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domingo, 29 de dezembro de 2013

MEIA DOSE DE GAFANHOTOS



Lavínia Leal | Publicado há 31 minutos

Na Escola de Turismo de Peniche já se ensina a cozinhar com gafanhotos e larvas. Em Lisboa a RTP encontrou um engenheiro mecânico que sonha com o dia que em vai abrir um restaurante da especialidade na capital. Aqui fica a ementa do Chef Miguel para o fim do ano - com insetos.
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Há 11 anos escrevi e publiquei AQUI
Gastronomia  bizarra
Meia dose de gafanhotos, uma e outras de vários insectos é o que acontece, diáriamente, num dos muitos restaurantes de gastronomia artrópode  (insectos), na cidade de  Banguecoque, condimentados com molhos de piri-pire, peixe,camarão, ostras e , ainda,  com outros paladares exóticos.
 
Não se assustem!
Isto porque se observassem as frituras de gafanhotos numa das muitas bancas de ruas na “Cidade dos Anjos” lhes fazia abrir o apetite e crescer a água na boca. 
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Como é sabido estes insectos apenas se alimentam de vegetais e de que maneira. 
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Quando uma núvem cai em cima de uma seara devoram-na em menos tempo que o diabo esfrega um olho. A gafanhotada, depois de frita, fica muito parecida aos camarões fritos. 
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Nos tempos que andei por África e quando vinham as primeiras chuvas, milhões de insectos, compridos saiam dos ninhos, morros, construidos com a suas babas, misturada com  terra,  chamados de “muchã”, cuja dureza se assemelhava a uma estrutura de cimento armado.
        
  1. Lagartas voadoras, compridas, batendo as asas, em direcção às luzes da iluminação pública, para o “bichinho” se suspender no ar, o que não aguentavam o flutuar da carga do peso e acabavam por cair, em queda livre, no solo.
  2. Os nativos enchiam latas que foram de 20 litros de petróleo e carregavam-nas para suas casas. Dias seguintes de ementas melhoradas com fartura de conduto para acompanhar a “fuba” (farinha de milho cosida).
  3. Em Banguecoque vim encontrar essa especialidade, culinária, dos nativos moçambicanos e ainda noutras variedades dessa bicharada.
      
Mas, não fique  por aí, confrangido ( claro se me lerem) com vontade de lançar a carga ao mar e dizer para os seus botões: “era lá capaz de comer essa “porcaria”! 
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Pois, até petiscava, se ouvisse um mestre da gastronomia portuguesa, o Pereira, chefe de cozinha de um dos melhores restaurantes de Lisboa, o “Club dos Empresários”, na avenida da República, como eu lhe ouvi há uns anos em Banguecoque.
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A curiosidade do Chefe Pereira levou-o a percorrer as ruas de Banguecoque, observou a fritura dos gafanhotos, as suas narinas aspiraram o cheiro do “esturricado” dos bichinhos avermelhados, iguais aos camarões na frigideira, não resistiu à tentação de provar e apreciou. 
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O Chefe Pereira, veio integrado na delegação do António Clara, proprietário do Clube dos Empresários para um Festival de Gastronomia Portuguesa, no Hotel Oriental ( desde há vários anos classificado o melhor do mundo) durante 15 dias redondou num total sucesso e,  participaram no evento: o famoso guitarrista António Chaínho, o violonista Fernando Nóbrega e a Fadista Elsa Coimbra.
    
Mas antes que acabe com a história da tão estranha gastronomia, terei que colocar em relevo a excelente e inesquecível, depois de experimentada, a cozinha tailandesa, não fiquem por aí a pensar na Tailândia se comem “cobras e lagartos”. 
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As cobras (embora proibida a captura para conservar o meio ambiente) têm sido exportadas e candongadas para Macau e outros países, daquelas bandas, de etnia chinesa).
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Não conhecemos restaurantes tailandeses de comidas afrodisiacas e exóticas mas uma das melhores do planeta terra, onde nela, além da pureza, caracteristica, é muito farta de marisco e vegetais. De facto é picante e não conheço um prato tai que não seja condimentado com os pequenos “piri-piris” que até foram os navegantes portugueses que trouxeram as sementes de Moçambique para o Antigo Reino do Sião a partir dos anos 1512. 
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Recomendamos que quando apreciarem as finas iguarias culinárias não entrem em pânico, bebendo copos e copos de água para afastarem a ardura da vossa boca, mas umas colheradas de arrozinho alvo de neve, cosido apenas com água e sempre colocado na mesa como na portuguesa está o pão, o picante foi-se e lentamente vai começar a gostar mesmo dum “piquezinho” no quotidiano da sua dieta.
 
Voltando à história da gastronomia “insectívora”, no que se refere à Tailândia, esta iniciou-se devido às contínuas pragas de gafanhotos, “Patanga Succinta” que em enormes nuvens levantavam vôo de Bombaim (Índia) em direcção às terras do Nordeste da Tailândia (Isaan e antigo império Khmer), aonde as plantações eram totalmente devastadas. 
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Para evitar a ruína das colheitas, estas passam a ser antecipadas e começa, então, a doce vingança dos camponeses! Estes lembram-se de fritar em óleo, bem torrados, os intrusos e  com grande surpresa  dão conta do seu bom paladar. 
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Os gafanhotos e outros insectos são ardilosamente capturados durante a noite em espaços, junto às culturas, aonde foram instaladas luzes fluorescentes e para onde os bichinhos, voadores e devoradores de tudo que seja verdura, se dirigem. No dia seguinte acabam no mercado e, dentro de uma sertã de restaurante, normalmente de rua , depois transformam-se num pitéu para os apreciadores de tão  estranha e exótica culinária.
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São capturados na Tailândia, durante as duas únicas estações do ano existentes neste país, cerca de cento e noventa e quatro espécies de insectos. Um porta voz do Ministério da Agricultura do Governo da Tailândia informou que os insectos, além de fritos, são condimentos para outros pratos, onde se inclui a carilada.
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Bem, se vier uns dias ao “País dos Sorrisos” e ao caminhar numa rua chegar até às suas narinas um cheiro muito similar ao do fritar uns carapaus, fica, desde já, a saber que não se trata da fritura de chicharros, carapaus do gato ou sardinhas petingas, mas sim de insectos!  
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Pare num dos muitos restaurantes artrópodes de rua e, como o chefe Pereira, peça um para o saborear , certamente, vai ser da mesma opinião,do especialista da gastronomia portuguesa, que provou e gostou.

José Martins

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