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domingo, 11 de abril de 2010

O BENFICA EM BANGUECOQUE

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Banguecoque
Camisola do Benfica entre os ‘camisas vermelhas’ tailandeses
Entre os milhares de ‘camisas vermelhas’ que se têm manifestado nas ruas da capital da Tailândia, um fotojornalista da EPA apanhou uma camisola insólita, mesmo sem destoar: a do Benfica
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Camisola do Benfica entre os ‘camisas vermelhas’ tailandeses

Conhecidos como ‘camisas vermelhas’, os oposicionistas ao Governo tailandês tinham entre eles, esta tarde, uma ‘camisola encarnada’.

Nada de estranho – sobretudo para os manifestantes – até porque não destoa mas, em Portugal, o indivíduo ao centro não pode deixar de causar estranheza.

Cor, marca e patrocínio não deixam dúvidas de que se tratará da camisola do Benfica, da época passada.

A fotografia foi captada por Julian Abram Wainwright durante uma paragem nas manifestações em Banguecoque, com os ‘camisas vermelhas’ a rezarem pelos mortos que resultaram dos confrontos de ontem, com o exército tailandês.

Depois de dias seguidos de protestos, nas ruas, a actuação do exército terminou da pior forma, contando-se pelo menos 20 mortos (a grande maioria civis, e ainda um repórter da agência noticiosa Reuters) e ainda 842 feridos.

SOL com agências

CONFIANÇA E MACIESA DAS FORÇAS DE ORDEM REVERTEU EM DERROTA AMARGA

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Coronel diz que situação foi "uma guerra civil "

RELATÓRIO ESPECIAL: Soldados cansados, stressados - e desarmados - foram deixados à mercê de milhares de manifestantes camisas vermelhas.

Publicado em: 12/04/2010 às 12:00

Secção do jornal: Notícia http://www.bangkokpost.com/

Mau tempo, subestimando a situação e intensa pressão contribuíram para o fracasso da operação das forças de segurança para dispersar os manifestantes, camisas vermelhas na Ponte Phan Fa no sábado, dizem fontes do Exército.

"Isto é uma guerra civil", disse um coronel de infantaria que tomou parte na operação.

"Os camisas vermelhas possuiam armas de fogo. Eles atiraram contra os soldados. Os soldados estavam desarmados. Eles têm treinamento na arte de anti-motim.

"Como eles poderiam brigar com essas pessoas? Muitos foram mortos e muitos ficaram feridos. Nunca vi uma cena dessas. Tailandeses mataram soldados. Quem eles pensam que somos? Eles continuaram a atirar em nós."

O coronel disse que as forças de segurança haviam sido obrigadas a deslocarem-se para a área de Fa Phan para dispersar manifestantes na madrugada de sábado. Mas o comandante da operação não emitiu uma ordem de quando a operação começaria.

Coincidentemente, um grupo de manifestantes, camisas vermelhas, tentou invadir o quartel-general do exército . O comandante, ordenou, então que as forças de segurança entrassem na área Fa Phan.

Um sargento disse: "As forças devem recuperar aos poucos o espaço da rua a partir de um ponto a outro. Mas o nosso comandante disse que devemos conquistar a Ponte Phan Fa esta noite, sábado. Então, tivemos de rapidamente nos mover dentro da área.

"Os manifestantes quedavam-se em estado emocional. Soldados igualmente, Alguns foram mortos e comandantes feridos. Ficamos furiosos.

"Os manifestantes estavam armados. Entre eles uma força armada militante. Os soldados não tinham armas. Nós usamos gás lacrimogêneo e balas de borracha, mas os manifestantes, mantinham-se, sem receio algum."

O sargento disse que os soldados os que tinham balas reais dispararam suas armas para se proteger apenas quando notaram que a situação era um risco de vida.

Outro coronel na operação de sábado disse que as forças de segurança deveria ter esperado até que os manifestantes estivessem mais exaustos.

"Nós não deveriamos ter pressa", disse o coronel. "Não foi estabelecido um prazo para concluir a operação antes de Songkran. Deveríamos ter baseado a nossa decisão sobre a situação. Mas os nossos comandantes temiam que, se a operação se arrastasse por mais tempo , mais manifestantes se juntariam."

As forças de segurança deveriam aguardar o momento mais adequado, pois a operação tinha o risco de perda de vidas, o coronel disse.

E, acrescentou, que as forças de segurança deveriam ter esperado até que os manifestantes se quedassem esgotados ou estivessem menos em alerta. Seria o momento oportuno para lançar a operação, disse ele.

