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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pedro Passos Coelho: líder de uma geração que já não tem nada a perder

Não há de faltar muito a continuar por este caminho, para termos uma ditadura militar em Portugal...
Só espero que se chegar o dia em que tenhamos uma ditadura militar, os Generais mandem fuzilar a canalha toda de todos os partidos... abram uma vala comum encham-na com os corpos da canalha que tem estado a arruinar este país desde 1974, se precisarem de atiradores para os fuzilar eu ofereço-me como voluntário e de consciência tranquila, afinal de contas, o que tenho eu a perder? - Escreveu: João Nobre
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Perfil
07.06.2012 - 14:02 Por Teresa de Sousa

Passos Coelho foi eleito a 5 de Junho  



Passos Coelho foi eleito a 5 de Junho (Foto: Daniel Rocha)
Há sempre três dimensões num retrato político. O personagem, o seu pensamento e a circunstância. O do primeiro-ministro ainda está apenas em esboço. Porque "entrou e saiu" da política. Porque rompeu com a aristocracia do seu partido. Porque apostou - por táctica ou por convicção - num pensamento de matriz liberal que não faz parte da tradição política nacional. Porque representa uma nova geração de políticos que só conheceram a democracia.


Texto originalmente publicado na revista 2, de 3 de Junho de 2012

Desvendar o mistério chamado Pedro Passos Coelho continua a ser, um ano depois da sua eleição, um exercício arriscado. A História ainda pode ser generosa com ele, se a história desta crise acabar bem e não demasiado tarde. Mas também pode vir a ser implacável. Hoje já menos gente se atreve a subestimá-lo. Continuam a prevalecer, todavia, duas narrativas sobre ele à espera da prova dos factos. Aquela que o descreve como um político sem dimensão e sem pensamento, que se limitou a aproveitar uma oportunidade. A que o vê como o intérprete de uma nova geração e de uma nova visão, autónoma em relação ao passado, mais ousada em relação ao futuro, que constitui, no fim de contas, o único caminho que falta experimentar para libertar o país das amarras do atraso estrutural e de algumas ilusões europeias. Para este retrato, todas as perguntas são legítimas. As respostas são ainda muito incompletas.
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No fim da tarde, o Palácio de São Bento está silencioso e tranquilo. Reina a ordem no seu gabinete. Lá fora desenrola-se uma tempestade política. O primeiro-ministro tem e não tem tempo a perder. Durante duas horas, o telefone não toca. Olha apenas uma vez para o relógio. Não muda de posição. Raramente deixa transparecer um sinal de irritação. Não, a palavra é excessiva. Talvez seja melhor dizer algum incómodo. Explica tudo o que entende que deve ser explicado. Não faz cedências. Uma parte do mistério que ainda envolve o personagem começa aqui.
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Passos Coelho é um sedutor. Pelo trato, pela educação, pela afabilidade, pela cortesia. Depois, há uma parede de vidro, invisível, que rapidamente se percebe que é intransponível. Quando foi eleito líder do PSD, em Março de 2010, toda a gente quis saber quem era o homem que ousara desafiar a oligarquia cavaquista. Dos grandes espaços africanos à dureza de uma aldeia transmontana. A imersão precoce na política. A liderança da JSD. O desprendimento da política. "Entrou e saiu", "liga e desliga com uma enorme facilidade". Sem alarde. E sem cobranças. Regressou para liderar um país em plena tormenta. Entre a cordialidade e a distância, há um campo difícil de decifrar. 
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Que apenas se pode intuir. Mário Soares nunca escondeu a simpatia pelo personagem, incluindo nos momentos politicamente mais inoportunos. Ninguém como ele sabe separar as ideias das pessoas. "Gosto dele porque é simpático e inteligente, mas eu sou um socialista e ele é um neoliberal". O que parece não ter grande importância. "Há dias, logo a seguir a eu ter dito o que disse sobre o Governo e sobre a troika, encontrámo-nos numa coisa pública e ele cumprimentou-me com a simpatia de sempre." 
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Aparentemente, Passos retribui. Nunca cortou as pontes com Soares. "Talvez sejam os dois muito ciosos da sua própria autonomia". Talvez. Soares simboliza a história da democracia portuguesa. Passos a geração que pela primeira vez se libertou do momento da ruptura com o antigo regime e da visão que emanou dessa ruptura. A democracia rotinizou-se. Os políticos também. Vai um mundo entre eles. Passos Coelho foi, no entanto, o primeiro primeiro-ministro de um governo de centro-direita a comparecer no Parlamento no dia 25 de Abril exibindo um cravo vermelho. Sinal de libertação?
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Há qualidades de carácter que o definem e que um ano de governo através da maior crise vivida pela democracia portuguesa não parece ter conseguido alterar. Assunção Esteves, a Presidente da Assembleia da República que resultou do primeiro "erro" cometido pelo novo primeiro-ministro (a escolha falhada de Fernando Nobre para segunda figura do Estado), não faz parte do círculo mais próximo. Foi, no entanto, uma das suas principais apoiantes no PSD. 
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Sobre o carácter, resume tudo numa frase: " É de uma seriedade inatacável. E tudo o que é transparece, como dizia Torga". Sérgio Sousa Pinto, que coincidiu (por pouco tempo) na liderança da Juventude Socialista quando Passos Coelho chagava ao fim dos seus três mandatos à frente da JSD, é categórico. "Quando a JSD estava muito descredibilizada pela sua relação íntima com o poder - era quase um Estado dentro do Estado, ou um partido dentro do partido, no auge do cavaquismo - ele conseguiu injectar-lhe alguma autonomia. (...) 
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Era muito articulado, muito sólido, inteligente." Nessa altura, "fazia uma crítica pela esquerda ao cavaquismo". No PSD, há uma geração que se formou nessa JSD que lhe é fiel, até quando parece estar ideologicamente distante. Talvez porque compreenda que este é o momento dela. Chegou ao poder num tempo de tormenta em que tudo se joga. Se correr mal, sai de cena. Sem contemplações. Provavelmente, a crise transformará os portugueses em gente mais exigente e com mais memória.
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Que geração é esta? Está já distante da geração dos fundadores que ainda hoje pesa sobre a paisagem política do país. Distingue-se da geração seguinte, dominada por gente que vinha das academias ou da elite intelectual. Como António Guterres ou como Cavaco Silva. "É uma nova geração que se fez nas juventudes partidárias e nos aparelhos dos partidos", diz o académico e historiador António Costa Pinto. "Passos, Sócrates ou Seguro." De gente normal? "Faz todo o sentido dizê-lo". "A nossa democracia é relativamente jovem e deu origem a uma classe política também relativamente jovem que fundou os partidos, que os rotinizou e que os levou ao poder". 
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Era uma geração que, paralelamente à vida política, se tinha destacado pela sua vida profissional. A geração actual apresenta duas diferenças que podem ser vistas como problemas. "A primeira é banal e seria quase inevitável: já nasce com o perfil clássico de um político profissional criado nas juventudes partidárias". A segunda é particular e é nova. "Portugal não tem, como a Inglaterra ou a França, poderosos centros de formação de elites onde a elite política também é gerada e testada antes de chegar à vida política profissional". Pedro Passos Coelho faz parte dessa rotinização democrática sem a componente elitista. "Há, por isso, uma certa insatisfação com a chegada ao poder desta geração que não se destacou em nada e que é mais difícil de ler".
