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domingo, 15 de novembro de 2009

RECOMENDÁVEL A LEITURA

As escutas do nosso (des)contentamento

“E todos os actores, desde juízes até aos jornalistas, que estão a contribuir para esta vergonha fiquem com a certeza de que o trabalho que estão a desenvolver é o melhor caminho para a destruição do Estado de direito”, afirma o meu amigo Alfredo Fontinha no “Viver Ramalde – Viver o Porto” (http://viverramalde.wordpress.com)

SORTUDA!!! DIA MENOS DIA É NOMEADA MINISTRA!

Fernanda Câncio já é ‘namorada’ do primeiro-ministro
Media
Fernanda Câncio já é ‘namorada’ do primeiro-ministro

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O plenário da Carteira Profissional dos Jornalistas indeferiu um recurso de Fernanda Câncio onde esta contestava o facto de ter sido designada na imprensa como «namorada do primeiro-ministro», avança a edição do SOL desta sexta-feiraLer Mais

ABSOLUTAMENTE DEMOLIDOR!

Face Oculta
Sócrates mentiu ao Parlamento sobre a TVI
Excerto do artigo

14 NOV 09 As escutas do processo ‘Face Oculta’ provam que o primeiro-ministro faltou deliberadamente à verdade quando disse no Parlamento que desconhecia o negócio da compra da TVI pela PT, avança a edição do SOL desta sexta-feiraLer Mais

Sócrates mentiu ao Parlamento sobre a TVI

A CRISE DE INFORMAÇÃO

Clique a seguir para ler a peça
Desastres & Crises
Anônimo disse...
É verdade que a RTP1 insiste no desastre.
Mas que fazer se não pode falar dos verdadeiros problemas da nação?... O problema não é dos jornalistas mas da nova censura.


À MARGEM: Apenas retirei do blogue do Senhor Embaixador Seixas da Costa, que muito admiro, o comentário de um anónimo que inseriu na peça "Desatres & Crises". .

Haverá de facto censura em Portugal depois de tanto se apregoar a democracia e a liberdade de expressão?

Claro que existe e o Poder tenta escamotear algo que os prejudique nas suas andanças governativas.

Mas deixando a censura (ela existe) refiro-me à nossa RTP que mais me parece um albergue que uma estação pública e paga com a língua de três palmos pelo contribuinte.

Movimenta-se, com programas, de uma mediocridade impressionante e dinossauriana. Ninguém sabe os "buracos" que existem naquela redoma de vidro.

Pouco mais saiem, nos noticiários, palavras de impressionismo daqueles/daquelas que os transmitem.

São os desastres como fazendo deles lições de pedagogia para os ouvintes e que estes sejam umas criancinhas inocentes.

Aqueles assuntos que interessam aos portugueses, são de facto noticiados, mas levam uns "pozinhos de rim-pim-pim" depois de uma olhadela, pelo papel, do director de informação.

Pela RTP, após a vitória, do PS (acredito que todos são do PS, agora e de outro partido que assuma o poder no futuro), houve por lá festa rija!

Analisem o que seria e as desgraças por lá se outro partido ganhá-se e surgi-se um igual a Morais Sarmento a colocar os pratos limpos. O clamor saltava para a rua e aqui del-Rei que estão a violar os nossos direitos ao emprego!

Se há ou não censura, camuflada, em Portugal é ver-se o caso da Manuela Moura Guedess, que fizeram dela um "oito"!

A Manuel não perdeu o emprego, mas calaram-lhe a voz.
Readmitida na TVI, deram-lhe um gabinete, o quarto de arrumações, onde foram arrumadas as vassoras e os detergentes, objectos de limpeza.
José Martins

MUITO BOM!

José Mário Branco

Vem mesmo a propósito ...

Toma lá 200 milhões!

«(...) Mas não só. Percebe-se como também, a seguir à PT (obrigada a sair de cena pela polémica entretanto gerada política), surgiu um curso. E como é que se Através desta Pretende ajudar o empresário Joaquim Oliveira, que NECESSITA DE injecção de capital. (...)» [Semanário «SOL», 13 Novembro 2009]


Já no final de Setembro de 2009, o Semanário Privado havia DENUNCIADO «negociatas socialistas» para ajudar o «amigo» Joaquim Oliveira - e de como essa ajuda já era antiga. Dois «amigos», em particular, no jogo de interesses: Armando Vara e José Sócrates ...


