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sexta-feira, 10 de junho de 2011

DIA DE PORTUGAL,CAMÕES E COMUNIDADES PORTUGUESAS EM BANGUECOQE (TAILÂNDIA)


Embaixador Torres Pereira, ofereceu (10.06.2011) uma recepção à Comunidade Portuguesa e Lusa Descendente, residente, diplomatas acreditados no Reino, individualidades do Governo da Tailândia, outras figuras ligadas à cultura, artes e letras num hotel nas proximidades da Missão Diplomática de Portugal na capital tailandesa.
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Da esquerda para a direita: Nuno Caldeira da Silva, diplomata, Conselheiro Político da Delegação da União Europeia em Banguecoque; Embaixdor de Portugal Torres Pereira e o Comendador da Ordem do Mérito Henrique Calisto.
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De salientar a presença e apresentação do Comendador da Ordem de Mérito o técnico de futebol Henrique Calisto à comunidade lusa residente em Banguecoque e actualmente a dirigir a equipa de futebol e bicampeão da 1ª Liga da Tailândia o Muangthong United.
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Uma foto de Marco do Vale com o Comendador Henrique Calisto. Marco do Vale é um amigo de Calisto desde há muito e de quando seleccionador da equipa de futel do Vietname.
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A recepção ocupou o grande salão do hotel Royal Orchid Sheraton, Bangkok e de realçar o gosto, havido, em decorar, a passagem para o local do convívio, com imagens, antigas, da residência dos representantes de Portugal, acreditados, na Tailândia e considerada uma joia fina, da arquitectura colonial portuguesa, peça única em todo o território nacional e  denominada Sino-Portuguesa.
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Porém a maior surpresa foi à entrada para o grande salão, do lado esquerdo, um largo painel com a frontaria do palacete histórico cuja elaboração, imaginativa, merece o nosso aplauso. Do lado direito e nos vidros com vista para o grande rio Chao Prya outra decoração em grande estilo a mostrar a grandeza e esplendor do “Grand Palace”, que foi residência de Reis da Tailândia e actualmente uma das grandes atracções turisticas.
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A comunidade residente em Banguecoque desejou uma fotografia, junto, ao Comendador Henrique Calisto. Não sabemos o nome de todos. Fica o registro de Marco do Vale e do, amigo, Eng. Rui Belo.
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Dado a um raro usual engarrafamento na baixa de Banguecoque que se viria a estender aos arredores, quando chegamos à recepção, acompanhado do Comendador Henrique Calisto quando o evento estava quase a terminar e que não nos daria a oportunidade de registar as palavras do embaixador Torres Pereira e cumprimentarmos, velhos conhecidos que ali estiveram presente.
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Existem amigos para toda a vida...Patipat Pumpongpatpat é do grupo dos meus amigos, tailandeses, para sempre! De quando as escavações do Campo de S.Domingos do "Ban Portuguet" temos o Patipat ex- director do Fine Arts Department da Tailândia, em Ayuthaya, um entusiasta e amigo de Portugal, a dirigir um grupo de estudantes de arqueologia da Universidade de Chulalongkorn as escavações. 28 anos já passados e embora nos vejamos casualmente, mas quando nos encontramos recordamos esses tempos e de quando pela noite, junto ao Forte Português de Pom Phet, na margem do rio, beberricavamos uns copos de cerveja fresca. Ontem e quando na recepção do Dia de Portugal, não dei pela presença de Patipat, mas ele dando pela minha dirigiu-se a mim. Salutar encontrar um velho amigo.
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Porém ainda ali fomos encontrar uns poucos entre estes destaco o arqueólogo,Patipat Pumpongpaet, ex-director do Fine Arts Department, em Ayuthaya, e pioneiro nas escavações do Campo de São Domingos no "Ban Portuguet", que gratas recordações ainda conservamos desse tempo, que já lá vai, de 28 anos. Patipat hoje reformado, igualmente, como eu.
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Pano de fundo o esplendor do Grand Palace e espelhada a residência dos embaixadores de Portugal em Banguecoque. Da esquerda para a direita: o autor desta peça, Patipat Pompongpat; o Eng Rui Belo (conceituado empresário português na Tailândia) e um grande amigo que me acompanhou, sempre, nas horas más por que haja passado desde 16 de Janeiro de 2008) Yuawdee Vatcharangkul editora do canal de televisão do grupo Nation Multimédia e Erbprem Vatcharangkul, director do Fine Arts Department da secção arquelogia de baixo de água, Ministério da Cultura do Reino da Tailândia. 
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À MARGEM: Não poderíamos  ignorar e dar-lhe o realce merecido pelo bom gosto do embaixador Torres Pereira (que mal ainda conhecemos), pela esplêndida festa que ofereceu a seus convidados no Dia de Portugal em Banguecoque.

