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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

MAIS UMA DO RICARDO ARAÚJO PEREIRA


Os Venezuelanos anteciparam o Natal, Passos Coelho prolonga a Quaresma. Anos de privações.

O presidente da Venezuela antecipou o Natal para Novembro e a notícia foi recebida aqui com uma certa superioridade gozona. 
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Portugal, que é um pequeno e pobre país africano, às vezes comporta-se como se
pertencesse à Europa rica.
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Vai uma distância assim tão grande entre as loucuras do governo venezuelano e as do nosso? Vou buscar a fita métrica e já voltamos a falar.
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O governo da Venezuela é dirigido por Nicolás Maduro; o governo de Portugal está, ao mesmo tempo, podre e verde. 
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Dos três estádios de evolução da fruta, calharam-nos os dois que não interessam. Uns ministros estão a cair de podres, outros estão verdes para o cargo, e Rui Machete está ambas as coisas: a cada declaração pública, revela ser ao mesmo tempo inexperiente e ultrapassado.
1-0 para Portugal.
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Maduro veste-se com as cores da bandeira da Venezuela, envergando garrido um fato de treino que o habilita simultaneamente a governar o país e a treinar o Paços de Ferreira; Passos Coelho veste-se com as cores da bandeira portuguesa, envergando um pin. É patriotismo bacoco na mesma, mas ligeiramente mais discreto. A Venezuela empata: 1-1.
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Nicolás Maduro vê Hugo Chávez em todo o lado. Primeiro, ouviu a sua voz no canto de um passarinho, agora viu o seu rosto numas escavações do metro. Passos Coelho vê a retoma económica em todo o lado. A economia portuguesa está tão morta como Hugo Chávez, mas tanto o governo português como o venezuelano garantem que eles ainda vivem. Julgo que é um empate: 2-2.
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Na Venezuela, Maduro pediu ao parlamento para governar por decreto, isto é, dirigir o país sem precisar do aval da assembleia. Trata-se, diz ele, de fazer face a um período de guerra económica. 
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Nenhum dirigente internacional minimamente prestigiado o apoia. Em Portugal, Passos Coelho quer governar à margem da constituição. 
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O presidente da comissão europeia, Durão Barroso, concorda com ele. Ou seja, felizmente, também nenhum dirigente internacional minimamente prestigiado o apoia.
Novo empate, que coloca o resultado num renhido 3-3.
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O presidente venezuelano resolveu antecipar o Natal, para proporcionar uma alegria ao povo; Passos Coelho decidiu prolongar a Quaresma, para proporcionar uma alegria à troika. 
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Em vez de durar 40 dias, a nossa Quaresma promete durar 40 anos. Os venezuelanos têm dois meses de cânticos, festas familiares e trocas de presentes; nós temos quatro décadas de jejuns, penitências e sacrifícios.
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Portugal recoloca-se em vantagem: 4-3.
Não sei bem de que é que estamos a rir.

RICARDO ARAÚJO PEREIRA em "Don't cry for me, Venezuela"

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