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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
passos vs sócrates
Esta noite, na RTP, o inexperiente, o analfabeto, o africanista Passos Coelho deu uma lição de sabedoria e de liderança ao experiente, viajado e perturbado José Sócrates.
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Sócrates - Portugal está confrontado com um desafio. Aumentou o desemprego em todos os países. Nós estávamos a fazer o nosso caminho mas este processo foi interrompido por uma crise política. A diferença está na manutenção do estado social. O doutor Pedro Passos Coelho propôs que o Estado deixasse de ter uma rede de escolas pública e a saúde também deixar de ser pública.
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Passos - O actual primeiro-ministro de Inglaterra é mais novo que eu, nunca foi governante e é chefe de Governo. Tony Blair também nunca tinha sido governante. O que está em jogo é podermos discutir o que os governos em funções fazem. O engenheiro Sócrates é o primeiro-ministro que mais maldades fez ao estado social. O que mais reduziu os apoios, acabou com milhares de abonos de família. Vem agora o engenheiro Sócrates defender o estado social e depois aponta para mim que quero destruir o estado social. O senhor como é que consegue explicar como chegou aos 700 mil desempregados?
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Sócrates - Tenho de dizer ao senhor doutor que quando era administrador de empresas não pensava assim. Tenho aqui um relatório de uma empresa onde trabalhava e onde 2010 dizia que em 2009 dizia que se estava em grande crise internacional, mas hoje diz que a culpa não foi da crise internacional. Passos Coelho, agora líder do partido, acha que a crise internacional não teve impacto.
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Passos - Eu já sabia a sua técnica em querer fazer perguntas aos outros. Ainda bem porque eu quando mudo de opinião porque a realidade muda, assumo as minhas diferenças de opinião. A crise internacional teve efeitos.
.Sócrates - Mas andámos bem em 2009...
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Passos - Não, não andámos bem. O Governo não contraíu dívida pública como o devia ter feito. O chefe do FMI que cá esteve disse o mesmo que eu e o presidente do Banco de Portugal também disse o mesmo. Em resposta ao 'Sol' disse que não seria necessário reduzir salários e disse ainda que iria reduzir os salários da função pública. Estas mudanças de opinião afectaram muito mais os portugueses que o meu relatório na empresa onde trabalhava.
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Sócrates - Lembre-se que a Europa mudou de estratégia. O senhor não tem razão. O senhor vai ter de discutir comigo o que pensa. O senhor propõe terminar com a tendência gratuita no Serviço Nacional de Saúde. Nós queremos melhorar a rede hospitalar e melhorar o SNS com melhor serviço e temos vindo a fazer esse serviço. Quando o senhor doutor propõe que deixe de haver tendência gratuita tem de explicar se os portugueses vão ter de pagar a sua saúde.
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Passos - Ao ouvir o senhor engenheiro parece que o país está bem, que o senhor ministro das Finanças estava enganado, que o Estado afinal não precisa de empréstimos externos. Gostava que explicasse aos estudantes do Ensino Superior como é que eles chegaram à situação de não poder estudar.
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Sócrates - Disse que eu menti...
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Passos - Não me interrompa, se faz favor. O Estado não faz cobertura universal na saúde. O que o Estado faz é co-pagamento e é o que já existe. No programa eleitoral do PSD nós dizemos sobre saúde que é preciso abrir às policlínicas o seu médico de família. Quando anunciámos isto a ministra da Saúde e outros do Partido Socialista vieram dizer que o PSD queria acabar com o Serviço Nacional de Saúde, o que é falso. E a ministra mais tarde veio dizer aquilo que eu disse sobre as policlínicas e cooperativas de médicos.
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Sócrates - Eu estou a falar dos pagamentos no SNS e o senhor disse que eu estava a mentir e espero que peça desculpa. O senhor escreveu no jornal 'i' e no seu livro que o texto constitucional deve ser alterado para que hajam co-pagamentos no SNS e trouxe aqui também duas entrevistas que o senhor deu para provar que não estou a mentir...
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Passos - O senhor não gosta de falar dos 700 mil desempregados e de tudo o que o seu governo fez ao país.
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Sócrates - Há um ponto ainda mais grave quando o senhor fala do acesso ao serviço universal porque o senhor quer acabar com o carácter geral do SNS e refiro-me aos seguros de saúde.
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Passos - Nós acabámos de assistir à razão porque os portugueses querem mudar. O senhor depois de deixar uma herança de bancarrota, o senhor insiste em vir para este debate com questões menores em vez de discutir a sua responsabilidade que tem sobre o resultado da acção do seu governo. Porque é que não tem a coragem para assumir perante os portugueses a sua responsabilidade? Deixe-me dizer-lhe que a saúde não fica em perigo com a eleição de Pedro Passos Coelho. Fique sabendo que os portugueses comigo poderão deduzir as despesas na saúde. São pouquíssimos os países que estão com uma recessão como a nossa e as estatísticas dizem que o desemprego vai aumentar e o senhor vem discutir que eu quero acabar com a saúde gratuita...
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Sócrates - Eu não recuso assumir as minhas responsabilidades. Houve uma crise internacional e nunca virei a cara às responsabilidades e espero que o senhor assuma as suas. O senhor é responsável pela crise política que criou e há um preço que estamos a pagar. Desde que o senhor chumbou o PEC os juros da dívida começaram a aumentar e a economia ficou numa situação muito difícil. Na principal medida que foi chamado a tomar o senhor só pensou no interesse particular. Talvez se engane. Nós temos de lutar por mais crescimento económico e no domínio do emprego dos jovens temos várias medidas.