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Pedro Passos Coelho encaixa e não encaixa nesta definição. O historiador não é muito sensível ao argumento do seu afastamento da vida política por longos períodos. Não é um outsider nem veio de uma carreira de reconhecida independência. "Foi para o mundo empresarial mas de uma forma muito protegida, muito ligada ao próprio partido e aos seus notáveis."
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Outro historiador, que vê Portugal à distância de Dublin mas não esconde a sua proximidade política com o personagem, não vê as coisas sob o mesmo prisma. "Para mim, passou muito pouco tempo para começar a criar estes grupos. Vejo as coisas mais pela dimensão da tarefa e menos pela personalidade política". Filipe Ribeiro de Meneses destaca as circunstâncias do exercício do poder, "muito mais exigentes" - "Salazar era dono do seu tempo, hoje nenhum primeiro-ministro é dono do seu" -, e a cultura de uma nova geração que já não tem nada a perder. "As gerações anteriores são as que ditam os parâmetros mas são também as que têm os empregos e as reformas assegurados, nós não.
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" É este também o novo lado da "normalidade" de Passos, a situação absolutamente anormal em que governa. José Pacheco Pereira, hoje distante da política e ainda mais da nova geração do PSD, é muito mais contundente. "Os políticos que são formatados nas juventudes partidárias são movidos por uma mera ambição de poder. (...) Sabem pouco sobre o país, são formados numa redoma, sempre num trem de vida muito associado ao poder político, com empregos dependentes do Estado e das autarquias, tudo num circuito muito fechado". Passos Coelho "não é diferente."
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A sua geração não pensa necessariamente assim. A vida profissional marcou-o muito. "Regressou diferente depois de ter passado pelas empresas. Notou-se uma grande diferença no seu pensamento político", diz um velho companheiro da JSD. De resto, "era como se nunca tivesse saído da política, a mesma intuição, o mesmo interesse pelas pessoas, o mesmo prazer no exercício da política, o mesmo conhecimento do partido." O próprio, numa entrevista ao PÚBLICO em Fevereiro de 2009, depois da sua primeira tentativa de conquistar a liderança, se define como um político dos pés à cabeça. "Vejo-me como um político, é uma coisa que nasce connosco", independentemente dos cargos que se ocupam ou não ocupam em cada momento.
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Reduzi-lo a uma só dimensão, seja ela a da "formatação" operada pela JSD, ou a experiência empresarial, seria um tremendo erro. Passos Coelho não tem um percurso normal. Sai de cena com demasiada facilidade e sem cobrar nada. Viveu uma vida demasiado pouco convencional para que isso não constitua um traço do seu carácter. "Na maior parte da minha vida, fiz coisas que não eram expectáveis", diz na mesma entrevista. "Fui pai muito mais cedo do que era usual, fui trabalhar antes de ir para a faculdade, fui, aos 21 anos, viver com uma mulher por quem me apaixonei, sem ter casado, casei quando a minha filha mais velha nasceu". Por isso, não frequentou as melhores escolas onde as elites se educam. Formou-se de outra maneira. 
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A rotinização da democracia passa também por aqui. A elite olha-o de revés? É normal. Ele olha de revés para a elite que trouxe o país até aqui. Não acha que tenha feito grande trabalho. Quando regressou ao partido para iniciar o caminho em direcção à liderança, voltou a colocar a ideologia em cima da mesa. A partir de meados dos anos 80, "o PSD enfraqueceu deliberadamente a sua visão ideológica e programática (...) e tornou-se uma espécie de arauto da tecnocracia" (Maio de 2009). A tecnocracia passou a ser um bom pretexto para se governar ao centro. A política despolitizou-se. Hoje não pensa muito diferente quando analisa o percurso que trouxe o país até aqui. Governou-se sempre para o curto prazo.
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No fundo, foi essa elite que abriu o caminho para uma oportunidade "liberal". Que ele aproveitou. Para ocupar um espaço de diferenciação que estava livre? Por convicção política? Porque chegou até aí? A controvérsia está, naturalmente, instalada.
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Na JSD, apresentava-se pela esquerda social-democrata. Foi "vice" de Marques Mendes durante um breve período de tempo (2005-2006). Reaparece para se candidatar à liderança em 2008, já como representante do pensamento mais liberal dentro do seu partido.
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Marca uma ruptura com a cultura política tradicional da direita portuguesa onde o liberalismo nunca criou raízes. Durão Barroso chegou a fazer um ensaio no mesmo sentido, rapidamente apagado pela composição do seu breve Governo entre 2002 e 2004. António Borges chegou a sonhar com a liderança do PSD. (Hoje está muito próximo do primeiro-ministro e é certamente uma das pessoas que mais o influenciam em matéria económica). Passos transformou esta pulsão numa proposta política. Transformou? 
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Esta é uma história que se vai fazendo de opiniões distintas e de contradições. "Limitou-se a ocupar o espaço que estava vago", diz alguém que o acompanhou durante algum tempo nesta caminhada em direcção ao poder, e que prefere preservar o anonimato. "Carregou as cores para fazer a diferença", admite um antigo companheiro da JSD. O que se compreende. "O país era uma planície ideológica". "O Estado tinha ido demasiado longe". Meia dúzia de bandeiras chegaram para provocar a polémica. A ideia do Estado-garantia. A privatização da CGD. A liberalização do despedimento individual.
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Há uma ruptura política, que tem a ver tanto com o pensamento como com a realidade. A cultura política dominante trouxe-nos até ao muro. Era o momento de propor outra coisa. Nesse sentido, esta ambiguidade alimenta as duas interpretações possíveis.
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Nada é consistente na sua opção "liberal", diz Pacheco Pereira. "É uma cultura superficial, formada nos blogues, que não resiste ao confronto com a realidade porque desconhece essa realidade." Não faz segredo das suas críticas. São públicas e, geralmente, bem fundamentadas. "Não se é um genuíno liberal quando se parte do liberalismo económico, só se é verdadeiramente liberal quando se parte do liberalismo político". Um programa reduzido ao mero liberalismo económico dá como resultado, por exemplo, "uma alteração radical no equilíbrio das relações de trabalho que nem sequer tem a ver com as necessidades da economia". Refere-se à reforma laboral negociada com a UGT. Concluiu que Passos tem uma "ideologia conjuntural" que oscila conforme as conveniências.
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António Costa Pinto vê as coisas de outra maneira. "Ele tem uma experiência política muito grande, sabe que o pragmatismo tem dominado a acção dos políticos na democracia portuguesa, sabe que a grande maioria da sociedade portuguesa não partilha valores de natureza liberal nem os aceita bem". E, mesmo assim, "não hesita em afirmar esses valores".
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"A troika deu-lhe uma oportunidade que provavelmente não teria de outra maneira", diz um alto quadro da finança, referindo-se ao programa de ajustamento com o qual o país se comprometeu a troco do financiamento externo. "É difícil distinguir o que resulta do seu pensamento e o que resulta do programa da troika, que é claramente enformado por estes princípios [liberais]". 
