
Em 1997 o Futebol Clube do Porto iniciou um torneio pela Ásia.
Para participar no “Thailand Premier Cup’97” onde se incluia o Porto, Boca Júnior, Inter de Milão e a selecção tailandesa. O evento teve lugar de 19 a 22 de Junho no “National Stadium”.
O Futebol Clube do Porto ganhou o torneio!


Tive a honra de ter sido eu (quem me ler que me tolere a minha vaidade), a representar a Embaixada de Portugal em Banguecoque em nome do Embaixador Mesquita de Brito e receber os “Dragões” no aeroporto de internacional de Bangkok.
O Chefe da Missão Diplomática portuguesa tinha que estar presente a um evento oficial e que não poderia, de forma alguma, dispensar a sua presença.
Conhecia vagamente os jogadores do Porto.



Familiares, apenas, as caras no “ecran” da RTPi as treinador António Oliveira e do Presidente Pinto da Costa.
Fui à ponte do desembarque dos passageiros do avião e junto à porta me quedei para receber o grupo.


O meu olhar concentrava-se na imagem que tinha na mente do Presidente Pinto da Costa e, logo que surgisse à porta da aeronave apresentar-lhe, em nome da Embaixador de Portugal dar-lhe as boas vindas a Banguecoque e que Missão Diplomática Portuguesa estava ao inteiro dispôr da equipa da cidade tripeira.
E, se houvesse, um tempo disponível durante o torneio ou no final o Embaixador Mesquita Brito teria muito prazer em receber o F.C.do Porto, no jardim da Embaixada, para uma recepção e um Porto de Honra.
Pinto da Costa não aparece e fico de certo modo embaraçado quem seria quem que vinha a chefiar a delegação.
Dirigi-me ao jogador Barroso (de cabelo cortado à escovinha) e informou-me ser Reinaldo Teles.


Ao mesmo tempo indicou-me a sua figura.
Muito bem escanhoado e de bigode esmeradamente aparado se apresentou o Reinaldo Teles no “País dos Sorrisos”.
De imediato me dirigi ao Sr. Teles e transmiti-lhe a mensagem do Embaixador Mesquita de Brito.
Encontrei no vice-Presidente, depois de lhe transmitir a mensagem do diplomata português, uma certa frieza.
Me pareceu que Reinaldo Teles desejaria ali à viva força Sexa Mesquita de Brito, (o que lhe era impossivel naquela manhã), e certamente proferisse um discurso de boa chegada e presença dos “Dragões” na “Cidade dos Anjos”.


O Porto foi recebido pela organização do torneio com as devidas honras e levado o grupo para o “Imperial Queen’s Park Hotel” acabado de ser inaugurado e um dos melhores e de mais luxo na capital tailandesa.
A susceptibilidade (que me pareceu) de Reinaldo Teles, por ele criada, ficou sanada depois do Embaixador Mesquita de Brito se ter encontrad e saudado a Delegação e jogadores do Porto no dia da inauguração do torneio que teve lugar no “National Stadium”.
Aconteceu que poucos tailandeses conheciam o Futebol Clube do Porto.
Mas já havia muitas “fãs” (a rapariga tailandesa adoram os ídolos futebolistas) do Jardel.
O jogador brasieliro de facto veio mas não jogou devido a uma lesão.
Não deixou, porém, de escrever autógrafos, deixar-se fotografar junto aos que lhe pediam.
O ex-Clube do Maradona, o Boca Júniors da Argentina e o Inter de Milão eram conhecidos e já famosos na Tailândia.


Entretanto o Manchester tem levado a palma, em popularidade, na Tailândia.
Tudo isto se deve à exibição de encontros de futebol, todas as semanas, do “Manchester United” nos canais de televisão e, graças à agressividade do “marketing” os ingleses promoveram o produto “futebol” na Tailândia.
Não resta qualquer dúvida que o concorrente, próximo, do Manchester vai ser o Real Madrid....disto estamos já certos.
Bem é que o futebol na Tailândia começa a ficar bem de saúde e numa sociedade demográfica de 62 milhões e mais de 60% de jovens se visiona um futuro brilhante no contexto mundial da modalidade.
E, à parte, (oxalá que me ouçam os responsáveis) desde já e sem demora se deveria divulgar, na Tailândia, o “Euro2004” em Portugal.
E, com isto, levar a Portugal tailandeses para assistir aos jogos da importante competição e com isto divisas.
Aqui fica o alvitre aos responsáveis do Euro2004.
Nas bancadas durante os jogos do Porto, além das tripulações da TAP Air Portugal que em Banguecoque permaneciam a refrescarem-se das 14 hora do vôo directo Banguecoque/Lisboa e vice-versa a gritarem pelo Porto mais ninguém apaludia o “glorioso campeão”.


