Translator

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

REVIVER: DE VOLTA A AYUTHAYA
.

Em dois anos, apenas, desloquei-me três vezes a Ayuthaya, incluindo o "Ban Portuguet". A ingratidão dos homens é facto comum na sociedade portuguesa quando estes, com algum poder hierárquico, humilham sem olharem às consequências, adversas, que daí podem surgir. A minha sensibilidade de homem foi humilhada e daí resultou o ter desprezado, como vencido, as visitas a Ayuthaya e arrumar num canto a história, maravilhosa, de Portugal na Tailândia. No dormir de homem justo, sem que nada me pese na consciência, na noite da passada quinta-feira, sonhei com Ayuthaya, que conheço há uns 30 anos, os sem conta os dias que por ali andei, em procura de todos os "migalhos" da história dos portugueses, que foram tantos, que contados dariam muitas páginas. Ayuthaya, entrou na minha alma. Anos a fio, dáva-me prazer, dormir na cidade e pela manhã, antes do sol despontar no horizonte esperando que se descobri-se para captar, o espelhar na água dos lagos, as plantas que os circundavam. Foi Ayuthya um amor à primeira vista e conservou-se, comigo sem divórcio, no correr de três décadas de minha vida. Andei por ali, só modestamente, sem me mostrar a ninguém, como se fosse alguém que já conhecesse o passado da velha e segunda capital. Conheci uns poucos amigos, mas bons, e entre eles não poderia ignorar o Patipat (assim o tratava) Director do "Fines Arts Department" da Tailândia, que acompanhou de par a passo, desde o início, as escavações da Igreja de S.Domingos, no "Ban Portuguet". Um amigo de Portugal que recordo com saudades os tempos de quando bebericavamos uns goles de cerveja, à noite, numa esplanada junto à margem do Rio Chao Prya. Tempos idos e memória que fica.
.

