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domingo, 2 de junho de 2013

TRAGÉDIAS DO PORTO


  O DESAPARECIDO
A Tragédia da Ponte das Barcas é, seguramente, a catástrofe que mais marcou a psicologia coletiva dos portuenses até aos dias de hoje.
A largura, o forte caudal e a profundidade do Douro foram sempre sérios obstáculos à construção de uma ponte tradicional. A solução encontrada foi a de, periodicamente, amarrar barcaças umas às outras e colocar pranchas de madeira entre elas. Uma ponte de barcas. 



 Painel de azulejos retratando a tragédia do vapor "Porto".
Em 1852, dá-se uma tragédia que acaba por ser determinante, ainda que a longo prazo, para a construção de um porto artificial em Leixões. Trata-se do naufrágio do vapor "Porto" na barra do Douro num dia de temporal, a 29 de março (dia de aniversário do desastre da ponte das Barcas, em 1809), tendo-se salvado apenas três náufragos. A cidade chorou, como nunca, esta tragédia que varreu algumas das melhores famílias da burguesia, cujos elementos se deslocavam a Lisboa utilizando a via marítima, tida como segura.
Tragédia do vapor "Porto" em 29 de março de 1852, conforme um desenho da época.
 

 Teatro Baquet
 
Com entradas pelas ruas de Santo António (hoje 31 de Janeiro) e de Sá da Bandeira, o teatro Baquet foi mandado construir pelo alfaiate portuense António Pereira Baquet, em 1858. Na noite de 20 de março de 1888, ficou completamente destruído por um violento incêndio que deflagrou nos bastidores, causando 120 mortos. Durante e após o acontecido viveram-se momentos de pânico e horror, conforme testemunha a imprensa da época.
Gravura do rescaldo do incêndio que destruiu por completo o teatro Baquet, na noite de 20 de março de 1888.
Foto do Real Teatro de São João, em 11 de abril de 1908, logo após o violento incêndio que destruiu completamente o edifício.
Denominado Real Teatro de São João, foi edificado em 1794 por determinação de Francisco de Almada e Mendonça, com projeto do arquiteto italiano Vicente Mazzoneschi. Foi inaugurado com a comédia "A Vivandeira" a 13 de maio de 1798, assinalando o aniversário do príncipe
Derrocada de parte da escarpa da serra do Pilar.
 
Cheias do rio Douro de dezembro de 1909, quando se chegou a equacionar a hipótese de se cortar o tabuleiro inferior da ponte Luís I, para evitar que a fúria das águas arrastasse toda a ponte.


As cheias do Douro de 1909 foram as maiores que há memória no Porto e em Gaia. Ficaram tristemente célebres por terem ocorrido nas vésperas de Natal e pelas águas terem chegado apenas a 80 centímetros do tabuleiro inferior da ponte Luís I, o que levou as autoridades a prepararem a demolição deste com explosivos. Largas dezenas de barcaças, barcas de carga e navios foram arrastados pela corrente, uns afundam no rio, outros despenharam-se na Foz, outros ainda foram expelidos barra fora. Os prejuízos humanos e materiais foram incalculáveis. 
 
Navio liberiano "Silver Valley" encalhado e partido em dois na barra do Douro, em 16 de fevereiro de 1963. No momento desta foto, a tripulação já havia sido resgatada por dois helicópteros.



No dia 29 de janeiro de 1975, o superpetroleiro dinamarquês "Jabob Maersk", carregado com 88 mil toneladas de petróleo, encalhou à entrada do porto de Leixões. O motor do navio incendiou-se, provocando uma estrondosa explosão ? ouvida em toda a cidade e arredores ? que partiu o navio em três. Durante vários dias, os destroços do petroleiro estiveram em chamas com labaredas que atingiram os 100 met. 

A proa do "Jabob Maersk" encalhada em frente do castelo do Queijo, em meados da década de 1990.