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Agradecemos a Torres Pereira o convite que nos tem feito, juntamente a nossa família para estarmos presentes, cujo convites, enviados, temos recusado desde há mais de três anos.
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Entendemos que no futuro não mais os poderíamos recusar. Muitos homens, houveram, de muitas formas e feitios de estar no Mundo, que passaram pela Embaixada de Portugal em Banguecoque desde que a conheci (pela primeira vez 1978) e nela exerci funções sem nódoa, alguma, se tenha pegado à minha roupagem. 


Da esquerda para a direita: Minha mulher Kanda de trinta anos de vivência, lutadora que um dia me disse: "se te meteram em guerra segue a luta até que a venças", a minha comadre Ant, a minha afilhada Emilia e minha filha Maria Martins, as duas, últimas, luso tailandesas.

Minha filha Maria Martins, minha mulher Kanda e Ant mulher de Marco do Vale
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Nunca prejudiquei gregos ou troianos e tentei ser amigo dos dois grupos étnicos. Há sempre, na vida de cada um, um "sacana" de um malandro que procura verter a intriga e os seus instintos de maledicência (a que lhe dá o nome de patriótica) no espaço que entrou, por uma nesga e alargando e quando pensou ter penetrado, ficou entalado como a raposa, esperta, desarmadilhou (ficou presa) a ratoeira à entrada da capoeira dos galos e galinhas que o dono dos galinácios lhe armadilhou.
Os cães ladram e a caravana passa!
José Martins


PORTUGAL AO ESPELHO: LEGISLATIVAS DE 2011

Jorge Morbey
Ao fim de seis anos de governo, o legado que José Socrates e o PS deixam a Portugal
é inventariado no último livro do economista e professor universitário Álvaro Santos Pereira:
O pior crescimento económico dos últimos 90 anos, na última década;
A maior dívida pública dos últimos 160 anos, em % do PIB: que não inclui as dívidas das empresas públicas (25% do PIB); nem os encargos, no valor de 60 mil milhões de euros  (35% do PIB), com as Parcerias Público-Privadas, na construção de auto-estradas, hospitais, escolas, etc., cujo pagamento será efecuado por futuras gerações e governos vindouros;
A pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, que continua a aumentar após ter chegado aos 11.1% no ano corrente: com 620 mil desempregados, em que se incluem 300 mil no desemprego, há mais de 12 meses;
A maior dívida externa dos últimos 120 anos: a dívida externa bruta de Portugal era inferior a 40% do PIB, em 1995. Em 2011, ronda os 230% do PIB; a dívida externa bruta aproxima-se de um valor que é quase 8 vezes o valor das exportações portuguesas; Portugal figura entre os 10 países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis; a dívida externa líquida, em 1995, equivalia a 10% do PIB. Em 2011, aproxima-se dos 110% do PIB;
O endividamento das famílias é de cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível;
A dívida das empresas é equivalente a 150% do PIB;
Cerca de 50% de todo o endividamento nacional é imputável, directa ou indirectamente, ao Estado;
Portugal passa pela segunda vaga de emigração dos últimos 160 anos; e sofre a segunda maior fuga de cérebros entre os países da OCDE;
O país tem a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos;
Nos últimos 10 anos, os défices da balança corrente oscilaram entre os 8% e os 10% do PIB;
Na Justiça, em 1995, havia 630 mil  casos pendentes nos tribunais cíveis; em 2011, esse número subiu para 1.6 milhões. No entanto, na Europa, Portugal é um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante;
Na Educação, Portugal tem a terceira pior taxa de abandono escolar entre todos os países da OCDE, melhor do que o México e a Turquia, apenas;
O peso da despesa do Estado já ultrapassa os 50% do PIB. Existem: 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas  Independentes, 2 Forças de Segurança,  8 Entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes de Presidente de Governo Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins),   17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesia, Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional,          Comunidades Inter-Municipais.
É obra!!!

