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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

"LEITURA OBRIGATÓRIA"

Deitámos-nos na Linha do Comboio, ou Como se Destrói o País em Menos de 40 Anos 

“INEPTOCRACIA, um sistema de governo onde os menos capazes de liderar são eleitos pelos menos capazes de produzir e onde os membros da sociedade aparentemente menos capazes de sustentarem a eles próprios ou terem sucesso, são recompensados com bens e serviços pagos pela riqueza confiscada a um número cada vez mais diminuído de produtores”. - Autor desconhecido
 
Com a entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa [1], em 25 de Abril de 1976, deu-se início a um novo ciclo da vida política nacional, a que se pode dar o nome de III República.

Este novo regime teve (e tem) sobre si, a herança de 848 anos de História (1128-1976), do Estado-Nação do país dos portugueses, chamado Portugal.

Nos 37-39 anos decorridos (os dois anos decorridos entre o 25 de Abril e a aprovação da CR, podem ser considerados como um interregno), o novo regime desbaratou quase toda a herança patrimonial que restava e comprometeu, catastroficamente, aquela que sobreviveu às desgraças entretanto ocorridas.

Vamos sinteticamente provar porquê, já que não é possível sintetizar o como.

Em 1974 Portugal espalhava-se por quatro continentes e quatro mares, possuindo um crescimento económico e social que levava décadas, estando a crescer a 7% ao ano, na Metrópole - e mais em Angola e Moçambique, números de 1973.

O escudo era das moedas mais fortes do mundo (provavelmente a sexta mais forte), havia pleno emprego[2], paz social (com um ou outro atentado e manifestação hostil, provocado pela luta do PCP, uns farrapos esquerdistas e o que sobrava da oposição dita democrática, oriunda da 1ª República, contra a ordem vigente); inflação controlada e com um melhoramento paulatino do que se chama hoje de estado social.

Tudo feito com parcimónia, tentando garantir mais-valias futuras e sustentabilidade nos investimentos (ou seja, não gastando mais do que se produzia nem fazendo dívidas que não pudessem ser pagas).

Ao contrário do que a desonestidade intelectual e política proclama – já não se pode apelidar de ignorância – as relações internacionais que nos eram fundamentais estavam todas garantidas e equilibradas.[3]

E ninguém dava ordens ao governo português ou dizia o que tínhamos que fazer…

Nas vésperas do 25 de Abril de 74, nos cofres do Banco de Portugal, contabilizavam-se cerca de 850 toneladas de ouro e 50 milhões de contos em divisas.

Era o que se pode designar por “uma pipa de massa”, fruto de uma administração financeira séria e responsável, que remontava a 1928.

Tudo o que digo são factos incontroversos que nenhuma afirmação ou crítica, feita por qualquer entidade ou força política, pode desmentir.

Já agora talvez seja útil recordar, a quem se faz esquecido ou desentendido, que tudo se conseguiu enquanto se lutava vitoriosamente em três frentes de guerrilha, separadas por milhares de quilómetros, o que teve origem e suporte, nas forças comunistas e no capitalismo e neocolonialismo internacionalista e apátrida.

Infelizmente apoiados por uns quantos renegados portugueses indignos desse nome.

Estes três teatros de operações mobilizavam um total de 230.000 homens em todo o espaço português.

Não era coisa (nem custo) de somenos!

Realizado o Golpe de Estado e perdido, no dia seguinte, o controlo dos acontecimentos por quem o realizou, assistiu-se a um cataclismo quase cósmico, da Nação Portuguesa.

Em pouco mais de um ano sofremos a maior derrocada militar e desastre político de toda a nossa História, em termos militarmente indecorosos, e moral e politicamente vergonhosos, que originou a perda de cerca de 95% do território e 60% da população. A maior parte desta população entrou em guerra civil e depredações de tal ordem, que se prolongaram por décadas provocando um número de mortos nunca contabilizado, mas que se estima tenha ultrapassado o milhão de almas.

Até hoje o discurso político, a maioria dos “média” e os livros escolares, cobriram tudo isto com as mais despudoradas mentiras.

Acantonados nos torrões europeus que nos restaram – que iam do Caia ao Corvo, com muito mar de permeio, a que logo virámos as costas - logo se tentou despachar Macau para a tutela da China, como se tratasse de um apêndice incómodo, e se abandonou Timor à sua sorte.

Afastado o espectro da guerra civil – por uma unha negra –, em 25 de Novembro de 1975, procurou-se uma estabilidade política, que verdadeiramente até hoje nunca houve, e em três ou quatro anos fez-se esfumar por irresponsabilidade e demagogia, a totalidade das divisas e parte das reservas de ouro (hoje reduzidas a 382,2 toneladas, mas “hipotecadas” ao euro); esfrangalhou-se a economia, indisciplinou-se e desequilibrou-se a organização social e as relações de trabalho.

Não contentes com isto endividou-se o país de tal modo que, em 1978, já se teve que recorrer ao muito pouco filantrópico FMI, para se evitar a bancarrota, operação que se repetiu em 1983.

A grande tábua de salvação vislumbrada era a CEE – com quem Portugal já tinha firmado um acordo muito favorável, em 1973 – e para onde conseguiu entrar em 1986.

