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terça-feira, 18 de junho de 2013

"PERA ROCHA" DE NOTAS VERBAIS


O MNE que foi interino 11 anos...

Sem lapso de memória. Não sei bem porquê, mas lembrei-me agora de que Salazar, na fase crucial de afirmação de poder, foi mais expedito que outros. Entre abril de 1936 e fevereiro de 1947, ele acumulou com as funções de chefe do governo, as de Ministro dos Negócios Estrangeiros interino. E foi interino nesses 11 anos... Ou seja, foi sem parecer que foi. Poderia muito bem esvaziar as funções de MNE entregando-as a figura controlada, mas não! Acumulou sem acumular, porque esse prolongado interinato lhe era crucial para a consolidação do poder pessoal. Foi mais expedito que outros.

Emb. AGAPITO } Terreno minado!

Ele, o nosso velho amigo Embaixador Agapito Barreto, entrando de rompante e com aquele vozeirão tão emblemático como a chaminé das Necessidades:
    - Meu caro! Ouça! Está a ouvir-me? Estive hoje a falar com o próximo ministro dos Estrangeiros. Sabe o que me disse? Garantiu-me que a sua primeira declaração como ministro, mostrou-me o papel, será precisamente como lhe vou transmitir: "As Necessidades estão convertidas num terreno com minas e armadilhas. A minha primeira tarefa vai ser a desminagem". Mas isto é confidencial, está a ouvir-me? Aproxime-se! Segundo o próximo ministro, até as Notas Verbais estão minadas.

Greve geral nas embaixadas e consulados

O STCDE, em comunicado divulgado aos sócios, assume a adesão à greve geral marcada para 27 de junho, conforme decisão da comissão executiva sindical.

O sindicato invoca como motivações para a adesão à greve, segundo o comunicado, os motivos gerais que recaem sobre todos os funcionários, nomeadamente o corte do subsídio de férias (que o governo pretende manter, à revelia do acórdão do Tribunal Constitucional) a que acrescem as intenções de aumentar a carga horária, mais aumentos de descontos para ADSE e o alargamento da chamada mobilidade/reclassificação que conduz a despedimentos.

E há ainda motivos específicos do sector que causam forte descontentamento: a recente aprovação de um novo regime jurídico-laboral para os trabalhadores dos serviços periféricos externos do MNE (DL 47/2013, publicado a 5 de Abril) que incluiu normas não acordadas em negociação, algumas delas gravosas (como a possibilidade de horários superiores a 40 horas semanais).

Ninguém pode dar o que não tem

Desde há muito que sempre temos apoiado a diplomacia económica, até mesmo no tempo em que alguns fundamentalistas de hoje olhavam para isso de soslaio; damos de barato que haja diplomacia comercial; e também sempre escrevemos que o MNE, por tempo demasiado longo, esteve longe disso, como hoje chegou tarde à matéria. Só que não diplomacia económica possível com o eclipse da diplomacia política, e quanto à diplomacia comercial, ela não passa de plantação provinciana de coentros e salsa no quintal, sem política externa com cabeça, tronco e membros, e sem ação e atividade diplomática suportado por esqueleto interno, estrutura de sustentação que faz o vertebrado ser vertebrado. Há algum fogo de artifício bilateral, mas, ainda que pouco, o assunto esgota-se em lançar foguetes e apanhar as canas. 0 comentários