Em vez de travar e reduzir drasticamente o peso do Estado para reduzir o défice das contas do Estado, o Governo PS/José Socrates, que Portugal teve nos últimos seis anos, optou por cortar salários e pensões, e aumentar impostos, nos orçamentos de Estado mais recentes e nos sucessivos PEC’s que complementaram aqueles.
O resultado está à vista: O PS/José Socrates obteve 28.05% dos votos expressos, contra os seus opositores principais – PSD com 38.63% e CDS/PP com 11.74%.
Portugal, que futuro?
Na leitura dos resultados das Legislativas de 2011, assume importância capital o valor da abstenção (41.1%)  e de votos brancos  (2.67%). A abstenção, aliás, tem vindo a crescer permanentemente: 35.7% (2005); 40.3% (2009).
Já nas eleições presidenciais de 23 de Janeiro de 2011, a maioria do eleitorado não foi às urnas (53.6%). Os eleitores  que votaram em branco, isto é, que optaram também por não escolher nenhum dos candidatos, foi de 4.26%.
Temos, portanto, que 43.8% dos eleitores dos deputados à Assembleia da República e 57.9% dos eleitores do Presidente da República, quiseram ficar de fora do processo de escolha dos dois órgãos de topo do sistema político português.
Estamos face a dois records de não participação dos portugueses na vida política do seu país registados em 2011. 
Não pondo em causa a legitimidade formal para o exercício do Poder pelo Presidente da República e pela Assembleia da República, eleitos em 23 de Janeiro e 5 de Junho de 2011, parece oportuno questionarmo-nos sobre se se deverá prosseguir com um sistema político, assente num sistema eleitoral, que corre o risco de ser cada vez menos representativo da vontade colectiva dos portugueses.
É verdade que só não vota quem não quer. Mas este alheamento dos portugueses, no que se refere à escolha das cúpulas do seu sistema político, não augura nada de bom. Será apenas desinteresse irresponsável? Não acredito. É também uma forma de protesto e uma manifestação visível de descrédito relativamente às instituições políticas que não têm estado à altura das legítimas expectativas de vida de um número assustadoramente crescente de portugueses, e que encontra explicação nos dados inventariados pelo Prof. Álvaro Santos Pereira.   
Mudar o Povo ou alterar o sistema
Escrevia o Prof. Jorge Dias em 1950 que a única constante de um povo é o seu fundo temperamental e que o Português não gosta de fazer sofrer e evita conflitos, mas, ferido no seu orgulho, pode ser violento e cruel.
O voto em branco e a abstenção têm consequências diferentes na aritmética eleitoral. Ambos podem ter por motivação: a não identificação com nenhum dos partidos políticos ou candidatos presidenciais; um modo de protestar contra a classe política; uma intenção de retirar legitimidade ao sistema político. Se os respectivos valores percentuais se apresentam baixos, podem ter a leitura do inconsequente "agarrem-me, se não eu...".
Onde se situa a fronteira a partir da qual os não votantes e os que votaram em branco adquirem peso político bastante para que a sua opção seja tomada em conta? Essa fronteira não existe. Alguns sistemas eleitorais estabelecem a obrigatoriedade do voto, prevendo penalidades para os eleitores que não votarem, o que também perverte a representatividade da vontade colectiva. Mas a regra é a de conferir valor aritmético somente aos votos expressos, o que também não garante essa representatividade. De modo que, ou o poder político tem a inteligência suficiente para perceber a necessidade de alterar o sistema, procurando torná-lo, o mais possível, genuinamente representativo; ou arrisca-se à ruptura do sistema, por via revolucionária ou por golpe de Estado.  Em Portugal, a I República foi fértil em rupturas desta natureza em que acabou por sucumbir.
