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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DESTAQUE HISTÓRICO

MARCOS ALBUQUERQUE É ARQUEÓLOGO DA UFPE

Quando, no inicio do século XVI, Portugal e Espanha voltaram suas atenções para o Norte da África, varias colônias foram ali instaladas, com vistas a pregar o cristianismo e atender ao comercio. Implantar o cristianismo naquelas terras disputadas com os mouros representava um desafio, que pouco a pouco se tornou inviável. Mesmo o comercio, por diversas ocasiões era tão arriscado que em muitas vezes se cogitou abandonar aquelas colônias. Em meados do século XVIII, praticamente todas as colônias portuguesas no norte da África, ou haviam caído em mãos inimigas, (Safim, Azamor, Alcacer-Cequer e Arzila), ou haviam sido cedidas politicamente, (Ceuta, Tânger). Restara sob o domínio português apenas Mazagão no Marrocos, (1514-1769). A intensificação dos conflitos em Marrocos coincidiu com um período em que a política portuguesa buscava intensificar o povoamento das fronteiras de sua colônia americana, garantindo assim as reservas do outro que vinha sendo explorado.


Os problemas confluíram para a solução: transplantar para a América a colônia de Marrocos. Construir uma Nova Mazagão na Amazônia. A Nova Mazagão não deveria ser instalada nas proximidades de Belém, deveria ir mais para o Norte, apoiar Macapá na defesa do Canal Norte do Rio das Amazonas, hoje o Amapá. Para os antigos "guerreiros do cristianismo" estava reservada uma nova"missão": compor a estratégia de defesa da entrada do Amazonas. A Vila Nova de Mazagão, planejada e construída pelo Governo português, juntamente com outras vilas, deveria ocupar o território e garantir a soberania portuguesa na Amazônia.

Apesar das vicissitudes, a Nova Mazagão prosperou. Desde 1775 cultivavam algodão e arroz, como uma produção tão importante que abastecia o mercado de Belém. Mas as epidemias também deixaram suas marcas. A mais terrível teria sido a de cólera, em 1781. Grande parte de sua população não resistiu às doenças tropicais,às pestes, e a cidade foi praticamente abandonada e "engolida" pela selva.

O Laboratório de Arqueologia do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco, a convite do Governo do Estado do Amapá, realizou uma pesquisa arqueológica com o objetivo de encontrar as ruínas desta cidade. Foram localizadas, até o momento, as estruturas da Igreja e, em seu interior, encontrados 61 sepultamentos dos primeiros mazaganenses e de seus descendentes.


Em um ato de respeito àqueles primeiros defensores da Amazônia Brasileira, foi realizado em 23 de janeiro de 2006, em ato solene, o traslado dos restos mortais daqueles antigos mazaganenses e seus descendentes, para um mausoléu especialmente construído em sua homenagem. Houve uma cerimônia religiosa, seguida por uma cerimônia militar.

OBS: As fotos da cerimônia foram seqüenciadas da esquerda para a direita. Sugerimos que as mesmas sejam vistas nesta ordem para o melhor entendimento da cerimônia.

Detalhe das urnas funerárias em frente ao altar.



O Embaixador de Portugal, Francisco Manoel Seixas da Costa, recebe solenemente a bandeira de seu País que recobria um conjunto de urnas funerárias.


veja

http://www.magmarqueologia.pro.br/arqueologia_historica/popup_vilas.asp?page=mazagao_velho_homenagem.asp

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