O forte de Pom Phet, uma obra magnifica, de arquitectura lusa, erigida depois de meados do século XVII. Situa-se junto à embocadura do rio Pasak, vindo as águas das terras do nordeste do Sião. Foi o meu primeiro encontro na manhã de sexta-feira em Ayuthya.
.
A minha consciência foi alertada e uma voz, imaginária, dentro de mim foi o chamamento para que pelas 6 horas da manhã saltasse da cama e pouco depois partisse rumo ao "Ban Portuguet", que o conheci uma mata de árvores e hoje um espaço, a ruinas da Igreja de S.Domingos, que tempos adiante perpetuará a memória das gentes lusas na Tailândia. Os homens são como as aves de arribação, chegaram ontem e partem no dia de amanhã e poucos, dos que conheci na Tailândia, deixaram obra feita. A rotina e a evidência, da diplomacia portuguesa, que até nunca entendi a razão como incha, igual à rã, quando é senhor do poder hierárquico. Deixo as minha lamúrias e vamos à minha visita ao "Ban Portuguet" e à velha capital de Ayuthaya.
.
O sol, na manhã de ontem, quedava-se preguiçoso em se descobrir. A vida ribeirina, começa com o transporte de crianças para as escolas e um monge budista, do templo junto a mim, onde focava imagens poéticas de vida, talvez fosse dar alento a pessoa, residente na margem do rio, que dele necessitasse.
.
Ayuthaya foi desde 1351 a 1767, a segunda capital do Reino do Sião que viria a cair em Abril de 1767, sob o ataque do exército do Reino do Pegú. "Ban Portuguet", larga parcela de terreno, na margem direita de um grande rio o Chao Prya, onde se instalaram os portugueses, a partir da década vinte do século XVI; os primeiros ocidentais a conhecer o Reino do Sião e ali constituirem uma sociedade, mista luso siamesa e vivendo, harmoniosamente, por cerca de 250 anos. No "Ban Portuguet", de comprimento cerca de 1500 metros e de largura uns 200. Banhado por um lado pelo Rio Chao Prya e pelo outro por um canal, a via fluvial para a movimentação da comuninade para se deslocar para cidade real, principalmente os portugueses que serviram os Rei do Ayuthaya, no palácio, como soldados ou noutras ocupações. A comunidade do "Ban Portuguet" foi crescendo com a união de homens portugueses com mulheres siameses, vieram os filhos e, segundo a história reza, teriam ali vivido umas 3.000 mil pessoas de quando a capital caiu em 1767.
.
A entrada da avenida principal para as ruínas da Igreja de S.Paulo (Jesuitas) a urbanização, actual, me parece que a igreja está perdida. Que seja como os homens pretendam. Porém o local, fica para a memória dos vindouros, um mapa, do "Ban Portuguet" que naquele espaço houve um edíficio do culto cristão.
.
Três igrejas foram edificadas no "Ban Portuguet" pelos missionários do "Padroado Português do Oriente" (não subjugados à jurisdição da igreja instalada no Vaticano mas à da capital do império, em Lisboa), as congregações religiosas: Dominicanos, Franciscanos e Jesuítas. O resto da história, será narrada, na continuação desta peça com, diversas, imagens inseridas. O Reino do Sião (Tailândia hoje) é um pedaço da Diáspora Portuguesa, que se instalou nos cinco continentes do Globo, desde o início, da era da expansão, do século XVI. Surge o Sião, ainda, no ano da conquista de Malaca, pelo Grande Afonso de Albuquerque, no ano de 1511. Albuquerque o "indomável", pretende retirar Portugal, da pobreza e, só seria possível com a conquista de Malaca, onde de toda a Ásia e Oriente chegava a mercancia, onde se incluiam as especiarias e a pedraria, em poder dos árabes que a levavam à Europa e norte de África através das rotas marítimas e por terra.
.
Do lado oposto do "Ban Portuguet" largos espaços de terreno, já aplanados e no futuro a construção de casas para habitação, super-mercados e mais outros requisitos de vivência da sociedade actual que cada vez mais entra na modernidade. Um parque de desportos e um campo de futebol, para a juventude.
.
Malaca conquistada, Albuquerque, que além de homem, destemido de armas, possuia um perfil raro de diplomata. Envia o emissário Duarte Fernandes a Ayuthaya com a recomendação: "Dizei ao Rei do Sião que conquistamos Malaca!" O empório comercial, um tributário do Reino do Sião, o Sultão tinha-se recusado à soberania de Ayuthaya e ao pagamento, anual, da tenção. Está, então, o caminho aberto para o relacionanto de Portugal com o Sião, que no próximo ano atinge 5 séculos. Os portugueses, estão instalados em Ayuthaya, por cerca de 139 anos, sem outros homens da Europa conhecerem o Sião.
.
Uma via de terra batida, em 1982, o acesso ao "Ban Portuguet". Durante a época das chuvas, impossível se poder chegar ao local. Hoje modernos autocarros, com pinturas alegóricas, circulam na avenida principal. Imagem do lado direito: campos de arroz e búfalos de água mergulhados até ao pescoço, andavam por alí, pachorrentamente, a pastar.
.
Seria e em força, depois de meados do século XVII, os franceses, cujo o fito era o de obedecer ao expansionismo de Luis XVI, de colonizar o Sião e a França ser o pêndulo da balança e equilíbrio do poderio dos ingleses, na Índia e dos holandeses nas Índia Orientais (Indonésia). Resultou em fracasso e nunca o Reino do Sião foi colonizado, por potência ocidental e por séculos, apesar de vária lutas com o Reino do Pegú, manteve-se país livre. Ora os portugueses, homens pacíficos, de fácil relacionamento com outras raças, ofereceram ao Sião a arte de manejar as armas de fogo, de defesa, de trabalhar o ferro, de fundição de metais e a introdução e troca de novas plantas e sementes, que viria a transformar a dieta humana de países da Ásia e da Europa.
.
Na imagem do lado esquerdo continua, envolvido em arvoredo que sombreiam as ruínas da Igreja de S.Franciscos (Franciscanos). Do lado direito o frontepício à entrada, assinalando as ruínas da Igreja de S.Domingos (Dominicanos)
.
Os portugueses, foram valentes na defesa de Ayuthya, envolvidos em várias batalhas entre o Sião e o Pegú, cujo o heroismo ficou até aos dias hojes. Segundo, escreveu, Fernão Mendes Pinto, na sua obra a "Peregrinação" tudo nos leva a crer que o "Ban Portuguet" foi uma doação do Rei do Sião, pelos seus bons serviços que lhe prestaram em diversas lutas. Mas depois da sua bravura em batalhas, soldados portugueses, serviram de guardas reais no palácio de quem os monarcas confiavam a sua guarda.
.
.