Nos últimos seis anos, Portugal resvalou em plano inclinado para um clima de crescente tensão social que pode inviabilizar a governabilidade do país. A esquerda parlamentar apresenta-se minoritária. Mas a esquerda social tem condições para mobilizar e liderar o descontentamento de todos os sectores da população unidos pelo desemprego, pela fome, pela redução de salários e pensões, pelo corte de benefícios sociais e crescentes dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, pelo endividamento das famílias que põe em risco a sua própria habitação, pela crescente desigualdade social que circula com nomes, fotografias e escandalosos rendimentos auferidos pelos príncipes do sistema, pela dor da emigração de entes queridos, pelo aumento da insegurança e da violência, etc.
A internet, as redes sociais, as sms, têm-se revelado meios céleres de mobilização, protesto e derrube dos sistemas políticos que se divorciaram da vontade colectiva. Estar-se-à a tempo de evitar o pior?
Dizia também o Prof. Jorge Dias: [o Português] é um povo paradoxal e difícil de governar. Os seus defeitos podem ser as suas virtudes e as suas virtudes os seus defeitos, conforme a égide do momento.
D. Sebastião e Salazar
Segundo o mesmo ilustre antropólogo, a saudade é um estranho sentimento de ansiedade que parece resultar da combinação de três tipos mentais distintos: o lírico sonhador – mais aparentado com o temperamento céltico -, o fáustico de tipo germânico e o fatalístico de tipo oriental. Este último tipo mental invade os portugueses nas épocas de abatimento e de desgraça. Então a saudade toma uma forma especial, em que o espírito se alimenta morbidamente das glórias passadas e cai no fatalismo de tipo oriental, que tem como expressão o fado, cujo nome provém do étimo latino fatu (destino, fadário, fatalidade).
Em 2007, num programa da Radiotelevisão Portuguesa intitulado “Os Grandes Portugueses”, Salazar foi eleito “o maior português de sempre”contra tudo o que seria de esperar de uma vontade colectiva identificada com o sistema político português instituído na vigência da Constituição de 1976.
O referido programa de televisão, um modelo original da BBC, havia sido  realizado em outros países. Em França foi eleito Charles De Gaulle, em Inglaterra Winston Churchill e nos Estados Unidos Ronald Reagan. Resultado nada discrepante com a identificação desses povos com o seu sistema político.
O Sebastianismo tem as suas raízes na perda da independência nacional de Portugal, em 1580, e na dominação dos portugueses por um poder estrangeiro, até 1640. Oliveira Martins, em 1879, explicava que o povo português, abandonado e perdido, fizera do lendário D. Sebastião um génio e da sua história um mito. Sampaio Bruno, em 1904, abordou as pistas para o desvendamento do mito. José Lúcio de Azevedo, em 1918, traçou a sua origem e evolução. António Sérgio, em 1920, classificou-o como um fenómeno social e intelectual produzido em condições que se resumem numa consciência de “queda”, acompanhada da falta de verdadeira independência. Acrescenta que, com a persistência de tais condições, o mito segue paralelamente a tradição do bandarrismo. E concluía: “o messianismo terá vida (ou poderá tê-la) enquanto se impuser a este povo, para comparar e contrapor à sua efémera grandeza, o espectáculo persistente da sua lúgubre decadência”.
O mito sebastianista vicejou em poetas como António Nobre, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e outros. A sua permanência na História de Portugal, com metamorfoses e ressurgências em determinadas épocas, deu azo a que o  historiador já referido, José Lúcio de Azevedo, tivesse concluído que o sebastianismo “nascido da dor, nutrindo-se da esperança, é na história o que é na poesia a saudade, uma feição inseparável da alma portuguesa”.
Pode estar a germinar em Portugal novamente um messianismo, metamorfoseado agora em Salazar: homem honesto, professor universitário prestigiado, político incorrupto, guardião indomável da independência nacional durante os quarenta anos de exercício do poder, que nasceu e morreu pobre; em contraposição à imagem da liderança política mais recente de Portugal que Urbano Tavares Rodrigues, meses atrás, sintetizava do seguinte modo: "Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o País perante o Mundo?"