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O que é de Passos e o que resulta das circunstâncias? "Omaître à penser do Governo é o ministro das Finanças, e ele é claramente um liberal no sentido clássico, bem fundamentado. O facto de o primeiro-ministro o ter ido buscar ou de ter chamado António Borges vai no mesmo sentido." É suficiente para sustentar um programa e para deixar uma marca? "O problema é que Passos Coelho ainda não tem a densidade ideológica para pensarmos nele como uma referência de pensamento".
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Costa Pinto, de novo: "Para mim, que ele aproveita a oportunidade da troika para realizar o seu programa é claro, mas o mais interessante é a componente discursiva". Aquilo que as pessoas classificam de gaffes, não são gaffes. "Ele tem arriscado um discurso liberal em áreas raramente afloradas: o elogio da emigração, o desemprego como oportunidade e como mobilidade... É isto que me parece novo". Está a afirmar um conjunto de crenças políticas que foram feitas em conjunturas críticas de outras democracias. 
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"[A primeira-ministra britânica] Margaret Thatcher assumiu esse risco numa conjuntura extremamente difícil e reformou, efectivamente, a relação entre o Estado e a sociedade inglesa..." Não terá muito tempo. Mas tem uma "janela de oportunidade que é o programa da troika imposto pelos credores, a ausência, até ver, de grandes movimentos de contestação social, e a posição difícil em que se encontra o PS". Depois, haverá um novo ciclo eleitoral. 
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Ao historiador resta uma dúvida. "Este modelo vai consolidar-se ou vai desfazer-se contra a realidade e obrigá-lo a ser rapidamente muito mais pragmático?" Estamos a falar do discurso e das pessoas. Aplicar um programa que opere uma mudança é muito mais complexo. "O resultado até pode ser o inverso", avisa o mesmo quadro financeiro. "O programa da troika aplicado nas circunstâncias em que está a ser, num país sem soberania financeira e condicionado pela dívida, acaba por ser um projecto de libertação da sociedade civil conduzido pelo Estado". 
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Da forma mais pura e mais dura, através de uma direcção central que começa no topo e que se impõe ao resto da sociedade, porque as pessoas não têm sequer condições para resistir. É esta a ironia. Que não retira mérito ao personagem. "Veio de Trás-os-Montes, tinha ambição política, tem qualidades de liderança e qualidades humanas, foi andando, inspirou-se aqui e ali e foi construindo o projecto em que hoje acredita".
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Pode ganhar esta batalha. "Se as coisas correrem bem, aqui e na Europa, ele levou-nos lá." Receberá o prémio. Sozinho. Também pode haver uma catástrofe. "Mas, nesse caso, provavelmente o sistema político teria de refazer-se de cima a baixo".
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Seja como for, não se faz esta aposta de ânimo leve. É de altíssimo risco. Exige uma grande firmeza. E, provavelmente, também uma grande convicção.
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"Ele é um falso moderado", diz o sociólogo Manuel Villaverde Cabral. " E tem esse instinto liberal, o que, em Portugal, ainda é uma raridade em política." Fala para quem, num país dependente do Estado até nas mentalidades? Pode falar para "uma grande camada social, dos chamados pequenos e médios empresários que gostariam de enriquecer trabalhando, que nunca tiveram voz política neste país". Quando diz que o desemprego é uma oportunidade, há uma parte do país que o entende. Aquele que costuma dizer: "Não há falta de trabalho, há é falta de gente que queira trabalhar". "O problema é que como este pensamento, que não tem tradição, também não tem pensadores", diz Villaverde Cabral. A sua "gaffe" sobre o desemprego teria feito todo o sentido, "se tivesse sido acompanhada por uma iniciativa política". "Ora, o Instituto de Emprego e Formação Profissional está conceptualmente ultrapassado - seriam precisas políticas activas de emprego liberais". "Novas".
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Há o discurso. Falta o programa? "Há mais vontade liberal do que tem havido capacidade de executar as reformas". "O Governo de Passos Coelho ainda tem um duplo rosto: o que olha o passado e o que olha o futuro. O rosto de Vítor Gaspar e o rosto de Miguel Relvas." Um dia, terá de se libertar da troika e de se libertar do partido.
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Um ano não chega para saber se será capaz. Mas um ano chega para perceber que o primeiro-ministro não recuará facilmente. Nem perante o desemprego que ultrapassa as previsões. Nem perante o discurso do "crescimento". Nem perante as pressões do partido.
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Há um acréscimo de convicção ideológica que o distingue. Manuela Ferreira Leite poderia adoptar medidas de austeridade (quase) tão duras em nome da necessidade de quebrar a espiral do endividamento. Fá-lo-ia em nome da necessidade. Provavelmente um governo socialista não poderia fazer muito diferente. Passos Coelho fá-lo em nome de uma ruptura. Que não surgiu do nada. Há já um longo caminho percorrido por uma geração que queria tomar o PSD por dentro. Começou no Compromisso Portugal, que foi a primeira tentativa para construir um pensamento liberal assente numa nova geração. Misturou muita gente nova mas ainda muitos dos interesses mais instalados. Durão Barroso acabou por não aproveitar essa onda. Sócrates chegou a absorver parte dela. Passos deu-lhe continuidade.
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Os seus apoiantes mais próximos reivindicam para esta nova leva "liberal" um longo trabalho de casa. O movimento "Pensar Portugal" foi o primeiro movimento lançado para "reflectir estrategicamente sobre o país", diz Teresa Leal Coelho, vice-presidente da bancada do PSD no Parlamento, muito próxima do líder. Nasceu em 1998, mas foi ainda uma iniciativa da sociedade civil. Uma forma de "democracia participativa", a partir de um núcleo restrito mas aberta ao debate com os vários sectores da sociedade. "Foi intenso. Reuníamos quase uma vez por semana. (...) Essa reflexão partia do sentimento de que o país tinha chegado a uma encruzilhada, tentávamos elaborar um conceito estratégico adaptado ao mundo global. Discutimos muito a Europa". Tinham um "desígnio político". Mais tarde a Plataforma Construir Ideias deu continuidade a esta reflexão mas já tendo em vista a candidatura de Passos Coelho à liderança do PSD. Passou a ter uma ambição programática. Consolidou um grupo.
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Talvez por isso, Teresa Leal Coelho não veja esta ruptura ideológica como um risco demasiado grande mesmo num país sem tradição liberal e com uma enorme dependência do Estado. Voltamos às gaffes que não são gaffes. Pedro Passos Coelho fala para um país que não existe? "Não sei se é tanto um país que não existe mas um país que nós pensamos que não existe (...) As afirmações que são percebidas comogaffes são mal recebidas pela nomenclatura que as filtra por razões dogmáticas". Invoca o liberalismo político que Pacheco Pereira pensa que não existe. "O liberalismo político é uma corrente ideológica ou uma filosofia política que parte da primeira das verdades: que todos nascemos livres e iguais". Tão simples como isto? "Ele diz que qualquer pessoa deve viver com dignidade e com honra, e os comentadores gozam com isso."
