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sábado, 25 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS COM PITADAS DE HIPOCRESIA

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Na proximidade de 19 anos desloquei-me ao Cambodja e reportar, na qualidade de correspondente da "Tribuna de Macau" como o país ficou depois de uma guerra sangrenta e da retirada das tropas vietnamitas.
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O meu trabalho de que o meu embaixador Sebastião de Castello-Branco, achou relevante, enviou a reportagem para a Secretaria de Estado dos Estrangeiros.
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Porém mais tarde, sob a hipocresia, informou o Inspector Diplomático, embaixador Constantino Ribeiro Vaz (alarmado que a Embaixada de Portugal em Banguecoque tinha ao serviço um "gajo" que escrevia para os jornais e deu-o como conspirador), que não tinha conhecimento, além das minhas funções, a pecha de escrever e amador jornalístico.
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O ofício nº 49 de 4 de Março de 1992, diz o contrário.Mas eu nunca fiz guerra nenhuma a embaixadores ou diplomatas... Eles a fizeram a mim. - José Martins

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Clique nas imagens para as levar ao tamanho natural


















A GUERRA QUE O MUNDO NÃO VÊ E A HIPOCRESIA, INFORMATIVA, AOS JORNALISTAS

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O posto de escuta

"A guerra que o mundo não vê"

O jornalista John Pilger descreve seu filme, mais recente, o papel da mídia no conflito, e o fenômeno WikiLeaks.

No programa desta semana a entrevista é feita ao, renomado, cineasta e jornalista John Pilger sobre seu novo filme, "A Guerra You Don't See", Irão e Julian Assange, o fundador do Wikileaks. Em seguida, voltamos nossa atenção para as transcrições, de xadrez, provenientes de uma tradução da língua árabe em serviço os EUA.
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John Pilger é um multi-premiado correspondente de guerra, cineasta e autor. De seu primeiro documentário sobre a Guerra do Vietname, ele tem sido desafiador de convenções e mudança de opiniões. Entre suas coberturas irreverentes, não realizou, apenas, e deu conta das potências ocidentais, mas também refere o jornalismo de complacência, ignorância ou a incapacidade que muitos alegam, permitiu que governos de Bush e Blair irem à guerra, aparentemente sem resposta.
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Seu último filme "A Guerra You Don't See" não é excepção. Ele questiona o papel da mídia na liderança até as guerras no Afeganistão e no Iraque. Ele também questiona a cobertura que hoje se vê o Irão e pergunta se esses erros estão sendo repetidos. É um filme fascinante, perfeito para ver e entender. Sentamo-nos com Pilger para discutir o filme, os meios de comunicação e obter sua opinião sobre o fenômeno WikiLeaks.
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"The Middle East Media Research Institute" (MEMRI) é uma organização criada pelos Estados Unidos, especializada em fornecer traduções de emissões em língua árabe. Tornou-se uma ferramenta útil para muitos jornalistas que cobrem o Oriente Médio com um número limitado, ou em muitos casos, zero na compreensão da língua árabe.
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Assim, em sua finalidade reside o seu problema. MEMRI é uma fonte para os jornalistas que não entendem o árabe, mas porque eles não entendem o árabe, não pode validar a fonte. Quando você considera que a fonte é a ideia de um oficial da inteligência israelense anterior e foi pego selectivamente traduzir transmissões em árabe que refletiria negativamente no mundo muçulmano, o problema aumenta dez vezes. Como o posto de escuta de Jason Mojica descobriu, "cherry-picking soundbytes" muitas vezes pode levar ao quadro maior se perder na tradução.
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Estamos chegando ao final do ano, agora que você vai encontrar um par de 2010 vídeos retrospectivos aparecendo on-line. Nosso vídeo da semana é o melhor que encontrei até agora. É chamado Zeitgeist 2010: ano em revista e mostra mais procurados notícias no Google este ano.
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Eles emparelharam o vídeo com trilho, emotivo, do lado americano "One Republic". Juntos, ele deixa a sensação de que - embora haja uma série de dificuldades lá fora - é uma boa vida e bonita. Certifique-se de pegar o show na próxima semana, quando nós fazemos nossa própria recapitulação das maiores histórias de mídia de 2010.
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Fonte: Aljaseera

O BURACO NEGRO DA SAÚDE

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A ministra da Saúde, Ana Jorge, disse que «não há nenhum buraco no orçamento do Ministério da Saúde». Se ela o diz devo acreditar? Se calhar é melhor não!
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P.S. - As desculpas ao Kaos, pela legenda aposta na palma da mão.

