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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CONHECEM-NO? NÓS DAQUI DE GINGEIRA!!

O crânio da derrota

Valer-nos-á pouco, nos próximos tempos, soletrar com precisão o nome de todos os que nos trouxeram aqui. Aqui é um sítio muito fundo, onde a história rigorosa estará por fazer. As coisas são complicadas e as cumplicidades mais do que muitas.
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Haverá responsabilidades e responsáveis, sem dúvida. Alguns são inevitáveis. Sócrates e os seus serão os rostos do país que se derrotou. Mas Sócrates não pensa, embora aja. Tem, por junto, que se saiba, uma ideia de engenheiro aldrabado e parvenu: umas coisas que se parecem com computadores que promove com insistência na Venezuela e a monomania do TGV, algo de que nem à pancada, e violenta, parece estar disposto a deixar cair.
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Sobraria o quê, naquela cabeça? Passo sobre o carácter e não passo sobre pouco. Teixeira dos Santos não sei se pensa e sequer se age. Se pensa, não mostra, e do que fez resta a ideia de pau para toda a colher, tapete, capacho, ou coisa assim. Faz o que for preciso. É, em suma, um zero, e o zero é, como se sabe, muito útil.
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O génio, o verdadeiro génio da derrota, o que recomendou um processo de consolidação orçamental back-loaded - o grosso do ajustamento fica para o fim -, em vez de front-loaded - mais de metade do ajustamento tem de ser feito na primeira metade do período de programação -, havia, pois havia, que esperar pela retoma da economia para cortar despesa, reformar, etc., esperar, pois, pelo mais do que incerto, foi Constâncio, uma das pérolas da nossa elite de economistas.
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Cobriu a coisa, explicou-a nas televisões do mundo como se fosse ele o ministro das Finanças, ou mesmo o primeiro-ministro, emprestou o que lhe restava de autoridade na matéria para tentar tornar a coisa deglutível, e, sobretudo, terá preenchido a cabeça oca do primeiro-ministro com uma segurança que, sabemos hoje já todos, e não apenas os que berraram protestos contra o desvario, era falsa.
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O crânio do último episódio - mas não só, não só, nem pensar nisso... - antes do fim foi ele. Hoje vice-preside ao Banco Central Europeu. Ouvi-o uma vez dizer que a Argentina - o desastre do currency board - foi uma invenção de economistas. Este Portugal ao fundo deve-lhe, também, imenso.

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