A entrada, da avenida principal, para as ruínas desscobertas da Igrteja de S.Domingos. Um residente, estende as pernas numa caminhada matinal. Imagem do lado direito: casinhas de fim-de-semana em terreno pegado, foram construídas. Gostava de possuir uma assim...
.
O "Ban Portuguet", depois da caída de Ayuthaya, em Abril de 1767, com a deslocação da comunidade, mista, luso siamesa, para Banguecoque e recolocada num espaço, pela graça do Rei Thaksin, o libertador, que antes tinha sido um mercado e apoio logistíco a mercadores a caminho e de volta de Ayuthaya em direcção ao Golfo do Sião, a que lhe viriam a dar o nome de Santa Cruz, a cruz que carregaram ao deixarem a sua terra e seus bens no "Ban Portuguet", ficou abandonado o local por cerca de 170 anos. A tijoleira e outros materiais de construção foram levados em "bargues" para construir a nova capital, erguida no "pantanal" onde a escassez de material era evidente. Os arbustos e as árvores foram tomando conta do "Ban Portuguet" onde por anos viveu a comunidade luso siamesa. Ficaram os mapas da velha capital, elaborados por vários desenhadores europeus que viveram em Ayuthaya e assinaladas as três igrejas. Na década trinta do século passado, o Dr. Joaquim Campos, foi nomeado Cônsul de Portugal na Tailândia.
.
Uma bela construção, o edifício museu, em cima das ruínas da Igreja de S.Domingos, que ficará a perpetuar Portugal no "Ban Portuguet". Isto foi possível ao empenho e entusiasmo do Embaixador Mello Gouveia, de Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkiam e a prestimosa e dedicada colaboração e financiamento, em parte, do "Fine Arts Department" (Belas Artes) do Governo da Tailândia.
.
Médico historiador e homem de letras, com um patriotismo de português raro, deslocou-se a ao "Ban Portuguet" , executa um "croquis", onde assinala as igrejas de S.Francisco, S.Domingos e S.Paulo e as três ou quatro casas que existiam junto à margem do rio (ainda as conheci em 1983), pertencentes a católicos que depois da queda ali voltaram a residir. Joaquim Campos, informa o Governo Português da sua disponibilidade de se deslocar a Lisboa, ali ser estudada a estratégia, como deveria ser feito o pedido, ao Governo da Tailândia, de recuperação daquela parcela. Não foi ouvido e compreende-se, dado que as coisas por Portugal e Europa não corriam pelo melhor com a 2ª Guerra Mundial.
.
Na imagem do lado esquerdo, repousam ossadas de lusos siameses que foram postas a descoberto no correr das escavações que segui. Lado direito o ancoradouro para ser utilizado para embarque e desembarque de quem visitar o campo de S.Dominhos pelo rio.
.
O projecto, do Dr. Joaquim Campos, ficou na gaveta infelizmente e viria a falecer, quando muito se esperava dele, em 13 de Maio de 1945, com apenas 52 anos de idade. Fica assim, silencioso o "Ban Portuguet", mais 37 anos. Graças ao Embaixador Mello Gouveia, a partir de 1982, com a colaboração e apoios do Fine Arts Department e Fundação Calouste Gulbenkian o caminho foi aberto e hoje bem os portugueses se podem orgulhar de o nome de Portugal está de pedra e cal em Ayuthaya. Pouco importa, que a Igreja do Vaticano, tenha já tomado conta do espaço, sem nunca ter mexido uma palha sequer, ou despendido um baht que fosse para erguer aquela, meritória, obra. O autor desta peça não é apanhado de surpresa, porque já antes, do "Ban Portuguet" se assenhorou e profanou três cemitérios católicos da cidade de Banguecoque, onde dormia, o sono eterno, gente lusa e de raizes.
.