Portugal ao espelho
Convenhamos que José Sócrates foi o elo mais recente de uma cadeia de lideranças políticas em que se acumularam erros graves.
Portugal sentiu as maiores dificuldades em se voltar a situar no mundo. Ao projecto nacional de construção de uma Nacão pluricontinental e multirracial, nenhum outro projecto nacional mobilizador se seguiu.
A entrada de Portugal na CEE/UE deu-se, não como gente trabalhadora que  embarcava para trabalhar como tripulação de um dos navios de uma frota,  mas como turistas que entravam a bordo de um paquete de cruzeiros, sem dinheiro para as despesas da viagem.
Terá Portugal vocação europeia? Desde Aljubarrota (1385) e Ceuta (1415), Portugal virou costas à Europa, até ao 25 de Abril (1974). Ao fim de seis séculos de História, era previsível que não fosse fácil a reconversão da identidade colectiva e da personalidade base dos portugueses.
A fragilidade da economia portuguesa, enraízada na Política Ruralista do Estado Novo de auto-suficiência alimentar (1926 – 1950) e na Lei do Condicionamento Industrial (1931), altamente proteccionista da produção nacional, serviu para eliminar a concorrência interna das empresas já existentes em cada ramo mas, ao mesmo tempo, contribuiu para a estagnação tecnológica, a criação de monopólios, a fraca qualidade dos bens e serviços produzidos, isto é, resultou na construção de um tecido empresarial português muito frágil.
O mercado das colónias, com escritórios instalados em Portugal que decidiam sobre as suas importações e exportações – sobrefacturando aquelas e subfacturando estas cujos diferenciais retinham em Portugal - era altamente compensador para a economia portuguesa.
Ainda assim, o equilíbrio das contas públicas conseguia-se com as remessas dos emigrantes. Portugal era um país rico – que se dava ao luxo de manter uma guerra em três frentes – povoado de gente pobre.
A descolonização retirou à economia portuguesa o controlo dos mercados coloniais.  Apesar do profundo golpe que sofreu, a economia portuguesa conseguiu manter por alguns anos o equilíbrio das contas públicas. Os 48 anos de Estado Novo, no meio de tudo o que de mau deixou ao País, legou-lhe uma pesada herança, em ouro e divisas.
O Prof. Mário Murteira, Vice-Primeiro Ministro do Governo da Eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo, afirmava publicamente que o que faltava em Portugal não era dinheiro. Do que havia falta – dizia - era de ideias e projectos. Mas o empresariado português passou a fazer negócios com o dinheiro dos bancos. Os capitais sociais, os capitais próprios, eram mais ou menos ficção. Começou o endividamento das empresas.
O endividamento das famílias teve início em consequência da política populista  das ocupações de bens imóveis que se seguiu ao 25 de Abril. O desfavorecimento dos proprietários, incluindo os senhorios de imóveis para habitação e a contenção do valor das rendas de casa levou à rápida deteriorização do parque habitacional e à extinção do mercado de arrendamento para habitação. Desapareceram os escritos nas janelas que indicavam casa para arrendar. Quem necessitava de casa não encontrava oferta de habitações  para arrendar.
A solução passou a ser  a compra de apartamentos em urbanizações na periferia das cidades, com recurso ao financiamento bancário garantido por hipoteca. 
A inexistência de redes de transportes colectivos entre a habitação e o local de trabalho, com passagem pelas amas, creches, jardins de infância ou escolas, resolveu-se com a compra de viatura própria, com recurso a crédito titulado por letras. Assim começaram as famílias a viver acima das suas possibilidades. O hábito entranhou-se na sociedade portuguesa e cresceu como bola de neve.
A nível político, os governos do Estado Novo  eram alcunhados de “governos de catedráticos” .  Na verdade, os ministros, secretários e subsecretários de Estado, originários de famílias humildes, na sua maior parte, eram professores universitários, oficiais das forças armadas, gente que tinha uma carreira profissional prestigiada, a que regressava  quando saía do governo.
