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Sou como o vento que nunca chego a saber para onde estou virado. Não sou pessoa de ficar de braços cruzados e alapar-me, dia a dia que nasce, na cadeira da minha secretária de trabalho. Uma necessidade, constante, de me raspar de Banguecoque e rodar por estas estradas da Tailândia.
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Levo 76 anos de vida e há sempre algo para conhecer fora de portas. Lá vou a rodar, só, no velho Honda Civic, preto, de 14 anos na minhas mãos e uma de dois anos antes.
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Em casa há um carro novo, bem mais confortável do que o "calhambeque" de 16 anos que me leva a todos os lugares que desejo do "País dos Sorrisos". Destinei esta viagem para as terras do centro da Tailândia: Lopburi e Ayuthaya..
A entrada da casa do Prof. Phuthorn Bhumadhorn, entre a ramagem de árvores e do lado esquerdo uma sala, palavra, deixada pelos portugueses na Tailândia.
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Um dia antes de partir de Banguecoque, telefonei ao meu amigo Prof. Phuthorn, de 23 anos, para almoçarmos juntos em Lopburi. Professor de arte, reformado e vai despendendo o seu tempo, entre várias actividades, a escrever, a preservar as coisas antigas da Tailândia e do meio ambiente.
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Um brilhante historiador, reconhecido pelo Governo de França que o condecorou com a Palmes Academiques em 1988 ( clique http://www.aquimaria.com/html/aboutth.html ) e a fonte onde muita boa gente, historiadores, vai beber e eu um modesto escrevinhador, também.
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O Prof. Phuthorn, informa-me que sim estaria em casa na quarta-feira e com monges budistas às 11 horas da manhã e estou em sua casa antes duas horas e percorridos 145 quilõmetros..
O jovem Phuthorn, explica algo à Princesa Real Maha Chakry, ainda nos verdes anos e já notabilizado pelos interessse na arte e sabedoria em cima da história.
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O notável senhor não perde tempo e dar nas vista fazendo conferências de salão e prefere viver, como um dia lhe chamei, "Eremita Cultural", na sua "courela" de um quilómetro de comprimento, entre as casas antigas de madeira de teca que a modernidade as faz perder e as vai trazendo para a sua tira de terreno e ali recuperá-las.
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Certamente não vai deixar como herança aos filhos, porque tem vivido solteiro, mas doar a sua obra para as futuras gerações tailandesas. Tudo por sua conta, sem subsídios, e construindo conforme as suas possibilidades monetárias. Há anos disse-me. "um funcionário público ganha pouco...! O parco, mesmo agora de sua reforma, lhe basta seguir em frente seu projecto.
Um candeeiro de iluminação, pública, do tempo de quando a electricidade surgiu em Banguecoque, em finais do século XIX. E na primeira década do século XX o Cônsul de Portugal, em Banguecoque, Leopoldo Luis Flores informava a Secretaria do Estado dos Estrangeiros, em Lisboa, que tinha mandado electrificar a residência e numa passagem do ofício: "esta casa é muito grande e não pode ser alumiada com candeeiros de petróleo e mandei instalar 3o lâmpadas.
Uma sineta que serviu, séculos atrás, de anunciamentos.
À entrada do portão para as casa e do lado esquerdo está uma velha Sala, trazida não sei de onde e colocada ali. Salas há-as por toda a Tailândia. Um ponto de referência para conversar, esperar um transporte na berma da estrada, ou mesmo dentro do jardim ou quintal de uma residência. Sala é uma palavra, portuguesa, acrescentada ao vocabulário da língua tailandesa.
Uma casa, antiga, de madeira de teca, irremediavelmente perdida, vai ser-lhe dada a vida de outra era no espaço do Prof. Phuthorn. Milhares destas joias, residênciais, foram destruídas de quando a crise do desenvolvimento na Tailândia que surge na década de oitenta do século findo. O cimento e o ferro toma-lhe o lugar.
Um artesão, serra e prepara tábuas da eterna madeira de teca para recuperar uma casa que aos pedaços chegou ali
O trabalho de reconstrução será moroso, mas concluído. Um belíssimo armário que foi de casa de algum nobre, siamês, com arrojados entalhes, no topo, executados por mão de mestre entalhador.
Ainda não está concluída a casa do Prof. Phuthorn, construida a base de cimento e em cima uma enorme sala de madeira onde, agora, sem finalizada, apetece ali permanecer, porque o espaço não tem paredes e o ar entra-lhe por todos os quatro lados. A vista dali é assombrosa tendo pela frente os campos de milharais e mais além o cenário das montanhas majestosas de Lopburi.
Ontem o Prof. Phuthorn, fez 60 anos, cinco ciclos de vida de doze anos cada. Muito inportante na vida dos tailandeses. Os monges budistas em sua casa ontem, foi para o abençoar e uma taça com comida e doçarias, tradicionais, foi colocada pelo historiador junto a um magote de arbustos, onde pelo meio crescem canas de bambu dizendo-me ele, que o bambu além da força resistente da natureza pertence a um símbolo da felicidade.
O "Foi Tong" fio de ovos e herança portuguesa deixada na Tailândia, estão os fios de ouro ( Foi Tong na língua tailandesa). A doçaria mais popular na Tailândia. Os da imagem são os verdadeiros e tal qual como os confecciova, Maria de Pina Guiomar, luso japonesa, em Lopburi, no Palácio do Rei Narai o Grande na década 70 do século XVII. No prato e ao lado do "Foi Tong" está o Tonguion, de gemas de ovos, de orígem portuguesa.
Depois da bênção budista, o Prof. Phutorn, ajudado por um amigo, prepara a comida e almoço de 9 monges.
Os monges budista fazem as suas rezas tem nas mãos um fio que simboliza a força da união no caminho do bem e da tolerância. Assim foi tolerada a integração de outras religiões na Tailândia e os missionários do Padroado Português do Oriente os primeiros a introduzirem o catolicismo no século XVI.
De joelhos, o Prof. Phuthorn recebe a benção de seis ciclos de vida que os usou ao serviço do bem, da história e do ensino.
O monge budista, depois da benção desce as escadas e com seus irmãos seguem para o templo.
José Martins
