Em 2 de Abril de 1995, Sua Alteza a Princesa Galyani Vathana, irmã de Sua Majestade o Rei da Tailândia, inaugura o edifício museu do Campo de S.Domingos, com grande cerimonial. Estive lá e registei o importante evento em imagens. Sua Alteza faleceu em 2 de Janeiro de 2008. Imagem da direita a descrição do Campo de S.Domingos.
.


Ayuthaya não escapou, ao desenvolvimento gerado na Tailândia na década 90 do século passado e aquela cidade de templos em ruínas, de casas construídas em cima de toros de árvores de teca, lagos e pequenos canais onde cresciam plantas de flores de lótus, para ornamentar os altares de Lorde Buda e seus ídolos da mitologia budista, a cidade viria a mudar a face, com o investimento japonês com a construção de fábricas. A velha cidade necessita de novos hoteis e os campos de arroz, além de darem lugar a fábricas também ali vão ser construídos bairros habitacionais. O "Ban Portuguet" não escapou a essa crise de crescimento. Quase sem se dar conta surgem construções por todo ele.
.
Uma placa assinala o "Ban Portuguet" (junto à entrada para o Campo de S.Domingos). Outra placa, em feitio de seta, assinala, com o nome, da travessa que vai dar ao Campo de S.Domingos e meia dúzia de casas de católicos que ali vivem há muitos anos.
.
Aplanam-se pedaços de terreno e erguem-se casas de madeira, de cimento e ferro. Assim o "Ban Portuguet", hoje já tem traçada a sua urbanização, com 17 travessas/ruas (sois), ao sul do Campo de S.Domingos, e com o nome designado, em placas bem erguidas, o nome de cada uma. E, para o lado do norte, onde se situa a floresta que cobre as ruínas da Igreja dos Franciscanos, mais três travessas. Actualmente a urbanização do "Ban Portuguet" é composta de 20 ruas, desde a avenida principal até à margem do rio Chao Praya.
.



Junto ao Campo de S.Dominos, pastam nas paz pachorrenta dos búfalos (dos poucos animais que já existem na cercania), enquanto uma ave carraceira posa no lombo de um deles.
.
Não tarda que o espaço do "Ban Portuguet", mude a sua face actual e venha a ser um grande núcleo populacional, com ruas, lojas e um espaço de além de vivência, também de veraneio. O local é bastante aprazível, para ali se viver, passar, umas férias ou um fim de semana. O desenvolvimento, o progresso e o tempo de mudanças está em constante evolução.
.