Mais uma vez aquilo que se veio a revelar serem “fumos da India”, nos fez engalanar em arco, baixar as guardas e descurar o bom senso.

Começou a chover dinheiro a rodos – cerca de dois milhões de contos/dia, de que nunca se apresentaram contas – mas, mesmo assim, continuou-se a aumentar a dívida.[4]

É certo que o País melhorou muito em termos materiais (em termos morais e espirituais é outra conversa), mas a maior parte dos fundos não foi investido em mais–valias reprodutivas, fora aqueles que foram desviados para cevar os apetites consumistas de quem lhe podia deitar a mão.

Tudo isto, porém, feito à conta de muitas opções de desenvolvimento erradas sob o ponto de vista da Estratégia, pela destruição de grande parte do sector Primário e Secundário e da transferência de fatias da economia e finanças para mãos estrangeiras e de cada vez mais funções de soberania para essa entidade oclusa e indefinida que tem sede em Bruxelas (e não só).[5]

A fronteira do desnorte e a abdicação política ocorreram, primeiro com a assinatura do Tratado de Maastricht, em 7/2/1992, depois com a entrada no euro, em 1/1/1999, finalmente com a assinatura do Tratado de Lisboa, em 13/12/2007.

Por último, e mais grave de tudo, quando na sexta revisão constitucional (24/6/2004), se passou o primado das leis para Bruxelas (ver artigos 7 e 8).

Estas opções, a todos os títulos erradas, agravadas com a evolução do directório político da UE para Berlim, em simultâneo com a grave crise financeira internacional, conduziram o nosso país para uma esquina da História, mais grave do que aquela que precedeu a entrada do Duque de Alba e do Marquês de Santa Cruz, em Lisboa, no fatídico ano de 1580.

Parece que anda toda a gente a dormir na forma!…

Em súmula, as forças políticas e sociais que influenciaram a actuação dos órgãos de soberania nestas últimas décadas, conseguiram desbaratar quase toda a riqueza financeira que herdaram (e era muita), desmembraram a maior parte do aparelho produtivo português; alienaram património; estão a destruir o estado nacional e a subverter a população através da descaracterização acentuada da sua matriz portuguesa; pela instalação do “relativismo moral”[6] e pela destruição progressiva das principais instituições que enformavam a Nação.[7]

E, por último, fizeram entrar a sociedade portuguesa num processo de suicídio colectivo, através da implantação de uma demografia negativa, aumento algo descontrolado da imigração e agora obrigando ao aumento da emigração por via do desastre no emprego.[8]

Em síntese a Terceira República não conseguiu criar um escudo/euro de riqueza, ao mesmo tempo que conseguiu condenar a população à pobreza e escravidão e domínio estrangeiro, pois não só não será possível pagar a dívida, tão pouco os juros da mesma, mantendo os políticos e as políticas actuais.

Não contentes com este cenário, os defensores do “status quo”, que com maiores ou menores responsabilidades, foram os causadores do descalabro actual e pelo bloqueamento do sistema político, apresentam-se agora como putativos próximos salvadores do buraco que criaram.

E promovem “congressos”; arregimentam apoios; mobilizam “Aulas Magnas” e outros recintos; multiplicam os comentários e acções de rua; atacam-se e recriminam-se mutuamente; apelam a greves, alertam (ameaçam?) para possível violência, etc., sempre no intuito do “passa culpas” e de se manterem ou ganharem os favores da governação, já que sobre quem detém as alavancas do Poder, ninguém sabe nem ninguém controla (Poder, coitados, que despacharam alegremente para estranhos, que não influenciam minimamente).

É preciso ter muita lata, muita falta de vergonha e pouca consciência, se é que alguma.

Deitaram-nos na linha do comboio e agora este passa-nos por cima.
Notas:



[1] Que melhor se chamaria “Constituição Portuguesa”… Convém estarmos lembrados das vicissitudes e condicionalismos que enformaram a sua feitura e aprovação e que as sete revisões entretanto efectuadas, não a alteraram em substância, à excepção da penúltima, em que se passou, na prática, quase toda a soberania para Bruxelas! O que, sem sombra de dúvidas, constitui uma inconstitucionalidade e um contrasenso.
[2] Começava até a escassear alguma mão – de - obra por via do pico de emigração que se registava para países europeus.
[3] A falácia do “orgulhosamente só” não resiste a dois minutos de conversa…

[4] Este dinheiro que veio da “Europa” deve representar uma riqueza maior que todas as especiarias, ouro e pedras preciosas, obtidas no Ultramar, sem sequer termos o trabalho e a despesa de lá enviar navios e soldados a buscá-las… [5] Este “não só” dava pano para mangas… [6] De que a liberalização do espaço mediático constituiu um passo fundamental. [7] Bom, fizeram tudo isto e continuam ufanos do que fizeram. Será isto uma espécie de alienação mental? [8] Chegou-se agora à baixeza de “oferecer” a nacionalidade portuguesa a quem invista em Portugal uma soma superior a “X” euros. Será isto uma forma de prostituição nacional? Já não bastava a vergonha das nacionalizações “à força” de estrangeiros do xuto na bola, para poderem jogar na Selecção Nacional?
 João José Brandão Ferreira,
Ten. Cor. Piloto Aviador (ref.) - Cmd. Linha Aérea
10 de Dezembro de 2013

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