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Morreu há dois dias e ontem o seu adeus ao mundo terreno. Carlos Pinto Coelho foi uma das muitas pessoas que conheci em Banguecoque e já lá vão uns (se não estou equivocado) 25 anos e q
uando ainda um jovem, pouco conhecido, jornalista.
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Pouca importância tenha dado ao Carlos Pinto Coelho, assim teria sido com o meu compadre e amigo até hoje o Dr. Paulo Rufino e o número dois da missão diplomática de Portugal na Tailândia, sob a gerência do Embaixador Mello Gouveia.
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Carlos Pinto Coelho, acompanhado do Jornalista Fernando Carneiro, regressavam a Lisboa vindos de Macau; por uns dois dias fizeram uma paragem em Banguecoque e como não poderia deixar de o ser, visitaram a embaixada e a então, já famosa, “Casa Nobre” (a residência dos embaixadores) acabada de restaurar e o orgulho do Embaixador Mello Gouveia que das ruínas tinha trazido à luz do dia uma das mais belas peças, edificada na década sessenta do século XIX, da arquitectura sino portuguesa, junto à margem do grande rio Chão Praia, que divide a capital tailandesa em duas partes.
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Um Carlos Pinto Coelho, igual a outros jornalistas que eu lidei e acompanhei, em Banguecoque e de quando me inciciava na difícil arte de lidar com a gente da diplomacia e não lhe foi dado nenhum tratamento especial.
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A normal hospitalidade igual ao de outros, jornalistas, que passaram por Banguecoque com o almoço da “praxe” oferecido pelo Embaixador Mello Gouveia que depois de partirem escreviam e publicavam algo sobre a embaixada de Portugal em Banguecoque que se quedava uma ignorada no Reino da Tailândia.
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Carlos Pinto Coelho partiu de Banguecoque e nunca mais o vi e até não li (se escreveu) alguma sua peça nos jornais, que chegava a Banguecoque, passado três ou quatro dias de publicado o “Diário de Notícias”.
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Mas em 1994, a realizadora Cristina Antunes, da RTP, veio à Tailândia fazer um filme e eu, já um “gajo” famoso na Tailândia, fui o da logística e de apoio durante os cerca de 10 dias da Cristina e seguimos por esse interior da Tailândia a rodar o vídeo a que lhe foi dado o título: “À Beira do Canal”.
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A Cristina Antunes ofereceu-me uma quantidade de brindes da RTP, a divulgar a RTP Internacional e falou-me já estar a ser emitida e chegar à Tailândia. Uma novidade para mim!
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Os pratos satélites em cima dos telhados ainda eram raros na cidade de Banguecoque, mas desde logo tratei de adquirir um que custavam os “olhos da cara” na altura e, em verdade, não estava prevenido para despender dois mil e quatrocentos dólares americanos (mais de quatro meses de trabalho na embaixada onde ganhava o miserável ordenado de 500 dólares por mês), encarreguei, então, minha mulher (vivência de 30 anos) para o comprar aos “soluços” e ser pago durante um ano a prestações de 5 mil bates (moeda tailandesa) por mês.
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Depois de instalado o prato satélite na varanda de minha casa (ainda hoje ali reside) houve alguma dificuldade de os técnicos acertarem o sinal da RTPi e passo a ter Portugal em minha casa.
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As primeiras imagens que surgiram no vidro do televisor era uma lição de história do Prof. Herman José Saraiva que me haja deliciado. Passado dias surge-me no vidro o programa “Acontece” do Carlos Pinto Coelho. Lembrei-me daquela figura que tinha conhecido em Banguecoque, havia uns 8 anos, mas já com alguns cabelos grisalhos.
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Nunca mais perdi o “Acontece” e uma delícia ouvir aquele Homem de cultura, sempre acompanhado de figuras ligadas às artes e letras.
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Abruptamente o programa “Acontece” foi interrompido, em 2003, sem uma palavra que fosse ou mesmo “burro queres tu água”, a razão de tal coisa. Evidentemente e por que não sou burro nenhum, entendi, que a suspensão do “Acontece” que ali deveria ter havido as habituais “raivinhas” políticas e ´zás catrapus´ acaba-se com o programa, cultural do Carlos Pinto Coelho e que vão colher urtigas os que apreciam o “Acontece” e o autor que se vá para a prateleira e para devaneio que vá captando umas fotografias e se entretenha a divulgar, esporadicamente, a sua arte em exposições.
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Carlos Pinto Coelho desde 2003 e de quando por “raivinhas” políticas lhe terminaram com o “Acontece”, pouco haja sido falado. Morreu o “Acontece” e com ele, ainda vivo, Carlos Pinto Coelho.
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Há dois dias o Carlos Pinto Coelho partiu desta para melhor e então, já morto que era, os jornais as televisões não pararam de lhe oferecer a elogia fúnebre. É isto que sempre “acontece” e segue em Portugal, os valores, esquecidos e atraiçoados em vida, são lembrados quando dão o “badagaio” ou em outros casos passados anos.
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Ainda vivo que sou, mas morto prematuramente, avento que quando for para os “anjinhos” que vai aparecer um “maduro” vivo a dizer: “o Zé Martins foi um gajo porreiro em Banguecoque...!!!”
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Finalmente Carlos Pinto Coelho encontrou a paz agora e aquela que lhe faltou depois de lhe terem “assassinado” o seu amor “Acontece”.