No entanto, as forças de segurança no sábado começaram a operação de ocupação no período da tarde, com o objectivo de recuperar a área de demonstração.

"Não foi fácil, mas os comandantes de alta patente das Forças Armadas foram emocionais", disse o coronel. "Eles queriam que a operação terminasse em um dia."
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Enquanto isso, um tenente-coronel disse que as forças de segurança estavam com pressa para terminar a ocupação no sábado por causa da pressão e da montagem da operação.

"Nós soldados estavam já envergonhados pelo conflito na área da Thaicom, estação satélite, da derrota anterior, o tenente-coronel disse.

"O público também exigiu que os soldados deveriam acelerar a dispersão.

"Nós éramos criticados e pressionados. Não poderiamos ser lento."

Outra fonte disse que o chefe do exército Anupong Paojinda tinha cedido ao seu adjunto, Gen Prayuth ocha-Chan, a responsabilidade do planeamento e comando da operação.

Gen Prayuth disse a repórteres na noite de sábado que as forças de segurança tiveram de refazer a área ocupada pelo UDD no rali no sábado e ele não permitiria que os manifestantes continuassem a violar a lei.

A fonte disse Gen Prayuth tinha planeado pedir ao governo para impor a lei marcial para facilitar a operação das forças de segurança. Mas ele mudou de idéia ao saber que o Maj Gen Walit Rojanapakdi, comandante da 2 ª Divisão de Infantaria (Guarda Real), ficou gravemente ferido e vários soldados, incluindo Coronel Romklao Thuwatham, foram mortos durante o confronto.

Gen Gen Prayuth Anupong concordou em suspender a operação, ordenada pelo primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva.

O primeiro-ministro ordenou que a operação cessasse após receber relatórios sobre o número elevado de vítimas.

Vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban, o director do Centro para a Administração Pública em Situações Emergenciais, disse que estava muito triste pelos soldados mortos e feridos, porque ele tinha emitido a ordem de que apenas poderiam usar escudos, cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo.

"Eles estavam desarmados, por isso alguns deles foram mortos", disse ele.

Senhor Suthep disse que não esperava as camisas vermelhas de ter uma força armada militante entre eles.
Esses militantes não se importaram se os soldados, manifestantes e pessoas inocentes fossem feridos ou mortos pelos disparos de suas armas. disse ele.
Sobre o autor
Autor: Wassana Nanuam
Posição: Reporter
Tradução livre de José Martins

A GAVETA DAS MINHAS MEMÓRIAS

Pensei que nunca mais tal coisa viesse acontecer em Banguecoque. Infelizmente, ontem, mais uma vez, e na mesma área, do "Maio Negro", que ficou a ser conhecido o dia 10 de Abril de 2010, pelo "Sábado Negro". Abri a gaveta das minhas memórias que são mais boas que más, neste Reino da Tailândia, onde vivo há três ou mais décadas de anos. Não estive no local, tão pouco em Banguecoque, mas no Rio Kwai em Kanchanaburi. Ontem e quando os camisas vermelhas e forças da ordem se batiam nas ruas de Banguecoque, manchando-as de sangue, pela tarde, só, fui em peregrinação ao memorial onde está erigida a estátua do Grande Rei Naresuan montado num elefante. Olhei de baixo e fotografei aquele colosso de homem que tanto lutou pela união de todos siameses e manter o reino fora da cobiça de seus vizinho. Como foi possível, ao fim de 18 anos tal coisa viesse acontecer e a ensombrar a história da Tailândia.

MEMÓRIAS DE UM (APRENDIZ) JORNALISTA

No dia 17 de Maio de 1992 transmitia a peça para a “Tribuna de Macau”:

“Hoje vai realizar-se no Parque Sanan Luang e na Avenida Rajadamnen um ajuntamento de dezenas de milhares de manifestantes. Uns a favor do General Suchinda, outros contra sua nomeação como Primeiro-ministro. Haverá concertos musicais organizados pelo novo Governo. Há uma semana tem sido levado a cabo no Sanan Luang cerimónias budistas e que deveriam terminado ontem, mas foram estendidas para mais três dias. Os manifestantes contra o Governo e liderados por Chamlong Srimuang, nas manifestações anteriores usaram “retretes móveis” e pertencentes ao município de Banguecoque. Os militares deram ordem para que fossem confiscadas e armazenadas nas instalações dos quartéis. Este problema está a afligir a oposição e pedem aos militares que lhe devolvam isso.

Um general coloca o aviso que se existir violência, esta será retaliada. Não estando fora de hipótese de ser usada chuva artificial.