A Democracia portuguesa passou a previlegiar, como é natural, a filiação partidária. Os filiados dos partidos foram perdendo qualidade. Gradualmente foram aumentando ministros e secretários de Estado recém formados nas Jotas partidárias, com habilitações adquiridas já no exercício de funções políticas, sem exercício profissional prévio e credenciado. Com excepções, é certo. Mas cada vez em menor número.
A fragilidade da Economia, encostada ou mesmo dependente da Política e dos partidos, trouxe para a arena política a maior promiscuidade de que há memória entre a Política e a Economia. Daí o espectáculo degradante e típico das “repúblicas das bananas”, do favorecimento recíproco. A Política passou a ser o trampolim para a entrada no mundo dos negócios e das negociatas. Passou a ser regra nos chamados partidos com vocação para governar. O casamento da política com os negócios e as negociatas pariu um polvo, agora em idade adulta, cujos tentáculos têm a cor dos partidos que têm governado Portugal em Democracia.
Saneamento nacional
Portugal parece precisar urgentemente de um verdadeiro saneamento nacional. Não só nas Finanças e na Economia, como agora lhe é imposto de fora. Mas na Política, principalmente. É imperativa a reconciliação dos portugueses com o seu sistema político, de que o sistema eleitoral é parte integrante. É inadiável que os portugueses voltem a ter confiança em quem governa. Na Política, na Administração e nas empresas. Não se restaura a sua confiança a pedir-lhe sacrifícios enquanto persistir o fosso das remunerações e das pensões que os separa de políticos e gestores públicos.
Faço eco ao grito de revolta de Clara Ferreira Alves, com excertos do artigo que publicou  no Expresso, em Março de 2009:  
É muito triste, mas fomos nós, a nossa inépcia e indiferença que permitiu que estes senhores tornassem Portugal o país mais atrasado da Europa. Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo  ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para  se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o  seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os  custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
A “escavação da verdade”, a cargo do Poder Judicial realmente independente e imune a pressões políticas, é condição essencial para restituir confiança dos portugueses nas suas instituições. Em 1975, após a queda do Estado Novo, vigorou legislação de saneamento que resultou na declaração de incapacidade cívica, activa e passiva, dos indivíduos ligados ao antigo regime.
Se os partidos com assento parlamentar tiverem a coragem de firmar um Pacto  de Transparência visando o apuramento da responsabilidade civil e criminal dos políticos e gestores públicos comprometidos com o empurrão que levou Portugal a resvalar para o fundo do abismo em que se encontra, terão o prémio de passarem a ser depositários da confiança dos portugueses, principalmente porque alguns deles terão de se purificar pelo hara-kiri de correlegionários.
Por outro lado, se os mesmos partidos firmarem um pacto de equidade que reduza o leque de retribuições diminuindo o fosso que separa todos os portugueses de alguns portugueses, reforçarão as possibilidades de impôr sacrifícios a todos, após ser público e notório o sacrifício desses alguns.
É este o caminho por que se salvará a Democracia em Portugal e se abrirão as portas para a felicidade colectiva dos portugueses.  
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P.S. - Jorge Morbey, investigador e históriador das "coisas" portuguesas na Ásia e Oriente, velho residente nesta zona do Globo; Presidente do Instituto Cultural de Macau, Conselheiro Cultural das Embaixadas de Portugal em Banguecoque e Pequim. Actualmente professor na Universidade de Ciencia e Tecnologia de Macau.