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Passos - E por que não criar mais 150 mil postos de trabalho... O engenheiro Sócrates criou uma fantasia. Veio dizer que os partidos estavam com pressa para ir para o governo. Eu não tenho nenhuma pressa. O que eu fiz foi ajudá-lo, mas você falhou no PEC 2, no PEC 3 e por aí adiante. O governo teve de pedir ajuda internacional porque o governo perdeu a credibilidade nos mercados internacionais. Desde Outubro do ano passado que o país tem sustentado taxas insustentáveis. O senhor disse que não precisava de ajuda do FMI e disse que garantia que não precisava da ajuda ao FMI e disse mais que não estava disponível para governar com o FMI. Agora elogia as medidas do FMI. O governo preferiu que os bancos estivessem a comprar dívida em vez de emprestar dinheiro aos portugueses. O senhor é que está agarrado ao poder e só se preocupou com a sua imagem.
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Sócrates - O país não precisava da ajuda externa e quem provocou tudo foi a sua acção em criar uma crise política e obrigar o país a pedir ajuda externa. O senhor sugeriu várias vezes a ajuda externa. Não tem razão quando diz que os bancos compravam a dívida e não invente fantasmas. Nós temos de discutir as suas propostas para o mercado de trabalho porque propõe ir mais além, mais além aonde, o senhor propõe mais precariedade...
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Passos - Isso não é verdade...
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Sócrates - Nós fizemos um acordo que está na base do que foi feito com a troika, eu refiro-me ao ponto que o senhor quer liberalizar o trabalho precário...
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Passos - Isto é falso e eu tenho de responder. O que propomos é um sistema dual. Quem está com contratos a prazo permanece, mas para mais à frente pretende-se flexibilizar para que os jovens tenham mais emprego e para que se acabe com os recibos verdes. Há trabalho precário que é sazonal e nesse caso não acha...
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- grande confusão com o moderador e ninguém se entende -
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Sócrates - Desculpe mas eu quero voltar ao assunto porque o trabalho temporário é o mais precário...
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Passos - Mas isso é obra do seu governo...
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Sócrates - O senhor quer combater o desemprego permitindo mais despedimentos. Todas as doutrinas caminharam para a protecção dos trabalhadores. O governo no acordo com a troika inseriu a baixa da Taxa Social Única mas o PSD não estudando resolveu anunciar quatro pontos percentuais e depois já falou em oito e depois era a cerveja e depois era o vinho...
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Passos - Tenho que anotar que nem depois deste debates o senhor não anuncie o... desculpe agora tenha paciência mas tem de me ouvir... assinou um acordo para quê? O senhor continua a dizer que vai estudar o assunto e o senhor não tem uma ideia do que vai fazer e por isso é que prefere dizer antes das eleições que vai estudar. Várias pessoas estudaram e nós também que a primeira descida da TSU tem de ter um impacto significativo e por isso é que falámos em quatro pontos e depois se podermos ir mais longe. O senhor que não tem nada a dizer sobre esta matéria ao menos oiça o que têm os outros a dizer. A satisfação de hoje com o anúncio da despesa orçamental é uma grande preocupação para quem vier a governar. O senhor já não está a cumprir o que assinou com a União Europeia.
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Sócrates - Reduzimos 45% do défice e o senhor diz mal...
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Passos - O que dizemos é que estamos preocupados. A despesa baixou porque aumentou muito os impostos. Portugal já não está a cumprir as directrizes recentes do FMI.
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Sócrates - No momento em que a despesa está a descer o senhor vem dizer que isto é uma má notícia, já chega de estar sempre a falar em bancarrota, sabe que isto não é bom para quem quer governar. A ideia que temos de economia de baixos salários é do passado. Eu acho que temos de reforçar o empenho científico...
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Passos - Eu tenho mesmo de esclarecer isto quando o senhor diz que o líder do PSC é imaturo eu tenho de lhe dizer que não admito essas acusações. A verdade é que o senhor e o seu ministro das Finanças erraram nas contas e eu acertei. O senhor sabia que não ia cumprir que usou o Fundo da PT...
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Sócrates - O senhor diz mal de tudo...
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Passos - Quando eu disse que acabávamos o ano nos 9% acertei e o senhor não sabia. Os senhores disseram que eu não estava a ser patriota e afinal a troika disse o mesmo que eu.
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Sócrates - A despesa teve uma nova metodologia e acresceu o BPN e o BPP.
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Passos - Eu falo da realidade.
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Sócrates - O senhor entretinha-se a divagar e a escrever cartas públicas a levantar insinuações sobre os departamentos públicos. O que eu acho é que deve ser convidado para formar governo o líder que ganhar.
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Passos - Nós apostamos muito na transparência e não é só nas contas públicas, para não voltarmos a ser surpreendidos. Eu assumirei o lugar de primeiro-ministro se o PSD for o partido mais votado.
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Sócrates - Sempre defendi uma liderança forte e o país o que rejeita é uma liderança aventureira. Pensamos cumprir os objectivos que estão acordados com a União Europeia e com o FMI. Confio nos portugueses.
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Passos - O país precisa de um governo que seja capaz de melhorar a situação. A situação que vivemos é da responsabilidade do engenheiro Sócrates e é preciso saber se os portugueses querem mudar ou não para fazer diferente do que foi feito nestes seis anos.