Translator

quarta-feira, 5 de junho de 2013

PATRIOTISMO À FLOR DA PELE



Partilha de Camarad-A-migo, ex-combatente, Angola

A b r a ç o
Sempre p'ra frente!
Adalino Cabral, U.S.A.
Date: 2013/6/5
10 de Junho

Dia de Portugal, de Camões,   e das Comunidades Portuguesas
Jverdasca 
C A M Õ E S, P O E T A e S Á B I O (por ocasião do 433° aniversário de sua morte)

O HOMEM

De Luís Vaz de Camões, conhecemos a monumental obra e um pouco do homem; sabemo-lo oriundo de uma família CELTA, vinda de Camaños ou Camones - vilória Galega, entre Vigo e Valença - e que se fixou em Portugal, nos primeiros séculos do II milênio. No final do século XIV, encontramos vários membros da família Camões residindo em Alenquer, Évora, Assis e Extremo, e seu trisavô - *Vasco Lopes de Camões* - já figurava - como poeta - no Cancioneiro de Baena, em 1445. Seu bisavô João Vaz (de Camões?), ter-se-ia distinguido nas campanhas do Norte de África, após o que foi corregedor em Coímbra; o avô - D. Antão - desposou uma parente de Vasco da Gama; e o pai - Simão - naufragou com sua nau nas costas de Goa.
.
Luís Vaz de Camões teria nascido em Alenquer - ou na Mouraria - por volta de 1525-27 - de pais pobres, pelo que lhe valeu seu tio - frei ou cônego D. Bento - reitor do Mosteiro de Santa Cruz, e Cancelário da Universidade de Coímbra, de 1539 a 1542; por isso, admite-se ter Luís Vaz frequentado ali estudos superiores. O que não merece dúvida alguma, é o facto de o nosso vate ter residido, com o tio, no Mosteiro de Santa Cruz - uma das mais antigas instituições de ensino superior de Portugal, talvez herdeira do vizinho Mosteiro de Lorvão do I milênio; foi em Santa Cruz que Santo António de Lisboa (1195-1231) fez seus estudos superiores. Reverenciado a 13/06, tinha sido - em Itália e França, onde lecionou nas recem-formadas faculdades de direito (Bolonha) e medicina (Montpellier) - o maior orador sacro do século XIII. Camões teria, assim, recebido a sua rica instrução - mesmo erudição - no colégio-mosteiro-universidade de Santa Cruz, onde, três séculos antes, Fernando de Bulhões se formou.
.
Aos 20 anos de idade, Luís Vaz de Camões já frequentava o Paço, onde a sua poesia, a sua instrução, a sua elegância e o brilho de sua inteligência, atraíram a simpatia das damas e o ciúme dos outros jóvens, a provocar intrigas, invejas, difamações, e todo o tipo de manifestações de baixo nível, normalmente utilizadas pelos invejosos inferiores, contra aqueles que lhes fazem sombra. Daí o ter sido desterrado no Ribatejo (Santarém e Constância), para logo depois embarcar, como soldado, para o Norte de África (Ceuta), onde perdeu o olho direito em combate. Regressado a Lisboa, deformado, complexado e ou traumatizado, foi mal recebido no antigo meio que frequentava, pelo que passou a acompanhar arruaceiros e a frequentar locais de má fama; logo recebe a alcunha *trinca-fortes. 
.
Entretanto, a ocorrência que determinaria o seu destino, verificou-se a 16 de Junho de 1552, na Mouraria, durante a procissão do Corpus Christi,quando ao envolver-se numa zaragata, feriu com a sua espada, a nuca de Gonçalo Borges, cavalariço da estrebaria real. Encarcerado na *Prisão do  Tronco - em um pátio da Rua das Portas de Santo Antão, que ainda conserva o nome - Luís Vaz ali permaneceu por 9 meses, só sendo liberto para embarcar para as Índias, como degredado, condição imposta pela Carta de Perdão de 7 de Março de 1553. No Oriente foi soldado e burocrata, viajou atá Macau, esteve preso, combateu e sofreu, mas foi lá que o seu gênio desabrochou; que o seu espírito se iluminou; que ao saber de Coímbra se somou o saber de experiência feito e que - desse somatório - transbordou a insuperável musicalidade de sua poesia lírica; o inigualável humanismo de suas peças, e  sobretudo, o inigualável conteúdo de sua epopeia "Os Lusíadas", poema épico revelador de elevada erudição, que lhe dá o direito a ocupar o Pódio, ao lado de Homero (Odisseia e Iíada) e de Virgílio (Eneida), sendo muito difícil decidir, qual dos três ocupa o lugar de honra.
.
A vasta, rica e magníifica obra Camoneana, revela-nos um artista-mestre da palavra escrita, um ser humano de idéias e ideal, um sublime versejador, enfim, um perfeito e acabado intelectual. Homens desta craveira - então, como agora - costumavam e costumam ser ignorados pelo poder; invejados pelos medíocres; difamados pelos desclassificados. Foi o que a Camões  aconteceu em vida, sem, contudo, dobrar a sua fibra, ofuscar o seu talento  ou perturbar o seu trabalho. Aliás - com os grandes homens - esses  precalços costumam fortaleçê-los e engrandecê-los. Foi o que ocorreu com Luís Vaz de Camões, que à mediocridade respondeu com o talento; à covardia, opôs a valentia; à incapacidade, revelou o génio; e à vaidade, revelou uma  modéstia orgulhosa, na medida em que, o orgulho, é a justa virtude daqueles que - como Camões - *servem sem servir-se, fazem sem alardear, cumprem sem
reclamar.
.
Prematuramente envelhecido, doente, alquebrado, *Camões só conseguiu chegar à Ilha de Moçambique, onde foi encontrado pelo amigo e historiador Diogo  do Couto "tão pobre que comia de amigos, e, para se embarcar para o reino, lhe ajuntamos toda a roupa que houve mister, e não faltou quem lhe desse de  comer". *Em 1569 chegou a Lisboa, e a 29 de Setembro de 1571 - por privilégio real - obteve permissão para imprimir "*Os Lusíadas*", cuja  primeira edição saíu no iníco de 1572. Dedicada a El Rei D. Sebastião, valeu-lhe a "tença" ou pensão anual de quinze mil réis, o que - se era  realmente paga - não bastaria para o sustento próprio e de seu criado, pois  era este que - esmolando - auxiliava o magro existir de ambos. FALECEU a 10  de JUNHO de 1580. Consta que suas últimas palavras foram: "MORRO COM A
PÁTRIA".
JVerdasca