O NOSSO FUTURO ECONÓMICO E OS "MENTIROSOS" QUE NOS TÊM GOVERNADO








Jornal da Noite 24/12/2010

TSUNAMI: "HISTÓRIA, AINDA, POR CONTAR."

A TRAGÉDIA DO "TSUNAMI"

"No dia 31 de Dezembro de 2004, pelas nove horas e meia da manhã, chegados num vôo do Phuket, um casal aproximou-se de mim, na gare doméstica do aeroporto de Don Muang; a esposa muito nervosa e em voz alta para mim: ""Qual é o vosso papel na Embaixada de Portugal em Banguecoque?
É uma vergonha!
Mandaram uma cozinheira visitar uma doente portuguesa a um hospital no Phuket!
Tive que receber apoio da embaixada da Holanda!

É uma vergonha! É uma vergonha!
Veio então o marido e levou-a para junto do tapete rolante para recolherem a bagagem.
Não tive palavras para a senhora portuguesa...
A senhora estava cheia de razão...
Os portugueses, tinham sido absolutamente desprezados depois de ter acontecido o maremoto/tsunami no sul da Tailândia com milhares de mortes e feridos.
Dois funcionários, diplomatas, do Governo Português, destacados em Banguecoque produziram um mau serviço ao país e, com eles, não passou nada...
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr.António Monteiro (diplomata de carreira), no aeroporto do "Figo Maduro", chegou indispôr-se com os jornalistas quando o interpelaram com verdades.
Mas o ministro António Monteiro, um diplomata de prestígio, estava metido numa camisa de onze "varas" e para salvar a honra de duas "virgens desfloradas" chegou ao ponto (infelizmente) de pouca correcção para com os homens da informação que bem sabiam que a Embaixada de Portugal em Banguecoque tinha/estava a praticar um péssimo serviço, de assistência aos portugueses vitimas, da catástrofe, do Tsunami.
O primeiro-ministro Dr. Santana Lopes, impávido e estático não mexeu uma palha que fosse.
O Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, com autoridade máxima sobre o embaixador Lima Pimentel (porque foi ele que o acreditou em Banguecoque) está-se, igualmente, "nas tintas".
Os portugueses estão desprezados em Banguecoque e no Phuket!
Mas vamos descrever a história que nunca foi contadada.
Antes não o poderia fazer, porque era funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros e se desse com a "língua nos dentes" sujeitava-me às consequências de um processo disciplinar e prejudicar a minha reforma.
Hoje livre posso fazê-lo porque já não me farão mais dano do que aquele me hajam feito...
Hoje, 26 de Dezembro de 2010, estou sentado na mesma cadeira, à frente da mesa que me encontrava, no mesmo dia, há seis anos (2004), no rés-do-chão de minha casa nos subúrdios da cidade de Banguecoque.
Domingo, 26 de Dezembro de 2004, um dia depois da festa do Natal.
Morrinhado, encostado, inclinado na cadeira com o televisor desligado.
Minha mulher e filha no primeiro andar da casa.
Coisa rara, contra o habitual de minha mulher não ter o rádio ligado ou a televisão.
Na minha casa há duas culturas e duas televisões.
Uma na minha sala biblioteca para ver, por norma, os canais da RTPi, TVE (espanhola) e TVI (italiana) e outra no primeiro andar para minha mulher.
Nenhum de nós, dos três, sabia da tragédia que tinha acontecido no sul da Tailândia e de outros países banhados pelo oceano Índico.
Por volta das dez e meia da manhã, recebo uma chamada do número dois da Embaixada de Portugal, Jorge Marcos com palavras baralhadas que até não sabia aquilo que me queria transmitir.
Mas acaba, por repetir a frase duas vezes: "aconteceu um maremoto no Phuket e deve ter feito muitas vítimas entre os portugeses e vão precisar de auxílio!".
Adiantou ter já telefonado para o Narong (funcionário tailandês da Secção Consular) e que o não tinha encontrado, etc.etc..
Não solicita de mim qualquer ajuda e mostrou, apenas a preocupação de que a comunicação social de Macau me iria telefonar para casa e visse aquilo que os informava. Respondi-lhe que estava, absolutamente, fora da informação o que era um facto depois da administração Macau ter sido transferida para a China, a Agência já não necessitava de meus serviços informativos.
Deu-me, também, o recado que no dia seguinte saísse de casa vestido de casaco e gravata porque teria que ir assistir à exumação das ossadas dos cônsules de Portugal, no Cemitério da Silom Road, na baixa de Banguecoque.
Um, Luis Leopoldo Flores, falecido a 15 de Março de 1917; outro o Dr. Joaquim Campos, falecido a 13 de Maio de 1945. As exumações das ossadas devia-se a mim, isto porque a Igreja Católica tinha-se apossado do largo terreno, na Silom Road, situado a uns 500 metros da zona comercial, antiga, de Banguecoque, a Chalerm Krung Road, onde parte da população católica, europeia, e pioneira do desenvolvimento da capital da Tailândia dormia o sono eterno.
Ora Igreja Católica começou a partir os túmulos a retirar as ossadas.
Se, ainda, houvessem descendentes e se insurgissem contra a profanação a Igreja do Vaticano, de "pésinhos de lã" conseguia convencê-los que as ossadas iriam ser transferidas, antes, benzidas com água benta e os responsos de um pároco, para o cemitério de Nakon Phaton, assim como os mausoléus ou campas de cobertura de mármore construídos fielmente.
Se a famílias já tivessem sido extinguidas, não havia o cuidado de preservar a história, os ossos, as coberturas tumulares. Que se lixe a memória dos mortos e o interesse de preservar a ganância dos vivos!
Vários mausoléus foram destruídos e inclusivamente um de uma família (tenho fotos), luso descendente, a Colaço de Macau, artisticamente, cinzelado em mármore de Carrara e possivelmente (por não havia outros em Banguecoque) um marmorista e artista italiano.
O mausoléu de Luis Leopoldo Flores e o túmulo do Dr. Joaquim Campos (uma figura, no seu tempo, que teve nome na cultura de Banguecoque e na Siam Society) iriam ter a mesma sorte que teve o da família Colaço.
Alertei o Embaixador Lima Pimentel da profanação e ficou assente que a Igreja Católica de Banguecoque, iria retirar as ossadas, construir novas cópias das sepulturas e transferi-las para o no novo Cemitério de Nakon Phaton (40 quilómetros de Banguecoque).

