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quinta-feira, 9 de maio de 2013

António Nóvoa exorta professores a dizer "não"

Reitor da Universidade de Lisboa falou no congresso da Fenprof, onde Mário Nogueira voltou a exigir a demissão do Governo.

Discurso de António Sampaio da Nóvoa no congresso da Fenprof 

Congresso da Fenprof arranca hoje

O reitor da Universidade de Lisboa (UL), António Nóvoa, defendeu nesta sexta-feira que, “em tempos tão duros como os de hoje, ninguém tem o direito de ficar em silêncio”.
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Falando na sessão de abertura do congresso da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que decorre até sábado em Lisboa, Nóvoa concretizou o que deve ser dito: “É tempo de dizer não. Não à degradação da escola pública. Não à mobilidade dos professores. Não a um país sem futuro. Como dizia Sophia de Mello Breyner: ‘Perdoai-lhes, Senhor, porque eles sabem o que fazem’”.
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Segundo o reitor da UL, que não tem poupado críticas a este Governo, “os economistas da inevitabilidade tudo têm tentado para nos obrigar a recuar”. Mas também aqui a resposta tem de ser “não”, frisou: “Não haverá recuo. Não voltaremos atrás, porque não podemos prescindir de nada quanto à valorização da escola e dos professores, porque é aqui que estão as condições para um Portugal futuro que não seja apenas a repetição do Portugal passado”.
Nóvoa, que é o convidado especial da Fenprof no congresso já anunciou que não será candidato a reitor da nova universidade que nasceu da fusão da Universidade de Lisboa e da Universidade Técnica de Lisboa. Também indicou que, quando a eleição do novo reitor se concretizar, dentro de meses, abandonará a instituição.
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No discurso de abertura do congresso, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, acusou Nuno Crato de ser “um ministro que não manda, que não governa, que não decide e que mente cada vez que fala, porque a realidade imposta pelo Governo é diferente”. Nogueira referia-se assim à possibilidade de na noite desta sexta-feira ser anunciado, por Passos Coelho, o aumento do horário de trabalho dos funcionários públicos de 35 para 40 horas semanais, uma medida que também abrangerá os professores.
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Em Março, Crato reafirmou no Parlamento que no próximo ano lectivo não haveria alterações nem no horário de trabalho dos professores nem nas reduções de tempo de aulas para os docentes a partir dos 50 anos. Mas após ter sido conhecida a decisão do Tribunal Constitucional, em Abril, Crato apressou-se a dizer que esta “muda muitas coisas”.
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“Nós precisamos de quem governe a sério e com seriedade na educação. Nós precisamos de quem saiba aquilo que vai fazer. Nós precisamos de outro ministro, de outra equipa ministerial, de gente séria à frente da Educação. Nós precisamos de uma ministro da Educação para Portugal, que não temos”, frisou Nogueira, que defendeu a demissão “urgente” de todo o Governo.  
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Perante uma plateia de 650 delegados de todo o país, Nogueira declarou que novos cortes são inaceitáveis. “Para proteger crimes de banqueiros, de diversos especuladores e até de alguns governantes, não podemos admitir que o Governo cometa os crimes sociais que comete e só há uma forma de o parar: demitir urgentemente este Governo, exigindo do Presidente da República a convocação de eleições antecipadas”, disse.