico, jurídico, interpretação linguística e cultural, identificação de projectos de cooperação e lobby nas negociações, campanhas de promoção de imagem dos seus países, etc».
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O problema é ainda mais acentuado para um país como Portugal: «na China de facto sabe-se muito pouco de Portugal, ser a pátria de Ronaldo ou Figo é uma boa referência, mas não faz o consumidor decidir de uma compra, o consumidor chinês de produtos importados é racional, analisa atributos dos produtos, compra o que considera o melhor e compra o valor intangível da marca, em termos de símbolo de sucesso e prestígio». A autora de «A Internacionalização das
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Empresas Portuguesas e a China» (2006) pede, «ao nível governamental, acções de follow up, planeadas a dois ou três anos, que não se resumam a participar em uma feira ou duas por ano. Assim não se vai muito longe, as empresas percebem isso e é natural que muitas desistam do mercado porque só por si não terão capacidade para o fazer. A visita do Senhor Primeiro Ministro à China criou grande expectativa em que no seu follow up uma estratégia concertada, entre o governo e os empresários, de abordagem do mercado pudesse finalmente acontecer, mas não foi assim e o entusiasmo pela China esmoreceu».
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Pedro Vieira reconhece que «houve, de facto, um período em que a concretização de negócios na China foi mais mediática, o que passou a ideia de que a presença portuguesa estava a crescer de forma significativa». Ainda assim, entende que «os negócios continuam a fazer-se e mais empresas tentam encontrar oportunidades. Ficarão os mais resistentes, os que se adaptarem e responderem melhor à evolução do mercado (que muda rapidamente) e os que conseguirem controlar melhor as operações. Estou convencido de que gradualmente os números irão reflectir essa realidade».

A crise internacional (e não só…)

O responsável pela consultora MarketAcess (com escritório em Pequim) diz ao PONTO FINAL conhecer casos «em que a crise internacional teve influência no adiamento de alguns projectos concretos de investimento» e Fernanda Ilhéu admite que «em anos de crise os empresários tendem a concentrar-se em mercados tradicionais que oferecem menos riscos. E avança com números «apesar de no primeiro semestre de 2009, o comércio com a China ter diminuído 6%, as exportações portuguesas aumentaram, de acordo com informação da Embaixada da China em Lisboa», citando o exemplo da Filkemp, que assinou um grande contrato de fornecimento com a China para os próximos anos, o que irá aumentar as nossas exportações.
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Fernanda Ilhéu adianta ainda que «a dificuldade, é que por razões óbvias, a maioria das empresas não comunica esse tipo de informação e portanto podem existir mais interesses portugueses na China do que os que estão na lista da AICEP».
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Virgínia Trigo, que escreveu o livro “Negociar na China” (2006) e foi docente na Universidade de Macau, além de presidente do Instituto de Formação Turística de Macau, conclui que «numa afirmação que vos poderá parecer exagerada, um empreendedor brasileiro de Manaus dizia-me recentemente: “Ou você entra na China, ou está fora do negócio”. E ainda mais convincentemente acrescentou: “Não tem escolha, se todo o mundo vai, eu tenho de ir”.
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Não parece ser essa a convicção da generalidade das empresas portuguesas a avaliar pela falta de interesse por tudo o que diga respeito à China, confirmada pela fraca – ou nula – adesão a qualquer iniciativa que vise dar informação ou formação sobre o país promovida pelas mais variadas pessoas que em Portugal o conhecem. E não são tão poucas como isso».

E Macau?

«Macau, como mercado, é pequeno. É no entanto natural que as empresas procurem aí oportunidades, sobretudo por razões históricas», começa por explicar Pedro Vieira, para quem, «em alguns sectores (como o alimentar ou a fileira casa, por exemplo) pode ser interessante, tendo em conta o modelo de desenvolvimento de Macau, baseado no turismo, nos hotéis e restaurantes».
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Mas este especialista lembra que «abordar a China continental a partir de Macau significa, em muitos casos, acrescentar um intermediário ao negócio, sem valor acrescentado. Dificilmente uma empresa portuguesa irá abordar e gerir os seus negócios em Pequim ou Xangai a partir de Macau ou com um parceiro de Macau». Pedro Vieira concede apenas que «eventualmente, a partir de Macau poderá cobrir a zona de Cantão, mas mesmo essa opção não será a melhor».
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Já Fernanda Ilhéu tem uma posição que, de certa forma, contrasta com a anterior: «Nunca percebi em tempo nenhum que o investimento de Portugal em Macau não seja olhado de uma maneira positiva. A administração portuguesa de Macau promoveu muito esse tipo de investimento e não sentiu reacções negativas nem das empresas nem do governo português, pelo contrário. Senão existem mais investimentos de Portugal em Macau é por outro tipo de motivos, mas não por serem olhados de uma maneira menos positiva».
Fonte: "Ponte Final" (Macau)

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