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Avisei minha mulher da tragédia, sucedida, no sul da Tailândia que de imediato ligou o televisor para canal 5 de Banguecoque e o rádio para as estações locais. Eu liguei para a RTP1, o computador e pela internet tomo o contacto com as principais agências noticiosas e jornais de todo o Mundo.
A população de Portugal dormia, dado que o tempo na Tailândia vai à frente 7 horas. Portugueses de Macau, como em anos anteriores, programaram suas férias do Natal para a Tailândia e um dos lugares preferidos era o Phuket com vôos directos daquele território, para esta estância balneária.
Por volta do meio dia, telefonou-me de Macau o Pedro Baillot (já falecido) funcionário do Consulado a perguntar-me se não haveria nenhum problema de a Rádio Macau me telefonar e eu dar alguma informação. O Pedro tratava-me por colega e que de facto o eramos, mas também conhecia o risco que poderia estar sujeito se fornecesse informações à Rádio Macau.
Respondi-lhe: "colega eu não tenho informações nenhumas com valor e as que tenho são as mesmas da Rádio Macau através da Internet"
Os canais de televisão, de Banguecoque, começam a transmitir as primeiras imagens do acontecido e vê-se uma onda alterosa a passar por cima das árvores, as pessoas em pânico a fugir e logo a seguir a nadar, juntamente com as cadeiras e mesas dos hoteis a boiar nos jardins, em procura de salvar suas vidas.
Eram as preliminares imagens que foram vistas na Tailândia.
A CNN, a BBC, os diários de Banguecoque, "The Nation" e o "Bangkok Post" com correspondentes no Phuket transmitiam notícias que pouco me diziam da dimensão da tragédia e até, o habitual, o aproveitamento de correspondentes ou jornalistas em cada um procurar ser o primeiro a enviar a "cacha" do Tsunami que não imaginavam, a dimensão que a mesma tinha e os milhares de vítimas (125 mil?) que tinha produzido.
A primeira deturpação foi noticiada pela correspondente da Lusa, em Pequim, Graça Guise: " Os portugueses que se encontram na ilha do Phuket, Tailândia, encontram-se bem, tanto quanto conseguiu apurar a correspondente da Lusa em Pequim, Graça Guise, que se encontra de férias no local" e em outro parágrafo: " O embaixador de Portugal na Tailândia encontra-se ausente em férias e os assuntos relativos aos cidadãos portugueses estão a seguir pelo encarregado de negócios em Banguecoque, com quem o contacto ainda não foi possivel,"
Quando as gentes de Portugal, ao princípio da manhã (dia 26) seriam aqui na Tailândia 2/3 da tarde, tomam conhecimento da tragédia, pelos canais de televisão, meus familiares começaram a telefonar-me; amigos pelo e-mail se eu e minha família estavamos bem. Sosseguei-os que a tragédia tinha acontecido muito distante e em Banguecoque não tinha passado nada.
Ninguém da informação me contactou, tão-pouco a Lusa de Macau, dado estar desligado. O cartão que me identificada como correspondente, tinha caducado; não foi renovado, nem "burro-queres-tu-água", uma justificação pela não renovação. Fui anotando em papeis e imprimindo todas as notícias que retirava da Internet dos noticiários das agências noticiosas e dos principais jornais do mundo.
Mais tarde encadernei estes documentos e hoje perfazem um volume com umas centenas de páginas. Minha casa funcionava como uma agência de informação, para arquivo. Minha mulher em contacto com a comunicação social tailandesa que me ia traduzindo e eu com a estrangeira. Estivemos os dois em cima dos noticiários, dentro da dimensão da tragédia até à uma hora da manhã de 27.
Junto à meia-noite trasmite-me, minha mulher, que o Governo tailandês tinha colocado à disposição um avião e transportado 30 diplomatas de embaixadas acreditadas na Tailândia. Desde a parte da manhã do dia 26 quando Jorge Marcos me telefonou, nunca mais entrou em contacto comigo.
Eu também não lhe telefonei, porque o Marcos era um daqueles diplomatas, pouco sociáveis e baixar-se em receber conselhos de um "manga de alpaca" nunca!
Diplomata "novatos" tipo prodígio, que já nasceram com o dom de servir e representar Portugal no estrangeiro!
Ora este "rapaz" custava os olhos da "cara" ao contribuinte português; vivia num apartamento num dos locais mais belos de Banguecoque, cujo o preço rondaria, umas dez reformas, minímas, de famílias portuguesas.
Foi um diplomata (com pouco mais de meia dúzia de anos de carreira) que desde o princípio de sua comissão, em Banguecoque, desconfiava da minha seriedade e estava sempre de pé atrás.
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Ele também tinha lido a "famigerada" carta (acima aposta e o favor de clicar, em cima, para a ler), encerrada no cofre da embaixada, dactilografada pelo Embaixador Castello-Branco (já publicada neste blogue) em que me dava um indivíduo perigoso intriguista etc.etc.
Além do mau relacionamento que teve comigo, os portugueses residentes em Banguecoque e os utentes da Secção Consular, não o tiveram o melhor com o Marcos. Chegaram queixas de utentes do consulado às Necessidades e uma queixa foi publicada em caixa grande num jornal de língua tailandesa, cuja cópia tenho comigo e traduzida para a língua inglesa, por minha filha Maria.
De Lisboa chegava um ofício a pedir a justificação; havia uma desculpa do Marcos e o "mau da fita" (aliás sempre) era o utente. Naquele palácio tudo se encobre no que diga respeito a diplomatas e nem que um roube os talheres de prata a um seu colega destacado em Luanda há uns anos ou, igualmente, um chefe de missão ter sido expulso de um país africano por ter sido apanhado na prática de acto homossexual com um nativo.


