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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

DO COLEGA "PORTUGAL DOS PEQUENINOS"


A gala dos emigrantes famosos

Algumas "elites" e os nababos do costume promovem amanhã, sob o altíssimo patrocínio do regime (PR, Governo e, se bem entendi, com o dr. Seguro a título de correcção política ornamental), um "conselho da diáspora" para a glória exterior do egrégio portugalório. 
Pessoas estimáveis que se safaram lá fora - desde o actor Joaquim de Almeida a um familiar Espírito Santo, passando por "brilhantes" executivos anódinos que, pelos vistos, para o serem tiveram de sair da paróquia - constituem a coisa e juntam-se, um dia antes do horrível natal, para nos mostrar (e ao mundo que incompreensivelmente nos ignora) que há portugueses "bons" que dilatam brilhantemente este lugar deletério junto dos países que os acolheram (ou que eles, muito adequadamente, escolheram para se verem livres disto). 
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Mas esta conversa - a da boa "diáspora" contentinha consigo mesma - é uma léria que funciona em circuito fechado e porventura a despropósito. 
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Porque se o senhor a ou a senhora b são bem sucedidos e, nesse sentido, exemplares e susceptíveis de poderem ser exibidos como troféus dos novos lusíadas para efeitos "gold import-export" tão ao gosto das mistificações patrioteiras do senhor vice PM, é preciso não esquecer os cem a cento e vinte mil "forçados" recentemente à saída e que, decerto, não cabem num evento glamoroso como este, estilo "gala dos emigrantes famosos". 
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Só para "estudar" estes 120 mil era preciso, pelo menos, um semestre e não é certo que os presentes na "gala" oficiosa apreciassem o convívio ou as conclusões. 
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Como escreve Vasco Pulido Valente, «o Conselho da Diáspora está ansioso por impingir Portugal como uma colónia de primeira classe. Resta saber como se fará essa subtil operação de charme. Londres tem o Big Ben a City e a vida fascinante da família real; Paris tem o Louvre e a Torre Eiffel; e Roma tem o Coliseu. 
Mas nós só temos o pénis de João Cutileiro, entre duas colunas triunfais que não significam nada e alguns metros do Algarve, que a construção civil ainda não arruinou de todo: para emblema, não parece grande coisa. 
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Nem a nossa vida do dia-a-dia, mesmo no Porto e em Lisboa, é especialmente convidativa. A velha Lisboa, por exemplo, já não existe e a nova Lisboa não passa de uma mediocridade sem ordem ou alegria. A cozinha tradicional caiu a pique com a falência das pequenas tascas da Baixa e do Bairro Alto. 
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Claro que um investidor não vem cá por prazer. Vem pela estabilidade do poder político; pela solidez do regime fiscal; pelo equilíbrio financeiro, pelas leis laborais ("flexíveis", evidentemente); e pelo funcionamento regular e rápido da justiça; e pela ausência de burocracia. 
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Mas basta abrir um jornal ou ligar a televisão para se perceber que nesta base o "produto" Portugal ou, como explicam algumas notabilidades da Diáspora, a "marca" Portugal não irá provavelmente pôr o mundo em delírio. 
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O respeito dos que nos conhecem (e dos que não nos conhecem) depende da ordem, da eficiência e da sensatez com que soubermos tratar dos nossos problemas. Não depende de vagas conversinhas de "iluminados". 
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O que Portugal é não muda com um bocadinho de public relations, por boas que sejam.»

João Gonçalves | link do post | comentar

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