Empresa de Joaquim Oliveira NÃO NECESSITA de Bancos
A ZON emprestou 200 milhões a SportTV
ACCIONISTAS E ABRIU UMA GUERRA ENTRE

NA TVI O GABINETE DE MANUELA É O QUARTO DE ARRUMAÇÃO DE VASSORAS...

A PEÇA DA DISCÓRDIA E A PERDA DE UM AMIGO DE LONGA DATA!

Assunto: OPINIÃO DE MÁRIO SOARES - A seguir a esta peça
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Meu Caro Dr. Henrique Antunes Ferreira,
Cada um é como cada qual e cada qual é do partido que melhor nas ganas lhe der.
Eu cá sou assim como ouvia à Gabriela na famosa novela da década setenta do século passado. Tarde para mudar...
Por riscar o nome da lista dos endereços do meu blogue um amigo, de quase uma dúzia de anos, não vai terminar a minha crítica acutilante às disparidades que vão surgindo na arena política do meu país.
Sempre vivi em liberdade no tempo da "outra senhora" sem nunca me ser foi travado o meu caminhar de peregrino por este mundo onde vivem lobos e cordeiros.
Por último, eu sei, que uma amizade para se construir demora tempo e escasso para ser destruída.
Assim foi hoje consigo.
A vida continua!
Passe por aí bem que eu cá vou indo vivendo entre os lobos e para que não não seja comido vou defendendo-me deles.
Saudações de Banguecoque
José Martins
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Meu caro José Martins

Boa noite (aqui é...)
Não costumo importunar quotidianamente e muitas vezes ao dia o meu caro Amigo. O Senhor tem a sua opinião e eu tenho a minha. Mas não lhe mando mails a incomodá-lo - o que o meu caro José Martins me faz. Peço.lhe, portanto, que me risque da sua lista de endereços no que a tais mensagens concerne. Para bem e para o mal continuo a ser do Partido Socialista, coerente com todas as posições políticas que sempre assumi, como sabe. E desde os tempos da velha ditadura. E com chatices com a PIDE. E com os «afagos carinhosos» que ela me ofereceu.
Está Portugal a viver em Liberdade e Democracia. Cada um pode dizer e escrever o que pensa, com toda a legitimidade e sem processos por crimes de opinião. Escreva os seus blogues como bem entender. Está no seu pleno direito de o fazer. Quem quiser lê-lo, lê-o. Quem não quiser - não o lê. Eu faço parte deste último grupo, no que concerne à chicana política em que se sente bem.

Mas, dispenso-o de gastar o seu tempo - que presumo precioso - a mandar-me coisas destas. Só li a presente - para lhe poder responder assim. Porque, usualmente, não as leio - deleto-as. Ou seja, vão para a cesta secção.

Um Obrigado antecipado pela atenção que tenho a certeza que me dará, fazendo o obséquio de aceitar esta minha solicitação.
Passe bem, Amigo José Martins. Abraço
Henrique Antunes Ferreira

OPINIÃO DE MÁRIO SOARES

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Mário Soares
'Face oculta' é um problema comezinho
Mário Soares, antigo Presidente da República e fundador do Partido Socialista, desvalorizou esta tarde a investigação "Face Oculta" que envolve o primeiro-ministro, José Sócrates. O presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, classifica a acção da Polícia Judiciária como um "problema comezinho". Mário Soares entende que há da parte da comunicação social a tentativa de transformar a "Face Oculta num caso máximo da Justiça" para conquistar audiências. Uma situação que "acaba por maçar as pessoas", acrescentou.
Mário Soares, à margem do Encontro sobre a Compaixão, em que participou na Mesquita Central de Lisboa, sublinhou que "é preciso que a Justiça não seja uma face oculta".
Correio da Manhã
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À MARGEM: - De facto faltava a opinião de Mário Soares, para juntar à, telenovela, de Belmiro Azevedo, relacionada com a "Face Oculta".
Cá por mim não valorizo estas opiniões, porque não me merecem vintém de crédito.
Mário Soares bem melhor que enfie as pantufas e se embrulhe num cobertor para escapar ao frio do inverno à porta.
Quanto ao Belmiro Azevedo até se entende que aguarda por aí mais uns favores para abrir mais um mega "shopping center".
São os "polvos" a estenderam os tentáculos e abraçar os seus amigos na hora em que as infâmias saltaram para a praça pública.
Depois as culpas são cobertas com o manto da Comunicão Social (a pouco livre e independente que neste país há), para conquistar audiências o que me diz vender papel, timbrado, com verdades que os "polvos" pretendem encobrir o que incomoda muita gente.
José Martins