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Depois de saber que 30 diplomatas tinham partido para o Phuket, pensei que dado à tragédia Tsunami que o Marcos, junto à embaixada da Santa Sé, combinar outro dia para a exumação das ossadas dos cônsules portugueses, sossegados, havia dezenas de anos no seu descanso eterno.
À cautela, parti de casa com um casaco e uma gravata no carro, dado que nunca se saberia para que lado estava virado o Marcos. Na altura e porque havia obras na chancelaria, em fui arrumado para um velho armazém onde ali dactilografava os telegramas e tratava do expediente.
Junto à chancelaria foi construida uma casa pré-fabricada, com três salas , uma servia para atender os utentes; outra para o contabilista, canadiano, Alipio Monteiro e mais outra para o Marcos, onde se fechava à chave.
Para se entrar no seu gabinete teria que se pensar duas vezes porque não se sabia em que modos ele estaria. Pouco depois das seis e meia da manhã, do dia 27, estava na embaixada a recolher o expediente. No telefone do armazém e meu local de trabalho começaram a chegar vários telefonemas de pessoas aflitas quer da Tailândia ou de Portugal.
Fui tomando nota das informações que depois entregaria ao Marcos quando chegasse. Junto às nove e meia da manhã diz-me: então não trouxe o casaco e a gravata, para a cerimónia?
-Está no carro senhor doutor...
-Vá então arranjar-se.
-Acrescentou vamos de táxi.
-Mas... mas.. senhor doutor será melhor irmos no meu carro.
-Não, não, vamos de táxi para o cemitério.
Há saída da porta da embaixada digo-lhe: " senhor doutor sabe que o Governo da Tailândia colocou um avião à disposição da diplomacia e seguiram 30 representantes das embaixadas e inclusivamente o Embaixador Marco António, do Brasil, também foi no grupo?"
O Marcos respondeu-me:" já sei, não tenho pessoal eu seguia e deixava você aqui assinar os papeis?" Respondi-lhe apenas: "Senhor Doutor é necessário saber gerir este assunto..."
Não adiantei como o deveria fazer: "o senhor doutor não seguia para o Phuket, mas mandava-me a mim, porque eu lá seria um alento para os sinistrados e psicológicamente uma ajuda" .
Os portugueses no Phuket necessitavam ali alguém que representasse Portugal, falasse a língua, porque no estado emocional, em que se encontravam se sentiriam, moralmente, protegidos. Na segunda-feira dia 27 do Ministério dos Negócios Estrangeiros não havia nenhuma comunicação na embaixada.
Mas antes de partirmos para as exumações, o Marcos apressou-se a solicitar ao Ministério em Lisboa para lhe enviar 50 mil dólares, americanos, para fazer face a previsíveis despezas. Fui eu que expedi o fax para o ministério e a recomendação do Marcos que não divulgasse, como se eu dentro da embaixada fosse um "boca de lavagem".
O certo foi que esse montante chegou a Banguecoque e tenho as minhas dúvidas (porque perguntei ao contabilista, canadiano, Alipio Monteiro, há cerca de um ano e houve gaguejamento na resposta) se as contas referentes às depezas "Tsunami" foram enviadas para Lisboa... .
Penso que não foram, enviadas, porque os arquivos da contabilidade que sempre estiveram juntos ao geral e tratados por mim, desde que o contabilista, canadiano, Alipio Monteiro, foi admitido na embaixada em Julho de 1999, foram "trancados" a sete chaves, o que me leva a desconfiar de ilegalidades na Missão Diplomática Portuguesa em Banguecoque.
Um caso entre outros, ocorrentes na Embaixada de Portugal em Banguecoque de quem de direito deveria averiguar! E além do mais, embora fale português, nunca se identificou, na embaixada, com a nacionalidade lusa.
No cemitério da Silom Road, houve cerimónia religiosa, presidida por um padre e "barrufadelas" de água benta nos túmulos dos cônsules, antes do martelo vibrador e os maços de 14 libras principiassem a partir o cimento até chegar aos caixões, que estavam intactos, mesmo mergulhados num lençol de água, dado a ter sido marceneirados em madeira de teca que é eterna. Passei ali um dia, vestido de casaco e de gravata pendurada ao pescoço, sob uma humidade terrível.
A operação terminou ao princípio da noite e depois dos ossos serem arrumados num caixas de aço inoxidável, selados na minha presença, parti para casa.
Não deixa de ser curioso que durante os meus 24 anos na Embaixada de Portugal em Banguecoque, foi o meu único e último acto consular que pratiquei, como funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, naquela missão!

