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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Perfil: João Moreira Rato



Paulo Araújo
21/04/2012 | Dinheiro Vivo
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João Moreira Rato, o homem escolhido por Vítor Gaspar para dirigir os destinos da emissão da dívida pública portuguesa e o regresso de Portugal aos mercados internacionais, era até agora editor executivo do Morgan Stanley. Quarta-feira foi um bom dia para os Moreira Rato. No dia em que João foi anunciado como presidente do IGCP, soube-se também que o seu irmão mais novo, Miguel – dono da consultora M Public Relations – tinha ganho a conta do Millennium bcp.
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Doutorado pela Universidade de Chicago, o novo presidente do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), que em setembro completará 41 anos, passou pelo falido Lehman Brothers e pelo Goldman Sachs, o banco que coloca ex-funcionários nos lugares de topo que decidem o rumo da economia global - de tal forma que os concorrentes lhe dão a alcunha de Government Sachs.
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Casado, dois filhos, João Moreira Rato saiu de Portugal em 1995 e vive em Londres desde 2000; foi também um dos três partners portugueses que lançou, em fevereiro de 2008, o Nau Capital, um hedge fund que tinha como objetivo chegar aos 500 milhões de euros em dois anos; a aventura terminou quatro anos depois, com a venda da totalidade do fundo ao Eurofin Capital. 
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Esta experiência no mundo da alta finança será de extrema importância no diálogo com os mercados financeiros, que só oferecerão financiamento a taxas de juro comportáveis se acreditarem que Portugal é capaz de ultrapassar os seus problemas. João irá contar nessa tarefa com o apoio de Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, que assumirá o cargo de vogal do IGCP. O ministro das Finanças mostra saber onde estão as pessoas que contam. - Vítor Martins
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Gestor da dívida pública ganha mais de 10 mil euros por mês
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João Moreira Rato, nomeado, em 2012, Presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, EPE por proposta do ministro das finanças Vítor Gaspar, usufrui de uma remuneração mensal de 10.800 euros, segundo notícia o Correio da Manhã. O salário deste gestor é superior à remuneração do presidente da República e representa o dobro do montante recebido por Pedro Passos Coelho.
Artigo | 15 Fevereiro, 2013 - 11:25
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No ano passado, e segundo apurou o Correio da Manhã (CM), João Moreira Rato auferiu 65 mil euros por seis meses à frente do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), o que equivale a uma média superior a 10.800 euros por mês e a um salário anual de 140 mil euros.
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A remuneração mensal de Moreira Rato é, portanto, superior ao valor ganho em salário e despesas de representação pelo Presidente da República e pela líder do Parlamento, Assunção Esteves, assim como representa o dobro da remuneração paga ao primeiro ministro, Pedro passos Coelho.
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O rendimento deste gestor público anterior ao seu início de funções enquanto presidente do IGCP é, contudo, desconhecido, já que, na declaração de rendimentos que entregou no Tribunal Constitucional, e que lhe é exigida por lei, omitiu o seu rendimento anual, afirmando apenas que esteve fora do país e que declarou os seus rendimentos no Reino Unido. Nessa mesma declaração Moreira Rato também não referiu ter exercido funções como diretor executivo da Morgan Stanley, conforme adianta o CM.
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Antes de ser nomeado presidente do IGCP, e segundo a sua nota curricular, este gestor público foi diretor executivo da Morgan Stanley e passou pela Goldman Sachs e o Lehman Brothers, tendo ainda fundado uma gestora de ‘hedge funds' em parceria com o BES - a Nau Capital.
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Moreira Rato integrou também, antes das eleições de 2011, o grupo de coordenadores do gabinete de estudos do PSD, que contava igualmente com a presença do atual ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, e a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, e foi vice presidente do Fórum da Competitividade de 2008 a 2012.
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Segundo os estatutos do IGCP, que, em agosto de 2012, foi transformado em entidade pública empresarial, “a remuneração dos membros do conselho de administração é fixada por despacho do membro do Governo responsável pela área das finanças, devidamente fundamentado”, não estando sujeita às regras impostas aos restantes gestores públicos, aos quais não pode ser atribuída uma remuneração superior ao vencimento mensal do Primeiro-Ministro.
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Em junho de 2012, e após várias questões do deputado do Bloco de Esquerda Pedro Filipe Soares sobre a possibilidade de João Moreira Rato, que substitui Alberto Soares na presidência do instituto, poder ter uma remuneração superior devido à transformação do IGCP para EPE, o ministro das finanças Vítor Gaspar afirmava: "não existe aumento de despesa com as remunerações dos dirigentes do IGCP e não quero ser mais preciso do que fui neste momento"v

A Frase


Não é o país que está ingovernável, é o Governo. A intervenção de Portas de ontem desmente qualquer desmentido: naquela casa não manda ninguém porque aquela não é uma casa, é um quarteirão de arquitecturas inconciliáveis. Vai Passos demarcar-se de quem lhe liquidou três tabus? Portas pediu mais tempo, pediu para o Governo ter voz na Europa em vez de ser a voz da Europa. Gaspar, para quem já estão a fazer o esturgido, está só.
Pedro Santos Guerreiro Jornal de Negócios