Bem me lembro desta estrada intransitável, de terra batida, na estação das chuvas. Impossível chegar-se ao "Ban Portuguet" de carro. Apenas o acesso desde o Campo Japonês "Yammada" e depois de almadia atravessar o rio Chao Prya. Não tarda que de um lado e de outro desta estrada, a ser a avenida principal com casas edificadas nas duas margens da via.
.
Deixo a área do "Ban Portuguet" e vou para a cidade real antiga de Ayuthaya. Tenho que ir fotografar a vida do rio e os pedaços de fortes que ainda vivem à volta da cidade. Já por ali não ando há mais de dois anos. Necessito de saber o que já foi desenvolvido. A estrada é excelente e em poucos minutos estou atravessar a ponte sobre o Chao Prya e entra na Cidade Real, onde viveram reis, princípes e princesas do Reino do Sião. Depois da ponte corto à esquerda e passo junto do monumento erigido em honra da heroína a Rainha Suriyothai, imortalizada em Ayuthaya e na rodagem de uma grande metragem realizada pelo Príncipe Chatri Chalerm em 2001. A história foi contada pelo nosso Fernão Mendes Pinto e quem, com sabedoria, narrou a história do Sião de quando por cerca de 5 anos passou pelo Reino.
.
A imagen do lado esquerdo, a único edifício que se conhece de uma embaixada. Foi a da Birmânia. Em realidade não se conhece onde estaria instaladas as missões diplomáticas acreditadas no Sião, em Ayuthaya. Todo me leva a crer, que estariam, instaladas, mais ou menos, no correr, junto à margem da missão da Birmânia. O palácio Real e os templos budistas ligados ao Reino, estão na outra margem do Chao Prya.
.

A poucos metros, para o norte, do monumento da Rainha Suriyothai, estão enterradas, bocas de fogo de pequeno calibre, de ferro coado. Velhas e corroídas pela erosão do tempo. Acredito que esta artilharia, é portuguesa e fundida, em Macau, pelo fundidor Manuel Bocarra. Quando os franceses, ingleses e holandeses, já há muitos anos que os portugueses tinham introduzido a artilharia lusa em Ayuthaya. Esta situava-se junto aos locais estragégicos dos rios onde poderiam entrar facilmente o inimigo. À direita o sumptuoso monumento em louvou à heroína Rainha Suriyothai.
.

Antigos baluartes com ameias portuguesas, se vão encontrando, estes pedaços de história em redor da velha Ayuthaya. Retalhos de história que passam despercebidos aos que junto a eles passam. Estes dois fortins estão situados junto ao cais, que foi o embarque, do Rio Lopburi. Ali o Rei Narai e outras individualidades régias tomavam o barco que o levaria à cidade de Lop Buri, onde monarca, gostava de viver, dado ao clima ser mais ameno e fresco que em Ayuthaya.


Imagem da esquerda. As casas como as pessoas também morrem. Uma bonita peça, construída em madeira de teca, com mais de 150 anos. De estilo chinês trouxe-me à memória, semelhantes, que ainda vi no Bairro de Santa Cruz e do Imaculada Conceição, em Banguecoque. Não está fora de hipótese que ali tenha vivido uma família, macaense e comerciante. A casa tem pelas traseiras o rio Lop Buri. É sabido que macaenses, com nomes portugueses, navegaram seus juncos de Macau a Ayuthaya. Houve relacionamento comercial do Leal Senado com os Reis de Ayuthaya. Até uma dívida do Leal Senado à Casa Real de Ayuthaya, demorou 60 anos a liquidar. Lado direito: casas madeira de teca que teimam vencer a lei do tempo. Numa destas casas ainda, nos meus primeiros tempos que visitei Ayuthaya se confeccionava o "Foi Tong" (fios de ovos), cujo o líquido das gemas de ovos, era lançado na calda de açucar a ferver, com um funil, feito de folhas de bananeira.
.

Agora preciso de visitar o Forte de Pom Phet, construído, sob o desenho do Frei Tomaz de Valguanera, da congregação dos Jesuítas em Ayuhtaya. Frei Tomaz, aconselhou o Rei Narai que para que Ayuthaya ficasse defendida era necessário que fosse murada e nos pontos mais acessíveis aos invasores, deveriam ter fortes, com artilharia, pesada e de fogo grosso. À direita, em cima está uma placa, onde está designado o erro que houve influência francesa na edificação deste forte.Há de facto desenhos do forte (tenho-os comigo) elaborados pelos franceses, mas a construção é similar aos fortes e as ameias são semelhantes aos que há por Portugal e ao longo das costa do Atlântico, Índico, Costa do Coramandel e em Sri Lanka fui, em 1980, encontrar ameias semelhantes na cidade de Baticoloa. O forte, já depois de ser abandonado sofreu os efeitos de uma cheia do Rio Chao Prya que destruiu a parte frontal. Repare-se na imagem a configuração do bloco onde se analisa o encaixe, exacto, das duas peças partidas.
.