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Mas logo no dia 27 a leitora de português, Ana Sofia, destacada nos serviços culturais da embaixada, começou a receber telefonemas de pessoas de Macau (a Sofia tinha sido, ali, por vários anos professora) que lhe pediam informações, dado que o Marcos não atendia as chamadas de ninguém.
A Sofia e porque tinha criado amigos jornalistas em Macau, inclusivamente o jornalista Paulo Azevedo do jornal "Ponto Final", a quem oferecia acomodação na sua casa de quando se deslocava a Banguecoque, divulga o que se está a passar na embaixada e o desprezo que o Marcos estava a dar aos portugueses.
O Paulo Azvedo além de jornalista do "Ponto Final", era o correspondente da TSF e creio de outros jornais. A Sofia chegou a discutir com Marcos e este colocou-a fora do seu gabinete. O telefone tocava mas as ordens que havia do Marcos era não atender...
No dia 28 vou para a embaixada e no meu armazém, distante uns 30 metros dos serviços centrais, provisórios, com extensão de linha o funcionário tailandês passava as chamadas dos portugueses e lá ia tomando nota das solitações e passava-as ao Marcos. Do lugar onde me encontrava não via nada do que se passava nem tão-pouco poderia sair de lá porque seria desde logo repreendido pelo Marcos.
Mas estando assim cheguei a ver na rua um jovem, amparado pela namorada e apoiado em duas muletas que teria ido à embaixada pedir apoio económico e foi-lhe negado.
O Embaixador Lima Pimentel, em Lisboa, para onde tinha seguido de férias e passar a consoada com a família e ao mesmo tempo, aproveitar para participar no Seminário Diplomático que há muitos anos se realiza em princípios de Janeiro, sem encargos de viagem para o Estado.
O seminário é mais ou menos para os senhores embaixadores, devido à vida árdua que levam durante o ano se reunirem com a família e dar uns abraços aos seus colegas.
Um telegrama seguiu para Lisboa no dia 20 de Dezembro a informar que o Senhor Embaixador Lima Pimentel partia, de Banguecoque, neste dia, o que não correspondia à verdade, porque o senhor embaixador saíu de Banguecoque no dia 18.
Isto foi normal, durante muitos anos que dactilografei telegramas de férias a outros embaixadores que as datas de partida nunca correspondiam à veracidade... No dia anunciado já estavam em Lisboa ou noutro sitio que entendessem.
O senhor Secretário-Geral até sabia disso porque ele certamente quando foi embaixador, numa missão no estrangeiro, fez o mesmo! Lima Pimentel está em Lisboa os jornais portugueses, a rádio e na televisão estão a difundir fortes críticas.
O Marcos em Banguecoque que deveria estar a comunicar com o Lima Pimentel a dar-lhe conta da situação não o informa da gravidade da situação. Quem seria eu para o Pimentel para me pedir informações...
Talvez as tivesse pedido à sua cozinheira da residência... e nunca a mim!
Porque se me contactasse eu lhe diria: "senhor embaixador parta imediatamente para Banguecoque, porque isto, por aqui, estar a dar muita "sarrabulhada". É preciso moralizar as famílias e os portugueses que se encontram, afectados, no sul da Tailândia".
O porta-voz do ministério Carneiro Jacinto está a dar, a seu jeito, as informações à imprensa e a vender "gato por lebre".
O honesto e prestigioso diplomata Ministro dos Estrageiros, Dr. António Monteiro (não merecia isto...), está a ferro e fogo com a imprensa e indispõe-se, injustamente, com ela. A secretária, tailandesa, de Lima Pimentel de férias de Natal junto a sua família, no sul da Tailândia (muito perto do Phuket) o Marcos manda-a para lá.
Telefono-lhe, particularmente, como as coisas se estavam a passar pelo Phuket e informa-me muito mal. E acrescenta ter telefonado para Portugal para o Lima Pimentel e diz-me: "ele não quer saber disto para nada...!
No dia 28 saí da embaixada, dei conta das mensagens recebidas ao Marcos (já todo atarantado e sorte de não ter sido espancado, naquela tarde, por um português que lhe quis chegar a roupa ao "pelo" pela incorrecção), pediu-me se poderia ir para a terminal doméstica do aeroporto de Banguecoque e esperar pelos portugueses.
A Ana Sofia também iria com alunas do curso de português. Eu não sabia aquilo que se estava a passar no aeroporto... Jantei à pressa e pedi a minha mulher e filha me acompanhassem ao aeroporto. O tráfego automóvel era intenso e levei umas duas horas a chegar minha casa ao aeroporto (40 quilómetros pela expressway).
Quando cheguei já estavam representantes de todas a embaixadas de Banguecoque com cartazes erguidos à espera dos seus nacionais feridos ou sãos para lhe prestarem assistência. Num bloco de papel com uma "mark pen" que pedi por ali escrevi, em letras gordas, o nome de Portugal. Sabia-se já que o Embaixador Lima Pimentel chegaria, de Lisboa, ao outro dia.


