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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

BATEMOS PALMAS


Em Defesa da Decência


"Não se embarca tirania neste batel divinal. / Pera vossa fantesia mui estreita é esta barca." - Gil Vicente (c. 1465 - c.1536?), Auto da Barca do Inferno
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Foi organizado esta semana um encontro "patriótico"[1] (ahahahah...) digno do mundo da Alice no País das Maravilhas. Por lá passaram os grandes coriféus do regime cujos nomes me dispenso de citar por uma questão de higiene. Não me irei alongar, pois é desnecessário estar a repetir o que já foi dito e escrito em muitos outros lugares. Apenas julgo que os portugueses devem de pensar um pouco nos personagens que participaram no maldito encontro e reflectir um pouco sobre o seu passado mais recente.
Quando Portugal enfrentou uma das maiores crises da sua história na década de 1960, muitos dos que hoje ladram a palavra "patriotismo", eram os mesmos patifes que nessa época proferiam as maiores barbaridades contra Portugal.
A nação portuguesa combatia então uma guerra em três frentes que durou treze longos anos. Durante estes treze anos, fomos a linha da frente contra o Bolchevismo em África e enfrentámos práticamente sozinhos os movimentos de "libertação" financiados, apoiados, armados e treinados pela União Soviética, essa mesma União Soviética que mantinha milhares de prisioneiros políticos enclausurados, torturava e executava outros tantos e, se necessário, estava pronta a provocar um holocausto nuclear em nome do internacionalismo marxista...
E enquanto os portugueses se batiam em África, o que faziam os velhos e amnésicos que agora andam a organizar congressos ditos "patrióticos"? Pois bem, vilipendiavam por completo a imagem de Portugal no estrangeiro. Uns militavam em lojas maçónicas onde faziam rituais esquisitos vestidos com um avental, outros fugiram para as argélias deste mundo onde passavam os dias a emitir propaganda contra Portugal e incentivavam a que se matassem soldados portugueses negros e brancos, e outros andavam a lançar vivas ao "camarada" Estaline e ao "camarada" Mao Tsé-Tung, entre outros patifes do género... (tudo pessoas de bem e "humanistas" exemplares...).
Entretanto, deu-se um golpe em Abril de 1974 (outra história muito mal contada...) e o caminho ficou aberto para a maçonaria e os marxistas tomarem conta da coisa. E assim o fizeram. Durante 39 anos a escumalha que hoje fala em "patriotismo", foi a mesma escumalha que engordou como nunca antes. Mas houve coisas que ficaram por explicar e que até hoje ninguém compreende muito bem. Quem financiava os "meninos" que andavam na França, Argélia, União Soviética, etc... a emitir propaganda e a conspirar contra Portugal? Quem é que os sustentava? Que interesses é que esta gente representava? Tudo isto e muito mais está ainda por ser convenientemente esclarecido...
A "descolonização exemplar" feita pelos tais "patriotas" redundou em cerca de 1 milhão de mortos e deu origem a mais uma série de estados falhados em África prontos a serem consumidos e estuprados pela alta finança mundial. O PREC foi outro "sucesso patriótico" que apenas serviu para dessincronizar toda a economia nacional e colocá-la de rastos. O abuso que estes "patriotas" deram ao país foi tanto que Portugal, uma nação que em 1973 crescia a 6,9% ao ano, estava já em 1977 dependente do FMI para tirar a barriga da miséria e em 1983 seguiu-se uma nova intervenção do mesmo FMI.
A partir de 1986, o desespero do regime da Terceira República abrandou, pois passámos a ter a CEE ao nosso dispôr para nos pagar as contas e sustentar os excessos do regime. Entretanto, o compadrio entre o poder político e económico não parava de aumentar e a rede nacional de "tachos" também não. As pescas e a agricultura foram arruinadas, a indústria desmantelada e os diktates de Bruxelas trataram de arruinar o pouco que havia sobrado. Tudo muito "patriótico" não hajam dúvidas...
A sorte da escumalha que hoje tenta apagar o passado e branquear a história, é que a falta de vergonha não mata, pois se matasse, já teriam caído todos fulminados! E agora esta mesma escumalha anda com medo, por isso organizam os tais encontros "patrióticos", pois eles sabem bem o extenso rol de crimes pelos quais são responsáveis. Todas as traições, escândalos de corrupção e mortes causadas pela tal "descolonização exemplar" pesam agora em cima dos ombros destes "patriotas" de meia-tigela. 
A pocilga ordinária e falida a que reduziram Portugal é o testemunho vivo da javardice moral da nossa classe política e é bom que esta comece mesmo a ter medo e a preparar as malas para "marchar" pois, ou eu muito me engano, ou esta republiqueta falhada tem já os seus dias contados. Deus tarda, mas não falha...
Notas:
[1] - OLIVEIRA, Octávio Lousada; FREIRE, Carlos Manuel - "É Para Evitar a Violência Que Defendemos a Constituição", Diário de Notícias, 21 de Novembro de 2013. Link: http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3546634
João José Horta Nobre
22 de Novembro de 2013

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