José Martins
Morreu há dois dias e ontem o seu adeus ao mundo terreno. Carlos Pinto Coelho foi uma das muitas pessoas que conheci em Banguecoque e já lá vão uns (se não estou equivocado) 25 anos e q
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Pouca importância tenha dado ao Carlos Pinto Coelho, assim teria sido com o meu compadre e amigo até hoje o Dr. Paulo Rufino e o número dois da missão diplomática de Portugal na Tailândia, sob a gerência do Embaixador Mello Gouveia.
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Carlos Pinto Coelho, acompanhado do Jornalista Fernando Carneiro, regressavam a Lisboa vindos de Macau; por uns dois dias fizeram uma paragem em Banguecoque e como não poderia deixar de o ser, visitaram a embaixada e a então, já famosa, “Casa Nobre” (a residência dos embaixadores) acabada de restaurar e o orgulho do Embaixador Mello Gouveia que das ruínas tinha trazido à luz do dia uma das mais belas peças, edificada na década sessenta do século XIX, da arquitectura sino portuguesa, junto à margem do grande rio Chão Praia, que divide a capital tailandesa em duas partes.
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Um Carlos Pinto Coelho, igual a outros jornalistas que eu lidei e acompanhei, em Banguecoque e de quando me inciciava na difícil arte de lidar com a gente da diplomacia e não lhe foi dado nenhum tratamento especial.
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A normal hospitalidade igual ao de outros, jornalistas, que passaram por Banguecoque com o almoço da “praxe” oferecido pelo Embaixador Mello Gouveia que depois de partirem escreviam e publicavam algo sobre a embaixada de Portugal em Banguecoque que se quedava uma ignorada no Reino da Tailândia.
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Carlos Pinto Coelho partiu de Banguecoque e nunca mais o vi e até não li (se escreveu) alguma sua peça nos jornais, que chegava a Banguecoque, passado três ou quatro dias de publicado o “Diário de Notícias”.
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Mas em 1994, a realizadora Cristina Antunes, da RTP, veio à Tailândia fazer um filme e eu, já um “gajo” famoso na Tailândia, fui o da logística e de apoio durante os cerca de 10 dias da Cristina e seguimos por esse interior da Tailândia a rodar o vídeo a que lhe foi dado o título: “À Beira do Canal”.
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A Cristina Antunes ofereceu-me uma quantidade de brindes da RTP, a divulgar a RTP Internacional e falou-me já estar a ser emitida e chegar à Tailândia. Uma novidade para mim!
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Os pratos satélites em cima dos telhados ainda eram raros na cidade de Banguecoque, mas desde logo tratei de adquirir um que custavam os “olhos da cara” na altura e, em verdade, não estava prevenido para despender dois mil e quatrocentos dólares americanos (mais de quatro meses de trabalho na embaixada onde ganhava o miserável ordenado de 500 dólares por mês), encarreguei, então, minha mulher (vivência de 30 anos) para o comprar aos “soluços” e ser pago durante um ano a prestações de 5 mil bates (moeda tailandesa) por mês.
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Depois de instalado o prato satélite na varanda de minha casa (ainda hoje ali reside) houve alguma dificuldade de os técnicos acertarem o sinal da RTPi e passo a ter Portugal em minha casa.
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As primeiras imagens que surgiram no vidro do televisor era uma lição de história do Prof. Herman José Saraiva que me haja deliciado. Passado dias surge-me no vidro o programa “Acontece” do Carlos Pinto Coelho. Lembrei-me daquela figura que tinha conhecido em Banguecoque, havia uns 8 anos, mas já com alguns cabelos grisalhos.
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Nunca mais perdi o “Acontece” e uma delícia ouvir aquele Homem de cultura, sempre acompanhado de figuras ligadas às artes e letras.
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Abruptamente o programa “Acontece” foi interrompido, em 2003, sem uma palavra que fosse ou mesmo “burro queres tu água”, a razão de tal coisa. Evidentemente e por que não sou burro nenhum, entendi, que a suspensão do “Acontece” que ali deveria ter havido as habituais “raivinhas” políticas e ´zás catrapus´ acaba-se com o programa, cultural do Carlos Pinto Coelho e que vão colher urtigas os que apreciam o “Acontece” e o autor que se vá para a prateleira e para devaneio que vá captando umas fotografias e se entretenha a divulgar, esporadicamente, a sua arte em exposições.
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Carlos Pinto Coelho desde 2003 e de quando por “raivinhas” políticas lhe terminaram com o “Acontece”, pouco haja sido falado. Morreu o “Acontece” e com ele, ainda vivo, Carlos Pinto Coelho.
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Há dois dias o Carlos Pinto Coelho partiu desta para melhor e então, já morto que era, os jornais as televisões não pararam de lhe oferecer a elogia fúnebre. É isto que sempre “acontece” e segue em Portugal, os valores, esquecidos e atraiçoados em vida, são lembrados quando dão o “badagaio” ou em outros casos passados anos.
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Ainda vivo que sou, mas morto prematuramente, avento que quando for para os “anjinhos” que vai aparecer um “maduro” vivo a dizer: “o Zé Martins foi um gajo porreiro em Banguecoque...!!!”
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Finalmente Carlos Pinto Coelho encontrou a paz agora e aquela que lhe faltou depois de lhe terem “assassinado” o seu amor “Acontece”.
José Martins
A última entrevista a Carlos Pinto Coelho