Era preciso despistar a imprensa porque se saberia que ela estaria em cima do caso e nisto, porque andei muitos anos, sou especialista. Ou se enfrenta a imprensa como o forcado os cornos do boi, ou se "aninha" a ela e, então, está o "caldo entornado" e eles os jornalistas a dar largas à alegria.
No dia 28 ainda não havia jornalistas em Banguecoque, mas penso, clandestino, o Paulo Azevedo (meu amigo e o gajo mais irreverente que conheci na comunicação social em Macau), protegido pela leitora Ana Sofia.
Regressei a casa, deixando a Ana Sofia e uma funcionária do Ministério que, mais outro funcionário que tinham sidos despachados para Banguecoque, para deitar água na fervura às críticas que corriam na imprensa portuguesa.
Em casa, com a ajuda de minha mulher e filha pela uma hora da manhã, do dia 29; porque sabia que o Lima Pimentel chegaria de Lisboa, acompanhado do chefe do gabinete do Secretário das Comunidades Portuguesas e, certamente à espera dele, no aeroporto, jornalistas, haveria que tomar uma acção.
A necessidade de impressionar, os jornalistas (frios e alarmantes) pelo menos com gente e cartazes com o nome de Portugal e bandeirinhas coladas, na sala de chegada dos vôos domésticos do aeroporto de Banguecoque.
Tudo isto é de minha autoria porque nem isto o Marcos percebia ou teria a ideia. Com ajuda de minha mulher e filha, fizemos vários cartazes, pregados em ripas, onde foi escrita a palavra Portugal e coladas em cada um duas bandeirinhas das quinas.
Havia a imperiosa necessidade de mudar a ruim imagem da Embaixada de Portugal em Banguecoque; do ministério dos Negócios Estrangeiros, que devido à negligência e o desinteresse de dois diplomatas que viria a provocar, tamanho, tumulto nos portugueses que se estendeu ao Brasil.
A tragédia que de facto tinha sido enorme, os portugueses a férias no Phuket foram os menos afectados.
Quase todos tinham vindo de Macau para o Phuket de férias e partiram, feridos e outros directamente, de avião, do Phuket para Macau. Um dos feridos foi a jornalista Fátima Cid, da Rádio Macau, que com várias escoriações, teve a felicidade de salvar-se daquele inferno. Na noite de 27, a Fátima já estava em Macau e dá uma entrevista à RTP sem o tom de alardes.
O Turismo de Macau instalou um gabinete de emergência em Banguecoque para assistir macaenses ou portugueses residentes em Macau. O Consulado Geral de Macau, enviou o funcionário (não diplomata) Pedro Baillot e foi brilhante nas entrevistas que concedeu à RTP. Tomara o embaixador Lima Pimentel ter sido tão "desenrascado" com o foi o Pedro Baillot naquela que deu no Phuket à RTP"...!!!