E....NÓS DESCENDEMOS DOS QUE FICARAM POR AQUI...

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Era no tempo em que, no palácio das Necessidades, ainda havia ocasião para longas conversas. (mas podia passar-se hoje...).
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Um jovem diplomata, em diálogo com um colega mais velho, revelava o seu inconformismo. A situação económica do país era complexa, os índices nacionais de crescimento e bem-estar, se bem que em progressão, revelavam uma distância, ainda significativa, face aos dos nossos parceiros.
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Olhando retrospetivamente, tudo parecia indicar que uma qualquer "sina" nos condenava a esta permanente "décalage". E, contudo, olhando para o nosso passado, Portugal "partira" bem:
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- Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história. Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia, que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental.
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O embaixador sorriu, benévolo e sábio, ao responder ao seu jovem colaborador:
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- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.
- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?
- Nós descendemos dos que ficaram por aqui...

P.S. Enviado por um leitor deste “pasquim”

PRONTO...JÁ COMEÇARAM AS GUERRAS DE ALECRIM E "MARICAGEM...!!!" É O QUE SAI E MAI NADA

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, pediu ao advogado António Garcia Pereira para avaliar as declarações da socialista Ana Gomes e só depois decidirá se vai agir judicialmente contra a eurodeputada.


O advogado Garcia Pereira, dirigente do PCTP/MRPP, já tinha sido escolhido uma vez por Paulo Portas, em 2008, para o representar num processo judicial contra o ex-ministro da Agricultura Jaime Silva, por ofensas "ao bom nome".

Fonte do CDS-PP disse à Lusa que só depois de o advogado analisar as declarações de
Ana Gomes é que Paulo Portas vai decidir se avança para tribunal.

Em causa estão as declarações feitas terça-feira em Estrasburgo, por Ana Gomes, que defendeu a exclusão do líder do CDS-PP do próximo Governo, afirmando que está em causa a "idoneidade pessoal e política" de Paulo Portas.

"Penso que está em causa não obviamente a legitimidade politica do seu partido, CDS-PP, como resultou das eleições, em governar, em integrar a coligação governamental, mas do dr. Paulo Portas pessoalmente, por a sua idoneidade pessoal e política estarem em causa em face do seu comportamento em anteriores responsabilidades governamentais", disse Ana Gomes, apontando "o caso dos submarinos e outros casos".

À margem da sessão plenária do
Parlamento Europeu, a eurodeputada socialista, quando confrontada com o facto de Paulo Portas nunca ter sido condenado judicialmente e não haver assim nada que o iniba de integrar o futuro Governo, respondeu que "também não havia nada que inibisse o senhor Dominique Strauss Kahn de ser director do FMI".

"E, no entanto, toda a gente sabia que o senhor Dominique Strauss Kahn tinha comportamentos pessoais altamente reprováveis, que tinham repercussões na sua vida politica e profissional, e que poderiam ser comprometedores para o seu país, que hoje passa por uma tremenda humilhação", afirmou.

A vice-presidente do CDS-PP Assunção Cristas já tinha considerado as declarações de Ana Gomes "inqualificáveis" e "de baixo nível".

As capas dos jornais e as principais notícias de Sexta-feira, 10 de Junho de 2011.

Capa do Correio da Manhã Correio da Manhã

Faro: Incêndio em apartamento
Lagos: Espectáculo cancelado
Droga: Traficantes em preventiva
Souto de Moura: “Não estou no auge”
Aponta arma para assaltar
Sunil Chhetri: Indiano no Benfica
Sara Moreira: Consegue mínimos

Capa do Público Público

Nas ruas de Morelia foram espalhados 21 cadáveres
Cinco jogadores da selecção do México suspensos por doping
Tripulantes da TAP suspendem greve de dez dias
Cientistas fazem com que coração se repare a si próprio
Benfica segura Sérgio Ramos e prescinde do treinador
“Agricultura é um sector absolutamente relevante”, diz Portas
Sporting rescinde com José Couceiro e com Stojkovic

Capa do Diário de Notícias Diário de Notícias

Só Nobre atrapalha negociações entre PSD e CDS
Crianças comem pior em casa do que nas escolas
Casal foi morto com violência na casa onde vivia
Locais que formam a identidade do país
João Marcelino: Casos e ideias de sucesso em português
Made in Portugal: O País que somos e onde temos sucesso
Miguel Portas não vai integrar próxima Comissão Política