Maio Negro” de 1992. Militares e barreiras de arame farpado

Comentários dos editorialistas da imprensa: “ “Judjement day for Suchinda” – “Manipulation the press seems held back by traditional categories of criticismo.” – “How long can Suchind survive in office? “ – “He has limited choices and not on of them is favourable to him.” O “guru” Kukrit Pramoj (antigo, PM, democrático) afirma: “Suchinda nunda resignará debaixo de pressão.” “Huge City protest to top action nationality.” “Government accused of hiding Toilets in bid to toward protest.

Vai haver hoje e prolongar-se-á pela noite dentro. Uma mistura de gente nos locais do costume onde se têm realizado os protestos contra Suchinda. Ali existem espectáculos para todos os gostos: política, religião e concursos de música pop. Porém não deixará também de haver negócio e propaganda de produtos, que oportunistas aproveitam, quando há ajuntamentos de muita gente.”

José Martins

No dia 18 de Maio de 1992 transmitia a peça para a “Tribuna de Macau”

E “Rádio Renascença” pelo telefone.

“Depois de protestos de mais de um mês pelo facto de se autonomizar-se Primeiro-ministro o General Suchinda, a violência eclodiu ontem no princípio da noite e prolongou-se até à madrugada de hoje. Carros da polícia foram incendiados depois do confronto entre manifestantes liderados por Chamlong Srimuang e as forças da ordem.

O General Suchinda depois de ele próprio se nomear Primeiro-ministro, após as eleições de 22 de Março, último, tem sido alvo de numerosos protestos da oposição e do público em geral, pela razão de existirem fortes indícios de ligações com as Forças Armadas que não pretendem de abdicar da sua interferência em todos os Governos eleitos democraticamente.

O General Suchinda, partiu ontem de manhã para o norte da Tailândia, em visita aos meios rurais.

A fim de destorcer a manifestação chegaram ontem a Banguecoque centenas de pessoas de várias províncias com transporte gratuito oferecido pelo Governo do General Suchinda.”

Junto à peça inseri uma nota:

“ Liguei a televisão às 3:30 da manhã. Contra o habitual as estações de televisão estava a difundir diversos programas, entre os quais o festival de música pop organizado pelo Governo. Seguem-se imagem que entretanto gravei: confrontos violentos entre a polícia de intervenção, armados de bastões e viseiras protectoras de material plástico. Retiraram-se, pouco depois, dado que não conseguiram suster o Povo. Após a retirada das forças policiais, os manifestantes, voltam carros, carrinhas e camiões da polícia, com paus partem-lhe os vidros e ateiam-lhe o fogo. Não se viram feridos, ou disparos de tiros. As câmaras registaram, apenas um polícia a sair de um hospital depois de ter sido tratado dos ferimentos.

“Maio Negro” de 1992. Militares carregam sobre o Povo

O caos reinava nas avenidas, penso junto ao Sanan Luang, aonde os manifestantes se dedicavam a vandalizar os carros da polícia. Noutras imagens vêm-se uma larga quantidade de carros em chamas.

Nada ainda se pode prever, qual será a reacção dos militares, já que o General Suchinda tem forte apoio das Forças Armadas, em especial do Comandante-em-chefe General Kaset, nomeado pelo Suchinda depois de ter deixado o alto cargo e assumir as funções de Primeiro-ministro, cujo Povo tailandês não o aceita. Conforme o desenrolar dos acontecimentos de hoje os irei transmitindo. De momento não se pode ainda avaliar quais as consequências. Novo Golpe de Estado? Resignação de Suchinda? Por agora tudo ainda é uma incógnita o futuro político da Tailândia.”

José Martins

Segunda peça transmitida no dia 18.05.1992

“Contra o habitual, os matutinos “Bangkok Post” e “The Nation” ainda não se encontravam à venda nas bancas às 6:30 da manhã. Creio que sairão mais tarde, para darem uma maior cobertura aos acontecimentos de violência registados ontem pela noite adiante até de madrugada na praça “Sanan Luang”.

Por notícias obtidas através da televisão às 6 da manhã e quando me preparava para sair de casa, foi imposta na Tailândia a “Lei de Emergência” e não pode have, nas ruas ou praças ajuntamentos de mais de 10 pessoas, sujeitas a serem detidas se tal vier acontecer.

“Maio Negro” de 1992. Olhos tristes e muita ansiedade

Ainda não se pode futurar, se novo Golpe de Estado já foi levado a cabo e em que mãos está o Governo.

Seguirão mais detalhes, quando ler os jornais. Estarei, pela rádio, em contacto para que mais possa informar.

