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terça-feira, 27 de abril de 2010

O QUE NA VIDA NOS CALHA NA RIFA: "OS CAGA FIGOS"

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Na minha aldeia, que dela já escrevi algumas vezes neste blogue, havia um velhote alcunhado por “Caga Figos”.

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O velhote nunca tinha observado coisa que fosse pequena, mas enorme.

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Durante o andar da minha vida de “analfabeto” (segundo a voz de um sabidelas) tenho deparado com vários “Caga Figos” onde se incluíram gente de gravata, camisa às risquinhas, mariquinhas, maricões e outros mesmo da ralé mais rasca.

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Os “Caga Figos” são pessoas que fogem à verdade dos factos e dão-lhe decoração, imprecisa, para o irreal voltar real e fazer acreditar o próximo.

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Os “Caga Figos” usam a “cagança” falsa como forma de ir vivendo de expedientes. São perigosos, lambe botas, intriguistas, e não menos aliciadores que para atingirem metas usam todas as maquiavelices, inclusivamente, o levantar falsos testemunhos.

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Porém, por norma, os “Caga Figos” quando disparam os tiros, acertam no alvo, só que tantos disparos fizeram que há um tiro que lhe sai pela culatra.

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Mas deixando o velhote “Caga Figos” vem me à mente o caçador, sem espingarda, que aguarda horas seguidas à saída da cova (1), com um cacete, à espera que a peça de caça saia do buraco e lhe mande uma “paulada” e a abate.

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Um homem, com paciência, esperou horas a fio pelo coelho para lhe mandar, a paulada certeira, abatê-lo, partir e gozar, em casa, o descanso do caçador.

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(1) Cova: É um conjunto de penedos, encostados, com uma entrada, artificial, feita há séculos, para as peças de caça se esconderem no interior e uma forma de sobreviência dos homem lusitano (meus descendentes) entre os vales e montes cercados de penedia da Serra Estrela, onde os lusitanos, da minha geração, eram valentes e seguravam o boi pelos cornos.

José Martins

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