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Há naturalmente uma ruptura geracional. "Eu gosto de chamar-lhe a geração da queda do Muro de Berlim". Foi esse acontecimento que marcou a sua formação política. Mais do que o 25 de Abril. "É uma geração que não pede desculpa por viver em liberdade". Talvez essa geração seja mais permeável aos ventos da Declaração de Independência dos Estados Unidos e às concepções de liberalismo político de matriz mais anglo-saxónica. No livro que publicou em 2010, antes da sua candidatura vitoriosa à liderança,Mudar, Passos fala da responsabilidade de uma "geração democrática" que chegou à idade madura, "que não experimentou outras vivências não democráticas e que, não tendo termo de comparação, se tornou mais exigente e mais impaciente com o actual estado de coisas."
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Talvez haja ainda uma segunda chave para compreendê-lo e que é a forma como olha para o mundo. Acusam-no de não ter um discurso europeu. Nunca chegou a ver a Europa como um ideal e é isso que também o distingue das gerações anteriores que lideraram o país. A Europa já não é a matriz do seu pensamento político.
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Não foi uma coisa que surgiu agora, perante a crise existencial do projecto de integração europeia. É mais antiga. Quando liderou a JSD não escondia uma visão mais "soberanista" da integração europeia. Sempre preferiu a Europa dos Estados ao Estado europeu. Escreve, no seu livro: "[Fomos] ingénuos ou provincianos, ao fazermos de conta que queríamos ser apenas europeus, buscando a riqueza na Europa, enquanto ela própria precisava de a ir buscar a outros lados onde nós, por incrível que pareça, estávamos mais próximos". 
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Filipe Ribeiro de Meneses admite que o seu pensamento europeu não encaixa necessariamente na cultura política própria da União Europeia. "Não sei, por exemplo, o que pensa da manifesta perda de poder das instituições europeias supranacionais. Se pensa que devem ser os governos a dirigir a Europa. Ou qual o modelo que mais beneficia Portugal". Não iria ao ponto de dizer que é "pós-europeu". Aceita que o seu pensamento é "mais global do que europeu, encaixa num modelo mais anglo-saxónico."
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Assunção Esteves, cujo pensamento federalista é conhecido, diz que ele está a evoluir. Quem se senta à mesa do Conselho Europeu aprende depressa. Já vimos antes outras "conversões". Além disso, a Europa passou a fazer parte da política interna - saiu das Necessidades para São Bento. A crise colocou-a na sua agenda diária. Os efeitos da aprendizagem são visíveis, mesmo que mais por necessidade do que por convicção.
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Hoje, diz com absoluta tranquilidade que a crise vai obrigar a Europa a avançar no sentido de uma maior integração - vai ser preciso somar à união monetária a união económica e esta implica um grau elevado de união política. Mas não corre a foguetes. Não espera que os líderes europeus se reúnam numa noite e decidam criar um "governo europeu". Não há condições nem há vontade política. Não acredita nessa espécie de "vanguardismo". Sabe, apenas, que é esse o caminho para salvar o euro, para salvar a Europa e para salvar o país.
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Não deixa por isso de olhar para a Europa com uma boa dose de cepticismo: ou consegue adaptar-se às novas exigências da globalização, competindo em campo aberto com as grandes potências e os grandes espaços emergentes, ou entrará em declínio. "Podemos admitir que a Europa possa ficar a marcar passo, presa a um certo proteccionismo que preserve o chamado Estado social europeu, ou que acelere as suas reformas e se prepare para uma maior abertura e competitividade externa", escrevia em 2010. Antes de a crise explodir.
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"É talvez um pós-europeu que não deixa de perceber que, sem um pé muito firme na Europa e uma forte relação com o seu centro, não valemos tanto lá fora", diz Teresa Leal Coelho. Em África, no Brasil e, sobretudo na Ásia. "Qualquer que seja o caso, Portugal deverá preparar-se (...) para fazer valer a sua inserção estratégica na Europa e a sua aposta numa estratégia atlântica para escapar ao empobrecimento e para acertar o ritmo com as mudanças em curso", escreveu na mesma altura. "O que ele quer, porventura, dizer é que hoje nós estamos em competição com o mundo inteiro. E que o mundo é assim", diz Filipe Ribeiro de Meneses.
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No fundo, o mesmo olhar sem ilusões e a mesma concentração no essencial. E o essencial é cumprir o programa da troika para voltar a ganhar credibilidade externa. O mais depressa possível. Passos Coelho entende que a economia e, por via dela, as pessoas pagariam um preço mais alto se se prolongasse o tempo do ajustamento. Tudo o resto parece remetido para um lugar secundário no seu discurso.
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"É inflexível". Dificilmente sairá do "custe o que custar". A sua ideia é simples. É preciso aproveitar a crise para mudar. E há uma janela de oportunidade que não durará mais do que dois ou três anos para tornar essa mudança irreversível. Tem a convicção de que uma maioria de portugueses já compreendeu que, do outro lado da crise, não está o regresso ao passado. Que, depois deste hiato, haverá outra coisa: um país menos rico, mais exigente, mais responsável e um Estado menos presente na economia e na vida das pessoas. Dificilmente sairá deste guião que estabeleceu para o seu Governo. Talvez seja esta, também, outra chave para a compreensão do personagem: uma atitude de cepticismo - em oposição ao idealismo - de uma geração que sabe que o futuro não vai ser melhor do que o presente. 
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Nele, esta convicção chega a assumir as cores da indiferença social. "Falta-lhe até a clássica demagogia tão própria da classe política", diz Costa Pinto. "Falta-lhe compaixão", diz a jornalista Maria João Avillez. "Essa racionalidade, que é uma das suas características, tem o enorme risco de ser interpretada como indiferença", diz um dirigente social-democrata que o conhece bem. É uma característica pessoal. Também assenta na convicção de que a crise, que é mundial, obriga a valorizar outros valores. A mudar de vida. Há um outro "ajustamento" a fazer. Das mentalidades.
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Podemos regressar ao personagem e à barreira invisível. Passos Coelho é um solitário. "É uma rede feita de relações bilaterais. Não há reuniões de grupos. Não é um tipo de balneário". As relações são institucionalizadas. Mesmo com os mais velhos companheiros. A influência é difícil de exercer. "É muito duro vender-lhe uma ideia. Tem de ser muito sólida, passar o crivo da segunda pergunta."
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O mesmo modelo funciona ao nível do Governo. O facto de serem poucos ministros permite-lhe ter reuniões regulares com cada um deles. "Normalmente confronta-os com as más notícias".
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Se correr mal, "cai-lhe tudo em cima", reconhece um alto dirigente do PSD que sempre o acompanhou. "A grande interrogação sobre o sucesso da sua estratégia está na forma como a elite reagir", conclui Costa Pinto. "Não é apenas a sociedade que depende do Estado, a elite também depende do Estado e tem tido uma grande capacidade para utilizar os recursos do Estado em proveito próprio". Até que ponto Pedro Passos Coelho terá capacidade para enfrentá-la? "Se resistir a isto, resiste a tudo", diz Ribeiro de Meneses.