CITAÇÃO DO DIA



O medidor de influência
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"A revista "Forbes" fez uma lista das personalidades mais influentes do mundo, na qual aparece António Guterres, ex-primeiro-ministro português e actual Alto Comissário da ONU para os Refugiados, em 64º lugar. A surpresa é a ausência de Durão Barroso, presidente da CE.
A "Forbes" terá as suas razões, e parecem critérios no mínimo discutíveis, para não dizer errados. Mas faz-nos pensar sobre o modo como a UE é vista nos EUA".
In Expresso

AS SUAS NOTÍCIAS DE HOJE - 15.11.09

Capa do Correio da ManhãCorreio da Manhã

PGR confirma crime mas não apoia escutas
Turismo: Algarve em promoção
País Basco: ETA quer negociações
Refer: Suspende pagamentos
Porto: Roubada no multibanco

Capa do PúblicoPúblico

Bruno Alves não quer selecção à defesa em Zenica
Eduardo admite sorte, Nani lamenta perdidas
Queiroz antevê sofrimento até ao fim e Blazevic acredita
Portugal de sorte está na frente
Golo de Anelka coloca a França com um pé no Mundial

Capa do Diário de NotíciasDiário de Notícias

Feira do Mel em Ourém
XI Feira Internacional do Cavalo Lusitano
Portugueses aderem a 'site' que transforma traição em 'felicidade'
Ficha de auto-avaliação permitirá ser classificado
Despido e sovado em roubo

Capa do Jornal de NotíciasJornal de Notícias

APEC: Apoio ao relançamento e à cimeira de Copenhaga
Copenhaga: Primeiro-ministro dinamarquês reuniu-se com os líderes Apec
Economia: Obama comprometeu-se a adoptar "medidas fortes" para reduzir o défice norte-americano
APEC: Cimeira 2011 dos países da Ásia-Pacífico será no Hawaï - Obama
Honduras: Zelaya renunciou regressar ao poder

Capa do ii

A cautela de Bruno Alves entre a sorte grande de Portugal
Face Oculta: Sindicato do Ministério Público diz que Vieira da Silva foi insensato
Em Buenos Aires foram os primeiros a autorizar os casamentos gay
Em Portugal há 4.500 novos casos de cancro de mama por ano, 1.500 resultam em morte
Comissão que vai analisar relatórios sobre reforma penal reúne-se hoje

Capa do 24 Horas24 Horas


Capa do A BolaA Bola

Encarnados têm um mês e meio para segurar Quim e Moreira
Carvalhal é o senhor que se segue
Inter: Quaresma titular em particular com o Vaduz
Real: Utilização de Ronaldo frente ao Santander depende da FPF
Trio mantém-se na liderança

Capa do RecordRecord

Jean mostra-se a Jesus
Meio-campo sem comandante
Keirrison ganha vantagem
Dragões nunca perderam com Belluschi
Cortar sem despedir

Capa do O JogoO Jogo

Isinbayeva tem Gripe A
Blazevic: "Acredito que vamos passar"
Favoritos europeus próximos de Nova Zelândia, Nigéria e Camarões
Bosingwa apoiou Portugal na bancada da Luz: "Fomos felizes"
Queiroz antevê sofrimento até ao fim