Gravei toda a desordem emitida pela televisão, não sei se foi filmado por um amador já que não aparece no “écran” o nome e número do canal. Foi a primeira vez que a televisão transmitiu uma insurreição igual a esta na Tailândia. Na última manifestação, há uma semana, deu algumas imagens, quando os manifestantes se preparavam para abandonar o local.”

José Martins

Terceira peça transmitida no dia 18.05.1992

“Por informações recebidas neste momento pelo telefone, e fornecidas por minha mulher de casa. Um comunicado, transmitido pela televisão, informa que as repartições do Estado estarão encerradas, hoje, assim como as escolas. A oposição irá avistar-se com o Governo para que a situação seja discutida.

Seguirão detalhes

José Martins

Quarta peça transmitida no dia 18.05.1992 – 7:30 da manhã

“O jornal “The Nation”, publica fotografias em que se podem considerar dramáticas a espancarem os manifestantes na avenida Radjamnem, esta madrugada.

Encabeçam os títulos: “Protesters battle police”- State of Emergency Declared”- Scores of people injured ‘ Troops poised to smash rally”- “Pressman caught in crossfire of missiles” – Army Chief threatens to use force” – “The night police turn vandals”.

O que a Lei diz sobre o “Estado de Emergência:

“Podem as autoridades entrar em qualquer residência e proceder a buscas; deter qualquer pessoa se as autoridades entenderem que esta pode pôr em risco a segurança do país.

“Maio Negro” de 1992.Ao outro dia do “massacre”

Proibir qualquer pessoa de sair do país, se estiver debaixo da alçada das autoridades.

Chamlong Srimuang está já a ser acusado de culpa da violência e responsável pelos ferimentos de 10 polícias . Ainda sem fontes concretas, um polícia foi fatalmente ferido.

Nota minha: “penso e debaixo do Estado de Emergência, Chamlong Srimuang deve ser detido. Certamente sobre ele vão ser imputadas culpas pela danificação de dezenas de viaturas da polícia e dos bombeiros.

Nas fotografias publicadas pelo “The Nation”, uma mostra um manifestante de mãos postas a pedir complacência à polícia. Fotografia com um sentido humano profundo. Um homem está ferido na cabeça, o sangue escorre-lhe pela face abaixo e ensopa-lhe a camisa. Para mim, já está eleita a fotografia do ano, e o grito da democracia, frágil deste país que vive debaixo da bota militar pretoriana como o foi nos tempos áureos de Roma.

“Bangkok Post”, às 8 horas, ainda não se encontrava nas bancas à venda. Telefonei para a redacção e informaram-me que sairia mais tarde. “The Nation” apenas duas cópias foram distribuídas na banca onde o compro todos os dias. Tive sorte apanhei uma! Tenho fortes suspeitas que o “Bangkok Post” tenha sido apreendido. Estranho também o número reduzido de cópias do “The Nation”. Pouco mais se saberá de concreto sobre as informações reais dos acontecimentos, próximos já que o “ Estado Emergência” controla tudo que tem sido publicado. Por agora e creio por todo o dia é só isto.

José Martins

Os banguecoquianos viviam horas difíceis e de incerteza quais seriam os próximos acontecimentos. Jornalistas, fotógrafos tailandeses e estrangeiros eram espancados e as máquinas de filmar e fotográficas eram estilhaçadas contra o solo pelos militares. Era perigoso ir-se para o terreno e tomar-se nota dos acontecimentos. Para recolher informações utilizei o telefone e fui ligando para pessoas conhecidas e amigas residentes em Banguecoque para me informarem como se encontrava a situação nos seus bairros. Não havia confrontos em lado nenhum.

“Maio Negro” de 1992. Os jornais dão conta de um morto e outro ferido (estrangeiros) com gravidade. Obra do exército tailandês.

Os habitantes estavam em suas casas e na expectativa daquilo que iria acontecer. A ordem de recolher estava estipulada para que depois de o anoitecer ninguém poderia circular. Esporadicamente, já altas horas da noite, em alguns pontos da cidade eram ouvidos tiros. Veio a saber-se depois que “pobres diabos”, empregados de hotéis quando terminavam os seus turnos e regressados em motoretas eram alvejados com balas.

O “China Town” (onde reside a comunidade chinesa), os estabelecimentos estavam encerrados. O bairro movimentado, praticamente, durante as 24 horas dos ponteiros dos relógios, estava deserto. Os negociantes de ouro chineses tinham trancado, a sete chaves, o ouro em barra e trabalhado nos cofres. Havia o receio dos assaltos e a contigua pilhagem.