Ainda falta muito para saber a resposta. Ou não faltará?

A revisão do FMI estimou em 37.000 milhões necessidades bancárias de Espanha


                             A ECONOMIA ESPANHOLA EM TIRAS
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A recomendação final do Fundo pode ser para capturar um valor ligeiramente mais elevado
 
Miguel Jimenez / Barron Íñigo Madrid 7 JUN 2012 - 22:14 CET975

Christine Lagarde, diretor-gerente do FMI. / INTS Kalnins (Reuters)
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Técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) realizaram um teste de resistência aos bancos espanhóis para incluir no relatório sobre o sector financeiro a ser publicado na segunda-feira.
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O resultado dos testes mostram algumas necessidades de capital de 25.000 milhões no cenário base, mais previsível, e 37.000 milhões no cenário adverso, de acordo com fontes familiarizadas com o relatório.
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No entanto, outras fontes próximas do FMI indicam que a mensagem de final do corpo do relatório, como indicado pelas autoridades máximas do organismo pode ser para restaurar a confiança de que é necessário reforçar o capital de bancos com, pelo menos, 40.000 milhões.
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O relatório sofreu várias alterações durante o processamento ea versão final não será conhecido até segunda-feira, mas fontes financeiras dizer que esta recomendação um pouco superior ao que é estritamente da prova está relacionado com salvar o meio ambiente e, em particular a ordem dos dois testes para consultores e auditores independentes, alguns dos quais o FMI tem estado em contacto.
mais informações
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Alemanha apresenta um resgate leve de Espanha através do fundo bancário estatal
    
O banco acredita que os consultores necessitam de muito capital
    
Bruxelas diz que os números publicados no banco são "loucos"
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Na verdade, algarismos significativos, e não tem de coincidir com o Fundo, são aqueles que resultam desses dois testes independentes, que serão conhecidos em Junho e Julho, porque a Europa é necessária para justificar a necessidade ea quantidade de um resgate europeu.
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A apresentação do relatório do FMI na segunda-feira é uma aproximação qualificada em primeiro lugar. Fontes bancárias citadas pela Reuters disseram que a figura do Fundo necessidades de saneamento, ou perdas esperadas em cerca de 90.000 milhões, dos quais cerca de 50.000 seriam cobertos pelas entidades com os seus resultados e seu excedente de capital. O exercício do FMI mede as perdas esperadas no cenário de base e todas as carteiras de crédito adversas e não apenas no setor imobiliário, que é o de ter dirigido que os dois decretos do governo do PP financeiro.
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Consultores Oliver Wyman e Roland Berger também estão explorando empréstimos não imobiliários, ou seja, hipoteca, consumidor, SMB e empresas. Onde mais tem sido cuidado com empresas que não são propriedade, mas estão em órbita ou poderá ser afetada por outra recessão. Também foram monitorados quanto aquelas consideradas "precárias" em risco de se tornar inadimplente.
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Anjo Berges, um parceiro de analistas financeiros internacionais, concorda que as necessidades do setor poderia ser entre 40 mil e 45 mil milhões "para terminar de cobrir todos os riscos seguindo os decretos de fevereiro e maio. No entanto, se, finalmente, pede dinheiro para a Europa, o montante pode subir um pouco, para 50.000 milhões em capital para tranquilizar os mercados e as autoridades da UE. Seria lógico que o resultado dos consultores coincidir com o FMI, porque os ativos que são abrangidas são a mesma coisa. " Outras fontes esperam que o número de consultores é maior.
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Mas o FMI e os consultores não são as estimativas apenas em um jogo de números que depende muito das premissas utilizadas. As estimativas da agência de classificação Standard & Poors que os bancos devem tomar a depreciação dos activos 80.000 para 112.000 milhões em 2013 e que seus resultados podem absorver cerca de 60.000 milhões. Seria de 20.000 a 52.000 milhões (14.000 para 36.000 milhões, líquido de impostos) do Fundo de Garantia de Depósitos levaria cerca de 10.000.
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Sua conclusão é que a injecção de capital do Governo ou da União Europeia "seria razoável e iria se concentrar em um número limitado de entidades." Fitch é mais pessimista e precisa valor líquido entre 50.000 e 60.000 milhões no cenário base e 90.000 a 100.000 no final. Esta fraqueza do sistema bancário, a previsão de que a recessão vai se estender para 2013 eo risco de propagação de grego levou a agência a três graus mais baixa a classificação da Espanha, de A para BBB.
S & P estima que o revendedor deve ser provisionados 112.000 milhões
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A agência de classificação Standard & Poors também tem contas no estado do sector financeiro espanhol, sob as luzes após a nacionalização da Bankia e as questões levantadas pelo atual estado de suas contas. Segundo a empresa, um dos três que dominam o negócio de medir o risco, os bancos terão de enfrentar durante este e no próximo ano uma provisão de entre 80.000 e 112.000 milhões no melhor dos casos para depreciação de ativos e o aumento na inadimplência em empréstimos para o imobiliário. .
Apesar da figura volumoso, S & P acredita que o desafio é viável, mesmo depois de descontar os milhões que podem obter com a sua própria capacidade de gerar resultados, a falta de cobertura entre 20.000 e 52.000 milhões de euros.
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Este montante representa as perdas registradas entidades operacionais reais. No entanto, é reduzido a uma faixa que corre entre 14.000 a 36.000 milhões de euros depois de impostos. Desse montante, 10.000 milhões poderiam ser absorvidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, através do esquema e fornecido para o CAM e Unnimm.  
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Além disso, os bancos poderiam cobrir uma parte da quantia com a venda de ativos, absorvendo parte das perdas através participacones preferenciais e de consumir a sua reserva de capital.
P.S. Tradução livre do espanhol para o português.

Merkel quer União Europeia com mais poder sobre parceiros


Merkel quer União Europeia com mais poder sobre parceirosBritta Pedersen, EPA

A chanceler alemã pretende uma maior união política e fiscal no seio da União Europeia. Os desejos de Angela Merkel foram expressos no canal público ARD, com a chanceler a deixar o apelo para que na cimeira de chefes de Estado e de Governo, marcada para 28 e 29 deste mês em Bruxelas, possa já ser elaborado um primeiro plano nesse sentido.

O ZÉ POVINHO MAIS UMA VEZ ESQUECIDO NO 10 DE JUNHO...!!!



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António Barreto, José Hermano Saraiva e Telma Monteiro estão entre as mais de três dezenas de personalidades e instituições que Cavaco Silva vai condecorar no 10 de Junho.

Estados de acordo com reposição temporária de fronteiras

Estamos a andar para trás...
Espaço Schengen
por LusaOntem
Estados de acordo com reposição temporária de fronteiras
Fotografia © Cathal McNaughton - Reuters

Os estados-membros do espaço Schengen de livre circulação de pessoas chegaram hoje a um acordo político, no Luxemburgo, sobre uma reforma do tratado, que prevê a possibilidade de restabelecimento de controlos fronteiriços internos em caso de pressões migratórias extraordinárias.