UM RETRATO DO QUOTIDIANO EM DILI NOS ANOS TRINTA

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De facto nunca tinha ouvido falar no Capitão Armando Pinto Correia.
Porém dado à visita, recentemente, do Bispo Belo à Madeira, procurei na minha biblioteca particular, a obra “Postais Antigos & Outras Memórias de TIMOR”, de João Loureiro, patrocinada pela Fundação Macau e procurar informação, relativa, ao oficial do Exército Português que desempenhou funções de administrador de Concelho em Timor Leste, na década trinta do século passado. Transcrevo um trecho do seu livro “Timor de lés a lés” que viria a ser publicado em 1944. Econtro na prosa de Pinto Correia, a subtileza e onde nada ao seu olhar de observador lhe escapa. De um momento para outro Pinto Correia coloca-me em Moçambique, onde eu vivi na década de sessenta e onde por lá, passado, 30 anos tudo era muito parecido ao que relata em Timor. Vamos encontrar no transcrito abaixo o caricato e o humor que só Pinto Correia lhe soube dar o tom que a todos agrada ler.
José Martins
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Assim o Capitão Armando Pinto Correia viu Timos:

“Dilly é sombria e parrana como qualquer burgo de província. Não há cafés, não há jornais, não há teatros. De manhã faz-se a vida de repartição. Às sete horas, os chefes-de-serviço desenterram-se dos mosquiteiros, tomam banho, saboreiam o pequeno almoço e, entre as oito e as noves, trocado o pijama pelas calças brancas e o casaco fechado “à holandesa”, fazem sair os seus automóveis baratos e descem de Lahane. As esposas, dentro das suas batas matinais, vêm à varanda despedir-se. E enquanto elas ficam, bocejando, estendidas em cadeiras de viagem ou ralhando com os criados, os chefes seguem, levantando poeira pelas ruas sombreadas de gondões centenários, recebendo no trajecto as saudações dos transeuntoes: indígenas que tiram da cabeça o lenço enrolado e se curvam, de mão estendida, à laiua de quem pede a bênção.
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A pressa é pouca. Um objecto a comprar, pergunta sobre os câmbios, negócios de florins. Mais adiante é a garagem de um colonial crónico: é o club da terra. Toca a amesendar-se um pouco e beber um whisky. Enquanto na casa ao lado, uma descacadeira de arroz vais despelando o neli, os “luminares da aldeia” trituram e desfazem reputações.
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À tarde, após o costume ritual da sesta, a que poucos são refractários, o funcionários de 1ª. classe troca de novo o pijama pela quinzena branca, engomada até à rigidez, põe ou manda pôr o automóvel em marcha e deserta de casa.
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As habitações, obscurecidas pelas largas varandas circulares, são insuportáveis para qualquer trabalho cerebral. Os quintais magros de espaço, a rua muito à beira e as construções debruçadas umas sobre as outras ladeira arriba: tão próximas, que dentro delas não há intimidade, não há conforto, não há isolamento, e o corpo, entorpecido da sesta e da torreira, enervado pela melancolia da tarde, precisa de uma viração tonoficante de ar, que só uma corrida de carro desloca.
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São cinco horas. É preciso falar em surdina, quando o silêncio de Lahane se rompe com o ranger das alavancas e o rosnar das buzinas, o trepidar dos motores. Os senhores oficias e chefes de serviço saiem a passeio com as famílias em trajes leves, eles e elas.
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As mulheres decotadas, braços à vela, gaforina ao vento; eles, de gola aberta, desportivos, derreados sobre os coxins, as pernas distendidas numa preguiça, esboçando conversas, que o calor não deixa prosseguir. Hás adeuzinhos, acenos e irónicas gracinhas para os retardatários que ainda se espreguiçam nas varandas ou nelas recebem, ali mesmo e em cadeira de rota, algumas dessas visitas de cerimónia, que é praxe fazer-se – eles de gravata e colarinho postiço: elas de chapelinho, a desabafar o seu horror por esta vida de vermes, insípida...
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Eles aí vão, a caminho de Dilly, amodorrados nos assentos do carro, sequiosos de fresco, espalhando poeira sobre os indígenas que passam e se afastam para as margens da estrada amarela, descobrindo-se ou fazendo continência, ante as ilustres senhorias.