Na tribuna de honra o Embaixadores de Portugal e da Itália que diplomáticamente e silenciosamente a torceram pelos seus clubes.
O embaixador Mesquita de Brito é tripeiro de gema e nasceu para os lados do Campo Alegre.
Eu junto ao relvado a reportar o encontro para a Agência Lusa que graças aos colegas do Record e do Jornal de Notícias e os comunicados da organização que ia recebendo consegui enviar algo para Lisboa.
Como já o afirmei acima não percebo nada sobre futebol.
A exibição do Porto fui a de autênticos campeões!
Os aplausos do público que antes eram destinados ao Inter de Milão, estes passam de imediato para as vozes: Porto,Porto,Porto.
Frase de fácil pronunciação para os tailandeses e assimilada dado aos gritos, eufóricos, que viviam o encontro, as raparigas hospedeiras da TAP Air Portugal.
Não foi fácil para mim conter tamanha emoção de ouvir os aplausos a favor do Futebol Clube do Porto.
Ali, no campo, jogava Portugal!


O Porto jogava no Tailândia, perante uma assistência de pouco mais de meia dúzia de portugueses e não com 30 ou 50 mil pessoas nas bancadas das Antas, outra cidade de Portugal ou em Lisboa.
Houveram episódios curiosos durante a permanência do Futebol Clube do Porto em Banguecoque. Conto um.
Este recai sobre o treinador António de Oliveira.
Oliveira chegou a Banguecoque de cabelo à “Beatles” e cortou-o aqui há homem!
Não cortou um pelo sequer do farfalhudo bigode.
Não sei se foi devido a promessa ou pelo calor que se sentiu em Banguecoque.
Sabias atravès da RTPi que o António de Oliveira tinha tido, uma ou duas semanas, antes, um problema do coração e hospitalizado por uns dias.
Certamente o seu médico lhe teria recomendado para deixar de fumar.
Quando me encontrava com ele no “hall” do hotel, às escondidas, pedia-me um cigarro.
Claro que lho oferecia mas com a recomendação:
“Oliveira você tenha cuidado........”
O Porto ganhou o “Thailand Premier Cup’97 e um Oliveira felicíssimo isto porque a agregada à vitória da Liga.
Na manhã do dia 22 de Junho, o treinador, levantou-se cedo (antes do Porto partir para Macau) e resolveu caminhar ao longo da rua do hotel.
Acendeu um cigarro, fumou-o e deitou a “beata” para o chão!
Atrás dele e desde que acendeu o cigarro um polícia, diligente, da câmara de Banguecoque seguia-o para ver onde o Oliveira deitava a “pirisca”...

O “Mayor” da câmara municipal tinha emitido uma Lei camarária que todo o fumador deitasse a ponta do cigarro para o chão apanhava uma coima fosse ele tailandês ou estrangeiro.
O Oliveira sem algemas está sob a Lei camarária e condenado, ali mesmo, a pagar 100 dólares de multa e o direito a um recibo.
Por volta das 9:30 a campainha do telefone da Embaixada tocou.
Atendo e do outro lado da linha o António Oliveira: “Ó Sr. Martins está a ver por deitar a “beata” do cigarro no chão um polícia quer que eu pague 2.500 bahts (100 dólares)”?
Oliveira, espere aí que vou pedir ao Chanceler tailandês que vá aí resolver o problema....
Quando o Chanceler Chalerm chegou ao hotel já o polícia camarário tinha desaparecido...
Valeu ao treinador o ter designado a Embaixada de Portugal em Banguecoque ao proficiente fiscal camarário, que lhe conferiu a imunidade e, não ser necessária a intervenção do Chanceler Chalerm.
Quando este ali chegou o problema estava sanado.
José Martins
Agosto 2003