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sábado, 4 de maio de 2013

PORTUGUESES: "UNS POBRES DIABOS"



Os portugueses desde que se identificaram como nação têm sido perseguidos pela má sorte. Foram carne para canhão, mortos em guerras, nos naufrágios e comida para peixes nos mares dos cinco continentes e ossos, lusos, pulverizados por todos os países do universo.
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Os portugueses, escravizados, poucos líderes até hoje, os haja governado de forma que se tenham identificado económicamente. Chego a considerá-los uns pobres diabos ao de cima da terra.
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Antes da expansão lusa pela costa do Atlântico e depois a partir de 1498, pela costa oriental de África e mais além até ao Japão os envolvidos nessa penetração em terras desconhecidas, a sociedade portuguesa estava dividida em três classes: "os nobres, os missionários e a arraia-miúda, cujo esta, absolutamente, submissa aos nobres e às “tretas” dos missionários".
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É conhecido e relatado pelo Damião de Goes (sec.XVI) que embarcaram no Tejo, nas naus da Índia, milhares de “pestilentos”  a fugirem à fome e às pestes que grassava, principalmente, em Lisboa em busca de uma vida melhor cujo o destino era a sepultura no fundo do oceano. Poucas eram as naus que chegava a Goa e os portugueses que ali desembarvam raros eram os que tinha emprego garantido nas empresas de el-Rei de Portugal.
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Navegavam mais além até à Taprobana, Baía de Bengala , ficavam por ali alguns para servirem como soldados mercenários o Rei do Pegú, desciam até à baia de Mergui, mar de Andaman. mais abaixo Malaca portuguesa e aventuram-se ao Golfo do Sião e dividem, seus destinos, navegando, à boleia, nos juncos chineses, pelos Mar do Sul da China, subiram o Rio Mekong, o Chao Prya e chegam à capital do Reino do Sião, empregam-se, muitos, como soldados do Rei do Sião. Tão bons que os portugueses eram que o monarca siamês teve 150, inseridos, na guarda no palácio real.
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E por mais estranho que possa acontecer fica-se a saber que afinal a barriga não tem pátria e assim foi com soldados portugueses a servirem os Reis de Pegú e do Sião que lutam uns contra outros num campo de batalha que visitei há 26 anos, em Lampang, no norte da Tailândia.
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Podería fazer um estudo mais profundo sobre a mortandade e às desgraça a que os portugueses estiveram sujeitos nos cinco continentes desde a era da expansão até à hecatombe da descolonização, exemplar (na boca dos que a procederem) depois da revolução de Abril de 1974, mas resumindo, sem contar os perecidos no continente americano e em naufrágios, refiro-me que de 1604 a 1634, morreram nos hospitais de Goa 25.000 soldados portugueses (1).
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Foram assim os portugueses, principalmente a arraia-miúda, um Povo perseguido pela má sorte e esmagados por quem os governou desde que se identificou como nação no sec. XII.
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Chegamos ao ano 2000, passamos o novo milénio e estão os portugueses, a arraia-miúda, uns pobres de Cristo.
José Martins
(1) European Travellers and the Asian Natural World-I – Revista de Cultura Macau