Para o dia 10 de Junho de 2013

Partilha de Camarad-A-migo, ex-combatente, Guiné
A b r a ç o 
Sempre p'ra frente!
Adalino Cabral, U.S.A.
CARTA ABERTA AO COMBATENTE DO ULTRAMAR PORTUGUÊS 

Digníssimo e nobre combatente:

Em romagem vieste ao Monumento,

que consagra a Coragem e a Bravura

daqueles, como Tu, qu´heroicamente

se bateram p´lo Amor Pátrio que perdura,

muito p´r´àlem do que a Razão consente,

fazendo venturosa a desventura.
.
São disso exemplo, AQUELES qu´ali estão.

Nomes gravados a ouro no PAREDÃO,

atrás do Mausoléu que simboliza

duas mãos postas, ao Céu, em oração

que assim os GLORIFICA e ETERNIZA.
.
A CHAMA DA PÁTRIA os alumia!

Como a Chama qu´em Teu peito ardia:

- de fervor patriótico e galhardia –

no Teu JURAMENTO DE BANDEIRA,

em qu´A juraste defender, até morrer,

se tal ousasse esse SAGRADO DEVER

de o exigir como “entrega” derradeira.
.
Foi esse Teu comportamento exemplar

de Respeito, Pundonor e Disciplina,

que canta agora o HINO NACIONAL:

- Heróis do Mar, da Terra e do Ar –
.
De qu´a nossa História há-de rezar,

p´los Teus feitos na EPOPEIA ULTRAMARINA.

Que a PÁTRIA TE MEREÇA E NUNCA ESQUEÇA,

de TE manter vivo em seu coração,

para que possas Levantar Hoje de Novo,

o Esplendor de PORTUGAL como NAÇÃO!
.
Viçoso Caetano

Ex-Oficial Miliciano

10 de Junho de 2013