Translator

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

União Europeia: O Império da Merda

Um coprocrata europeu em pleno exercício legislativo.
 
Hoje me deparei com a seguinte notícia:


À primeira vista, isso parece ridículo, e é. A primeira imagem que veio à minha cabeça foi a do velho Senado romano. Por alguma razão, não consegui imaginar Cícero a pedir a atenção dos seus colegas para debater uma questão de importância equivalente. Talvez os tempos fossem mais difíceis, mas o facto de termos chegado muito perto de uma guerra mundial, na era nuclear, há poucas semanas, me leva a acreditar que não. Essa imagem que expõe o contraste entre a União Europeia e o Império Romano não é despropositada, afinal, todos sabemos que o último é invocado constantemente pelos ditos europeístas. É verdade que o império romano nos trouxe a civilização. Graças a ele, fomos incluídos no espaço cultural greco-romano e ainda recebemos influências de civilizações mais antigas, adoptando e adaptando tudo isso, fertilizando o solo para o futuro nascimento de Portugal, que por sua vez se transformou num civilizador que em nada ficou a dever à Grécia ou a Roma.

Porém, isso foi algo bem diverso do que se passa hoje com a (mal)dita. Hoje temos uma civilização que está por um fio e um povo prestes a ser colonizado pela barbárie tecnocrática. À ordem greco-romano-cristã em que assentamos, que nos levou a mares nunca dantes navegados, nos querem impor o arbítrio de uma ditadura inimiga dessa civilização. Os romanos trouxeram-nos a cultura erudita do mundo clássico, a qual absorvemos sem necessidade de imposição, ou melhor, voluntariamente. A União Europeia traz a cultura de massas e a impõe por regulamentos que excluem toda a alta cultura dos meios onde circularia sem essas imposições. Olhem para as nossas escolas e universidades, que adoptam uniformemente, sem que haja possibilidade de oposição, as regras europeias! Qual o resultado? Os romanos trouxeram Virgílio e ainda por cima nos puseram em contacto com Homero. A União Europeia exclui Camões do currículo e impõe aulas de educação sexual.

Ainda assim os povos se cansaram do império romano. Sentiam que a sua estrutura era pesada e demasiadamente centralista, no que tinham muita razão, mas não sabiam o que o futuro distante reservava aos seus descendentes. De acordo com o que podemos apurar através do sistema de taxação do império, as taxas no mundo romano não chegaram a mais do que 3-4% na fase final do império, tendo ficado numa média de 1-2% até o terceiro século da nossa era. Porém, há um factor a ter em conta: a inflação. Esta, na Antiguidade, por não existir uma banca centralizada e papel moeda lastreado em dívida, não mascarava o que nunca deixou de ser: uma forma de tributação. Assim, tendo em conta esse factor, chegaremos facilmente aos 6% de taxação. Hoje, o estado leva uns 40% da riqueza nacional e ainda assim mantém um défice de cerca de 10% da dívida pública, e a União Europeia, que permitiu - e induziu - que os estados da união chegassem ao actual nível de taxação, se faz passar por benévola ao pedir para si uma taxa que lhe permita recolher "apenas" mais uns 3% da riqueza das nações europeias, e nem vou discutir a inflação real do euro, escondida graças à violência dos regulamentos económicos. Levando em conta que a União agora possui poder de veto sobre os orçamentos nacionais, o que significa que poderá dirigir os recursos do erário de modo a privilegiar a classe que a promove, a dos banqueiros, podemos ter uma ideia da intensidade da voracidade dessa "União" na comparação com a voracidade de um "Império".  Os publicani não passavam de rapazes se comparados aos banqueiros... 

Mas voltemos agora à questão das sanitas, não só por ser o tema do post, mas porque nos diz muito a respeito da razão de estarmos na merda. Um liberal dirá que estamos na merda porque, ao invés de discutir temas importantes, os deputados europeus estão preocupados com essas coisas sem importância pois querem regular tudo, como se isso fosse apenas um fetiche. Mas não é assim. Os deputados não discutem nada. Alguns, com certeza, protestam quando podem, com a palavra, mas tudo acaba por passar pois estes são uma minoria. Esses regulamentos vêm prontos de instituições controladas pelos lobbies que actuam em Bruxelas. O esquema é quase sempre o mesmo. Os grandes fabricantes encomendam regulamentos que os favoreçam e os lobbies tratam de "arranjar o negócio". Agora, explicarei qual é o efeito disso nas nossas vidas.

Imaginem uma pequena fábrica em Portugal, obrigada a operar com margens pequenas para compensar a pouca produtividade e os custos ligados ao confisco tributário e à organização monopolística de sectores importantes da economia, como a energia (ninguém a gere melhor na Europa do que o Mexia, afinal, somos os mais esfolados do continente). Diante do novo regulamento, terá que redesenhar o seu produto, ao contrário dos grandes que encomendaram a legislação, que já tinham preparado uma linha que foi a matriz do novo padrão, sendo para isso obrigado a  redefinir toda a cadeia produtiva e, muito provavelmente, encomendar novas máquinas. Estando ele descapitalizado e, por ser pequeno, possuindo capacidade para se endividar, ainda mais num contexto em que o governo suga todos os recursos da banca a juros muito altos, que por isso só emprestará ao tal empresário, que oferece um risco bem maior que o governo, a juros ainda mais usurários, podemos imaginar que terá sérias dificuldades.

Quem ganha? Quase sempre são as empresas das nações cujos mercados nacionais permitiram o nascimento de gigantes com massa crítica para avançar nesse jogo de concentração do poder económico e político, onde o objectivo é quebrar a concorrência num jogo suicida em que "vence" quem aguenta mais. Olhem para as dívidas das grandes empresas e a forma como os bancos as controlam por aí para entenderem esse jogo onde só os últimos vencem de facto. As nossas empresas, como sabemos, não têm condições para jogar o primeiro jogo, e os nossos bancos estão ao nível delas pois não têm massa crítica para serem mais do que joguetes nas mãos dos grandes bancos internacionais.  Portanto, está mais do que na hora de escolher o caminho que desejamos tomar: o da União Europeia, o Império da Merda, ou o que os nossos antepassados descobriram, o do Quinto Império.
 
Carlos Velasco

Sem comentários:

Enviar um comentário