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Na manhã do dia 29, passado três dias da tragédia, logo de manhã estava na sala de desembarque dos vôos domésticos, do aeroporto o jornalista da Lusa/Macau, José Costa Santos, com uma fotógrafa. O Costa Santos estava bem informado, bem melhor que eu, que Lima Pimentel chegaria a Banguecoque naquela manhã e o número do vôo.
O Costa Santos com quem trabalhei por muitos anos na qualidade de correspondente da Lusa na Tailândia é um jornalista moderado, consciencioso e não sai das regras, deontológicas, aqui na Ásia, de noticiar nada que possa colocar em causa o nome de Portugal. Mas não foge à realidade de transmitir a verdade dos factos ocorridos.
Entrevistou Lima Pimentel (eu observei) à chegada ao aeroporto, solicitou-lhe uma entrevista na Embaixada. Lima Pimentel marcou-lhe para as duas da tarde daquele dia.
O jornalista da Lusa apresentou-se ao guarda do portão da embaixada, este franqueou-lhe a entrada e ficou por ali (fora da chancelaria em casa pré-fabricada) para que o levassem junto ao Embaixador Lima Pimentel.
Entretanto surge o Jorge Marcos e dando conta do Costa Santos acompanhado da fotógrafa, aos altos berros dá ordens ao guarda para o colocar na rua.
Não sei que palavras, pacíficas, o Costa Santos teria proferido ao Marcos, mas o certo foi, mesmo entrevistando, o Lima Pimentel, na Residência, este não meteu na linha o Marcos.
Durante 12 dias deixei de ir à embaixada e o meu serviço era das seis da manhã até às 10/11 da noite na sala de desembarque dos vôos domésticos do aeroporto de Don Muang, à espera de portugueses do Phuket.
Nos 12 dias que estive, no aeroporto de plantão, todos os portugueses que foram à mesa de Portugal não necessitaram de apoio, apenas só no último dia entreguei um passaporte a um , residente em Macau, que tinha perdido a mulher e a filha bé-bé.
Ao fim de 12 dias abandonei o aeroporto e poucas embaixadas por lá ficaram com as suas mesas de assistência aos seus nacionais.


