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terça-feira, 20 de novembro de 2012

ERROS PASSADOS REFLETIDOS NO PRESENTE...!!!



Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012

"O erro foi não os termos fuzilado a todos"

 
Trinta e Oito anos depois, o 25 de Abril e o pós-25 de Abril continuam a ser histórias muito mal contadas e sobre as quais ainda há muito a esclarecer...
Há alguns dias atrás, estava eu tranquilamente a passar no largo D. Dinis em Coimbra quando dou de caras com um velho amigo cujas memórias merecem ser passadas a escrito, pois perdê-las é perder um retrato único e extremamente informativo sobre o passado recente da nação portuguesa.
A pessoa em questão é um veterano da Guerra Colonial e um arrependido participante no golpe do 25 de Abril. Arrependido porque nas suas próprias palavras:
"Se eu soubesse na altura como o país ía ficar, nunca teria feito o 25 de Abril. 25 de Abril para quê? Para o país ficar na merda em que está?"
Entretanto, ocorre-me à ideia o facto de ter lido uma entrevista de Marcelo Caetano em que o próprio insinuava que os blindados que participaram no 25 de Abril, na sua larga maioria, não tinham munições e se as tinham eram muito poucas.  
Com a minha natural curiosidade, aproveito o facto de estar a falar com um militar que participou no golpe e pergunto-lhe se era verdade, se de facto não tinham munições nos blindados ou se tinham, as mesmas eram muito poucas? 
Assim me respondeu o sujeito:
"Tinhamos, tinhamos, isso posso-lhe garantir. Os blindados tinham munições, todos eles tinham munições."
Desisti de insistir mais na questão e conversa puxa conversa, ao fim de uns minutos o senhor com um ar nitidamente decepcionado, mas muito zangado e revoltado diz-me: 
"O erro foi não os termos fuzilado a todos. Deviam de ter sido todos abatidos. Não era os fascistas, porque esses até havia muitos que eram honestos e pessoas de bem. Quem devia de ter sido fuzilado foi toda aquela canalha com imensas fortunas que fugiu para o Brasil e para outros países depois do 25 de Abril. Deixámo-los vivos para quê? Para depois nos agradecerem fugindo com o dinheiro do país?"


João José Horta Nobre
Novembro de 2012
Nota: Transcrevi a minha memória da conversa da forma mais fiel que consegui e sem quaisquer alterações. Omiti o nome do militar em causa de forma propositada.