Capa do Jornal de Notícias Jornal de Notícias

Explosões em Tripoli após raide aéreo da NATO
Pelo menos cinco mortos devido ao calor nos Estados Unidos
Polícia mexicana encontra 21 cadáveres na rua
TAP compra greve com viagens
Ligação de Luanda ao Porto em Julho
Lamy arranca em terceiro nas 24 Horas Le Mans
Milhares de bebés em risco sem teste do pezinho

Capa do i i

10 de Junho. O dia em que Cavaco devia acalmar os portugueses
Seguro avança e quer evitar que a direita "apodreça" no poder
Passos e Portas ficam casados no governo e no parlamento
Cavaco processa director da "Sábado"
Miguel Portas sai da direcção do Bloco mas rejeita candidatura
CGTP. “Quem se prepara para governar já mandou a Constituição às malvas”
Seria "erro muito grave" juntar Justiça e Administração Interna, diz Marinho Pinto

Capa do Diário Económico Diário Económico

Tripulantes da TAP desistem da greve de dez dias
Wall Street sobe pela primeira vez em sete sessões
Fotogaleria: Os futuros ministros saem deste gabinete
Económico.pt mantém liderança com audiência histórica
Portugal a corrigir os desequilíbrios
Portas contrata Garcia Pereira para processar Ana Gomes
Sócrates vai viver para Paris e estudar Filosofia

Capa do Jornal Negócios Jornal Negócios

Tripulantes da TAP desconvocam greve
Redução do défice comercial dos EUA sustenta Wall Street
Jaime Gama quer início dos trabalhos parlamentares a 20 de Junho
Ministros gregos aprovam nova vaga de austeridade
Maioria dos portugueses entregou IRS pela Internet
Portas pede a Garcia Pereira para avaliar se há razões para acção contra Ana Gomes
Sindicatos desconvocam greves na CP

Capa do Oje Oje

Moody's coloca sete bancos portugueses em vigilância negativa
Estado volta ao mercado na próxima semana
Bolsa de Lisboa fecha a ganhar 0,3%
Trichet sinaliza nova subida da taxa de juro em Julho
Mercados dos EUA abrem a subir com défice comercial a recuar
Volume de negócios e emprego nos serviços diminuem em Abril
Associação espanhola de bancos propõe congelamento dos salários

Capa do Destak Destak

Godinho Lopes anuncia rescisão com José Couceiro por mútuo acordo
Governo antecipa aumento de 5,58% para bombeiros em greve e polícias civis e militares
CP fornece mais três comboios nocturnos para Cascais e Sintra na madrugada dos Santos Populares
Telefone e conta bancária de Kate Middleton invadidas
BBC vai transmitir suicídio assistido de multimilionário
Polícia tem feito "ginástica" para conjugar problemas financeiros com necessidades operacionais
Sindicatos desmarcam greve com garantia de pagamento do trabalho extraodinário pelo AE

Capa do A Bola A Bola

José Lima no Atlético... se o Sporting pagar
Copa América agridoce
«O Hulk gosta de Mano Menezes», diz empresário
Vasco dá preferência por Dedé
Porto-Lisboa faz 100 anos
«Se fosse médio não estaria na selecção» - David Luiz
Águias compram totalidade do passe de Enzo Pérez

Capa do Record Record

Takayuki Suzuki abdica do salário
Lazio anuncia Miroslav Klose
Yao Ming admite não voltar a jogar
Opção de Joe Gardener condiciona Lobos
Domínguez comenta atualidade colchonera
Reinaldo Ventura: «Só daqui a muitos anos é que nos vão dar valor»
João Betinho Gomes: «Quero repetir sensação de atuar no Eurobasket»

Capa do O Jogo O Jogo

Vazio directivo mantém-se após Assembleia-Geral
Valladolid mais perto da subida
França vence Polónia por 1-0
México: Federação suspende cinco jogadores por controlo antidoping positivo
Tiago: “Vou continuar no clube de que mais gosto”
BTT: Organização da Maratona 5 Cumes espera novo sucesso
Copenhaga: Caroline Wozniacki avança para quartos de final