Tudo se poderia ter evitado e o Governo Português ter sido vexado se de facto o "aspirante" a diplomata, Jorge Marcos, tivesse usado a cabeça em vês dos pés. O Embaixador Lima Pimentel ignorou aquilo que os jornais, bem informados estavam, a colocar a "ferro e fogo" o seu nome e o péssimo serviço da embaixada.
O Secretário-Geral dos Negócios Estrangeiros; o Secretário de Estado para as Comunidades Portuguesas no Estrangeiros não tenham tomado uma acção imediata e não só o Presidente da República e o Primeiro-Ministro não ficaram ilibados de culpas, perante a opinião pública.
Todos as tiveram!
Era Natal e sabemos que depois da consoada, por norma, todos os do poder "hibernam" após as festividades natalícias.
Mas as tragédias não hibernam, nem escolhem a datas, já assim aconteceu de quando o terramoto de Lisboa, em 1755 e no "Dia-de-Todos-os Santos". Não passou nada com o Embaixador Lima Pimentel ou tão-pouco com o Jorge Marcos...
O Marcos partiu, depois de terminar a comissão em Banguecoque, para o Recife, Brasil, (presentemente em Lisboa na Secretaria de Estado) e Lima Pimentel terminou a comissão em Banguecoque (onde passou, creio, o seu melhor tempo nos meandros da diplomacia) e partiu para Oslo.
O embaixador da Hungria, praticou a mesma acção que Lima Pimentel (ignorou os cidadãos de seu pais) e foi exonerado: A Agência France Press no dia 5 de Janeiro de 2005 metia na linha noticiosa a peça seguinte:
Hungarian envoy loses Bangkok job."Budapest -

Hungarian Prime Minister Ferench Gyurcsany has recalled his ambassador to Thailand for falling to break off his holiday in the after-math of the tsunami disaster.The Ambassador, Janos Vandor, was on holiday in Hungary during Christmas and New Year and only returned to Bangkok on Jan 5."After a review of the case, I ordered the [foreign] minister to recall Janos Vandor with immediate effect and relieve him" of this position, Mr. Gyurcsany said in Budapest.The foreign ministry said that only five of the hundreds of Hungarian tourists in the region at the time are still missing. There were in Thailand and one each in Indonesian and Sri Lanka. AFP

No dia 25 de Janeiro de 2005 fui reformado por atingir o limite de idade. A vida continuou na Embaixada de Portugal em Banguecoque...
Ninguém foi beliscado. O beliscado fui eu que tive aguentar e ver aquilo que calhou, sujeitar-me a humilhações e, mesmo, sendo "bom rapaz" .


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Haveria muito mais a divulgar. Fico por aqui. Talvez para o ano de 2011 escreva algo mais. As fotos apostas abaixo bem dão a dimensão da tragédia. Foi de louvar a acção do Governo Tailandês que com todos os esforços conseguiu minimizar os efeitos do maremoto.
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José Martins