Banguecoque: Chegaram as chuvas com o Ano Novo Budista na Tailândia , festejado por todo o país de 13 a 17 do corrente mês. São assim 3 dias de festa e a felicidade de um sábado e domingo que perfazem 5 dias em que milhões de tailandeses não mexem uma palha de arroz e, largas à alegria de burrifar água uns aos outros.
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Mas na minha história de hoje não me vou ocupar do Ano Novo Budista na Tailândia e descrever uma história, entre tantas que tenho por contar e de quando por 24 anos servir a diplomacia portuguesa em Banguecoque.
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A representação de Portugal na Tailândia remonta da década vinte do século XIX e, precisamente, no ano decorrente atinge os 191 anos e o privilégio de ter sido a primeira representação diplomática, estabelecida, de quando Banguecoque estava a nascer e a crescer como uma criança.
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Não me alongar se Portugal fez ou não produziu nada durante os 191 anos, nem designar nomes dos muitos cônsules, encarregados de Negócios e Embaixadores. Não foi feita obra que se mostrasse ao fim de quase 200 anos!
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E daqui para uns anos bons nada será feito, porque o nosso país está a braços com uma crise económica. Os nossos representantes, diplomáticos continuarão por Banguecoque, como uma jarra de rosas sem perfume nenhum e a ver os barcos a navegar, no rio Chão Prya, acima e abaixo.
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No ano de 1999 o embaixador Tadeu Soares é enviado para Banguecoque com as credenciais de embaixador (ainda não era um full rank como hoje o é em Pequim), vindo da nossa representação nas Nações Unidas.
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Bem, o diplomata, chegou a Banguecoque com uma daquelas vaidades que raramente encontrei em outros embaixadores que antes tinha servido. Eu e um diplomata, na altura, destacado em Banguecoque, sussuravamos, ao ouvido, que Tadeu Soares desejava fazer da missão de Banguecoque, umas “nações unidas pequeninas”.
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Era isso mesmo o pretendido. . Um dia, como por anos já o tinha executado, preparava a Mala Diplomática para a enviar, com documentação, para o serviço do Expediente das Necessidades; fiz um envelope de papel que tinha servido de qualquer coisa que chegou à embaixada e quando o embaixador Tadeu Soares, viu o que tinha feito e a meter a documentação no envelope, reprimiu-me dizendo: “esta embaixada não é a da Guiné-Bissau!” .
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Pronto lá tive que enfiar os documentos num envelope, grande, nada em conta, para que não envergonha-se os funcionários do Expediente, das Necessidades e considerassem a Embaixada de Banguecoque igual à da Guináe-Bissau ou de outro país do terceiro-mundo.
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Hoje se porventura encontrasse Tadeu Soares perguntava-lhe como será que os chineses consideram Portugal na China se uma Guiné-Bissau ou uma, qualquer, república das bananas...!!! .
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Os tempos de gastos à tripa forra, são do passado e agora há que poupar todos os papeis que dão para fazer envelopes e a parte de trás daqueles relatórios chatos de ler, que chegam à missão, que nada dizem e aproveitá-los e fazer cópias.
José Martins