Que maravilha e o tratamento que foi dado ao Forte de Pom Phet... Para cá do pedaço de ruinas, foi assoalhado com madeiras de boa qualidade e duradoira. Conheci este forte, absolutamente abandonado e os arbusto escondiam as ameias. Havia, ao lado uns barracos onde vendiam peças de cerâmicas, caídas ao rio. que vendiam por tuta e meia aos caçadores de coisas raras. Tenho várias comigo que comprei a 20,50 e 100 bahts.

Em 1994, inciaram-se as escavações fora da estrutura do forte. Escrevi peça e enviei para a Lusa em Macau. A notícia foi metida na linha noticiosa. Deu brado! Desde logo veio a Banguecoque uma especialistas em fortes, ajudei-a, cedi-lhe o material de imagem e foi publicado no suplmento do Expresso. O Dr. Carlos Monjardino, Presidente da Fundação Gulbenkian, deslocou-se a Banguecoque, com a jornalista, viu o forte, tirou-lhe as medidas e foi oferecer ao director do "Fine Arts Department" em Ayuthaya que sua fundação subsidiava a restauração. A coisa ficou falava e nada assente. O Dr. Monjardino partiu para Lisboa, ainda lhe enviei fotografias de plantas como teria sido o forte de quando foi construído. Nunca mais me contactou e a coisa ficou esquecida.
.

Um pouco de história do Forte de Pom Phet: O baluarte defendia o tráfego fluvial dos juncos e outras navegações chegadas e idas para o Golfo do Sião. Todas as embarcações eram ali controladas quer estas navegassem para o norte ou o nordeste do Sião (região do Isarn) Para o norte o eixo fluvial do Sião que nascido nas terras altas vai directo ao mar. O rio Pasak, desagua, precisamente, junto à margem do Forte de Pom Phet. Quando os siameses se instalaram em Ayuthaya, em vez de um forte de tijoleira e argamassa, havia uma paliçada, rudimentar construída, mais ou menos como as que vêm retratadas nos murais dos templos. Poder-se-ão ver-se, em alguns pontos da cidade, antiga e a primeira capital do Sião, em Sukhothai. Acredita-se que com a chegada dos portugueses e a introdução de artilharia que o Pom Phet deveria ter sido modificado para suportar as peças de fogo grosso. Em meados do século XVII, foi então modificado a conselho de Frei Tomaz Valguanera, que assumiu a missão de chefe de engenharia no reinado do Rei Narai. Segundo o Monsenhor Manuel Teixeira, que descreve o Frei Valguanera, com informação recolhida em documentos do arquivo do Seminário de Macau, Rei Narai dedicou-lhe a amizade e ser sua companhia em visitas protocolares.

Deixei o Forte Pom Phet e tenho que visitar a "Sala Vihara" que poucos, portugueses e historiadores conhecem. Mas antes de chegar lá e recolher imagens, recentes, passei junto à estátua do Rei Utong, o fundador da nova capital, Ayuthaya e fotografei o pedestal e a sua figura de bronze em vários ângulos. Andei um pouco adiante e tenho pela minha frente as majestosas ruínas do Wat Phra Sri Sampetch, onde o Patriarcado Budista se instalava. Relíquias e uma estátua de ouro do Lorde Buda. Esse templo, pegado ao palácio real, teria que ser guardado a todo o custo e sangue das investidas e cobiça dos peguanos. A ala por onde passavam os Reis de Ayuthaya, em grande cerimonial, nas paredes foram abertos orifícios, onde hoje se pode ver, para colocar artilharia e armas com soldados para o defender. Porém, não seria o suficiente e foi necessário construir um posto avançado, chamada Sala Vihara (salá é uma palavra portuguesa e popular deixada na Tailândia) onde além das ameias, genuinamente, lusas, são abertos doze oríficios, largos, onde foram colocadas as peças de artilharia, que dado ao nome ao espaço sala, tudo nos leva a crer que ali essas peças de fogo de grosso calibre foram confiadas aos portugueses.
.