KAOS: Meter a casa em ordem


Na celebração de um ano de governo, num brinde à vitória do PSD, Passos Coelho afirmou que “Vamos meter a casa na ordem”. Será que quando acabar ainda vai haver casa? E havendo casa ainda haverá gente para lá viver?

EURO2012 NA TAILÂNDIA


Entre o verde que este Reino é característico distingue-se o cartaz anunciar o EURO2012 e ao centro, bem sobressaída, a Bandeira das Quinas. Portugal foi o primeiro país a ter relações com o Reino do Sião (Tailândia nos dias de hoje), cujo estas já seguem em 501 anos. 

SENTIDA HOMENAGEM DE GRATIDÃO A CHISSOIA E A TANTOS OUTROS MAIS QUE FOMOS OBRIGADOS A ABANDONAR


SENTIDA HOMENAGEM DE GRATIDÃO A CHISSOIA E A TANTOS OUTROS MAIS QUE FOMOS OBRIGADOS A ABANDONAR
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Cc:

É para ler mesmo!
 Repassar,para que não se varra da memória a vil traição.

(Relato verídico extraído do livro "Kinda", de Carlos Acabado, da colecção "Fim do Império" Nº3)
P. F. Leia e repasse  
                                                                                                

CHISSOIA
               Quando a luz difusa que anuncia o amanhecer tropical começou a dar cor ao casario da cidade , havia já na marginal um movimento desusado. Ao fundo da avenida, frente ao porto, a praça fora engalanada com bandeiras e a tribuna erguida na véspera, recheada de cadeirões forrados a veludo vermelho, aguardava, imponente, a chegada das individualidades. Comemorava-se o dez de Junho e Portugal, de Camões e da raça, e os heróis iam ser solenemente exaltados.
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 Do alto do pedestal a estátua do navegador, erguida no centro do largo, olhava a baía a que os raios do sol nascente douravam já as águas tranquilas, como se aguardasse ainda a chegada das naus, deslizando suaves e silenciosas, como cisnes negros de asas brancas.
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Nesse tempo, a população descia dos morros e barrocas sobranceiras á zona ribeirinha, esperando que os nautas varassem os botes na praia para o encontro dos mundos que "o mar já unia". Agora, a baía, que se recorta como um sensual dorso de mulher, foi pudicamente coberta com o manto verde das palmeiras da marginal, e na comunhão dos mundos só as naus estão ausentes. Portugal e o mar ali estavam , marcando presença perante uma população que, a pouco e pouco, tomou a cor da mestiçagem de sangue e vivência, deixando perplexo, quem se interrogasse, de que raça se iriam enaltecer as virtudes naquele dia!
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A praça fora enchendo. As cadeiras da tribuna tinham sido ocupadas e um general, em voz monocórdica e enrouquecida, lia o discurso onde salientava que quinhentos anos de esforço, e querer, uniam o herói que, ali imortalizado em pedra, olhava absorto o oceano sem fim, aos heróis de hoje que, frente á tribuna, aguardavam o agradecimento da Pátria reconhecida.
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Perfilado, com a dignidade de um bem-nascido, altivo no camuflado verde, o Chissoia aguardou o chamamento e a leitura do louvor em que era descrito o seu acto de bravura. Subiu os degraus da tribuna e, como se fosse talhado em ébano, sem mover um músculo, abriu o peito largo onde o general, quase em bicos dos pés, lhe colocou uma cruz de guerra, dizendo-lhe em voz baixa que Portugal sentia orgulho por ter filhos como ele. Regressou ao lugar na fila dos heróis e, erecto, assistiu ao desfile de estandartes dos batalhões espalhados pelos confins do território, à  passagem do corpo de fuzileiros, do regimento de comandos, dos flechas e dos leões de Cabinda, que em marcha acelerada entoavam canções guerreiras. A cavalaria fechou o desfile a galope curto, com garbo e tradição.
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Era impressionante a portugalidade que se respirava e as gentes, de todas as cores, que tinham emoldurado a praça, ao dispersarem derramavam na cidade a confiança inabalável no Portugal granítico e multirracial que, naquela manhã, tinha estado presente naquele largo, frente ao porto.
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Quando conheci o Chissoio era ele já um veterano de guerra, não que fosse velho, pelo contrário, apenas começara cedo e aprendera depressa. Parece que desde pequeno acompanhava o pai como pisteiro de elefantes.  O Lucusse, onde nascera, era uma zona de passagem dos paquidermes que, nos seus itinerários até ao rio Lungué-bungo, muitas vezes destruíam o trabalho de meses no arranjo das lavras. Entre os animais e os aldeões travava-se uma luta pela sobrevivência, em que nem sempre eram os humanos os vencedores. Era assim natural que os caçadores , convidados pelo governador do distrito ou pelos homens importantes da província, fossem vistos com agrado pelas populações, pois além de abaterem alguns animais, afugentando por algum tempo as manadas, deixavam toneladas de carne que, mesmo dura e fibrosa, o soba e o velho Chissoia ficavam encarregados de distribuir. Aos brancos só os dentes interessavam, e o velho pisteiro aguardava que os crânios enterrados apodrecessem para lhes retirar as presas que, numa próxima visita, entregava já limpas de medula.
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Foi nessa época que os Chissoias, pai e filho, se tornaram amigos de gente importante. O profundo conhecimento das matas e a perícia em seguir e interpretar trilhos como quem lê um livro, aliados à camaradagem que a aventura comum proporciona, permitiu-lhes sentarem-se, conversar e comer lado a lado com os grandes da terra que, amiúde, os presenteavam como prova de reconhecimento. O prestígio do velho Chissoia era grande perante as populações, não só dos povoados próximos, como de toda a região.

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Corriam tranquílos os primeiros anos da década de sessenta. A luta que se ateara no norte do território não tinha chegado ainda às planícies sem fim do leste. As matas eram seguras e, logo pela manhã, as mulheres seguiam em fila e sem receios, para as lavras onde recolhiam lenha e mandioca para o sustento da prole.

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Uma madrugada apareceu no Lucusse um grupo de gente estranha à região. Vinha armada e queria falar com o soba. Depois de uma longa conversa, e perante a atitude de incompreensão e até de alguma hostilidade, o chefe do grupo resolveu utilizar um meio de persuasão mais eficaz e, perante a população aterrorizada, fuzilou o soba por ser um chefe corrupto e o velho Chissoia por ser lacaio dos colonialistas. O filho fugiu para a mata e, passados dias, chegou à capital do distrito, onde contou o sucedido. Acompanhou depois a força militar que foi enviada para a zona e seguiu, até ao fim, a pista de rastos humanos como o pai lhe ensinara a seguir a dos elefentes.
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A partir dessa época ficou ligado ao destacamento militar que foi aquartelado na povoação. O seu conselho e actuação foram sendo cada vez mais imprescindíveis, acabando por ser integrado nas forças irregulares, chefiando um grupo de homens escolhidos por si e com relativa autonomia.