José Rocha Dinis director da “Tribuna de Macau” pelo telefone pedia-me se era possível eu deslocar-me ao lugar, ou nas proximidades, onde se tinham acontecido o “massacre”. Recusei-me dado que tinham sido molestados e espancados jornalistas estrangeiros e locais. Dois cidadãos da Nova Zelândia tinham sido atingidos pelas balas disparadas pelos militares. Um nos cuidados intensivos, a debater-se pela vida, num hospital de Banguecoque e outro abatido com um tiro no pescoço.

Não se podia prever que futuro, político esperava à Tailândia. Até que na noite de 21 de Maio de 1992 um raio de luz e de esperança pairou! Sua Majestade o Rei da Tailândia chamou ao palácio o Primeiro-Ministro, general Suchinda (o homem mau) e o general Chamlong Srimuang. Os dois políticos, sentados em cima das pernas e no soalho de uma sala do Palácio em frente de Sua Majestade o Rei Bhumibol e disse-lhe: “ a Tailândia não é propriedade vossa mas dos tailandeses e fostes vós os causadores da morte de pessoas e dano de propriedades de civis e do estado”

A audiência foi transmitida por todos os canais de televisão e estações de rádio.

Sua Majestade o Rei da Tailândia transmitiu aos causadores da rebelião: a Tailândia não é propriedade vossa. Na foto: Generais Suchinda (1) e Chamlong Srimuang (2). Nº 3 General Prema Conselheiro do Rei Bhumibol

No dia 22 de Maio transmitia, pelo telefone, para a rádio Renascença, quando em Portugal seriam umas duas manhãs a seguinte peça:

»» Depois da tempestade a bonança. A intervenção do Rei da Tailândia veio a por termo às manifestações de protesto contra o general Suchinda. O Suchinda e o líder dos manifestantes Chamlong Srimuang, foram chamados ao Palácio Real, e juntos, ouviram as palavras do monarca tailandês, que continua a ser a força máxima deste país. Apesar da lei de recolher ter sido imposta das 9 às 4 da manhã, os protestos continuaram, em grande escala na Universidade Aberta de Ramakueng, e outros pontos da cidade mas com menos dimensão.

Banguecoque, às sete da manhã de hoje, começa a entrar na normalidade. As manifestações terminaram. Vêm-se já sorrisos de confiança nas pessoas e orquídea fresca à venda nas ruas.

Que sirva de lição este “massacre”, aos déspotas desta área do globo e que não repita mais as “selvajarias” de dizimação de pessoas, que gritam por liberdade e mais Justiça. Que não surjam mais “massacres” levados a cabo na China, em Timor-Leste e agora na Tailândia. Que as ideias “pretorianas” de alguns militares acabem de vez.

José Martins em Banguecoque»».

Balanço de vítimas, segundo o diário “Bangkok Posto” de 21.09.1992:

46 Mortes confirmadas

699 Pessoas desaparecidas onde se incluem, mortas e feridas.

Chegou, graças a S. Majestade o Rei, a paz à Tailândia que até ao ano presente (2006), além dos confrontos, habituais, entre homens na arena política, foi posta de parte que os militares (assim o prometeram) se envolverem nos assuntos do Governo.

A democracia, a harmonia, progresso e o desenvolvimento económico jamais estagnou.

José Martins

P.S. Esta peça foi republicada em 19 de Setembro de 2006 de quando um golpe de estado.

PILATOS TAMBÉM LAVOU AS MÃOS – INFAME COBARDIA

Thaksin Triste: Deixem os vermelhos decidir

Fugitivo ex-primeiro ministro Thaksin Shinawatra ficou triste e traumatizada com os confrontos violentos entre seus adeptos camisas vermelhas e os militares , ontem sábado, contra o governo da Frente Unida para a Democracia contra Ditadura (UDD) e a oposição tailandesa Partido Puea MP Jatuporn Prompan, disse hoje domingo.

Os confrontos no sábado, resultou, em pelo menos, 19 mortes e mais de 800 feridos.


"Thaksin vestindo a camisola vermelha deixou a critério próprio se os seus apoiantes, querem continuar a lutar ou o finalizar o protesto," da oposição, tailandesa, do Partido Puea MP disse.

Um fundo será criado para ajudar as pessoas que tenham sido feridos ou mortas nos confrontos de sábado, disse o líder dos camisas vermelhas senhor Jatuporn.

Disse ainda que o primeiro-ministro, deposto, Thaksin Shinawatra, também iria angariar fundos para ajudar as vítimas, além do partido Puea Partido e do UDD.

"Equipas dos camisas vermelhas seriam enviadas a vários hospitais para verificar o número de camisas vermelhas vítimas cujos números ainda não estão claros esta tarde", disse ele.