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Presos consertam as estradas, sob as vistas sorridentes do velho capataz branco, de cachimbo entre os dentes.
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No funco da ladeira, termina o vale de Lahane, e os carros curveteiam para a esquerda, atravessam uma ponte de betão, com grande bolas, atiram-se a toda a brida, ruidosos, pela anenida do Bispo Medeiros, sombreada de sumaúmeiros e aberta entre palmares do Montalvão e do Mascarenhas.
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...Estamos em começos de Novembro, fim da época seca, prefácio do período das chuvas. A terra sopra calor por todos os seus poros. Em Dilly a atmosfera é irrespirável. Ao longo da rua dos Árabes, à porta das suas lojecas, os chinas espapaçam-se nos degraus das varandas, todos em camisola, os pés fora dos tamancos, abanando-se com ventarolas.
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À porta de uma delas, descarrega-se um camion cheio de fardos de café- Troncos nus, luzentes de suor, um magote de indígenas passa dobrado sob os sacos. Além é o quartel de artilharia. Um ladim fardado de caqui passeia lentamente, a arma ao ombro, enquanto num banco, junto à porta, três soldados europeus, de gola desapertada cor de cidra, jazem em silêncio, com ar fulminado, quebrando a sua imobilidade para coçarem a mordedura de um mosquito ou expulsarem um enxame de formigas de asas que volteiam no ar. Em cabelo naufragados em automóveis, os funcionários que desceram de Lahane fazem a via sacra pelas ruas de Dilly, à procura de fresco. No Grémio dos Sargentos, graduados em camisa, mangas arregaçadas, ensaiam carabolas preguiçosas, enquanto na varanda, um grupo tece longas macarenas sobre o preço da vida, as rendas das casas e exiguidade dos prés.
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Lojas e habitações particulares abrem todas as suas portas e janelas sobre a ruas apertadas. Cada casa é um forno.
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Na rua dos Árabes demoram-se as senhoras em compras nas lojas de Joesoef e do Wanhdomal, um árabe e um indiano, enquanto os homens fugindo ao calor ficam à porta, palrando e olhando quem passa, por sob a nave dos gondões centenários, cujas folhas se imobilizaram...
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O espectáculo é sempre o mesmo, exótico, pitoresco. Lojas de aspecto sujo,, tectos baixos, paredes manchadas do roçar de gerações de indígenas. Tabuletas de madeira com caracteres vermelhos em fundo. Valetas onde a água dormita. Chinas em pijama enforquilhados, em bicicletas, vagueiam diante das suas patrícias, que se encostam às portas, de calças pretas, muito largas, o cabelo à rapaz e muito enfarinhadas de pó de arroz. Algumas dão de mamar a bambinos com cara de luas cheias.
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Timoras muito enroladas nas suas vestes claras, arrastando chinelas vistosas, em passinhos curtos, travados pela saia pequena roda, derriçam com marinheiros do vapor “Dilly” – descalços e impecáveis, na sua farda branca. Os alunos da escola china caminham, a um de fundo, maleta dependurada ao ombro. Árabes de olhos profundos, graves e de barbicha à Cristo passam lentos, pesados, silenciosos, sob os cofiós vermelhos, cinzentos brancos, que nunca tiram o toutiço – a caminho da praia, onde se irão pôr de cócoras, voltados para Meca, para a oração do sol posto. Indígenas com barretes, outros de palhinha, alguns arrastando porcos à sirga, uns com peixes salgado e ainda outros com hortaliça do Remexido.
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Passam recrutas, impedidos, enfermeiros, guarda-fios, amanuenses e aspirantes aduaneiros... Mestiças namoradeiras, demoram-se a mirar, com olhos sonhadores, a casa do china fotógrafo. Um coronel médico europeu, de óculos, à porta do May Chong, fala com o proprietário sobre a melhor maneira de tranderir as suas patacas em florins. A loja Wadhomall é a tentação das damas.
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Queima-perfumes, jarras, frascos de essências caras, sabões, lanternas e feitiços pendem do tecto. No balcão e nas estantes, cortes de seda, tapetes, tam-tans, quimonos, pijamas, chinelas brocadas, colchas bordadas, biombos, mantões, popelines, camisas e rendas.
