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sábado, 4 de maio de 2013

O TALENTO DE PAULO PORTAS - DN


A grafia acima é da responsabilidade deste blogue


O talento de Paulo Portas, diz o primeiro-ministro, contribuiu para melhorar o pacote de medidas apresentado pelo Governo na sexta-feira. O talento de Portas, sabemos todos, permite ao CDS ser o mais influente partido da oposição, mesmo que enquanto partido da coligação tenha de engolir alguns sapos.
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Na verdade, tendo em conta que o CDS gosta de se apresentar como o partido dos contribuintes e dos reformados, nestes dois anos de governação, o que teve de engolir foi uma manada de elefantes. O custo político não será tão elevado como isso, já que a percepção do eleitorado é a de que só não há uma crise política porque o "patriotismo responsável" de Portas a tem evitado. Veremos a tradução de tudo isto nas urnas, sendo certo que decretar a morte do CDS vale tanto como prever que o Porto ainda vai ser campeão este ano.
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Sendo consensualmente reconhecido que Portas é o mais talentoso político português no activo, é sempre preferível jogar uma tripla para quem quiser pôr-se a adivinhar o que vai dizer hoje ao país o líder do CDS.
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1 - Portas anuncia que atingiu o limite e que não continuará a ser co-responsável pela actual política.

X - Repete a dose da TSU e explica que não concorda com a nova taxa de sustentabilidade sobre as pensões, mas que apoia o pacote de medidas para evitar a bancarrota do País.
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2 - Aproveita a deixa dada ontem por Passos Coelho e explica que o pacote tinha muitas outras medidas de Gaspar que só o CDS evitou que lá ficassem. Mesmo estranhando a coincidência de Passos voltar a falar do que sabe e do que faz Portas, na véspera de uma comunicação do líder do CDS ao País, a minha aposta é claramente no 2. Mas os mais cépticos podem manter a tripla não vá o diabo tecê-las e o talento de Portas ser novamente suficiente para enganar os mais talentosos adivinhos da coisa política.
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Para trás fica a certeza de que não há uma única medida deste pacote de sexta-feira que não pudesse ter sido apresentada no primeiro dia de governo. Depois de uma narrativa, que dura há dois anos e continua, contra os privilégios da função pública, finalmente o Executivo avança para a convergência entre sector público e sector privado.  . Faltou talento a Portas ou faltou sabedoria a Passos e a Gaspar para reconhecer o talento alheio. E no desalento em que vivemos vai ser preciso que todos os membros do Governo se esforcem um pouco mais e procurem talento e competência para resolver os problemas do País.  . É evidente que o talento que Passos reconhece em Portas não tem sido suficiente. Nem o talento que o ministro das Finanças alemão reconhece no nosso ministro das Finanças. Na ausência de talento nacional, andamos fiados no talento dos nossos credores. Tem corrido bem. Para o lado deles.