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Quando a luta de defesa do território foi alargada ao leste para suster a tentativa do inimigo de alcançar o planalto central por essa via, a táctica das nossas forças teve que se adaptar ao terreno plano e com grandes extensões pouco povoadas. A Força Aérea iniciou então uma colaboração íntima nas operações terrestres, proporcionando uma maior mobilidade através de helicópteros e aviões ligeiros. Foi nessa época que conheci o Chissoia, e muitas horas passadas em amena conversa,  junto das fogueiras que aqueciam as noites frias das savanas  de leste, caldearam a amizade e a admiração que desde então sentia por ele.
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Uma tarde, quando o crepúsculo já anunciava a noite que cairia breve, perto do lago Dilolo, quando o seu grupo dava protecção a um movimento das nossas tropas, houve uma emboscada e dois soldados feridos jaziam no chão dentro do campo de tiro do inimigo, que continuava a alvejá-los. Passado o primeiro momento de surpresa, o Chissoia levantou-se e, a descoberto, com a arma ao quadril, fazendo fogo para se proteger, foi buscar um e, depois, o outro, arrastando-os para lugar mais seguro.
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Foi por esse acto de bravura que o Chissoia esteve presente naquele dez de Junho, em que o general se esticou para lhe pendurar a condecoração na farda honrada e que, passados tantos anos, algures num recanto de Portugal, dois homens de meia idade podem recordar, em reuniões de família, como uma vez, quando estavam no Ultramar, um preto lhes salvou a vida.
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O ano de setenta e quatro decorreu convulso! A esperança inicial, transmitida pelos novos políticos no poder, em vez de tranquilizadora e bem colocada, parecendo ter a percepção da complexidade dos problemas a enfentar, fora substituída por dúvidas cada vez mais angustiantes. As cidades tinham acolhido com palmas os guerrilheiros vindos das matas, aplaudindo-os como actores inesperados, num final de acto antecipado e improvisado, mas antes do fim do ano muitas das mais importantes povoações eram já palco de lutas entre os diversos movimentos , com recurso a armas pesadas, que destruiam tudo o que fora construído com sacrifício e amor.
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As Forças Armadas portuguesas, desviadas dos seus objectivos e da sua missão, assistiam a tudo como espectadoras, ocupando, salvo raras excepções, um lugar pouco digno.
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A partir do meio do ano setenta e quatro, começaram a chegar a Lisboa os soldados do fim da era imperial. Traziam estampada no rosto, na farda e na mente, a parte negativa da revolução.                          
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A população civil começara há muito a sair face à insegurança em que se passou a viver , e muitos de nós, militares, habitávamos as casas vazias onde tínhamos vivido com as famílias, aguardando o fim da missão.
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Uma noite ouvi um bater tímido de palmas no quintal da casa que ainda ocupava. Quando abri a porta, o Chissoia e a família estavam à minha frente.
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"Preciso de ajuda!" atirou, quase envergonhado.
"Entrem e sentem-se por aí", disse, apontando os caixotes onde embalava o que queria levar de regresso a Lisboa. "Cadeiras já não há!", conclui.
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A mulher e os filhos acocoraram-se, silenciosos, junto à parede da sala. Eu e ele sentámo-nos frente as frente, como sempre tínhamos feito, cada um em seu caixote.
"Estamos abandonados!", começou "Três dos meus homens foram detidos por um dos movimentos de libertação, e foram mortos..."
"Não pode ser", interrompi "Vocês terão que ser protegidos nos acordos que se fizeram" afirmei, procurando eu próprio dar convicção ao que dizia.
"As patrulhas deles procuram-nos sem que alguém nos dê protecção!..."
"Isso não faz sentido! A responsabilidade aqui ainda é nossa... o comandante do batalhão é a autoridade!", exclamei indignado.
"Fui ao comando militar hoje à tarde. Um tenente de barbas, que parece ter chegado há pouco tempo, disse-me uma coisa que me deixou sem dúvidas..."
"O que foi?", perguntei.
"Quando soube o meu nome, perguntou o que é que eu esperava que acontecesse aos lacaios e traidores do povo...". As lágrimas dançavam-lhe nos olhos sem cair, como se a raiva e o orgulho as segurassem. "Isso foi o que disseram ao meu pai em Lucusse antes de o fuzilarem...", e num desabafo murmurou "Só que esses eram negros... um tenente branco não me pode dizer isso... porque aqui o traidor é ele... eu fui condecorado, o general disse-me que tinha orgulho de mim, de um português como eu... quando esse homem souber o que me disseram..."
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Olhei-o cheio de amargura, sem ter a coragem de lhe dizer que esse general assumira agora outras funções e que ele, Chissoia, era uma ligeira sombra na sua memória, nas suas preocupações... talvez na sua consciência.
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Desceu sobre nós um silêncio pesado e trágico. Olhávamo-nos mudos. Os caixotes em que nos sentávamos e a casa vazia que nos albergava pareciam ser tudo o que restava do mundo em que até aí tinhamos vivido.
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Subitamente, a filha mais nova, com os cinco anos a reluzirem-lhe na face risonha, levantou-se e, sem quebrar o silêncio, foi apanhar do chão uma boneca de cabelos loiros que uma das minhas filhas tinha deixado para ser enviada nos caixotes. Voltou a acocorar-se junto à mãe com a boneca nos braços, cantando-lhe baixinho uma canção de embalar, que certamente aprendera com as mães negras do bairro onde vivia.
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A pouco e pouco a força telúrica da melodia, quase murmurada, foi aquecendo o silêncio, enchendo-o da energia profunda da África eterna, renascida das cinzas, verdejante depois das queimadas. A alma foi-se-nos erguendo como se a canção fosse um hino que nos devolvia o ânimo e, em silêncio, ambos procurávamos já a solução que todos os problemas têm.     
"Eu posso arranjar passagens para Luanda no avião de amanhã" alvitrei, buscando saída.                       
"Luanda não é o meu povo. Só lá fui uma vez..." referia-se à data da condecoração "Lá ficamos ainda mais desprotegidos".
"Posso tentar que vão para Portugal, mas, pelo que sei, não vai ser fácil nem rápido", disse, recordando as notícias que nos chegavam pelas tripulações.
"O mais dificil é sair daqui com a família. Com eles não consigo passar sem ser visto".
"Mas sair para onde?", perguntei, sem vislumbrar a solução.
"Tenho gente na mata, que me mandou recado. Há movimentos que não se importam de nos aceitar. Precisam de homens com experiência para as guerras que vão chegar."
"Que posso fazer?", interroguei com desalento, pensando no papel que teríamos ainda que representar na tragédia que se vislumbrava já no horizonte.
"Aquela pista que uma vez abrimos para utilizar só em operações especiais, continua boa e abandonada...", sugeriu a medo, consciente do que pedia "Podemos ser postos lá?..."
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Eu tinha presente a localização da pista. Fora aberta na orla de uma mata, longe de povoações, apenas para ser utilizada em operações que se desenrolassem perto da fronteira.
"Já mandei os meus homens sair da cidade, só ficaram duas mulheres, eu e a minha família; se nos puder ajudar..."
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Sabia o risco que corria ao dizer-lhe que sim. A zona já fora evacuada pela nossa tropa e, ainda que isolada, poderia andar perto algum grupo que não hesitaria em abrir fogo se nos visse aterrar.
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Pela minha memória passou aquela madrugada em que tinham chegado ao acampamento os dois soldados feridos, mas salvos pelo Chissoia.
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O Portugal que eu era devia um sacrifício, um acto de gratidão, ao Portugal que ele, Chissoia, deixara já de ser.
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Dormiram essa noite na minha casa depois de ter ido buscar, furtivamente, as duas mulheres e mais duas crianças, evitando as patrulhas que circulavam pelas ruas desertas da cidade. De manhã, muito cedo, meti-os no jeep que ainda me estava distribuído, e dirigi-me à base onde tinha o avião para regressar a Luanda logo que a minha missão ali estivesse cumprida.
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Desloquei e tomei o rumo da pista que nos aguardava na mata. Daí ao Lucusse seriam uns dias de caminho árduo, mas era preferível percorrê-lo a serem abatidos como traidores.
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A faixa deserta estava mergulhada no silêncio hostil das coisas abandonadas. Tudo estava agora vazio, dominado pela mata que parecia querer recuperar para si a pista, como cicatrizando uma ferida aberta. Aterrei e, para não parar o motor, mantinha-o a baixas rotações. O hélice provocava um som triste de chicotadas que, repercutindo-se de árvora em árvore, ia morrer nos confins da floresta. 