A Sala de Artilharia Vihara em imagens de dois ângulos.
.
Depois do meu trabalho feito e me ter harmonizado com Ayuthaya, regressei a Banguecoque. Demorou esta minha reportagem, embora modesta, mas executada com todo o carinho, seis horas. Afinal eu também sou um português de Ayuthaya, como foram os lusos de quando viveram no "Ban Portuguet". A Diáspora chamou por mim. Eu respondi. Voltarei muito em breve. Não quero perder este amor que vem de anos bem distantes.
José Martins
20.02.2010

O ZÉ DE TRAZER POR CASA COM AS VÍTIMAS. O ZÉ QUE SE CUIDE!

.
O ZÉ PACOTILHA (O CARRASCO) SEM VERGONHA JUNTO ÀS SUAS VÍTIMAS
O NAZI - E SUAS VÍTIMAS NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO... TODOS OS DÉSPOTAS UM DIA PAGAM AS "FAVAS". ESTE TÁ QUASE... TÁ, TÁ MESMO!

O NOJO DA CONVERSA ENTRE OS BOYS - E ATURAMOS NÓS OS PORTUGUESES ESTES CAMBALACHOS...

.
Face Oculta
Assim falam os 'boys'
O SOL revela as conversas mantidas entre Marcos Perestrello, membro do Secretariado do PS e actual secretário de Estado da Defesa, e Paulo Penedos, membro da Comissão Nacional do PS e advogado na PT, exercendo funções na dependência do administrador executivo Rui Pedro Soares, sobre o apoio de Luís Figo à candidatura de José Sócrates
Marcos Perestrello.
Logo após a derrota nas eleições europeias de 7 de Junho, o PS começa a preparar a campanha das legislativas de 27 de Setembro.
Membro do Secretariado do PS e actual secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello organizou os tempos de antena na TV.
Falou então com o amigo Paulo Penedos, membro da Comissão Nacional do PS e advogado na PT, exercendo funções na dependência do administrador executivo Rui Pedro Soares.
Este tinha, entre outros, o pelouro do Marketing e Publicidade (com um orçamento de 15 milhões de euros de patrocínios para o Benfica, Sporting e FC Porto, por exemplo) e era administrador não executivo no Taguspark.
.
MARCOS PERESTRELLO
– O teu superior hierárquico [Rui Pedro Soares] foi para Barcelona ou Milão... .
PAULO PENEDOS
– Não, está no Algarve. Não foi para um sítio, nem para outro.
M.P.
– Mas depois vai, acho eu.
P.P.
– Vai para Milão, segunda-feira. Vai-se lá encontrar com o Figo, para com ele celebrar uma coisa um bocado pornográfica, mas pronto.
M.P.
– Que é o quê?
P.P.
– Eh pá … só te posso dizer se tu não disseres a ninguém. Se disseres, não te posso dizer.
M.P.
– Se quiseres dizer, dizes! Se disseres que não é para dizer a ninguém eu não digo.
P.P.
– Não, não digas que é uma coisa… Ele há dias disse-me, muito contente, que tinha conseguido que o Figo apoiasse o Sócrates e eu disse ‘boa e tal’, claro que é importante. E hoje ligou-me a pedir que eu lhe fizesse um contrato de patrocínio para a Fundação Luís Figo, à razão de 250 mil euros por ano.
M.P.
– Pois, imagino…
P.P.
– Ah?
M.P.
– Claro, claro. E isso, aliás, vale muitos votos! Essa m... em subsídios de desemprego…
P.P. – Ah?

M.P.
– Isso em subsídios de desemprego…
.
SOL