Translator

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"OS PULHAS DE ONTEM E OS DE HOJE.


.
Manelinho: obrigado pela notícia respeitante ao Livro da Benfeitoria. O teu erro (se me permites dizer, e aliás bastante comum) está em não te lembrares (ou desconheceres) o que foi a vida financeira, económica, social, em matéria de Educação do Povo e em questões de Política Externa, etc., durante todo o período do Liberalismo (no qual, conforme os clichês correntes) éramos “democratas” porque (finalmente) “tínhamos partidos políticos”.
.
Uma (uma não: muitas desgraças…). Quem deu cabo da Monarquia não foram os Republicanos: quem deu cabo da Monarquia foram as pulhices dos políticos monárquicos, a cujas sacanices e incompetência acabaram por ser sacrificadas as vidas de pessoas altamente civilizadas, como eram o Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe.
.
Esses políticos infames é que deitaram abaixo a Monarquia! 
.
E, ao fazê-o, abriram o caminho a uma porção de bandidos, criminosos, e com cholé nos miolos, que vieram fazer 10 vezes pior do que os infames políticos monárquicos tinham feito.
.
Se queres ter uma pálida ideia do que foi a “gloriosa e democrática” 1ª República, aconselho a leitura (ou releitura) da minha nota “Aquela República…” no meu livro ALMADA DIXIT. E o que lá digo é só uma pequena amostra!
.
Quem tem uma clara ideia disso, e do estado ultra-miserável a que conduziram o País, numa análise imparcial não pode deixar de concluir que a Revolução do 28 de Maio (1926), depois formalizada no Estado Novo, abriu caminho a uma era de hercúlea recuperação!
.
De Maio de 26 a Abril de 74 Portugal teve de enfrentar uma porção de graves dificuldades internas e externas (em particular, a Guerra Civil de Espanha e a 2ª Guerra Mundial).
.
Aguentou-se e pôde proceder a uma funda obra de reconstrução e progresso PORQUE a Administração, nesse período, precisamente se pautou pelas tais Quatro Virtudes Cardeais: como se dizia no catecismo do meu tempo: PRUDÊNCIA, JUSTIÇA, FORTALEZA e TEMPERANÇA. 
.
Quem não perceber isto, não percebe nada! PORTANTO não me venham dizer que nós ESTAMOS GENETICAMENTE DESTINADOS Á PULHICE, À BAIXEZA, À ORDINARICE!
.
A prova de que assim não é, ficou feita. Agora, quando se promovem a governantes a escumalha, os bandidos, os traidores, os f de p, que foi (é) o que tem sucedido no “abrilismo”, é claro que os resultados só podem ser os que temos tido.
.
A minha diferença, em relação a muitos de vocês, é que, muito antes do 25/74, EU JÁ SABIA a massa de que eram feitas as chamadas “oposições ao Regime”. E sabia por conhecimento pessoal dos especímenes, ou por testemunhos fidedignos.
.
Caro Manel: para não caírem no desespero, vocês terão é de mudar de óculos! 
.
Eu, aos 20-21 anos, já tinha percebido isto. Não por ser super-inteligente, mas por ter lido os livros certos (nacionais e estrangeiros) –, e por não embarcar nas “conversas de chacha” (ou de “sacanas”) dos nossos pseudo-democratas.
.
Quem sabia o que era DEMOCRACIA era eu, não eles… Para muitos deles, a palavra DEMOCRACIA não era mais do que um “pé-de-cabra”…
.
Aproveito para juntar um documento respeitante à reforma de… Salazar… 
.
Em termos da moeda actual, cerca de € 13.63. Interessante, não é? 
.
Isto… e MUITAS OUTRAS COISAS, das quais não se fala – porque não convém.
Abraço.
J.
.
Isto não tem saída
Daqui a seis séculos também estaremos assim…???
No fundo, bem no fundo, nestas questões nada parece ter mudado muito desde 1426....
Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a D. Duarte, em 1426, resumo feito por Robert Ricard e constante do seu estudo «L’Infant D. Pedro de Portugal et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”», in Bulletin des Études Portugaises, do Institut Français au Portugal, Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).  
.
O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência.
.
É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos.
.
A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente.
.
A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça.
.
Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou.
.
Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. 
.
De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.»

Sem comentários:

Enviar um comentário