Henrique Calisto capa de revista e a última imagem ao serviço do Muangthong United
.
Para mim não causou surpresa a saída de Henrique Calisto, depois de 7 meses como treinador do clube de futebol o Muangthong United da capital tailandesa.
.
Fowler com a camisola número 9, numa, das várias, apresentações à comunicação social. A seu lado esquerdo o diretor-geral do Muangthong United Ronnarit.
.
O profissionalismo de Calisto há cerca de dois meses foi ofendido pela política interna dos diretores, jovens, que de futebol percebem como eu de lagares de azeite, mas entendem que nos meandros do futebol também se pode ir em frente com o "marketing" com ótimos negócios, mesmo que sejam por curto espaço de tempo, explorando a paixão, pelo futebol, dos adeptos do clube.
.
Fowler no primeiro jogo e nos 20 minutos finais e a única oportunidade que lhe vimos de fazer um "golito" que não fez.
.
Em fim o futebol é máquina de oportunidades e os dirigentes não necessitam de amor clubista, porque este é para os que sentam nas bancadas a gritar, a sorrir e sofrer quando o clube não enfia a bola e chega ao fundo das redes.
.
Mas Calisto não rescindiu, ao fim de 7 meses, o contrato que efetuou por dois anos com Muangthong Thong, por indecente e má figura, mas pelo intrometimento na sua atividade, profissional, não aceitando o ser humilhado pelos diretores lhe meterem o "bedelho" no plantel que moldava.
-
Fowler-mania não passou despercebida ao jornalista, da televisão que entrevistou Henrique Calisto no dia da apresentação da ex-estrela, inglesa, do Liverpool.
.
Mas eu conto com conhecimento de causa e acompanhamento da atividade de Henrique Calisto desde que chegou a Banguecoque e firmou um contrato, por dois anos, com o Muangthong, que seria divulgado, na comunicação social como o mais oneroso, até hoje, firmado na Tailândia.
.
No dia da apresentação do Fowler aos adeptos do Muangthong e o delíro da bancada. O cartaz designa: Bem vindo Deus. Nós te amamos Robbie e a camisola 9 MTU"
.
O princípio das silenciosas divergências têm início a 3 de Julho, último a que eu e outro patrício, residente em Banguecoque, Marco do Vale, acidentalmente, demos conta de uma conversa, em língua inglesa pelo telefone, entre Henrique Calisto com alguém do outro lado que não sabia quem era nem tão-pouco, me aventei, ao fim da chamada, a atrevida pergunta.
.
Marco do Vale (esquerda) e Henrique Calisto (direita) à entrada da ponte em cima do Rio Kwai, no domingo de 3 de Julho último.
.
Ora isto aconteceu no domingo do passado 3 de Julho e de quando, se abastecia a viatura numa estação de serviço, a caminho de Ayuthaya para mostrar o "Ban Portuguet" (antiga aldeia dos portugueses) a Calisto e dali seguirmos para Kanchanaburi para visitarmos a ponte em cima do rio Kwai. A conversa foi demorada e de Calisto apenas ouvia: "this guy is too old, and good 10 years ago" (esse rapaz é velho e foi bom há 10 anos).
.
O Fowler depois de autografar uma das bolas, chuta-a para a bancada para um felizardo possuir o troféu inesquecível do famoso, quando era novo e agora velho e cansado.
.
Mas depois de Ayuthaya e almoçados. ali, de galinha assada num barracão/restaurante e a rodar para Kanchanaburi com o Calisto a passar pelas brasas, no assento de trás, o toque do móvel veio disturbar-lhe o sono de justo e da sesta depois do almoço. A conversa foi a mesma de antes: "this guy is too old, and good 10 years ago" (esse rapaz é velho e foi bom há 10 anos).
.
O felizardo que agarrou a bola, autografada, chutada pelo Fowler exibe-a triunfantemente.
.
Henrique Calisto, silenciou-se, como na primeira chamada sem informar qual assunto, mais tarde viria a saber que as duas conversas de 3 de Julho o estavam a tramar e a meter o bedelho na sua atividade o de moldar a sua equipa e levá-la, com nos dois anos anteriores, a campeã da Copa da Tailândia.
.
No dia da apresentação todos querem, para recordação, uma foto junto ao Fowler.
.
A conversa havida nesses dois telefonemas entre o diretor geral do Muangthong United e Calisto seria para contratar, um futebolista inglês (na proximidade dos 37 anos), chamado Robbie Fowler e atleta do ex-Liverpool e considerado no seu auge um goleador, mais ou menos, como o nosso Cristiano Ronaldo. Ali não havia o interesse do jovem diretor se o Fowler era velho/novo mas usar o seu nome para ótimo "marketing".
.
A apresentação do "famoso" de outras eras foi estrondoso, festa de arromba entre os adeptos do clube, centenas de camisolas do clube com o nome, e número 9 estampado do Fowler.
.
Ao Fowler, no relvado, foram lhe dando uma bola e depois chutando-a, com seu nome, pelo seu punho autografada para a bancada e apanhada sob o delírio dos adeptos. Eu junto ao relvado com duas máquinas, a registar em imagens e coisa (ignorância minha das coisas do futebol) que nunca antes tinha assistido.
.
Uma multidão de gente da comunicação social na sala de imprensa e na apresentação do Robbie Fowler.
.
Henrique Calisto bem sabia que o Fowler "um cavalo cansado" não poderia usá-lo durante 90 minutos, mas alternadamente, em jogos inseriu-o por uns vinte minutos. Em 5 jogos o ex-fazedor de golos do Liverpool, não viu a rede, mesmo sendo a sua posição junto a ela. Não meteu um golito, ou mesmo "franguito" fosse.
.
A guerra, silenciosa, está aberta entre Calisto e o diretor-geral que pretende ver o Fowler a jogar durante os 90 minutos. Depois esta guerra (não sou testemunha de nenhuma) passa à palavra e, penso, o cúmulo depois do empate 0 a 0 no passado dia 27 com Kweit S.C., no jogo, em casa, dos quartos final, que colocou de fora o Clube do Calisto.
.
Segundo o director-geral, o homem que contribuiria para a vitória seria o "cavalo cansado" Fowler se tivesse jogado os 90 minutos, mas apenas, os 20 e nestes não viu o guarda-redes nem corridas à bola.
.
Robbier Fowler na conferência de imprensa que concedeu à comunicação social.
.
Eu estive a dois passos do relvado e bem observei, como outros milhares de pessoas sentadas na bancada que o famoso goleador ex-do Liverpool (que nenhum clube da Europa o pretende para nada) é como um "Cavalo Cansado".
.
Calisto, outro profissional honesto igual o faria. amigavelmente, rescindiu o contrato com o Muangthong. Calisto fe-lo, assim como eu lhe disse, na altura própria.
.
Para terminar: "Henrique Calisto na altura que escrevo esta peça, voa a caminho de Portugal e prevejo que brevemente vai voltar à Ásia e nesta área do globo, onde goza prestigio, vai continuar a sua carreira profissional de técnico/treinador de futebol.
.
A seguir segue uma peça colocada, ontem, num blogue de fãs do Muangthong onde o autor lamenta a saída de Calisto e o lugar dele ser tomado pelo Fowler. "A sopa não é para quem a miga...mas para quem a come!"
.
José Martins