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O Chissoia ajudou a família a descer rapidamente do avião, conhecendo perfeitamente o perigo que todos corríamos se, por acaso, um grupo dos novos senhores da guerra nos surpreendesse. Ao sair colocou-me, num gesto mudo, a mão sobre o ombro, dizendo assim tudo o que nem eu nem ele tínhamos coragem para dizer. 
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Depois, caminhou apressado à frente do seu pessoal em direcção à mata. As mulheres e os filhos seguiam-no em fila indiana. Não teve mais um olhar, mantinha o porte altivo e digno que sempre lhe conheci. Um a um, vi-os desaparecer entre as árvores, como se a floresta os engulisse. Só a mais pequena, a última da fila, se deteve um instante e, voltando-se, com a boneca de cabelos loiros na mão, fez-me adeus e sorriu, num gesto puro de quem não sabe que se despede para sempre.
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Fiquei a olhar o sítio onde desapareceram, aguentando a solidão imensa que me gelava a alma. Quantas traições, quantos abandonos e deslealdades serão necessários para erguer e desfazer um Império? Em quantas praias desertas teremos deixado companheiros? Em quantas matas teremos abandonado gente que em nós confiou? Quantas vezes desertámos das responsabilidades que assumimos? Quantas vezes traímos?
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Desloquei e, já no ar, dei por mim a pedir a Deus protecção para o camarada perdido.
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No dia seguinte, o mecânico que passou inspecção ao avião, entregou-me uma medalha de Cruz de Guerra que encontrou caída no chão, junto ao banco em que o Chissoia se sentara.                         
António d'Almeida

COMO OS TEMPOS SE REPETEM...!!!




GRANDE "FRASE"... E QUANTA VERDADE IMPLICITA
 
 Só para lembrar...

FRASE DE 1920 ...
Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:
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"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada;
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Quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores;
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Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você;
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Quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício;
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Então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

PARTICIPA NA CAMPANHA NACIONAL «DEIXEM GANHAR O BENFICA"


GOVERNO DE LULA JULGADO POR CORRUPÇÃO


Os políticos brasileiros já não enganam ninguém, qualquer pessoa que tenha 100 gramas de cérebro percebe fácilmente que o Brasil está minado de corrupção política e a maioria dos deputados estão envolvidos em processos judiciais de toda a ordem, incluíndo raptos, violações e assasinatos...
 Mas atenção!!! De acordo com a versão da História da esquerda brasileira a culpa de todos os males do Brasil é do Neo-Imperialismo Norte-Americano e do Colonialismo português que acabou há quase 200 anos atrás...
Hipócritas de merda, vão mas é apanhar no...
Texto de João Nobre

Governo de Lula julgado por corrupção a 1 de agosto

por LusaOntem
Lula da Silva, ex-presidente do Brasil 
Lula da Silva, ex-presidente do Brasil Fotografia © Ueslei Marcelino - Reuters
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O Supremo Tribunal Federal do Brasil anunciou na quarta-feira que o julgamento do Governo liderado pelo presidente Lula da Silva por alegada corrupção vai iniciar-se a 01 de agosto e terá nove sessões até ao dia 14 do mesmo mês.
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Nas nove sessões serão ouvidos o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, e os advogados de defesa dos 38 acusados de participarem no "mensalão", como ficou conhecido o esquema ilegal de angariação de apoio político financiado por fundos públicos.
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O escândalo levou à renúncia de vários ministros, entre eles José Dirceu, que tinha a pasta da Presidência, e António Palocci, responsável pela pasta da Fazenda, e que eram os mais próximos de Lula.
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Entre os acusados neste caso encontram-se ex-congressistas, ex-ministros, funcionários públicos, empresários e políticos.

E A PANCADARIA ESTÁ NA MODA ENTRE OS POLÍTICOS- AGORA OS GREGOS...!!!

Grécia

Deputado da extrema-direita agride deputada comunista em debate na TV

07.06.2012 - 12:55 Por PÚBLICO

Momento da agressão transmitida em directo  
Momento da agressão transmitida em directo (Foto: AFP)
Um debate na televisão grega com representantes de diferentes sensibilidades acabou em pancadaria. O porta-voz do partido Aurora Dourada, de extrema-direita e classificado como neonazi, agrediu duas deputadas, uma do partido comunista e outra da coligação de extrema-esquerda Syriza. O Ministério Público emitiu um mandado de captura do agressor.

KAOS: IMPULSO JOVEM



O conselho de ministros aprovou, esta quarta-feira, o programa "Impulso Jovem" que possui um fundo superior a 344 milhões de euros e que cobre um universo de 90 mil jovens.
Será que com este programa vamos finalmente ver diminuir a taxa de desemprego? Será que as empresas contratarão mais só por poderem poupar 175 euros na TSU ou se souberem que há na sociedade dinheiro para lhes comprar os produtos?
PS: Não seria normal que fosse o Ministro da Economia, o Álvaro, a apresentar este programa? Será que já o devolveram à Universidade do Canadá ou é para tentarem limpar a imagem do Miguel Relvas que o andam a exibir? Será que pensam que assim a sua popularidade sobe e nos esquecemos das trapalhadas promiscuas com as Secretas e as ameaças aos jornalistas?

"...NOVOS PARA A REFORMA E VELHOS PARA TRABALHAR...."




A taxa de 36% de jovens desempregados é preocupante e merece combate. O problema, no entanto, é mais vasto. Abrange mais de um milhão de portugueses e é imprudente não equacionar apoios a portugueses acima dos 34 anos de idade, muitos deles vítimas de desemprego de longa duração e considerados novos para a reforma e velhos para trabalhar
Fernando Santos Diário de Notícias