No percurso de uns dois quilómetros, para chegar ao aldeamento dos Hmong deparo com duas crianças a colher pequenas flores, selvagens, no campo. Parei o carro e saí dele com a Nikon F3 preparada para disparar. Não as desejei perturbar dentro daquela cena bela, de duas crianças, quase nuas, a colher flores, em liberdade e esta que lhe foi roubada. Mas quando as tenras criaturas deram por mim e a roubar-lhes a privacidade e a liberdade de "apanhadeira" de flores, fugiram assustadas enquanto eu, como uma estátua, quedei-me a olhar aqueles pequenos seres a correr por causa da liberdade que eu lhes haja roubado..
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Ora vamos lá, também, divulgar as minhas vaidades das andanças por terras do Sudeste Asiático, por onde sigo desde há 34 anos. A "tara" da fotografia, chegou-me na casa dos quarenta e, praticamente, nunca me desloquei para qualquer lugar sem uma máquina fotográfica pendurada no ombro.
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Colhi imagens de alegrias, tristezas de vida, paisagens e algumas em zonas de guerra. Cambodja, Birmânia e campos de refugiados. De várias que tenho nos meus arquivos há uma que mais me sensibilizou e a imagem acima aposta.
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No último dia do ano de 1995, desloquei-me, acompanhado de uma jovem de nome Nikki, para me servir de interprete, ao Templo Thamkrabok (província de Lopburi-Tailândia), com a finalidade de assistir à desintoxicação de "drogados" de heroina e outras drogas duras.
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Mas na proximidade do templo e suportado por este havia 20 mil refugiados da etnia Hmong (Laos) a viverem nas mais miseráveis condições. Pedi ao monge principal que me deixasse lá ir. Debalde, porque aquele espaço não poderia ser visitado, não só pela miséria como recolher imagens.
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A minha acompanhante Nikki conseguiu demover o velho monge budista e seguimos para lá com determinadas recomendações.
José Martins

























