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domingo, 4 de agosto de 2013

HELENA SACADURA CABRAL: "MÃE SOFREDORA...."



"Isto não é uma biografia...mas a trapalhada de um calvário! Clique  AQUI para entrar na via-sacra da "cria" de Helena Sacadura Cabral.


Entrevista

"O que o meu filho sofreu até agora, só eu e ele é que sabemos"

Cristina Esteves  
05/08/13 00:17
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Helena Sacadura Cabral é escritora, economista, foi a primeira mulher a entrar nos quadros do Banco de Portugal, odeia política mas é mãe de dois políticos.
Política Sem constrangimentos nem limitações, Helena Sacadura Cabral fala sobre a demissão que afinal não foi irrevogável e dos novos desafios de Paulo Portas e revela as razões de ser uma "força da natureza".
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O que pensa deste Governo?
(risos) Já deu o que tinha a dar, mas como foi eleito por quatro anos, pronto... No meu caso há uma situação especial, sou por um lado cidadã, e não me demito dessa situação, e por outro lado sou mãe. Portanto, o meu filho Paulo contará comigo totalmente enquanto mãe para o acolher, para estar com ele, para ser solidária, para lhe dar força, totalmente. Nunca lhe falharei enquanto mãe.
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Deu-lhe força quando ele apresentou a demissão?
Dei. Como a minha mãe me dizia muitas vezes, e eu considero a minha mãe um exemplo, "filha, eu não estou de acordo com isso, mas se é isso que queres fazer, seja qual for o resultado, estou solidária contigo".
Mas no seu caso estava de acordo...
No meu caso estava de acordo, aliás, já desde Setembro do ano passado.
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Com a Taxa Social Única (TSU)?
Com a TSU. Estava com esperança que ele saísse definitivamente...
Ah!... Com uma esperança que me levaria a Fátima. Tinha uma esperança enorme que acontecesse com ele o que aconteceu com o pai: a ruptura. E devo dizer uma coisa, leiam os que lerem esta entrevista, o que o meu filho sofreu de Setembro do ano passado até agora, só eu e ele é que sabemos. Não estou a dizer isto com grandes mágoas, quem corre por gosto não cansa. É o caminho dele, foi escolhido por ele. Eu é que estou a alombar com o resto e não escolhi nada deste caminho. Eu ando a alombar com os caminhos de toda a gente na minha vida, primeiro era o pai, depois era o outro filho, agora este filho... Eu espero, mas não tenho muita esperança, que os meus netos não sigam o mesmo caminho. Mas já estou a ver o mais velho metido nuns movimentos culturais, que começam pela cultura e acabam na política.
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Já consegue perceber a área ideológica dele?
Ah... de esquerda! Então qual era a área? Já lhe disse não levas nenhumas pratas para a tua casa, isso vai tudo ser vendido antes de eu morrer. Eu a dar as minhas pratinhas à esquerda portuguesa é que não. Eu não gosto da direita, mas realmente estar a financiar a esquerda que imediatamente transformava aquilo para financiar o partido isso devo dizer-lhe que não. Antes fazer uma viagenzinha de cruzeiro, ou coisa que o valha, que vou morrer e ainda não fiz um cruzeiro (risos).
Lembro-lhe que o meu karma foi: tive o Miguel preso com 12 anos e o Paulo com um processo em tribunal aos 15. Chega!
Para não falar no Miguel, que resolveu fugir do jardim-de-infância aos quatro anos...
Nem tinha quatro, tinha três. E foi por ali acima, pediu para o atravessarem de um lado para o outro e, como não chegava ao elevador, foi o resto a pé.
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É verdade que atirava os brinquedos aos polícias?
Sim. O Miguel foi muito rebelde. O Miguel era muito parecido comigo, o Paulo é muito parecido com o pai. O Miguel era muito rebelde, foi difícil, difícil.
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Como é que Paulo Portas apresenta uma demissão irrevogável e volta atrás? O que acha que aconteceu?
Como cidadã, acho que ele teve exactamente o mesmo problema que teve o Gaspar: saiu-lhe a tampa.
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E a causadora desse saltar de tampa terá sido a nova ministra das Finanças?
Não terá sido exactamente isso, mas a nova ministra das Finanças, que eu não tenho a honra de conhecer, mas que estudou na casa onde eu ensinei, por pouco não foi minha aluna, não me lembro da cara dela e o nome não me diz nada... mas sei lá. O problema do Paulo, em relação à dra. Maria Luís, não é um problema da dra. Maria Luís, personificado. Ele não concordava com a política que estava a ser seguida pelo ministro Vítor Gaspar e a dra. Maria Luís é a continuadora dessa política.
Vítor Gaspar admitiu falhas...
Exactamente. Portanto, há muito tempo que se sabia que o CDS, e isto estou a falar como cidadã, não tenho nenhuma informação privilegiada, porque como lhe digo não falo de política com o Paulo, não me interessa, é uma leitura dos jornais e a minha leitura pessoal, pode até ser muito injusta, mas eu não estou a ter cautelas particulares nesta conversa consigo. Portanto, acho que o Paulo disse: "se eu deveria ser ouvido na escolha da substituição de Vítor Gaspar, é escolhida uma pessoa que trabalhava directamente com ele - escolha que se pode entender porque deve conhecer os dossiês muito melhor do que qualquer outra pessoa - é promovida a ministra de Estado, a uma situação em que fica equiparada em igualdade com o Paulo... Ele terá manifestado, pelo que eu li, que não seria a solução dele, que era preciso pensar. E ela é nomeada? Saltou-lhe a tampa!
Agora com o Paulo como vice-primeiro-ministro, como coordenador da área económica, como coordenador nas relações com a ‘troika', como responsável pela reforma do Estado...
É uma brutalidade de uma pasta. Se tem arcaboiço para isso? Tem, disso não tenha dúvida! Há uma coisa que eu garanto, o Paulo é o ‘bulldozer' de trabalho, não tem mulher, não tem filhos, não tem nada. O Paulo está casado com a política. Nesse aspecto, não é isso que me preocupa. Preocupa-me um dia poder dar-lhe um AVC e ir desta para melhor. Agora se vai ser capaz ou não... Isto é um assunto que vai ter de ser gerido com pinças, porque se a dra. Maria Luís Albuquerque conseguir perceber que aquilo que estava em causa não era ela, mas a política que ela podia representar, é uma coisa. Se ela não conseguir perceber isso...
O grande problema destes dois anos de governação não foi a comunicação, foi o Governo não ter conseguido explicar, pôr o País ao corrente do que ia fazendo e porque ia fazendo. Não é comunicar, é partilhar.
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Acha que ao ter voltado atrás pode ser um obstáculo?
Nós sabemos muito pouco do que está por trás de todas estas coisas.
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Houve aqui muitos romances?
Eu acho que houve aqui muitos romances. Para o Paulo voltar atrás com uma decisão, há-de ter tido alguma garantia suponho eu, estou a falar como cidadã e não como mãe, de que não entrará em conflito. Algumas coisas devem ter sido combinadas de maneira a garantir a posição da dra. Maria Luís e a garantir a posição do Paulo. Eu acho que - e digo-lhe o que disse a ele - uma coligação em que o segundo partido da coligação é o terceiro elemento do Governo não lembra a um careca. Lembrou ao Dr. Passos Coelho e o Paulo aceitou. Fez mal!

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