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O espertalhão, sorridente, trocando mãozadas, enriquece dia a dia, mas queixando-se sempre, num português mascavado: - Eu ser pobre indiano, senhora, dar sorte a mim, não faz negócio.
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É um ladino, que às vezes, em momentos de bom humor, se alguma freguesa consegue arrancar-lhe por menos preço alguma daquelas bugigangas em que ele ganha 400% lhe diz: “Deixe lá, você assim é que vai para o céu”, o patife sai-se com um riso escarninho: “Senhora, comerciante não poder ir para o céu, porque comerciante todo malandro, todo roubar!”...
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...Pequenos funcionários, indígenas e indianos, em cabelo, curvam a espinha em cumprimentos. Alguns passeiam de braço dado, passos lentos, com mestiças vestidas à europeia, desgraciosamente, canelas descarnadas sob saias curtas, rostos de ceroulas tristes, a tomar fresco.
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...Há uns quintais de funcionários, balizados de palapas ou pedras soltas, e, antes do jardim, canhões de ferro entre um cercado de correntes, com as armas de Portugal. A esses canhões amarram corcoras. Mais além. Na loja do china, três marinheiros europeus ,discutem com ruído as últimas novidades da Metrópole remota.
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A noite aproxima-se. Um funcionário arrima-se a um canto da alfândega. Em frente dos gondões imóveis, cobertos de pirilampos, ergue-se uma voz de cana rachada, rouca, gritando espaçadamente:
- Toqué! Toque! Toqué!
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Dilly pacata, subitamente imerge em plena treva, picada aqui e ali por um candeeiro de aldeia e alguns reflexos de lojas ainda abertas.
Os carros recolhem a Lahana. São oito horas e as ruas já está quase desertas. Soldados da polícia, de espingarda ao ombro, mantas coloridas sobre os troncos friorentos, fazem a ronda, aqui e além. As mais das ruas ermas.
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Sobre as pontes ainda há uns derradeiros chineses e árabes acalmados, continuando a procurar no caneiro dos coliões a fresca brisa que vem do mar. Soldados europeus com nonas ao lado e garotelhos pela mão, marcham silenciosos, estugando o passo a caminho de casa.
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Um cabito recém-chegado da Europa, barrete à orça, passa e repassa com ares de poeta-lírico, esfaimado de amor, junto de uma casa onde se toca piano. Duas indianas magricelas, debruçadas nos peitoris, de grandes trunfas à garçonne, cochicham, com risinhos comovidos. A névoa fumegada por pântanos e coilões torna a descer sobre a cidade.
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Faz um calor de estufa e começa a cair uma cacimba miúda, que amolece a gente. Na rua dos Árabes, casas de sargentos e pequenos funcionários exibem as portas escancaradas, donde vêm notas fanhosas de gramofones, moendo fox-trots, desopilantes de figadeiras coloniais.
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Lá dentro, nos quartos estreitos e baixoa, abafa-se de calor que a irradiação dos candeeiros de gasolina aumentou. Homens em pijamas e mulheres em bata, lavados de suor, mordidos de mosquitos e rodeados de formigas de asas – espapaçam-se em cadeiras, mudos, fulminados, as pernas abertas numa lazeira irresistível .
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No Grémio dos Sargentos, na Colmera, quatro praças em mangas de camisa, jogam pacatamente ao bilhar, enquanto o servente Timor cabeceia à porta e ilude o sono, a mirar o travejamento da varanda onde crescem, nalguns vãos, arremedos de flores. Lagartixas e toques espreitam e perseguem enxames dde baratas voadoares”

P.S. Transcrito do livro “Timor de lés a lés”, do Capitão Armamdo Pinto Correia. O texto foi extraído a obra “Postais Antigos & Outras Memórias de TIMOR” de João Loureiro, 1999 e patrocinado pela Fundação Macau.
Recomendamos um clique no endereço a seguir onde obterão mais informação sobre o Capitão Armando Pinto Correia.
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